Julgamento nas redes

Ação da Havan que expõe supostos ladrões gera polêmica

Empresa divulga vídeos com imagens de furtos de produtos nas lojas

Havan tem 5 milhões de seguidores no TikTok
(Foto: Reprodução)
Havan tem 5 milhões de seguidores no TikTok (Foto: Reprodução)
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Uma ação da rede de lojas Havan tem dividido opiniões nas redes sociais. A empresa, que nasceu em Brusque, passou a divulgar mensalmente vídeos com imagens de pessoas que supostamente estariam furtando em suas lojas. As filmagens são divulgadas principalmente no TikTok, onde a Havan tem quase cinco milhões de seguidores.

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Em agosto, a loja divulgou um compilado de imagens de supostos ladrões com a legenda: “Chegou a hora de ver os amostradinhos de agosto. Na Havan não toleraremos crimes como esses. Todas as nossas 177 megalojas possuem câmeras com reconhecimento facial e quem tentar roubar será pego”, diz a legenda da Havan. “Se você não quiser aparecer aqui nas nossas redes sociais, é só não furtar. Como prometido, todo mês mostraremos os criminosos para que sirvam de exemplo aos que planejavam fazer o mesmo. Na Havan, crimes como esses não passarão impunes”.

Na filmagem aparecem as cidades onde as pessoas teriam praticado furtos. Itajaí, Criciúma, Curitiba e Arapongas estão entre as lojas que tiveram imagens com supostos ladrões divulgados. Até esta terça-feira, o vídeo de agosto teve 24 mil comentários, 1,3 milhão de curtidas e 15 milhões de visualizações.

Nos comentários, a postagem divide opiniões. “Eles mostrando um crime cometendo outro crime”, disse um seguidor. “Agora é crime mostrar vagabundo, né?!”, opinou outro. “Nunca pensei em seguir a Havan, mas agora vou seguir para ver os próximos episódios”, comentou uma internauta.

Outro internauta questionou: “Uma dúvida, mostrar o rosto dos outros sem autorização não é crime ou, nesses casos, é permitido?”. “E furtar pode?”, rebateu outro internauta. Teve quem brincasse com o caso: “Minha sogra...”, escreveu. “Havan ganhando vários seguidores só pra não perderem os próximos episódios!! ”, disse outro.

Ouvido pelo DIARINHO, o advogado e ex-juiz da Vara de Execução Penal, Pedro Walicoski Carvalho, explicou que o vídeo postado pela Havan não permite saber se a pessoa furtou mesmo na loja.  “Essas imagens – se efetivamente essas pessoas estiverem subtraindo produtos – servem unicamente para justificar uma prisão em flagrante. Seria temeroso da minha parte afirmar que essas pessoas retratadas nas imagens estavam praticando furtos. O furto requer, além da prova da autoria, a prova da materialidade, que seria a apreensão do produto furtado”, opinou o especialista.

Além da falta de comprovação do crime, o advogado alertou que a loja pode ser processada por expor as imagens. “Se nenhuma das pessoas retratadas reclamar, não há processo. Entretanto, se houver questionamento, a empresa terá que provar a prática do furto, e aí vai depender do que a justiça decidir. Se não provar o furto, a loja poderá responder pelo crime de calúnia. Quem poderá responder é o funcionário, o gerente, o diretor, o sócio, enfim, quem der causa à falsa acusação. A pessoa jurídica não responde criminalmente”, completou.

O advogado Leonardo Costela confirmou que a prática pode render uma ação de indenização por danos morais. “Obviamente, depende de processo e análise do caso. A empresa não pode divulgar esses vídeos porque a pessoa não foi processada, não foi condenada e não é considerada culpada”, completou.

 

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“As pessoas precisam saber que não ficarão impunes”

A Havan se manifestou, por meio de nota oficial, sobre expor os supostos ladrões. A ideia, segundo a loja de departamentos, foi tomada após o aumento de furtos  no pós-pandemia, apesar de uma série de investimentos em equipamentos e de denúncias aos órgãos de segurança.

A loja justificou que, mesmo tendo um sistema de monitoramento com tecnologia de última geração para identificação de suspeitos, os furtos seguem. Após cada crime, a loja acionava a PM para abordagem dos suspeitos e registrava o boletim de ocorrência na delegacia.

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Segundo a empresa, essas ações não são suficientes pra reduzir os crimes. “Decidimos que vamos expor, mensalmente, em nossas redes sociais, os criminosos que forem flagrados furtando na Havan. A única forma de inibir é a vergonha. Temos notado que, mesmo essas pessoas sendo processadas na justiça, os casos continuam se multiplicando. Isso tem que acabar. As pessoas precisam saber que não ficarão impunes, que o que estão fazendo é crime e serão responsabilizadas por isso”, diz o dono da Havan, Luciano Hang.



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