Matérias | Entrevistão


Gabriela Kelm do Nascimento

“A maioria entende que o calçadão da Hercílio Luz deve permanecer porque foi um ganho para a cidade ”

Presidente da ACII

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]




Aos 39 anos, Gabriela Kelm do Nascimento é a mais jovem mulher eleita à presidência da Associação Empresarial de Itajaí (ACII). A empreendedora assumiu com a principal missão de atrair mais associados para a entidade, que reúne empresários, comerciantes e industriais. Isso porque, mesmo com mais de 40 mil empresas na cidade, são menos de 1 mil associados à ACII. A nova presidente tem como meta melhorar esses números em sua gestão e, para isso, já arregaçou as mangas e iniciou o trabalho. Nesta entrevista à jornalista Franciele Marcon, Gabriela falou um pouco da rotina da entidade, das demandas que a ACII tem assumido, da importância de eleger candidatos a deputado estadual e federal da região de Itajaí, além da privatização do porto, da luta pela segunda pista no aeroporto de Navegantes e da finalização das obras de duplicação da BR 470. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere em nossas redes sociais e no portal DIARINHO.net

 

DIARINHO - Você é uma das poucas mulheres eleita presidente da Associação Empresarial de Itajaí (ACII). O que representa a sua eleição à entidade?



Gabriela: Eu sou a terceira presidente da ACII. Tivemos a Maria Isabel, nossa ex-presidente, que agora está no conselho, e tivemos também a senhora Jucélia. Mas, questão de idade, talvez a mais jovem. Eu entendi como uma grande oportunidade, mas, ao mesmo tempo, pensei assim: “por que eu?”. Jovem, de certa forma, que não é da cidade. Estou aqui na região há muito tempo, mas não sou daqui. Eu acredito que cada presidente passa pela associação e deixa seu DNA. O nosso presidente anterior, o senhor Mario César, trouxe muita gestão para dentro da associação. Eu acho que eles me trouxeram com o intuito de que eu trouxesse o meu DNA. A associação está ali, pronta. Vamos vender ela, trazer mais empresas para dentro, mais soluções. Eu acho que eu trouxe meu lado comercial, porque era o momento, era o que a associação estava precisando.

DIARINHO - Quais são os desafios à frente da entidade que representa empresários, comerciantes e industriais?

Gabriela: Acho que neste momento é trazer mais associados para a associação. Hoje somos 40 mil empresas em Itajaí e nós estamos com 650 associados. Tem uma grande fatia, ou que não conhece a associação, ou que não teve a oportunidade de conhecer ainda. Neste momento a gente está trabalhando bem forte o marketing e também deixando as nossas soluções mais fortes. A associação tem várias soluções para o empresário, que são soluções da nossa federação. A Facisc tem 50 anos. É uma federação muito forte e oferece soluções para as 149 associações do Estado. Tem certificado digital, tem certificado de origem, o Boavista, que é o Serasa. Para tudo que o empresário pensa “eu preciso”, pode procurar a associação empresarial. [São 40 mil empresas em Itajaí. Vocês têm uma meta de associação?] Sinceramente, 100%. Gostaria que todas fizessem parte, lógico. Joinville, por exemplo, tem muito mais empresas do que Itajaí e eles têm 3 mil associados. A ACI de Brusque conta com 800 associados. Acredito que um bom número seria de 1 mil para cima. Isso que estou buscando neste ano. Uma das metas é terminar o ano com 850 associados. Eu entrei, nós tínhamos 550. Em quatro meses, chegamos a 650. Eu acho que vamos bater a meta.


DIARINHO - Como novos associados podem se filiar e quais são os benefícios?

Gabriela: Vou começar falando dos núcleos setoriais. Temos núcleo da mulher, temos núcleo jovem, núcleo de corretores, socioambiental, de cooperativas, de tecnologia e informação. São sete núcleos dentro da associação. Quando o empresário chega na cidade e está precisando de certos serviços, entrando num núcleo ele vai ter um grande respaldo para tudo que ele precisar. Esse é um ponto. Um núcleo com muita força é de corretores. Ele tem uma reunião quinzenal dentro da prefeitura com o secretário de Urbanismo. Se não fosse através da associação, que outra entrada eles teriam? Eu acho que a associação tem muito disso, de fazer a ponte necessária. Essa é uma das vantagens. Ou a gente resolve direto ou vai fazer a ponte.

DIARINHO - Há relatos de empresários que deixaram a associação por não sentir um diferencial no associativismo. O que você tem feito neste sentido para melhorar a relação custo-benefício para as empresas?

