Matérias | Entrevistão


LEONEL PAVAN

“Este muro imaginário de [BC] rica e [Camboriú] pobre que tem que acabar”

Entrevistão com o candidato Leonel Pavan, pré-candidato a prefeito de Camboriú pelo PSD

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]

“Quem tem que manter a saúde do pobre é quem tem dinheiro”
“Quem tem que manter a saúde do pobre é quem tem dinheiro”


O gaúcho Leonel Arcângelo Pavan já conquistou muitos dos postos que um político pode almejar. Iniciou a carreira política como vereador, foi prefeito de Balneário Camboriú quando ela ainda era a "Mônaco Brasileira", deputado estadual, federal e senador. No estado, alcançou os dois postos mais alto no executivo: foi eleito vice-governador e chegou a atuar um ano como governador. Alcançou a crista da onda. Um AVC hemorrágico quase lhe pôs fim a vida. A partir daí passou a travar uma batalha pessoal para se recuperar. Com a recuperação voltou o desejo de retornar à cena pública, e agora se lançou pré-candidato à prefeito de Camboriú. Para a jornalista Franciele Marcon, Pavan falou do retorno à política e também da transformação de fã de Leonel Brizola a apoiador de Bolsonaro. Cheio de energia, se afirma “como a opção mais preparada para chutar a bola da vez": o município de Camboriú. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere em DIARINHO.net e em nossas redes sociais.



Nome: Leonel Arcângelo Pavan

Natural: Sarandi (Rio Grande do Sul)


Idade: 69 anos

Estado civil: Casado


Filhos: dois filhos e três netos

Formação: Técnico em Contabilidade

Trajetória: a carreira política começou em Balneário Camboriú, quando foi eleito vereador (1983-1988), prefeito de Balneário Camboriú (1989/1993);  deputado federal (1995-1996), voltou a ser prefeito de BC (1997/2002) e foi eleito como um dos prefeitos brasileiros que mais investiu na área social, recebeu homenagem especial no Programa Silvio Santos, do SBT. Senador da República (2003/2007), vice-governador e governador do Estado de Santa Catarina (2007/2010); chegou a assumir como governador do estado em 2010. Também foi deputado estadual (2015-2019).


DIARINHO - O senhor teve um AVC hemorrágico anos atrás e muita gente achou que sua vida tinha acabado. Depois disso o senhor não só se recuperou como voltou a participar ativamente da política, continuou empreendendo na área do turismo e incentivou sua filha a seguir na política. Como foi essa experiência de quase morte e o que mudou na sua vida?

Leonel: Primeiro tive que seguir o que Deus me mostrou. Se ele me deu mais uma chance de vida, é porque eu tinha mais coisa para fazer. Se eu voltei com energia, eu vou usar toda essa minha energia. Foi a minha filha que me colocou novamente na vida pública. Eu me recuperei, tô firme, forte, com todo o gás, e quando a Juliana se lançou candidata a prefeita de Balneário Camboriú, uma forma de eu ajudá-la a ser uma grande prefeita é com o apoio de Camboriú. Camboriú precisa do apoio de BC. Esse cruzamento e esse desejo de fazer as coisas juntas é que me fez retornar à vida pública.

DIARINHO – O senhor já foi governador, senador, deputado, prefeito e vereador de BC. Sofreu vitórias e derrotas na carreira política. Por que disputar mais uma eleição municipal aos 70 anos?

Leonel: Eu só tive uma derrota, quando era deputado estadual, a prefeito. Foi de última hora que eu fui candidato. Antes era meu filho, ele saiu, eu disputei na última hora. Mas o que me motiva a voltar é porque Camboriú tem muito a ver com a minha vida. A minha empresa é de Camboriú, minha construtora, minha pousada, tenho uma fazenda, terrenos e investimentos em Camboriú. Quando o meu pai veio para Balneário Camboriú, na Várzea do Ranchinho, o posto Garrafão, o restaurante, tudo era do meu pai. E meu pai dizia: “invistam em Camboriú”. Lá adquiriu imóveis no Rio do Meio, no Rio Pequeno, no Caetés, no centro. Isso me envolveu muito com Camboriú. A cidade precisa de investimentos para continuarem as coisas que muitos já estão fazendo. Precisa de um gestor que abra as portas de Camboriú. Camboriú é a bola da vez. Eu vou chutar essa bola da vez e vamos fazer muitos gols com essa bola, tenha certeza.


