Matérias | Entrevistão


Jorge Boeira

“A saúde de Santa Catarina está esperando vaga na UTI”

Candidato ao governo de Santa Catarina

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]




Jorge Boeira foi o quinto candidato ao governo de Santa Catarina sabatinado pelo DIARINHO. Deputado federal por quatro mandatos, Boeira vem com chapa pura do PDT para a eleição estadual. Ele também recusou o dinheiro do fundo eleitoral. Nesta entrevista a Franciele Marcon, o candidato respondeu perguntas sobre saúde, rodovias, economia, geração de empregos, Porto de Itajaí, travessia do ferry-boat, além de três perguntas exclusivas. Todos os 10 candidatos ao governo de Santa Catarina foram convidados para a entrevista presencial na sede do DIARINHO. Odair Tramontin (Novo), Jorginho Mello (PL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP) e Jorge Boeira (PDT) compareceram; todos os demais recusaram o convite. Confira o conteúdo completo, em áudio e vídeo, no portal DIARINHO.net e em nossas redes sociais. As imagens são de Fabrício Pitella.

 

DIARINHO – Santa Catarina está sofrendo com a baixa adesão à vacinação que se reflete em alerta para a volta de doenças como a poliomielite. De forma mais imediata, a baixa vacinação reflete, também, no quadro das doenças respiratórias e na falta de leitos de UTIs, tanto adulto como infantil. O que está acontecendo com a saúde pública de SC?



Boeira – A saúde de Santa Catarina de fato está esperando vaga na UTI, porque também não tem vaga na UTI. Mas eu acho que esse tema é uma tragédia anunciada. Os médicos já vinham alertando o governo do estado, os funcionários dos hospitais regionais já vinham alertando a Secretaria da Saúde, de que haveria um repique de doenças respiratórias e que seria necessário se preparar. E o governo foi lento, foi frouxo na tomada da decisão. E quando começou a agir, nós já tínhamos perdido pequenos pacientes. Acho que esse é um tema que precisa ser retomado. Principalmente o tema de aumento de leitos nas UTIs infantis.

DIARINHO – Santa Catarina já investiu R$ 170 milhões em quatro rodovias federais. Enquanto o Estado ajuda a bancar obras que seriam obrigação do governo federal, há demandas locais de investimentos. Um exemplo é a SC que dá acesso ao maior parque temático da América Latina, o Beto Carrero. Como priorizar os investimentos em malha viária?

Boeira – Santa Catarina está perdendo a capacidade de ser um estado pujante por conta da falta de investimentos, não só propriamente investimentos, mas também manutenção das rodovias estaduais. Hoje deve ter um custo de aproximadamente R$ 7,8 bilhões só para recuperarmos as nossas rodovias. Enquanto que nesta última década o custo dos acidentes, por conta do mau estado de conservação das nossas rodovias estaduais, custaram em torno de R$ 20 bilhões para a sociedade catarinense. Então esse é um tema central do nosso governo, a recuperação das rodovias estaduais e adequação de rodovias federais, também. Porque para o catarinense não importa se ele anda numa rodovia estadual ou federal. Somente com investimento para reduzir os gargalos logísticos no estado de Santa Catarina e fortíssimos investimentos em qualificação pessoal e profissional nós vamos dar continuidade à capacidade pujante do estado.


 

Santa Catarina e o catarinense chegaram no limite da sua capacidade de progredir enquanto o Estado não realizar as suas tarefas na infraestrutura” 

 

DIARINHO – O estado tem sido o segundo em geração de empregos no Brasil. Quais suas propostas para continuar fomentando o setor industrial, de serviços, de turismo e a construção civil?

Boeira – Nós precisamos garantir a redução dos custos de logística. Nós temos um custo em Santa Catarina de 14%. A média nacional é de 11%. O estado de São Paulo fica um pouco abaixo disso pela estrutura que tem. Mas, sobretudo, qualificação pessoal e profissional, garantindo que o jovem do Ensino Médio tenha apoio do Estado, apoio financeiro do Estado. Principalmente quando ele tiver disponibilidade e vontade de fazer um curso técnico concomitante com o Ensino Médio. O Estado dará um apoio especial a esse cidadão, uma bolsa-permanência na escola. Aliás, faremos isso com todos os jovens da escola pública. Mas, principalmente, aquele que quiser fazer o curso técnico concomitantemente com as disciplinas regulares. E faremos isso discutindo com o sistema S, com os nossos institutos federais, com Cedup, toda estrutura que nós temos no estado de Santa Catarina. Nós não podemos perder essa capacidade, essa identidade de Santa Catarina. Com essa produção diversificada e distribuída por todo território catarinense é que nós produzimos valor agregado. Santa Catarina e o catarinense parece que chegaram no limite da sua capacidade de progredir e no limite da sua capacidade de melhorar de vida enquanto o Estado não realizar as suas tarefas na infraestrutura logística e na formação e qualificação pessoal.


