Matérias | Entrevistão


Hang Ferrero

“Administrar a vida é particularmente difícil. Mas amar de maneira ampla é absolutamente fácil. Amar é revolucionário. Amem com todo o esforço que puderem suportar”

Poeta e Papai Noel de Itajaí

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]



Há três anos, o poeta, escritor e técnico de enfermagem Hang Ferrero se veste de vermelho e coloca uma barba branca para se transformar no Papai Noel  preto de Itajaí. Hang Ferrero, que tem forte influência cultural, com atuação na educação e no movimento negro, de forma lúdica traz a representatividade negra para cima do trenó. À jornalista Franciele Marcon, Hang falou da experiência de ser o Papai Noel, revelou alguns pedidos feitos e compartilhou a sensação de perceber que os adultos são os mais engajados em manter o espírito natalino. Com três décadas dedicadas à área da saúde, Hang Ferrero também falou do amor que sente pela profissão, dos cuidados que dispensa às pessoas que atendem e que se veste “como se fosse para uma festa” sempre que vai trabalhar. O poeta Hang Ferrero falou sobre sua escrita, seus projetos e da emoção de receber o Prêmio Simeão, conferido às personalidades que contribuíram para a valorização do negro em Itajaí. Simeão foi um escravo de Agostinho Alves Ramos, que construiu a igreja Imaculada Conceição em 1823. Para fechar o ano, Hang Ferrero ainda fez um pedido especial ao Papai Noel  que, se atendido, fará o bem para toda a comunidade. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere no portal DIARINHO.net e em nossas redes sociais.

 

DIARINHO - Como surgiu a ideia de Itajaí ter um Papai Noel  negro?



Hang: Essa pergunta é bastante interessante. A ideia foi da Graziela, do grupo Eduque-se, que sempre tem uma participação incontestável, pública e notória, no Natal Encanto. Surgiu a ideia durante uma reunião: por que a gente não faz um Papai Noel diferente? Com uma abordagem relacionada às lutas de representatividade?  O Normélio [Weber], o professor Normélio, pensou “me fala mais sobre isso”. O Normélio olhou para ela e se interessou pela discussão. Ele ficou um pouquinho receoso, de certa maneira, de discutir aquilo em tempo hábil, já que o Natal já estava batendo à porta, o evento em si. Mas quando ela sugeriu que fosse o meu nome,  “eu tava pensando em conversar com o Hang para ser um Papai Noel  preto”. Quando ele ouviu o meu nome, com o carinho que ele tem por toda a relação de vínculo que eu tenho com a cultura na cidade, e a forma com que eu abordo essas coisas, ele já começou a discutir aquilo de maneira mais interessada. E cá estou eu. O primeiro Papai Noel  preto da cidade. [E começou em 2021?] 2021, exato. É o terceiro ano.

DIARINHO - O que é mais gratificante em estar nas ruas atuando como Papai Noel ?

Hang: Ah, diante de toda a discussão de representatividade, que esse é o objetivo, e isso se verifica olhando para mim. Haja visto que eu não sou aquele Papai Noel absolutamente caracterizado como o bom velhinho tradicional. A ideia é realmente mostrar a minha cara. E, claro, eu uso a barba pintadinha, para ficar um pouquinho mais interessante para as crianças e para a fantasia, para o lúdico. Mas eu tenho que mostrar o meu rosto. Os que me conhecem olham para mim e sabem que é o Hang que está ali na forma de Noel. Não me escondo atrás de um Noel. E, tirando isso, a coisa da fantasia, isso para um poeta é muito importante. Me serve como alimento para essa questão, realmente, mais mágica, de magia. Eu preciso confessar que, aos 51 anos de idade, eu não imaginava que adultos, especialmente, se manifestassem tão positivamente com a figura do Noel. Dá para ver, inclusive, eles sendo desmontados daquele negócio adulto, daquela postura mais engessada, mais embrutecida pelas coisas todas, por esse negócio que é administrar a vida. Quando o Noel passa diante deles, dá para ver que tem até uma fraqueza nas pernas, no sentido poético. Isso me deixa encantado de toda monta. É um esforço para se fazer um Noel em cima de caminhão e tudo, é um movimento ativo e tudo mais. Mas é gratificante, sobre todos esses aspectos que falei, é lindo demais.