 

Quem tem que manter a saúde do pobre é quem tem dinheiro”

 

DIARINHO – Muitas pessoas estão criticando o fato de o senhor sair candidato em Camboriú e a sua filha, Juliana Pavan, concorrer em BC. A crítica seria que a pretensão de governarem duas cidades seria “oligárquica”. O que o senhor responde aos críticos?

Leonel: Oligarquia por quatro anos? Não seria uma oligarquia por quatro anos. Deveriam aplaudir. Porque hoje Balneário Camboriú depende, exclusivamente, de Camboriú. Devia ser o “São Rio Camboriú”, porque se nós não preservarmos as encostas, as nossas nascentes, Balneário poderá ter um colapso de falta de água logo, logo. Os postos artesianos são salobros. Não deviam olhar isto como oportunismo político, oligarquia, tem que olhar que Camboriú é fundamental para o futuro de BC. Ela sendo prefeita me obriga a fazer muito mais por Camboriú. Quarenta mil pessoas saem todos os dias para trabalhar em BC. Quando falam em Balneário: “ah, o esgoto de Camboriú”. Será que é oligarquia tentar resolver o problema do esgoto lá? Será que é oligarquia tentar preservar a água? Será que é oligarquia tentar dar creche, escola, saúde para os trabalhadores que vêm a Balneário Camboriú para trabalhar? Este muro imaginário que existe tem que ser rompido. As duas cidades têm que fazer projetos em conjunto.

DIARINHO – O senhor disse ao colunista JC que existe um “muro fictício” entre BC e Camboriú e que ele precisa ser derrubado. Mas “esse muro” não foi simbolicamente edificado pelos prefeitos de BC?

Leonel: Sim, porque nunca se davam. Quando era do PDT, o outro era do PFL, quando o outro era do MDB, o outro era do PP, quando um era do PSDB… Nunca houve essa relação. Havia um ciúme entre as duas cidades. Quando eu fui prefeito de BC, eu construí uma escola na Várzea do Ranchinho, que até hoje não tem morador, para atender Camboriú. Porque eu não podia construir em Camboriú. Quando eu fui prefeito ampliei o Ivo Silveira para atender Camboriú, porque eu não podia fazer escola lá. Quando eu fui prefeito, eu abri os postos de saúde para as duas cidades, para atender o povo de Camboriú, porque eu não podia construir postos de saúde lá. Hoje se permitem consórcios. Este muro foi construído lá trás, há muitos anos. Isso tem que acabar. Tem que fazer projetos em conjunto. Esse muro imaginário vamos romper, fazer a rodovia aqui em Balneário para beneficiar Camboriú. Faz lá para beneficiar Balneário Camboriú. A água produz lá para beneficiar a outra cidade. Este muro imaginário dá a impressão de que Balneário pode tudo e Camboriú não pode nada. Por que não se pode se construir também prédios fantásticos, marinas em Camboriú? Por que não fazer investimentos de hotéis em Camboriú em parceria com Balneário Camboriú? Este muro imaginário de rica e pobre que tem que acabar.

 

"Tem que mudar todo o sistema de esgoto de Balneário”

 

DIARINHO – Camboriú abriga a maior parte dos trabalhadores de BC que, apesar de trabalharem na Dubai brasileira, não têm renda para pagar uma moradia na cidade. BC oferece atendimento no Ruth Cardoso aos moradores de Camboriú e paga essa conta quase sozinha. As duas cidades estão quites ou alguma delas está em “débito” com a outra?