DIARINHO – Por falta de força política, o aeroporto de Navegantes não teve uma segunda pista contemplada no edital de concessão do terminal. Empresários e entidades ainda lutam para ter a implantação desta pista, que aumentaria a capacidade de transporte de cargas via aérea e seria um diferencial econômico porque aumentaria o raio de liberação da construção civil no centro de Itajaí e Navegantes. Essa questão ainda tem uma solução política ou vamos ter que esquecer a segunda pista?

Boeira: Olha, os modais de Santa Catarina, o rodoviário, o ferroviário, cabotagem, têm sido importantes para a nossa logística também. Hoje 20% das cargas de Santa Catarina já são transportadas por cabotagem. Agora, o modal aeroviário só transporta 0,5% das cargas de Santa Catarina. A grande maioria vai para São Paulo, 80, 90%. Mais 6, 7% para o aeroporto de Curitiba. Então nós temos que investir fortemente no transporte de cargas pelo modal aéreo. Agora, eu nunca desisto. Eu sou catarinense de coração, estive deputado federal e sei a dificuldade que é a gente fazer essa discussão dentro do Congresso Nacional. Mas, sobretudo, dentro do governo. E só tem uma forma de conseguir isso. É muito trabalho, muita dedicação. É necessário que os nossos senadores estejam sempre buscando os recursos dentro do orçamento da União para o estado de Santa Catarina. E que demonstrem, claramente, a importância da logística e a importância do estado de Santa Catarina para a produção nacional. Nós somos a 6ª economia do país. Portanto, é necessário investimentos significativos na nossa produção. Porque a matriz de logística do país contempla carga por peso, enquanto nós vendemos valor agregado. E eu acho que é isso que o governo não está entendendo e é essa posição que os nossos senadores e nossos representantes têm que estar discutindo dentro do governo.

 

A gente está mostrando para a sociedade que é possível fazer uma campanha sem gastar R$ 9, R$ 10 milhões. Assim eu vou governar Santa Catarina”


 

DIARINHO – O Porto de Itajaí está prestes a ter sua operação e também a gestão dos canais portuários privatizados. O modelo de porto municipal com apenas a concessão dos berços à iniciativa privada deu certo até então. Qual a sua opinião sobre essa polêmica da privatização total?

Boeira – Eu sou favorável ao modelo Landlord, que a operação é privatizada, mas o síndico é estatal. Ou seja, a autoridade portuária é estatal. Principalmente num porto ao estilo do Porto de Itajaí, que está encravado dentro da cidade. Portanto o síndico, a autoridade portuária tem que fazer a interface entre a cidade e o porto. Imagina se nós não tivermos o controle dos caminhões para que não adentrem à cidade e causem um caos no trânsito. O Porto de Itajaí, no rio Itajaí, não é só o Porto de Itajaí. Ele tem mais cinco ou seis portos à montante. O porto pesqueiro de Itajaí é o maior do Brasil. Esses operadores normalmente são representantes dos grandes mercadores. E aí o navio que está lá fora, qual navio terá prioridade? Então tem que ter o controle de fato. O controle da sociedade vai se dar pelo órgão público que seria a autoridade portuária. Eu defendo o modelo onde a operação é privada, mas que tenha o controle do Estado, no caso aqui, o município enquanto síndico para discutir essa interface entre o porto e a cidade. Afinal de contas, o porto está dentro da cidade.

DIARINHO – O governo do estado e o federal tomaram medidas na tentativa de reduzir o preço da gasolina. Qual será sua política econômica com relação ao ICMS?

Boeira – Santa Catarina e todos os estados perdem muito com essa proposta do governo federal. Santa Catarina perde R$ 5 bilhões. E 20% são para os municípios que perdem mais R$ 1 bilhão de retorno de ICMS. Aliás, eu não sei se isso tem constitucionalidade, porque a legislação do ICMS é do compromisso do Estado e não do governo federal. A minha proposta é que o governo federal tem que discutir com a Petrobras, porque a Petrobras tem os custos em reais e vende gasolina em dólar, pelo preço do mercado internacional. Hoje o custo para você explorar um barril de petróleo na camada de pré-sal é de 20 dólares. Enquanto que o preço do mercado internacional do barril de petróleo passou de 100 dólares. Nós não podemos continuar com essa política.

 


Eu acho que Santa Catarina e todos os estados perdem muito com essa proposta do governo federal. Santa Catarina perde 5 bilhões. E 20% são para os municípios que perdem mais 1 bilhão de retorno de ICMS”

 

DIARINHO – A ligação fixa entre Itajaí e Navegantes é uma demanda de décadas. A empresa que faz a travessia móvel tem uma autorização temporária, com queixas de usuários com relação ao serviço. Exemplo é a exigência de pagamento em dinheiro, sem aceitar Pix e cartões. Qual a sua proposta neste sentido?