 

Eu vejo surpresa, especialmente das crianças pretas. Depois que eu passo vêm as mensagens das pessoas pretas, felizes demais, com a voz embargada”

 

DIARINHO - Com tantas redes sociais, as crianças ainda acreditam no Papai Noel ?

Hang: Ainda, por incrível que pareça. A gente imagina até que possa ter, diante do que a gente vê, um esforço assim, para acabar com essas coisas assim da fantasia, em alguns aspectos, tirando o negócio econômico, representativo, econômico do Natal. Mas as crianças ainda são absorvidas por essa coisa da magia. E, curiosamente, a gente percebe isso, os adultos fazem questão de manter essa imagem ainda tão real, digamos assim, no imagético das possibilidades. E o mais interessante, como já disse, é perceber isso nos adultos. Velhinhos que ainda assim pedem bala, mas não é pela brincadeira, não. É muito provavelmente pela memória afetiva. Isso é lindo demais. [E as crianças fazem muitas perguntas?] Ah, sim, muitas. E o mais interessante é que fazem perguntas relacionadas ainda ao encantamento da espera da noite de Natal. De deitar, dormir e receber o presente e saber que quem levou aquele presente foi o Papai Noel. As perguntas são relacionadas a como isso acontece. “Você tá me ouvindo? Tá prestando atenção? Eu fiz a cartinha!”. Eu recebo muitas cartinhas, chupetas também; mas muitas cartinhas, muitas. [E como é uma luta lúdica de espaço, de reconhecimento, tem perguntas relacionadas com a cor também?] Nós temos no Brasil uma dificuldade de entender o racismo, lamentavelmente. De compreender o que isso significa, por conta mesmo da questão do racismo estrutural, estruturante. E  hoje tem uma sofisticação nesse sentido. Como eu sou muito atuante na cultura, especialmente a partir do universo cultural nas escolas, que é o meu ambiente preferido, e especialmente as crianças no ambiente escolar. Boa parte dessas crianças me reconhece. Acham que eu sou professor, porque vai para escola, logo é professor. Eu vejo isso, vejo essa surpresa, especialmente das crianças pretas. E elas sim se reportam a mim por conta disso de uma maneira ainda mais interessante. Quando me veem, por ser o Noel, mas ter a minha cara, elas reconhecem, têm, de súbito, uma outra ideia, são levados para um outro lugar. Amanhã mesmo eu vou fazer uma foto só com crianças pretas ali no Museu Histórico, um registro. Depois que eu passo vêm as mensagens das pessoas pretas, felizes demais, com a voz embargada, em áudio, falando sobre isso. Então, isso está acontecendo...


 

“Eu sou apaixonado pela saúde, e em Itajaí a saúde é colocada num grau de responsabilidade muito interessante”

 

Diarinho - Qual o pedido mais inusitado que uma criança já lhe fez?


Hang: O mais inusitado, na verdade, foi de um adulto. Um jovem, saindo ali da adolescência, que dava para ver que ele entrou numa epifania, digamos assim, e ele se movimentou até mim encantado quando viu. Ele tava com uma namoradinha, caminhando no centro. E quando me viu, ele teve uma outra reação. Ele meio que a esqueceu assim, esqueceu onde ele estava indo e se dirigiu à organização e pediu toda licença, com toda educação que lhe foi possível, se aproximou de mim tremendo e disse: “eu preciso te fazer um pedido”. Ele sussurrou: “Eu preciso passar de ano. E eu quero muito fazer faculdade de Direito”. Para construir toda uma história em relação à família dele. Poder prestar o vestibular e passar no vestibular era o presente que ele pediu para o Papai Noel. Mas não foi o pedido, foi a forma com que ele fez isso. Foi a coisa mais doce que eu vi, especialmente num adulto. [Já foi tocado por algum pedido? Já atendeu você mesmo a algum?] A gente já tentou, mas, lamentavelmente, não conseguiu. Porque o Natal Encanto exige muito. Eu tenho que estar a postos para várias outras coisas relacionadas ao projeto. Mas a gente sempre separa cartinhas e tudo. Eu quero ver se esse ano eu consigo dar conta do recado, mas é bastante difícil, porque acaba o projeto no dia 22 e é a partir dali que a gente tem que dar conta, inclusive, das nossas coisas, das nossas crianças, dos filhos e tudo mais.

Diarinho - E nesse calor que faz em dezembro será que não seria hora de termos trajes mais tropicais?

