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Santa Catarina

Deputados rejeitam projeto que proibia corrida de cachorros no estado

Proposta do deputado Marcius Machado (PL) foi barrada em votação no plenário

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Cães galgos usados em corridas clandestinas foram resgatados em Araranguá em maio (Foto: Divulgação PMSC)


Aassembleia Legislativa rejeitou o projeto de lei que proibia a realização de corrida de cachorros em Santa Catarina. Dos 24 deputados na sessão de votação, ocorrida na quarta-feira, a maioria rejeitou a proposta, com 17 votos contrários, quatro a favor e três abstenções. Com o resultado, o projeto do deputado Marcius Machado (PL) será arquivado.

O projeto alterava a lei Estadual de Proteção de Animais para proibir a realização das corridas de quaisquer raças de cães no estado. Na justificativa da proposta, Marcius argumentou que as competições causam danos físicos e psíquicos aos animais envolvidos. Em alguns casos, conforme o deputado, os cães recebem substâncias para melhorar o desempenho.

O parlamentar lembrou que a prática de corrida de cães já foi proibida em outros estados, como no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, a prática seguirá sendo permitida com o arquivamento da proposta. Nas comissões de Constituição e Justiça e de Turismo e Meio Ambiente, o projeto tinha obtido parecer favorável, o que permitiu ser levado pra votação em plenário.



Os deputados, que foram contra a mudança, listaram diversas justificativas pra não aprovar o projeto. “Pode prejudicar atividades praticadas por clubes, que são insuspeitos, gostam dos animais, não estão ali para maltratar. Essa lei não irá aumentar a proteção dos cães e poderá trazer empecilhos”, defendeu Bruno Souza (Novo).

O deputado Jessé Lopes (PSL) criticou o que o chamou de “pautas dos ‘ecochatos’”. “O que é que tem os cachorros correrem? Eles até se divertem”, disse. “A tendência é, daqui a pouco, não poder comer mais churrasco”, criticou.

Rodrigo Minotto (PDT) considerou que a corrida de cães não se configura como maltrato. “Daqui a pouco, vai proibir corrida de cavalo”, afirmou. “Acho que isso [a proibição] é até prejudicial, não contribui para a qualidade de vida do animal”, completou.


O deputado Silvio Dreveck (PP), que se absteve de votar, explicou que não compreendeu o teor do projeto. Ele pediu esclarecimentos ao autor, que não estava na hora da votação. “Parece que, em Santa Catarina, não temos essa prática [corrida de cães]”, considerou.

Maus tratos

Os cães galgos, que pertencem a um grupo de raças com características comuns, são os mais usados para corridas por serem leves, fortes e velozes, podendo alcançar velocidades acima de 70 km/h. As corridas de galgos são comuns em cidades dos estados da região Sul. A prática já foi proibida na Argentina e no Uruguai, migrando pra cidades brasileiras na fronteira com esses países, e persistindo em outras regiões.

Em maio, em Araranguá, no sul de Santa Catarina, operação das policiais Militar e Civil prendeu cinco homens por crime de maus tratos contra galgos usados em corridas clandestinas. O grupo teria vindo do Rio Grande do Sul praticar as corridas em Santa Catarina, após o governo gaúcho reforçar as fiscalizações no estado vizinho. Os cães foram levados pra um canil.

No Rio Grande do Sul, corridas foram denunciadas em Bagé, Santana do Livramento, Guaraí e Acegua, na região de fronteira com o Uruguai. Os cães de corrida são alvo de maus tratos e da ganância de apostadores, que chegam a drogar os animais pra aumentar o desempenho das competições. Os cães correm à exaustão, se machucam em brigas, sofrem abusos físicos e são feridos nas competições.


Em Bagé, até há uma pista de corrida de galgos, construída pela prefeitura, que não vê irregularidade na prática. Uma associação, que cria os cães pra corrida, alega que as competições não geram maus tratos.

Animais, usados em competições, são “escravizados” pra gerar resultado

No Brasil e na Argentina, entidades e protetores de animais trabalham no resgate e na adoção de galgos, vítimas da crueldade dos apostadores. O deputado Marcius Machado lembrou, na elaboração do projeto de lei, os casos denunciados no Rio Grande do Sul, defendendo a proibição da prática também em Santa Catarina.

Ele destacou que as corridas provocam danos físicos e psíquicos aos cães, além de fraturas e ferimentos durante as competições. Em alguns casos, ele disse que os cachorros são drogados até com cocaína. “Além disso, o uso intensivo de anabolizantes causa atrofia muscular e prejudica o coração e os rins dos animais”, argumentou.


Para a protetora Suraia Sehn Pereira, voluntária da associação Amor Animal, de Itajaí, a rejeição do projeto é preocupante e precisa ser revista pelos deputados pra garantir que não aconteçam maus tratos. “Se não regulamentar, os casos vão continuar acontecendo clandestinamente”, avalia.

Suraia defende a proibição das corridas, destacando que elas provocam crueldade semelhante aos cavalos usados em competições. Ela lembrou os casos recentes das Olímpiadas de Tóquio, com ocorrência de animais que saíram sangrando das provas e que foram maltratados pelos competidores. As cenas provocaram um movimento pra banir esportes com animais nos jogos.

Suraia comenta que os animais, usados pra competições, acabam sendo escravizados e, por mais que se adotem cuidados, ela observa que sempre há maus tratos. “Eles passam por treinamento como um atleta, mas só  não podem reclamar. O que os treinadores querem é sempre o resultado”, destaca.

 

ONG repudia fala de deputado conta ‘ecochatos’

“Pauta de ecochatos” e “Cachorros até se divertem”, justificaram deputados


O grupo de Operações e Resgate (GOR) de Itapema, que atua contra os maus tratos de animais na região, divulgou nota de repúdio contra manifestação do deputado Jessé Lopes (PSL), durante a votação do projeto na assembleia Legislativa. Além de votar contrário à proposta, ele ironizou outros projetos de proteção animal, defendendo corridas de cães e rinhas de galo.

“Tem uns projetos, aí, que proíbem patê [de animais]. Daqui a pouco, vão proibir a gente de fazer churrasco”, disse. “Acabaram com a rinha de galo. Era pouco divertido, a rinha de galo... Essas pautas, dos ecochatos, não dá para aguentar”.

O GOR defendeu que as leis de proteção buscam acabar com uma cultura de violência contra os animais e conscientizar as pessoas, fazendo com que elas entendam que não pode haver diversão através do sofrimento de qualquer ser vivo. “A população precisa entender a gravidade de sermos representados por pessoas que não demonstram mínimo amor pela causa animal”, diz a nota.

 




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