Canal do porto retoma dragagem após ameaça de fim do serviço por falta de pagamento
Draga holandesa de sucção opera 24h por dia desde sexta-feira
João Batista [editores@diarinho.com.br]
Draga de sucção está operando 24 horas por dia e não tem previsão para encerrar o novo ciclo de dragagem
(Foto: João Batista)
A draga holandesa Utrecht, do tipo de sucção, chegou na sexta-feira em Itajaí para uma nova etapa de dragagem no canal de acesso portuário. A embarcação veio de Santos e está operando 24 horas por dia, sem previsão de data para encerrar o novo ciclo de dragagem. Nesta segunda-feira, a draga opera na entrada do canal, junto à foz.
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Construída em 1996, a draga Utrecht tem peso bruto de 26.016 toneladas e mede 159,65 metros de comprimento por 28,03 metros de largura. A embarcação tem capacidade de armazenar 18.292 metros cúbicos de sedimentos. Esse tipo de draga “suga” o material do fundo do rio e descarta os sedimentos num “bota-fora” em alto-mar.
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Esta é a segunda vez que a draga Utrecht vem pra Itajaí fazer os trabalhos de manutenção da dragagem. A primeira foi em 2019. Além de operações com dragas de sucção, o porto mantém o serviço continuamente com a draga Njord, de jato de água, que segue atuando em paralelo no canal. A draga lança jatos de água no fundo do rio pra que sedimentos sejam eliminados com a correnteza.
De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí, a chegada da nova draga tem o objetivo de garantir a segurança das entradas e saídas de navios maiores no complexo portuário, recuperando a profundidade do canal para até 14 metros. A medida também visa diminuir os impactos de inundações, permitindo maior vazão das águas das chuvas que descem pelo rio Itajaí-açu.
“A Autoridade Portuária de Itajaí tem uma preocupação perene com a dragagem de manutenção no complexo portuário. Garantir a segurança de navegação para as embarcações é fundamental, pois as profundidades estão todas habilitadas em suas cotas, tanto no canal interno com 13,5 metros e 14 metros no canal externo”, comenta o diretor de engenharia da superintendência do porto, Jucelino dos Santos Sora.
Ele informou que as medidas da Menor Profundidade Observada (MPO) foram atualizadas neste mês, com validade até 6 de junho, após homologação da Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí. A manutenção da dragagem permite que o complexo receba navios de até 350 metros de largura e 52 metros de boca.
Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Fábio da Veiga, a draga Utrecht vai trabalhar diariamente, sem parar, pela recuperação da profundidade do canal de acesso ao complexo portuário e demais áreas. A previsão é que a embarcação retire do rio uma quantidade maior que na última campanha de dragagem por sucção, feita entre novembro e janeiro.
“Certamente, quando seu relatório de volumetria estiver disponível, veremos que o montante dragado poderá ser superior ao volume dragado com a draga HAM 316 em sua última campanha, quando foram dragados num curto período, mais de 4 milhões de metros cúbicos de sedimentos, que equivalem a 800 mil caçambas cheias”, explica Fábio.
Contrato garantido até dezembro
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O novo ciclo de dragagem foi iniciado em meio à a preocupação dos setores logístico e portuário quanto à continuidade do serviço. A empresa responsável, a Van Oord, chegou a alertar que poderia interromper a dragagem a partir de maio por falta de pagamento. A dívida é de R$ 11 milhões, conforme o porto, que pediu ajuda de R$ 50 milhões ao governo federal.
Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Fábio da Veiga, nos próximos meses será feito um repasse de dinheiro ao município para garantir a manutenção permanente da dragagem. A previsão é de R$ 25 milhões do governo federal e uma contrapartida semelhante da prefeitura de Itajaí. É previsto que o ministro dos Portos, Sílvio Costa Filho, venha a Itajaí no início de maio para assinar o repasse e anunciar outras ações.
Fábio destacou que Itajaí é o único porto no Brasil que faz a dragagem permanente desde 1999. A falta de movimentação de contêineres no terminal, parado há quase um ano e meio, prejudicou o custeio do serviço.
“Sabemos dos desafios que são para manter este serviço, pois a Superintendência do Porto de Itajaí possui seu maior contrato de custo, em torno de 70% do nosso orçamento mensal, num valor de aproximadamente R$ 7 milhões”, justificou.
O atual contrato do serviço tem vigência até dezembro. O porto já trabalha numa nova licitação pra continuidade do serviço a partir de 2025. Para a futura concessão do terminal, com leilão de arrendamento definitivo previsto no início do ano que vem, o serviço de dragagem deve ficar sob a responsabilidade da arrendatária.
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Audiência pública
Consulta pública segue aberta até 10 de maio
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) faz nesta terça-feira, dia 23 de abril, a audiência pública para receber sugestões pro edital de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí. As contribuições devem ajudar a aprimorar os documentos técnicos e jurídicos da licitação, prevista para ser lançada no segundo semestre.
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A audiência terá início às 9h30, com transmissão pelo canal da Antaq no YouTube. Não é necessária inscrição para assistir ao evento. Os interessados em se manifestar devem se inscrever até às 15h desta segunda-feira pelo WhatsApp no telefone (61) 2029-6940. Podem ser enviadas mensagens em texto, áudio e vídeo.
Já o período de consulta pública do edital segue aberto até o dia 10 de maio de 2024, exclusivamente pelo formulário eletrônico disponível no site da Antaq, no endereço https://web3.antaq.gov.br/Sistemas/LeilaoInternetV2/Formulario.aspx. Todos os documentos do processo também podem ser conferidos no site.
Rio Itajaí-açu vai ter dragagem contra cheias
O governador Jorginho Mello (PL) anunciou nesta segunda-feira que o trecho do rio Itajaí-açu no Alto Vale passará por dragagem a partir de maio, pra tentar minimizar os impactos das enchentes. A assinatura da ordem de serviço para o início do trabalho está marcada para o dia 11 de maio, em Rio do Sul.
“Essa obra é muito importante para todo o Vale do Itajaí. Vai fazer com que a água consiga escoar mais rápido em direção ao mar durante as chuvas. Vamos evitar que a água suba tão rápido, como aconteceu no ano passado, evitando novas enchentes”, comentou Jorginho.
De um orçamento inicial, para contratação emergencial por R$ 36 milhões, o governo conseguiu reduzir o valor para R$ 16 milhões dentro de uma licitação normal. Segundo a Defesa Civil, esta é a primeira grande obra emergencial como uma resposta ao impacto das chuvas do ano passado.
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