Hang: Ah, que os anjos digam amém, hou, hou hou. Por ser já um Papai Noel  um tantinho fora da curva, no melhor dos sentidos, e aqui podemos usar no sentido mesmo bonito das coisas. Eu espero que isso seja atendido. Nós estamos sob circunstância muito particular em relação ao verão, ao calor. Nós não podemos glamourizar isso. A gente tem que se atentar a esse chamado também. E até por uma questão mesmo de saúde. A circunstância é insalubre em algumas situações. A maior parte dos noéis está dentro dos shoppings, no ar-condicionado. Então, tá tudo certinho. Mas na rua é uma outra ação que a gente tem. A gente precisa ter outros cuidados. Toda aquela coisa que se pede de roupas leves, roupas claras, etc e tal. O Noel, tradicionalmente, não está dentro desse riscado. Eu acredito que existem maneiras de fazer com que a gente mantenha a cultura do Noel, mas em circunstância mais leve. Eu lembro, inclusive, da visita do Noel da Lapônia aqui no Brasil, em Santa Catarina, com vestimentas mais apropriadas em relação ao calor que fazia a época.

 

“Os meus poemas são um pouquinho cerebrais demais. E não é proposital. Isso é porque eu sou um tanto enlouquecido pela palavra – não muito pela métrica. Mas pela quebra das discussões, a quebra das palavras, ressignifico”

 


DIARINHO - Você é enfermeiro há mais de 30 anos. Por que ingressou na área da saúde?

Hang: A minha relação com a saúde se deu por conta da doença. Eu era uma criança que, à época, se usava até um termo, eu sou de 72, muito interessante para as pessoas que ficavam, com frequência, muito doentes, e tinham doenças crônicas, que era o meu caso. Ele já tá “desenganado”. Eu tinha um problema renal bastante sério que me fazia estar dentro de hospitais todos os meses. Dos 8 aos 11 anos de idade, durante três anos, eu ficava mais dentro dos  hospitais do que em casa. Os meus parentes, por assim dizer, eram os enfermeiros, os técnicos, os médicos. Eu os conhecia, eu tinha relação com eles mais que com os primos, com os tios, com as tias. Hoje, eu convivo com isso como se nunca tivesse tido esse problema na infância e na  adolescência. E é claro que isso me levou para o ambiente hospitalar. Era como uma contrapartida da vida. Eu precisava fazer alguma coisa pelas pessoas. Eu me apaixonei pela enfermagem.

DIARINHO - Como é atuar na saúde pública de Itajaí?

Hang: Eu sou apaixonado pela saúde, e em Itajaí a saúde é colocada num grau de responsabilidade muito interessante. Eu digo isso sem medo de errar, viu? Mas eu já atuei em muitas cidades, em muitas clínicas diferentes. Quando eu digo, cardíaca, neurológica, pediátrica, etc e etc. E sempre atuei em saúde pública em outros municípios. Em Itajaí, razoavelmente, a saúde é muito interessante. Eu gosto muito de atuar. E por ter essa relação apaixonada, eu costumo me vestir para o trabalho como se tivesse indo para uma festa. Eu sou conhecido por isso. Por estar sempre com o uniforme bem passadinho e tudo. O pessoal parece que “tira de dentro da garrafa” o uniforme. Então parece que eu tô sempre começando hoje. E é assim mesmo. Já teve até situação, que fique cá entre nós, os amigos de alguns amigos dizerem: “Hang, trata as pessoas um pouquinho diferente, senão essa gente vai achar que a gente os trata mal”. Acredite. Já ouvi isso algumas vezes. (risos)

DIARINHO - Você é um dos poetas mais atuantes da cena literária de Itajaí. Participa de saraus, espetáculos de poesia, vídeos-poemas, lança livros e visita escolas. Quando começou sua caminhada na literatura?

Hang: A literatura sempre vem ali junto da primeira infância, com os primeiros traços, quando a gente aprende a escrever, falar primeiro, já está ali a literatura, com a oratória, e depois escrevendo. Eu lembro que isso se iniciou nos idos dos meus 9 anos, aproximadamente. Quando eu fiquei melhor com meus traços, com os meus desenhos. Mas quando eu terminava um desenho, sentava numa praça lá em Laguna, ele por si não era tudo que me dizia. Eu tinha que escrever alguma coisa a partir do desenho. E quando eu mostrava para os meus primeiros professores, eles achavam que já tinha traços poéticos. Não rima, exatamente, porque eu era bastante infante. Mas ele tinha o que os músicos chamam de “aliteração”, por assim dizer. Que era uma voz que trazia um traço relacionado à poesia. Foi onde eu me descobri um tanto poetinha.