Boeira – Olha, esse tema nós vamos ter que discutir com a sociedade, a possibilidade da travessia fixa. Porque nós temos uma comunidade pesqueira, nós temos aqui um Porto e temos que discutir esse tema com a sociedade. Eu não conheço e não tenho maior profundidade sobre o tema. Preciso discutir com a sociedade, com o município. A informação que eu tenho é de que uma concessão, digamos, precária. Se é concessão estadual nós vamos nos adequar à legislação e à lei.

 

Não tenho dúvida de que o PDT vai continuar na mesma estratégia, na busca do seu protagonismo político dentro do quadro nacional”

 

DIARINHO – Santa Catarina tem 10 candidatos ao governo de Santa Catarina e as intenções de votos estão divididas. Por que os catarinenses escolheriam o senhor?

Boeira – Pela experiência, pela vivência política, pela experiência enquanto gestor. Pela experiência política enquanto deputado federal, pela sensibilidade social. Entendo que a gente está num processo eleitoral discutindo e tentando identificar a índole de cada cidadão. Eu estive deputado federal por quatro mandatos, sempre extremamente rigoroso no controle dos recursos públicos. Não alugava carro, andava de táxi, a pé. Abri mão da própria aposentadoria enquanto deputado porque entendo que esse é um direito torto. Para mim já foi uma grande alegria ter sido deputado federal. Não uso o fundão na minha campanha. Tenho uma campanha extremamente controlada em termos de gastos de recursos. Evidentemente que a gente tem que ter gastos, só o suficiente, esses gastos são pessoais e algumas contribuições. A gente está mostrando para a sociedade que é possível fazer uma campanha sem gastar R$ 9, 10 milhões. E é dessa forma que eu sou, esse é meu jeito de ser, e assim que eu vou governar Santa Catarina.

DIARINHO – No debate da rede NSC, nesta semana, o senhor foi atacado pelo candidato Ralf. Por que o senhor foi o alvo do candidato do PROS?

Boeira – Olha, porque eu tentei mostrar claramente que a desfaçatez de alguns candidatos, inclusive dele, é uma certa demagogia. O cidadão se coloca à disposição para ser governador de Santa Catarina enquanto sofre processo da lei Maria da Penha. Eu acho que esse cidadão não está preparado, entre outros, não estão preparados para ser governador do estado pela própria índole. E aí é difícil. Como ele não achou o que falar de mim, falou do Ciro Gomes, falou do PDT. Ele mesmo confessou depois do debate: “Eu não achei nada de ti, então eu tive que bater no Ciro”.

DIARINHO – Faltam três dias para as eleições de 2022. Pelas pesquisas já realizadas, o senhor não chegaria ao segundo turno. Quem o senhor pretende apoiar na segunda fase da eleição?

Boeira – Olha, essa é uma decisão que nós vamos tomar internamente. Mas eu continuo trabalhando com a mesma expectativa, com a mesma vontade, com a mesma garra e com a mesma intensidade até o dia 2 de outubro até às cinco horas da tarde. Trabalhando com muita vontade, com muita garra, com muita determinação. Vivi intensamente esses últimos 45 dias o estado de Santa Catarina.

DIARINHO – O PDT decidiu lançar novamente a candidatura de Ciro Gomes à presidência da República, mas dificilmente terá êxito na campanha presidencial. Na eleição passada, Ciro “foi para Paris” no segundo turno. Nesta eleição, tem atacado Lula e tem sido interpretado como aliado de Bolsonaro. O senhor acha que o histórico líder do PDT, falecido Leonel Brizola, apoiaria essa estratégia das lideranças do partido no atual momento que vive o Brasil?

Boeira – Eu não tenho dúvida que apoiaria. Porque o Brizola sempre buscou a independência e a identidade do Partido Democrático Trabalhista buscando propriamente as suas raízes. E acho que o Ciro Gomes é o candidato mais preparado depois da redemocratização do país para ser o presidente da República. Não tenho dúvida de que o PDT vai continuar na mesma estratégia, na busca sempre do seu protagonismo político dentro do quadro nacional.

 

Raio X

 

NOME: Jorge Catarino Boeira

NATURAL: Araranguá (SC)

IDADE: 66 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: Natália e Amália

FORMAÇÃO: Engenharia Mecânica

TRAJETÓRIA POLÍTICA: deputado federal (2003-2007, 2007-2011, 2011-2015 e 2015-2019)

NÚMERO DE URNA: 12

COLIGAÇÃO: PDT




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