Leonel: A saúde, educação e moradia são direito do povo. Tá na Constituição. O povo de Camboriú que tem creche, escola e sofre lá, vem gerar imposto em Balneário Camboriú. Graças a Deus tem emprego em Balneário Camboriú. É preciso criar empregos em Camboriú também. E se um dia terminar o emprego em Balneário Camboriú? Tiver um colapso? Aonde vai esse pessoal? Nós temos que criar em Camboriú. A saúde é geral. O SUS é do Brasil. O que tá errado é o sistema de saúde de Balneário Camboriú. Está errado e eu vou contar o porquê. Ah, 100% SUS? Não! Oras, quem tem que manter a saúde do pobre é quem tem dinheiro. O cara pega uma lancha de 80, 90, 100 pés e enfia um anzol no dedo, ele corre pro Ruth Cardoso, que é de graça. Lá no pátio do hospital tem Lamborghini, Ferrari, Audi... Porque o cara que vem de fora, que tem a Unimed lá de São Paulo, do Rio de Janeiro, não tem Unimed aqui de Santa Catarina. “Ah, tem o Ruth Cardoso que é de graça”. [O senhor acha que devia ter uma parte para atendimento privado?] Privado! Eu ouvi um comentário aqui que devia ser tudo público. Um percentual tem que ser privado, para manter quem precisa. [Mas não é dever do estado dar saúde...] É o dever do estado dar para todos. Mas a Unimed dá para todos? Hospitais privados dão para todos? Até aqui, o hospital de Itajaí, paga-se. Agora há pouco você falou o seguinte: os municípios não ajudam o hospital Ruth Cardoso. Quando tinha o hospital Santa Inês, que deixaram fechar, que foi um erro histórico, cada município dava um percentual para o hospital Santa Inês. Os meus dois filhos nasceram, por exemplo, no Santa Inês, eu tive que pagar. Se nós tivermos hospital em Camboriú, 30% terá que ser privado para poder atender o pobre, o trabalhador. O SUS paga uma porcaria, não paga bem. Eu preciso ter um médico motivado, que atenda quem tem dinheiro bem, mas tem que atender o pobre igual. Com o mesmo médico, com o mesmo leito, com a mesma roupa de cama, com o mesmo oxigênio, com os mesmos aparelhos, com os mesmos raios-x. Mas quem tem que manter isso? Quem tem dinheiro.

 

"Eu já fui tudo na vida. Não preciso dessa vaidade. Tu achas que com 70 anos eu preciso da vaidade de ser prefeito de Camboriú?”

 

DIARINHO – Piriquito, ex-prefeito de BC e seu rival político, também vai disputar a eleição em Camboriú. Porque dois caciques da política local voltaram seu interesse à cidade vizinha?

Leonel: Primeiro eu quero dizer que eu tenho uma admiração pelo Edson Dias, o Piriquito. Ele fez um bom governo. Ele fez obras importantes para a cidade. Ele decidiu, no último dia. Eu já estou morando em Camboriú há muito tempo. Eu já sou pré-candidato há muito tempo. Desde o ano passado eu sou pré-candidato de Camboriú. Ele decidiu na última hora. A pergunta tem que ser pra ele. Por que ele decidiu na última hora? Eu não! Eu tenho projeto para Camboriú. Projeto dos novos acessos às rodovias, as obras de arte, as obras de turismo, a infraestrutura. Eu estou projetando Camboriú. Está na minha cabeça, está no meu programa de governo, eu não deixei pro último momento. Eu respeito ele. Eu sei que vai ser uma discussão muito boa. Porque ele tem experiência e eu também tenho. Mas eu me considero já um pouco mais avançado. Não só pela penetração que eu tenho a nível federal, pelo conhecimento que eu tenho para buscar recursos, mas porque já estou planejando a cidade.  Tem um ditado assim: é por aqui que o pato come. Aonde ele come, eu sei o que tem que fazer.