 

“O Simeão me colocou essa clareza no universo da discussão racial. Eu procuro discutir de uma maneira ampla, usando todas as ferramentas que posso de discussão poética. Eu fico muito emocionado de falar. Porque é como se os meus pares e todas as vozes de representação da minha família, minha vó, meu vô, todos estão cochichando na minha cabeça quando eu recebo esse prêmio”

 

DIARINHO -  oje você mantém a Casa de Ferrero. Pode explicar porque ela é tão diferente e inovadora?

Hang: O Casa de Ferrero nasceu da minha experiência, não muito natural, antinatural, por assim dizer, das pessoas não entenderem de todo o meu poema. Quando eu escrevo e as pessoas leem o meu poema, elas confessam que gostam muito dos meus textos, mas não sabiam o porquê. Gostavam. O Casa de Ferrero nasceu para que eu explicasse a minha própria poesia. E, a partir, reverberando, para eu também me entender enquanto literato, enquanto poeta. Porque os meus poemas são um pouquinho cerebrais demais. E não é proposital. Isso é porque eu sou um tanto enlouquecido pela palavra – não muito pela métrica. Mas pela quebra das discussões, a quebra das palavras, ressignifico. O Casa vem para explicar tudo isso. Ele tem esse pioneirismo, digamos, por conta do que se chamam também na literatura de “um pioneirismo textual”. E aí, por conta, eu uso o corpo, a fala, os recursos visuais e a musicalidade de tudo isso para explicar poesia. Aí está o pioneirismo.

DIARINHO - Por que você fundou a Academia Mirim de Letras da ALBSC Seccional Itajaí?

Hang: Eu era membro fundador da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina, seccional Itajaí. Esse nome bem comprido: ALBSC Itajaí. É uma academia que tem academias em toda Santa Catarina, nós tínhamos a nossa seccional aqui em Itajaí. E, claro, por visitar sempre escolas, pelo meu interesse no ambiente escolar, eu claro que tinha contato, e ainda tenho, com crianças absolutamente talentosas. Muito talentosas. Inclusive mais que eu, mais que muitos adultos que escrevem. Claro, a gente precisava lapidar. Para lapidar esses talentos a gente criou a Academia Mirim de Letras. Eu tive essa iniciativa de formar essa academia que foi muito aceita pelos membros adultos da Academia de Letras. E, lamentavelmente, por conta de uma preocupação com a carreira, de ter um cuidado com os caminhos que eu precisava ter mais foco, eu deixei a academia para outros membros. Me parece que hoje essa academia está em stand-by. Eu sinto profundamente por isso. Eu ainda tenho contato com alguns membros mirins que continuam produzindo as suas obras. Mas, na academia, ela está em stand-by. Eu imagino que já já ela volte à efervescência literária de Itajaí.

Diarinho – Você é membro correspondente da Academia de Letras do Brasil/Suíça desde 2018. Como surgiu essa parceria e no que ela consiste?

Hang: A Brasil-Suíça é um braço da Academia de Letras do Brasil. Não a Brasileira de Letras. Academia de Letras do Brasil. E tem membros brasileiros no mundo inteiro. Na Suíça tem brasileiros e tudo. Eles pediram núcleos brasileiros para fazer essas pontes com eventos no Brasil e no mundo. Eu fui um dos escolhidos por conta da minha relação com Santa Catarina e com o Brasil, com literatos do Brasil inteiro para justamente agregar e fazer com que esses eventos aconteçam. Toda vez que tem um evento da Academia de Letras da Suíça aqui no Brasil, eu sou chamado para coordenar algumas campanhas nesse sentido.

DIARINHO – Qual a importância de ter recebido o prêmio Simeão?