Gabriela: Esta é uma pergunta bem difícil. A associação, de certa forma, estava parada no tempo. Ela precisa vir com uma visão nova. Quando eu entrei, queria entender um pouquinho: o que aconteceu, o que estava acontecendo, para onde íamos? Vou fazer um resgate dos nossos planejamentos anteriores. Eu fui para dentro da associação e descobri que não tínhamos planejamento. Eu entrei e falei: “meu Deus, para onde que eu vou? Eu preciso planejar. Eu sou uma gestora”. Eu tenho que entender para onde eu vou. [Neste processo], eu escutei algumas coisas assim: “ah, o presidente não recebe”. Gente, eu recebo todo mundo. Eu realmente gosto de receber todo mundo na associação, eu mesma, presencial, para entender as demandas e levar adiante. Acho que talvez seja o diferencial deste ano. Eu sou vendedora, para mim, tenho que ter o tête-à-tête, olhar no teu olho. Vamos construir juntos? Como eu posso te ajudar?

DIARINHO - Como está o envolvimento da ACII para a reestruturação do centro de Itajaí? A Hercílio Luz é a demonstração de que algo não está bem no comércio de rua...


Gabriela: Participei da comissão de duas formas, representando a Associação Empresarial, mas eu sou uma lojista da Hercílio Luz. Eu trazia essas duas visões. Eu acho o nosso calçadão sensacional. A pessoa quer comprar em Itajaí? Temos boas opções na Estefano, na rua Indaial, mas temos um calçadão na cidade que a pessoa pode estacionar e passar o calçadão inteiro. O que ela precisar, vai encontrar no calçadão. Só que ele já está antigo. Aquelas pedrinhas não são bacanas. A gente precisa falar em acessibilidade, em espaço instagramável. Precisa ter mais pontos de alimentação, melhor iluminação. Se realmente trabalhar o calçadão como um shopping a céu aberto, ele tem que ir além do horário. Para que isso aconteça, precisa de uma revitalização. No ano passado a prefeitura apresentou o esboço do projeto. Através desse esboço foi trabalhado tudo que precisa. Melhor mobiliário, piso bonito, algumas pedras de mármore. O projeto ficou muito bom. Ele já está todo desenhado e vai acontecer. Começa ainda este ano, da igrejinha velha para lá. Para em dezembro, por causa do Natal. Ano que vem volta. Nós teremos uma nova Hercílio Luz. A gente está acompanhando e cobrando o poder público porque esse é o nosso trabalho também. [A questão do trânsito de veículos no calçadão foi superada?] Isso foi um entendimento entre os lojistas e a população. A maioria entende que o calçadão deve permanecer sem travessia, porque foi um ganho para a cidade. A gente definiu neste projeto que vai continuar o calçadão. Mas precisamos de mais estacionamento ao redor. Isso também está no projeto, está planejado.

 

“A gente precisa ser a ponte do empresário com toda a demanda que ele necessita”

 


 

DIARINHO - A ACII tem atuado para tentar reverter a decisão da concessionária CCR de não fazer a segunda pista do aeroporto. A empresa deve se manifestar definitivamente sobre essa questão até o final de agosto. Quais são as expectativas?

Gabriela: As associações da região [contrataram] um advogado para trabalhar nesta ação. As últimas informações que eu tenho é de que, até o final de agosto, o ministro Lewandowski [Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF)], falou que realmente iria colocar para fazer. A nossa sugestão, que a gente coloca neste documento, é que hoje o aeroporto recebe 2 milhões de passageiros. Ele está pronto para receber até 5 milhões de passageiros. Na licitação tem uma cláusula de já fazer uma reforma no terminal. Esta reforma seria em torno de R$ 90 milhões. A segunda pista custaria mais ou menos esse valor. Nossa ideia é, já que não vai fazer, pega e faz a segunda pista. “Ah, mas por que que a de carga não pode ser a mesma do passageiro?”. Porque é diferente a carga. A gente precisa de carga paletizada. A gente precisa da carga do contêiner. Esses são aviões diferentes. Se acontecer a segunda pista, começam a descer mais de 93 aeronaves diferentes que hoje não descem porque a gente não tem como receber. A CCR vai ter esse custo inicial para fazer, mas ela vai receber isso de volta. Estamos numa região com um porto, um dos melhores do Brasil, do outro lado já vamos ter o outro porto privatizado, que vai ser um dos maiores também. A nossa região necessita da segunda pista. É uma demanda tão importante quanto a 470. Somos uma cidade portuária, então precisamos que as cargas cheguem e saiam. Precisamos da BR 470. A gente acredita que seja entregue até o final do ano. Pelo menos o ministro Marcelo Sampaio, da Infraestrutura, disse que está tudo organizado.

DIARINHO - A ACII sempre fez campanha para que nas eleições sejam priorizados os candidatos da cidade. Infelizmente, nas últimas eleições a estratégia deu errado. Itajaí não tem forte representatividade em Brasília e nem em Florianópolis. Como a entidade vai encarar a eleição deste ano?