 

"Eu sou fã de Brizola”

 

DIARINHO - O senhor já sabe quem será o seu vice? Aceitaria Piriquito na sua chapa?

Leonel: Com o MDB não dá. Eu não posso ser continuidade de um governo que eu estou questionando. Piriquito é continuidade de governo. Repito: ele é um bom candidato, mas vai ter que levar essa continuidade no peito. Porque eu questiono o atual governo. As rodovias mal feitas, a falta de infraestrutura, a falta de investimento na saúde, a falta de investimento na educação, a falta de investimento no turismo, a falta de projetos para liberar condomínios rurais, hotéis rurais. Eu não questiono o prefeito. Eu até tenho uma admiração porque é uma pessoa muito educada, mas o seu governo é fraco. Eu não posso aceitar compor porque eu não quero dar continuidade a este governo que está aí. Se eu estou entrando é para mudar radicalmente a forma de governar nessa cidade. (…) O governo não está aprovado. O governo não é bom. Eu sou o candidato, não para ter status, não para melhorar meu currículo ou para fazer carreira. Eu estou sendo candidato para fazer diferente, para fazer o que não fizeram. E para fazer essa parceria que precisa com Balneário Camboriú. [E quem é seu vice para essa parceria e pra esse governo?] Tem muitas pessoas se oferecendo, conversando, pessoas muito boas. Mas eu não estou decidindo ainda. Porque o momento é de construir primeiro a minha candidatura, a minha torre. Depois o vice, lá na frente, se muda. [Tem algum nome?] Não, tem vários nomes. Eu não teria condições de ficar citando vices. Porque eu vou olhar para ele: tu tá disposto a trabalhar? Para me acompanhar? Para fazer o que eu desejo?  “Tô!” Então tu pode ser meu vice. Mas não tenho nomes.

DIARINHO – Esse ano a Águas de Camboriú assinou um aditivo de contrato de R$ 300 milhões para finalmente iniciar o saneamento básico da cidade. Essa obra salvará o rio Camboriú e terminará com o problema de poluição na orla de Balneário Camboriú?

Leonel: Não basta, não basta assinar documento. Tem que fazer. Já estão ali há quantos anos? Há mais de 10 anos estão lá e não exigiram isso ainda. Passou-se oito anos. E olha que essa empresa que está foi criticada pelo atual prefeito, quis romper o contrato. Se tava acordado que fariam, porque que não se exigiu isso antes? Isso é falta de pulso, de peito. [O senhor mantém o contrato?] Tem que manter, fazer mais moderno e não lagoas abertas. Nós temos que aproveitar a tecnologia que existe hoje. Exemplos temos no Japão, grandes filtros para voltar água 98% despoluída pro rio, para tomar. Você precisa fazer algo mais moderno. Essa história de lagoa, como tem Balneário Camboriú, tem que modernizar. Tem que mudar todo o sistema de esgoto de Balneário Camboriú. É uma lagoa central dentro da cidade. Tem que modernizar. Está faltando visão, planejamento. Está faltando alguém que tenha consistência, conhecimento e energia, coragem para enfrentar. O sistema de esgoto de Camboriú, não dá para culpar Camboriú. Tu passas da ponte para cima, não tem cheiro. Passa da ponte para baixo, tem cheiro. Sabia que o rio da ponte para cima chega a sete, oito metros de calado?  Balneário Camboriú tem um metro e meio, dois metros. Faltou água, a hélice do barco bate no fundo. Nós vamos fazer, em Camboriú, o sistema de esgoto e a preservação das nascentes. A empresa está ali para cumprir compromisso. Se não cumprir, nós vamos intervir.

 

"Se eu estou entrando é para mudar radicalmente a forma de governar essa cidade”

 

DIARINHO – Se a sua filha for eleita em BC de que forma o senhor pretender participar do governo dela?

