ITAJAÍ

Justiça suspende lei que libera “arranha-céus”

MP alega “construções desenfreadas” e “retrocesso ambiental”. Decisão impacta verticalização de Cabeçudas

Justiça suspendeu as novas licenças para outorga onerosa em empreendimentos sem o Estudo de Impacto de Vizinhança

(Foto: Arquivo)
Justiça suspendeu as novas licenças para outorga onerosa em empreendimentos sem o Estudo de Impacto de Vizinhança (Foto: Arquivo)

A Justiça de Itajaí decidiu liminarmente, nessa quarta-feira, suspender de forma imediata a concessão de licenças de empreendimentos por meio da lei da outorga onerosa que não possuam Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). A decisão é da juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso Terres e atendeu parcialmente um pedido de liminar do Ministério Público.

A juíza estipulou multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento pra cada autorização concedida. O secretário de Urbanismo foi intimado pessoalmente da decisão. A liminar impacta, especialmente ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

A juíza estipulou multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento pra cada autorização concedida. O secretário de Urbanismo foi intimado pessoalmente da decisão. A liminar impacta, especialmente, a verticalização do bairro de Cabeçudas.

Continua depois da publicidade

Na mesma decisão, a magistrada ainda determinou a intimação de Rodrigo Lamin, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Itajaí e presidente do Conselho Municipal de Gestão e Desenvolvimento Territorial de Itajaí, para o cumprimento imediato da ordem judicial. “Com a advertência de que eventual descumprimento poderá caracterizar ato atentatório à dignidade da Justiça e ensejará a responsabilização pecuniária pessoal do agente público responsável”, escreveu a juíza, alertando que o secretário poderá responder por sanções cíveis e criminais. O município tem até 30 dias para recorrer da decisão.

A outorga onerosa é concedida através de uma lei municipal, mediante pagamento de indenização, quando um empreendedor constrói acima dos parâmetros de uso e ocupação do solo estabelecidos no Código de Zoneamento. Na decisão, a juíza entende que a prefeitura tem liberado, com base na outorga onerosa, construções de prédios além do limite de altura em Cabeçudas.

Na ação civil pública, o MP alega que o município está concedendo outorga onerosa sem a realização de Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança, ou estudos equivalentes que assegurem critérios de viabilidade urbanística. Mesmo em prédios que apresentam adensamento populacional, o estudo não está sendo exigido, segundo a denúncia do MP. “Em tais situações mostra-se imprescindível a elaboração do citado estudo ou de medidas equivalentes. Afora os casos de outorga onerosa, a regulamentação para o EIV ou equivalente simplesmente inexiste, trazendo retrocesso ambiental, bem como construções desenfreadas que sequer se sabe seus reais efeitos”, diz a promotoria.

Para o MP, a falta dos estudos demonstra a incompetência do município em proteger o meio ambiente. “Enquanto o requerido [município] deixa de exigir estudo ou medida equivalente visando resguardar o meio ambiente, vem, deliberadamente, há 10 anos, arrecadando recursos e concedendo o direito de construir, sem estudo prévio, em casos que evidentemente caracterizam adensamento populacional”, diz a ação.

Também fazem parte da ação as Associações Comunitária de Cabeçudas e dos Moradores da Fazenda e Fazendinha.

Lei da outorga continua valendo, entende o secretário

O secretário Lamim, ouvido pelo DIARINHO, disse que não há suspensão da outorga se o empreendedor apresentar o Estudo de Impacto de Vizinhança e ajustar as medidas mitigadoras e compensatórias da autorização de construção.

A decisão liminar, segundo Lamim, abrange apenas os casos sem o determinado estudo e vai abranger só o pedido de novas  licenças. Como a decisão não é retroativa, os empreendimentos que já estão licenciados, como o da ABF Vaccaro Construtora e Incorporadora de Imóveis que anunciou um prédio de nove andares em plena orla de Cabeçudas e provocou a indignação da vizinhança, em tese, não estão impedidos de prosseguir com as obras.

Continua depois da publicidade

O presidente do Sinduscon de Itajaí, Bruno de Andrade Pereira, informou que a decisão está sendo avaliada juridicamente, mas adiantou que o sindicato pretende tomar medidas para retomar os licenciamentos com outorga onerosa. “O que deve ficar claro para todos é que apesar das decisões aparentemente demonstrarem que o vilão da história é o solo criado, a verdadeira polêmica é pela situação locacional da edificação.  Mais uma vez, a cidade toda pode ficar parada por conta de um conflito de interesses dentro de um bairro. A outorga onerosa tem sido exitosa e  aprovada no Conselho da Cidade nas regiões centrais por todas as associações de moradores. A outorga é boa para a cidade e discutir o que realmente é o x do problema”, opinou Bruno.



WhatsAPP DIARINHO


Conteúdo Patrocinado



Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Clique aqui para fazer o seu cadastro.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×






216.73.216.58


TV DIARINHO


🚨 JUSTIÇA POR ORELHA 🐾 | A morte do cão comunitário Orelha levou moradores às ruas em várias cidades ...



Especiais

Fora das redes, doações para projetos caem e fiéis querem ajuda do Vaticano

Padre Júlio

Fora das redes, doações para projetos caem e fiéis querem ajuda do Vaticano

O cultivo de maconha começa a sair do armário no Brasil

MACONHA MEDICINAL

O cultivo de maconha começa a sair do armário no Brasil

O caso banco Master e as controvérsias do ministro Dias Toffoli no STF desde o Mensalão

BANCO MASTER

O caso banco Master e as controvérsias do ministro Dias Toffoli no STF desde o Mensalão

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

SETE ANOS

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP

PROJETO BARRADO

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP



Blogs

Inflamação silenciosa: o sabotador oculto do emagrecimento

Espaço Saúde

Inflamação silenciosa: o sabotador oculto do emagrecimento

Carmem no mando de campo do Republicanos

Blog do JC

Carmem no mando de campo do Republicanos

Comida de verdade!

Blog da Ale Françoise

Comida de verdade!

Confissões Íntimas — 38

VersoLuz

Confissões Íntimas — 38



Diz aí

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

DIZ AÍ, Dagoberto!

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

Diz aí, Regina!

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

Diz aí desta terça traz Regina Santos da Silva, ativista e fundadora do Coletivo Mulheres

AO VIVO

Diz aí desta terça traz Regina Santos da Silva, ativista e fundadora do Coletivo Mulheres

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

Diz aí, pastor!

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”

Diz aí, Juliana!

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”



Hoje nas bancas

Capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.