Gabriela: A gente está em reunião com a CDL, Sinduscon, ACI, Sindilojas, OAB, para trabalhar numa ação conjunta. Isso já foi feito outras vezes. Estamos conversando para que a ação seja mais efetiva, pensando em conjunto numa conscientização no voto útil. Eu acho que tudo é marketing, vocês são ótimos nisso, o DIARINHO é ótimo nisso. Eu estou pensando: como criar frases que peguem. A gente está nessa discussão e uma agência está nos ajudando. Talvez as pessoas não se deem conta do quão importante é termos um representante. Com essas demandas do porto, com a 470, quando a gente precisa trabalhar lá em Brasília, se tem uma porta aberta, se tem quem nos conduza até lá, é sensacional. Uma reunião que a nossa federação teve com o ministro Tarcísio [de Freitas, Infraestrutura], ainda no ano passado, sobre a segunda pista do aeroporto, quem conseguiu foi o empresário Luciano Hang. Às vezes tem que se fazer outro caminho, porque nós não temos um representante. E é um absurdo uma região tão rica como a nossa não ter um representante. É absurdo.

DIARINHO – A ACII está acompanhando o impasse da privatização do porto. Quais as expectativas em curto prazo?


Gabriela: Pelas informações que me chegaram, a privatização não foi adiada. Ela continua, tanto que o Marcelo Sampaio, na semana passada, chegou a fazer um tweet sobre isso. Ela estaria indo para os moldes da licitação. Vai acontecer! O que foi colocado é que vai haver uma transição de até dois anos. Isso foi um pedido nosso, inclusive, quando nós fomos a Brasília. Na nossa cidade, 50% é comex. Ela respira comex. Você já imaginou, o concessionário ganha ali e entra dia 1º. Ele chega lá e paga pela estrutura que tem lá. São R$ 98 milhões que ele paga por aquela estrutura que tem lá. Só que ele não vai usar aquela estrutura. Ele vai entrar com uma estrutura nova. Ele vai encomendar essa estrutura, que leva até um ano para ficar pronta. Ele entraria em 2024. Você já imaginou a nossa cidade ficar parada? Não tem como ficar parada. Essa transição pode ser de um até dois anos, mas o concessionário já entra em 2023.

DIARINHO - O distrito da inovação de Itajaí, depois de um atraso de anos, deve ser concluído em breve. O que ele pode trazer de bom para a cidade?

Gabriela: Eu acredito demais no distrito. Temos muitas empresas, muitas startups, a gente precisa. É Elume, o nome do distrito regional de inovação. Adorei o nome, achei bem bonito. Só que teve muito embaraço nessa história toda. É uma pena, porque a estrutura que está lá, pronta, tem muita coisa que já está velha. Agora vai haver uma reforma novamente. O dinheiro foi liberado, o projeto está todo aprovado, e agora vai. Eu acredito que a cidade tem muito a ganhar com o centro de inovação, sem dúvidas.

 

“A nossa região necessita da segunda pista [aeroporto]. É uma demanda tão importante quanto a 470”

 

DIARINHO – Diante de todos os compromissos que você citou alguns aqui, ainda sobra tempo para a gestão da Ótica Carol?

Gabriela: Sobra, sobra. É assim, eu comecei hoje de manhã, nas lojas, com café, porque a gente faz um cafezinho todo início do mês para alinhar as metas. Comemorar o que a gente fez, se fez. Graças a Deus comemoramos mês passado. E saber para onde a gente vai, as promoções, enfim. O time é muito bom. Eu tenho um RH um pouco mais complicadinho na hora da contratação. Tem três fases da nossa contratação, mas a gente contrata um pouco mais certinho. Eu só contrato gente que quer empreender na minha empresa, que quer entender que a empresa é dele. Fica um pouquinho mais fácil esse trabalho. Mas, com certeza o meu marido está com uma boa parte das lojas agora, e eu acabo ajudando. A minha parte é o marketing, o RH.

DIARINHO – Qual o legado você espera deixar na ACII?

Gabriela: Crescimento, com certeza. De mais associados, que as pessoas conheçam mais a associação empresarial, que elas entendam o que a associação empresarial pode fazer, não só pelo empresário, mas pela comunidade, pela sociedade. Primeiro, ser a casa do empresário em Itajaí. Tudo que ele precisar, pode procurar a associação empresarial. Depois, ser a voz do empresário. A gente precisa ser a ponte do empresário com toda a demanda que ele necessita.

 

“Eu acho que eu trouxe meu lado comercial, porque era o momento, era o que a associação estava precisando”

 

Raio X

 

NOME: Gabriela Kelm do Nascimento

NATURALIDADE: Santo Augusto (RS)

IDADE: 39 anos

ESTADO CIVIL: Casada

FILHOS: duas meninas, de 11 e cinco anos

FORMAÇÃO: Técnica em Gestão de Lojas

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Começou a trabalhar aos 13 anos em um restaurante. Aos 17, entrou no comércio como vendedora. Atualmente é franqueada das Óticas Carol com sete lojas na região, ex-conselheira das Óticas Carol para a região Sul, e eleita presidente da Associação Empresarial de Itajaí (ACII) para o biênio 2022/2023

 

 




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