Novos tempos

Papa Francisco orienta padres e sacerdotes a abençoarem casais homoafetivos

A bênção não tem o papel do matrimônio, mas é vista como um avanço da igreja

O Vaticano anunciou a aprovação do documento pelo Papa Francisco na última segunda-feira (foto: divulgação)
O Vaticano anunciou a aprovação do documento pelo Papa Francisco na última segunda-feira (foto: divulgação)

Aos 56 anos, a administradora M.D.F. mantém há quase 30 anos uma união estável com uma advogada da mesma faixa etária. As duas têm um filho adotivo, que está hoje com 26 anos, e duas netas. M. foi criada por uma família católica e ela mesma se autodenomina “carola”. Ela nunca teve problemas com sua orientação sexual, mas conta que o fato de “viver em pecado” aos olhos da igreja sempre a incomodou, principalmente com relação ao que pensava sua mãe e suas tias. 

A aprovação pelo Papa Francisco à igreja católica para permitir que sacerdotes e cardeais abençoem casais homoafetivos é vista por ela como um alento, mesmo que essa nova resolução destaque que a ...

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A aprovação pelo Papa Francisco à igreja católica para permitir que sacerdotes e cardeais abençoem casais homoafetivos é vista por ela como um alento, mesmo que essa nova resolução destaque que a doutrina exclui qualquer ritualização que considere o matrimônio.

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É inegável que essa decisão histórica, e para muitos “controversa”, significa um avanço em relação à abertura da igreja católica aos novos tempos.

A orientação é vista por muitos como um dos maiores avanços na aproximação da igreja a fiéis homossexuais, que há décadas pedem mudanças e modernizações na religião. No entanto, poucos sabem realmente o que há nas entrelinhas dessa decisão papal. 

O padre Paulo Profilo, professor de Direito Canônico no Centro Universitário Salesiano de São Paulo, esclarece que o documento publicado é uma declaração, o que significa que ele não tem força de lei e, portanto, não é uma obrigação. “É uma declaração feita por um dicastério da Cúria Romana, que é o da Doutrina da Fé, que traz indicações pastorais e que foi aprovado pelo Papa Francisco.”

Outro ponto destacado pelo especialista é que a orientação se refere a bênçãos (seja de casais homoafetivos ou em segundas núpcias) e não ao sacramento do matrimônio, situações canônicas que para a igreja continuam sendo irregulares. “Esse documento não muda nada da doutrina. Apenas significa que a igreja concorda com essas situações e que essas pessoas são merecedoras das bênçãos de Deus para continuarem seu caminho de vida”, pontua.

Essa orientação também não obriga os padres católicos a abençoarem tais uniões. Eles terão a prerrogativa de se negar a fazer a cerimônia, sem qualquer justificativa. Por outro lado, o documento proíbe que os padres impeçam “a entrada [em igrejas] de pessoas em qualquer situação que queiram procurar a ajuda de Deus através de uma simples bênção”.

Em resumo, com essa declaração o Vaticano não mudou a postura sobre união homossexual. A igreja continua a considerar a união entre casais do mesmo sexo um ato “irregular”, mas ao mesmo tempo afirma que a autorização de bênçãos é um “sinal de que Deus acolhe a todos”.

 

Aprender a amar

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O padre Fabricio Bernardo, da Missão de Evangelização São José, da Igreja Católica Apostólica Brasileira, em Itapema, diz que como sacerdote evita opinar sobre assuntos relacionados à igreja de Roma, no entanto, pelo fato dessa pauta atingir tantas outras vertentes do catolicismo nacional e mundial, declara que tem em seu coração e na sua vida a necessidade de amar a todos e a igreja, em sua totalidade. O padre diz ainda que precisa abrir seu coração para aprender a amar.

“Se um sacerdote não pode abençoar uma pessoa gay, o que a própria Igreja fará com os padres, bispos e cardeais que são gays e estão no altar celebrando a Eucaristia? E com muitos outros que estão em suas casas paroquiais ou em parques públicos realizando as práticas de evangelização?”

No entanto, padre Fabrício concorda com o professor Paulo Profilo de que essa autorização não atinge o sacramento do matrimônio. “A questão em si implica no abençoar pessoas homossexuais e em nossa missão temos casais homoafetivos que participam, celebram, ajudam e são abençoados”, arremata.

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Procurado, o padre André Gonzaga, capelão da Universidade do Vale do Itajaí, diz que ainda não teve oportunidade de ler o documento e, portanto, não vai se manifestar. Já a Arquidiocese de Florianópolis não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta matéria.



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