Hang: Eu já ganhei prêmios bastante importantes na literatura. Já recebi prêmios de destaque nacional, destaque no sul do país. Alguns, inclusive, eu já recusei. Alguns prêmios, por razões diversas. Mas o prêmio Simeão é, sem medo de errar, o prêmio mais importante que eu já recebi até aqui pelo tanto que ele significa. Eu não sei se outros premiados têm essa dimensão. Eu coloquei esse prêmio como o Oscar preto da arte. Eu ainda não acredito, sabe, que tenha recebido esse prêmio. A gente, às vezes, não tem a clareza do alcance do que a gente produz. Para você ter uma ideia disso que eu tô falando, há um tempo atrás um médico, diretor-clínico de uma UTI daqui do Marieta, quando abriu-se a porta para ele passar um boletim de um paciente, nossa paciente, que a gente foi visitar, quando ele me viu, ele não sabia que eu estava ali, ele disse: “Hang Ferrero, eu uso seus textos aqui para os meus pacientes”. Ele usava para os pacientes em caso terminal. E ele via respostas positivas. A gente não tem clareza disso. O Simeão me colocou essa clareza no universo da discussão racial. E mesmo discutindo, porque eu procuro discutir isso de uma maneira ampla, usando todas as ferramentas que posso de discussão poética. Eu fico muito emocionado de falar. Porque é como se os meus pares e todas as vozes de representação da minha família, minha vó, meu vô, todos estão cochichando na minha cabeça quando eu recebo esse prêmio. Ele é muito especial. E agora eu caminho, e ao lado da minha caminhada, da minha jornada, tem um Simeão. Isso é muito importante.

DIARINHO - Na tua caminhada, tu traz essa luta por representatividade, por quebra de paradigmas... O que a gente precisa avançar mais enquanto sociedade?

Hang: A gente precisa avançar muito enquanto sociedade. A gente precisa parar de fingir que acredita em mentiras que são contadas, que são perpetuadas há séculos. A gente, claro, que boa parte de nós, pequeninha essa parte, sabe disso. Mas a maior parte também sabe e finge que não sabe. E assim, parece tão simples de entender. Eu fico às vezes pensando para que serve essa ideia de que temos senso crítico e cognitivo. Para que serve isso? Isso, às vezes, é abandonado, serve para nada, para coisa nenhuma. Não! Tem que servir para alguma coisa. E serve. Então as pessoas que não sabem. Elas sabem. Mas em nome de uma farsa que lhes, claro, beneficia, de maneira pública e notória, eles abrem mão disso. E olha, se parassem de fingir que entendem, poderiam fazer um marketing muito mais positivo. O que eles tentam alcançar, a maior parte da sociedade, que está fora do contexto que eles acreditam que estão dentro, a maior parte da sociedade, se parar de fingir que acredita e passar a usar as coisas muito boas de maneira positiva, inclusive para o seu próprio marketing, elas alcançariam tudo que sonham, que almejam, de maneira rápida e indolor. E, enquanto isso, a gente está à mercê dessa discussão. E precisa ainda estar discutindo isso. Sei que tivemos avanços, claro. Porque hoje a tecnologia está aí para todo mundo e as pessoas estão sabendo das coisas que acontecem, que antes se varria para debaixo do tapete de seus próprios lares. Elas estão aí para bons entendedores que ainda fingem que não entendem, que não estão vendo...

DIARINHO – Com a vivência de enfermeiro, o ofício de poeta e a experiência de papai, qual pedido faz ao Papai Noel este ano?

Hang: O meu pedido tem muito a ver com essa graça de fazer com que as pessoas se utilizem dessa característica tão humana, que é ter uma relação com o bom e com o bem durante todo o tempo possível. A maior parte do tempo. Administrar a vida, como eu falei há pouco, é particularmente difícil. Mas amar de maneira ampla é absolutamente fácil. Fica aí o meu pedido. Amar é revolucionário. Amem com todo o esforço que puderem suportar.

 

Raio X

 

NOME: Hang Ferrero

NATURAL: Laguna

IDADE: 51 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: 5

FORMAÇÃO: técnico socorrista

TRAJETÓRIA: atua há 32 anos na área da saúde, há 15 anos em Itajaí. É escritor, poeta e produtor cultural, membro da Academia de Letras Brasil/Suíça e fundador do projeto Casa de Ferrero Espetos de Pau. Entre suas obras literárias estão “Código 1, crônicas de plantão” e “Aos pés do monte mor e as principais antologias”; “Retintas, quando os pretos e as pretas tiram seus poemas das gavetas” e “Do que nos sobra da guerra e outros versos pretos”. É membro das setoriais de Literatura e Cultura Afro, ambas de Itajaí. Homenageado com o Prêmio Simeão 2023, voltado a personalidades negras e alusivo ao Mês da Consciência Negra.




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