Leonel: Ah, fazendo projetos em conjunto. Não só dela, mas da região toda. Itajaí e Balneário Camboriú. Balneário Camboriú e Itapema. Balneário Camboriú, Camboriú. Nós temos que construir projetos em conjunto, nós temos a Amfri, não dá mais para municípios tocarem projetos isolados. As rodovias estão todas interligadas, olha Itajaí e Balneário Camboriú. Vai ter um acesso agora de Itajaí para a BR 101. Balneário está projetando um acesso mais à frente. Poderia ser um só, mas duplicado. Mas se tiver dois bem feitos, é melhor. Mas poderia ser um, bem amplo. O Evandro [Neiva], por exemplo, vou procurar o Evandro, que sou fã dele, para nós fazermos o turismo religioso. Mas é importante: não é pai lá e filha aqui. Não é só isso, pelo amor de Deus, essa vaidade eu não preciso. Eu já fui tudo na vida. Não preciso dessa vaidade. Tu achas que com 70 anos eu preciso de vaidade de ser prefeito de Camboriú? Para oligarquia? Que é isso? Eu quero fazer!

DIARINHO – As suas administrações em BC foram marcadas pela atuação visionária em turismo, pelas obras de infraestrutura e também pela forte atuação na área social e de educação. Se vencer a eleição em Camboriú pretende usar o mesmo modelo de gestão que aplicou em Balneário Camboriú?

Leonel: Eu tenho uma experiência muito grande. Eu preciso usar essa minha experiência para Camboriú. Tem coisas que não dá para fazer de imediato. Aliás, o primeiro ano vai ser igual ao de Balneário Camboriú. Não tinha recursos. Tinha seis, sete meses de greve. Não tem greves lá, felizmente. Mas tem uma dívida histórica. Disseram aqui que não tinha dívida, R$ 60 milhões foi aprovado esses dias na Câmara Municipal. Já devia R$ 20 e poucos milhões. Tem mais de R$ 80 milhões de dívidas em empréstimos. Essas pavimentações que estão sendo feitas, eu não sei se é só a pintura do paralelepípedo, mas é tudo fora de planejamento. As bocas de lobo ficam a 20, 30 centímetros acima do asfalto, não tem acostamento. Não tem a ciclovia. “Ah, porque não foi feito no passado. Por que tu não fez?”. O passado é uma história. No passado o meu orçamento em Balneário era R$ 12 milhões, depois R$ 25 milhões, depois R$ 50. Hoje é um bilhão e oitocentos. Nós pretendemos fazer o que não fizeram. É lamentável o que hoje estão fazendo com toda a tecnologia e com todo o recurso que se tem. Milhões de empréstimos e tu vê o quê? Uma pintura, um asfalto… Nos primeiros meses eu vou dar um choque visual nessa cidade. O choque de gestão vem ao longo do tempo. Mas um choque visual.

 

"Se nós tivermos hospital em Camboriú, 30% terá que ser privado, para poder atender o pobre, o trabalhador”

 

DIARINHO – O senhor ficou anos dentro do PDT e sua carreira política no início teve inspiração no líder trabalhista Leonel Brizola. Depois o senhor migrou para o PSDB e nos últimos anos foi crítico de administrações de esquerda e deu uma guinada à direita, inclusive apoiando Bolsonaro. O que mudou na sua visão política para essa transformação ideológica tão radical?

