ITAJAÍ

Mulher levou “bebê reborn” pra tomar vacina em posto de saúde

Servidores recusaram atendimento e mulher foi embora exaltada; projeto de lei está sendo debatido na câmara sobre o assunto

Mulher queria gravar atendimento de bebê reborn para postar imagens nas redes sociais 
(Foto: João Batista)
Mulher queria gravar atendimento de bebê reborn para postar imagens nas redes sociais (Foto: João Batista)

 

Legislação proíbe atendimento de bebê de mentira nos postinhos  (foto: Agência Brasil)
Legislação proíbe atendimento de bebê de mentira nos postinhos (foto: Agência Brasil)

A onda de bonecos super-realistas, chamados de “bebês reborn”, que viraliza nas redes sociais, já ganhou reflexos no mundo real da região. Em Itajaí, uma “mãe” de boneca procurou o posto de saúde do Parque do Agricultor, no bairro Baía, pedindo a vacinação para o bebê reborn. A cena geraria imagens que seriam postadas pela mulher nas redes sociais.

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A equipe do posto recusou a aplicação da vacina de mentirinha. A “mãe” foi embora contrariada e o caso motivou um comunicado da unidade de saúde alertando outros postos da rede municipal de que a mulher poderia buscar atendimento pra boneca em outros bairros. O episódio na zona rural de Itajaí foi registrado em janeiro, mas só ganhou divulgação agora.

Na ocasião, segundo a secretaria de Saúde, a mulher pediu pra que fosse simulada a aplicação de vacina no bebê reborn da filha dela, de quatro anos, que estava junto. O pedido teria partido da vontade da menina de que a boneca fosse vacinada.

A servidora do posto chegou a pedir a carteira de vacinação da criança, pensando se tratar de atendimento para a filha da mulher. 

“Inicialmente, a profissional que fez o atendimento solicitou a carteira de vacinação imaginando que a intenção seria de vacinar a criança de quatro anos. A mulher negou e pediu a simulação com a boneca, para que ela filmasse e postasse nas redes sociais”, informou a secretaria de Saúde. A equipe do posto negou a brincadeira.

“O corpo técnico da UBS explicou à mulher sobre a inviabilidade do procedimento, pois precisariam ser desperdiçados equipamentos comprados com dinheiro público e que são utilizados para aplicação de imunizantes exclusivamente em seres humanos”, diz a nota da secretaria. A mulher ainda insistiu: “Que que tem? É só abrir uma seringa, só abrir uma agulha e fingir que deu”, teria dito.

Saiu reclamando

Diante da recusa de todos os profissionais de saúde do posto, a mulher acabou indo embora reclamando.

A secretaria de Saúde informou que a mulher não mora nos bairros de abrangência da UBS Parque do Agricultor, que atende as comunidades da Baía, Km 12, Paciência e Arraial dos Cunhas.

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Projeto de lei proíbe atendimento médico para bonecos

A febre de bebê reborn motivou um projeto de lei do vereador Beto Cunha (Republicanos), de Itajaí. A proposta segue ideias parecidas pelo país e proíbe atendimento médico para bebê reborn e outros “objetos inanimados” nas unidades de saúde pública do município. O projeto foi lido na sessão de terça-feira na Câmara de Vereadores de Itajaí e segue em andamento, sem data pra votação.

O descumprimento da medida prevê pena de advertência, sanções administrativas e multas, com regras que devem ser regulamentadas pelo Executivo, se o projeto avançar. “A proibição do atendimento médico a bebês reborn visa evitar a confusão e o desperdício de recursos públicos e médicos, evitando o mal emprego das verbas públicas destinadas à saúde”, justificou o vereador.

Ele ainda apontou que a norma evitaria situações embaraçosas para os profissionais de saúde e ajudaria nas condições de atendimento da rede, que já sofre com a alta procura. “Fica à vista de nossos olhos o cenário onde milhares de crianças e adultos aguardarão por atendimento médico nas unidades de saúde, e possivelmente não serão atendidos em razão de terem bebês reborn ocupando o espaço nas filas de espera”, considera o parlamentar.

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Prefeito propõe internação de donos de bebês reborn

Em Santa Catarina, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), viralizou nas redes sociais ao determinar a internação involuntária pra quem pedir atendimento pra bebês reborn na rede pública. A manifestação foi na semana passada, após notícia de uma mulher que procurou um hospital pra “tratar” um boneco que não estava “se sentindo bem”.

O caso inspirou projetos de lei como o deo vereador Beto Cunha, pra proibição de atendimento pra bonecos. “Se alguém inventar de entrar em uma unidade de saúde pra pegar uma ficha pra levar o bebê reborn pra consultar, a ordem tá dada. Pode pegar o autor ou o proprietário desse bonequinho e nós vamos internar involuntariamente, porque a pessoa não pode tá bem”, disse João Rodrigues.

O prefeito questionou o comportamento com os bebês reborn, apontando “falta de espiritualidade e da presença de Deus no coração das pessoas”. “Não tenho nada contra. Quem quer ter que tenha, trata como boneco. Mas agora tem gente querendo tratar como um bebê de verdade. Estão fazendo encontros, aniversários e tem gente querendo levar pra consultar”, criticou.

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Apesar de projetos pelo país pra proibir atendimentos de bonecos pelo SUS, João Rodrigues adiantou que, em Chapecó, não terá esse tipo de norma. “Isso é um absurdo. A que ponto estamos chegando? Vamos ter um pouco de empatia, de respeito pelas pessoas, pelo ser humano. O sentimento por uma criança jamais pode ser substituído por um boneco. Então, vamos parar com essa loucura”, completou. Apesar de casos divulgados na internet, em Santa Catarina não há registros de atendimentos para bonecos em hospitais estaduais.



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Comentários:

Michael Mull

22/05/2025 12:31

Esta "mãe" deve urgentemente procurar um psiquiatra.

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