Leonel: A história do Brizola, em função do meu passado, da minha história. Meu nome é Leonel por causa do Brizola. Era pra ser meu padrinho. E quem ficou meu padrinho foi o pai do Jandir Bellini. Porque o Brizola tava no Rio de Janeiro. Eu sou afilhado do pai do Jandir Bellini. O Jandir é afilhado do meu pai. Somos compadres duplos. Eu sou fã de Brizola. Eu tenho a história do Brizola, da época, do Rio Grande do Sul. Ele era do PTB, antigamente. Agora, eu quando tava no PDT, eu entrei porque o Brizola tava no PDT. Ganhamos a primeira eleição no PDT com a presença do Brizola. Eu construí o primeiro Ciep do sul do Brasil e demoliram. Infelizmente, demoliram o Ciep e não construíram mais. [E porque o senhor foi tão para a direita?] Infelizmente, o Brasil dividiu-se em questão ideológica. Deveria ter o partido apenas como uma casa. Porque é obrigado um candidato estar num partido. Mas aplicar as leis na cidade depende de você. Por exemplo, eu era da esquerda, mas eu cobrava para entrar em Balneário Camboriú. Ônibus tinha que pagar para entrar. Eu era da esquerda, mas não deixava criança na rua. Eu era de esquerda e não deixava esses vandalismos de rua. Eu era de esquerda, mas eu dei concessão para a cobrança de lixo, como é em Balneário Camboriú hoje. “Pavan, de esquerda, tá cobrando o lixo? Cobrando esgoto, cobrando a limpeza?” Eu era de esquerda, mas não era burro.  Agora eu guinei pra direita porque nós temos uma vocação mais empresarial. Sem questionar a esquerda, a parte social. Temos que respeitar a esquerda. Eu construí o Ciep e fiz todo esse trabalho com as crianças e fui considerado o prefeito das crianças no Brasil. Mas era da esquerda. Mas hoje eu apoiei o Jair Bolsonaro. Agora estou em Camboriú, mas não estou discutindo ideologia em Camboriú. [Mas como o senhor se identifica com um personagem como Jair Bolsonaro?] Eu me identificar? Eu me identifico comigo mesmo. Eu acho que é difícil me identificar com alguém. Porque eu vou ter que chegar e bater nas costas do Lulinha: “ei, preciso de recursos para asfaltar a rodovia do Encano, preciso de dinheiro para ligar com Brusque, preciso de dinheiro para fazer o Ciep em Camboriú”. Não pode se identificar com o Lula e nem com o Bolsonaro, que não é nem mais  presidente. Ele tem o seu histórico, jeito de ser, a forma; eu fui deputado federal com ele. Eu conheço bem o Bolsonaro. Mas eu me identifico comigo mesmo. Os meus erros eu tenho que assumir a responsabilidade. Os meus atos eu tenho que assumir a responsabilidade.

 

"Eu não posso ser continuidade de um governo que estou questionando. Piriquito é continuidade de governo”

 

DIARINHO – Por que o senhor quer ser prefeito de Camboriú?

Leonel: Para fazer tudo que os outros deixaram de fazer; e deixaram de fazer por falta de coragem. Cada um fez a sua parte. Vou dar um exemplo, a Luzia, graças a ela, hoje temos uma empresa forte de água e esgoto em Camboriú. O Elcio tem agora a questão que tá pavimentando, do jeito dele, as estradas, com recursos que vêm de fora, mas tá fazendo. O Edinho foi o desbravador, que se identificava muito comigo. O Edinho, o Galo, ele rompeu, ele avançou, teve coragem pra fazer. O Rolinha teve aquela visão de loteamentos, de fazer mais loteamentos, e assim levar casas populares. Cada um que passou deixou a sua marca. Eu quero ser prefeito de Camboriú para deixar a nossa marca. A marca que eu deixei de Balneário Camboriú. Melhorou o turismo rural, melhorou o turismo litorâneo, melhorou o turismo náutico, criou equipamentos de turismo, construiu casas populares, prédios populares para colocar o nosso trabalhador. Melhorou a saúde, melhorou a educação, melhorou a acessibilidade, os acessos com Balneário Camboriú e com outras cidades.

 

"Eu era de esquerda, mas não era burro.  Agora eu guinei pra direita porque nós temos uma vocação mais empresarial”

 




Comentários:

Luciano Kneip Zucchi

08/06/2024 18:16

Layout pessoal acertado. Deixa o Panamá guardado no armário. Se desse tempo, poderia introduzir um cavanhaque, esconde as rugas, e te deixa mais sério. De tantos péssimos por ai, Pavan, até que não é dos piores viu!!

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