Matérias | Entrevistão


Francisco Graciola

"O patrimônio é o cliente”

Fundador e presidente do Conselho Administrativo da FG Empreendimentos

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]




Quem vê os imponentes prédios erguidos pela FG Empreendimentos não sabe toda a história que tem por trás dos arranha-céus. Antes de ser um dos 10 maiores construtores do Brasil, Francisco Graciola iniciou sua vida trabalhando no sítio. Terceiro filho de 12, Graciola ajudava os pais e irmãos na lida com a roça. Antes de se tornar construtor, Chico, como é chamado por todos, foi barbeiro em Blumenau. O carisma, o comprometimento e a empolgação pelo trabalho fizeram com que conseguisse montar o próprio negócio antes dos 20 anos de idade. Abriu a barbearia do Chico e logo vieram as lanchonetes, a alfaiataria e os hotéis. A história com a FG só começou em 2003, quando já estava envolvido com a construção civil em outras cidades da região. São 18 anos de sucesso da construtora, que agora planeja construir o prédio mais alto do Brasil, com 500 metros de altura. Nesta entrevista exclusiva à jornalista Franciele Marcon, Chico falou sobre o início, as dificuldades do caminho, o segredo da administração familiar da empresa e o carinho e o respeito que procura manter com funcionários e clientes. Para o final de semana de Dia dos Pais, a história de Chico inspira no âmbito familiar e no profissional. As fotos são de Fabrício Pitella. Confira a entrevista também em áudio e vídeo no portal diarinho.net


 

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DIARINHO - O senhor iniciou a vida como barbeiro. Também teve uma padaria e um bar em Blumenau. De pequeno comerciante, virou um dos 10 maiores construtores do Brasil. Como criou a FG empreendimentos?

Francisco: Desde a infância, sempre pensei: “Eu tenho que fazer alguma coisa diferente”. Vou criar um caminhãozinho de madeira ou vou criar uma hortazinha de alface. Até pensava, na época, que o próprio abacaxi, a gente vivia no interior, o abacaxi podia trazer resultado pra mim e pra minha família. Isso aos oito anos, 10 anos, 11 anos, pensava em uma rocinha de abacaxi. Eu já fazia conta de que 100 pés de abacaxi ou 50 pés de abacaxi, em tanto tempo, eu teria um resultado positivo. Depois, vaca de leite, galinhas caipiras. Isso tudo foi na roça. Nós vivíamos no interior e o sítio era pequeninho, só que nós éramos em 12 irmãos: seis rapazes e seis meninas. A casa tinha três quartinhos de madeira, bem antiga. O banheiro era praticamente a 100 metros da casa. Sabe aqueles banheiros antigos? Aí, nós dormíamos, os rapazes, num quarto e as meninas, no outro. O pai e a mãe no outro. Minha mãe tinha muita fé, muita energia, pensamento positivo. E ela, sei lá do quê, ela criava alimentos. Às vezes, de capim ou de pedra, ela criava algum alimento especial pra essas crianças comerem. Meu pai trabalhava na roça. Dedicado, muito responsável, botava muita ordem. Nós tínhamos respeito e um pouco de medo também. Porque o pai botava ordem. Era assim: “Olha o respeito, olha a educação, olha a fé, olha a religião...”. À noite, tínhamos que rezar o terço. À noite, o pai fazia nos ajoelharmos e rezar um terço. A mãe sempre fazia oração pra um parente, pra outro, tal...  Isso foi desenvolvendo, teve alguns problemas na família, tive uma irmã que nasceu paralítica, nunca falou e nunca andou. O meu irmão teve acidente e perdeu um braço. Eu perdi uma vista na roça também. Isso tudo foi acontecendo e, a partir daí, eu tinha alguma energia, algum pensamento positivo. “Não, eu preciso ajudar essa família, eu preciso sair do interior, eu tenho que ir pra cidade, eu tenho que ou trabalhar numa fábrica, ou ir vender pastel, ou ir produzir alguma padaria, alguma coisa...” Aos 13 anos pra 14 anos, veio um senhor da cidade, de Gaspar, que o nosso sítio ficava a 15km da cidade, foi lá e pediu pro meu pai: “Olha, eu vou levar o Chico pra aprender a cortar cabelo. E eu vou dar a ele comida e cama, ele fica comigo dois anos para aprender. Ele terá comida e cama”. Dos 13, 14, fiquei até os 16 anos e pouco. Depois de vencer os dois anos, ele começou a me pagar uma comissãozinha. “Agora você já é profissional!”. Eu já tinha os meus clientes. Era época do Roberto Carlos, cabelos diferentes, eu cortava já os cabelos diferentes, queria modernizar as coisas. Aprendi com isso a me relacionar, a desenvolver, a conquistar minha própria vida. [E como a ideia da FG começou?] Eu terminei o prazo com ele e resolvi botar um negocinho pra mim. Não queria botar perto do dele, porque ia levar os clientes que eu já conquistei ali. E fui pra Blumenau, perto da Proeb. Encontrei uma salinha pequena, eu tinha uma cadeira antiga, um banquinho pros clientes esperar e um espelho. Consegui botar meu salãozinho. Pra conquistar o cliente, eu botava uma plaquinha na calçada: “Corte seu cabelo e ganhe o cabelo do filho de graça”. Ou “Corte seu cabelo e ganha barba de graça”. Era a maneira de eu conquistar o cliente. Porque imagina, eu, todo diferente, do interior, no meio da alemoada de Blumenau. Terra germânica. Pessoal olhava diferente, porque um guri numa barbeariazinha. Fui conquistando e conquistando. A barbearia lotou. Serviço e mais serviço. Do lado da barbearia, tinha uma lanchonetezinha de um casal de velhos. Uns senhores, que tavam com 70 e poucos anos, viram que a gente desenvolveu muito e tinha muitos irmãos pra poder, talvez, ajudar. Ele queria porque queria que eu tocasse também a lanchonete. Ele apenas queria receber o aluguel da barbeariazinha e da lanchonete. Ele me passou a lanchonete, paguei a ele em 36 pagamentos, com o próprio negócio, e assim eu comecei. Barbearia do Chico. Depois veio a lanchonete. Barbearia e Lanchonete do Chico, lá na Velha. Isso foi clientela e clientela porque a gente foi inovando: pastel, x-salada. E foi inovando. A gente também ia investindo em alguns imóveis. Porque, quando sobrava uma economiazinha, eu fui trazendo uma irmã, trazendo um irmão, trazendo outro. E aí fui investindo em imóvel e investindo em outras lanchonetes. A coisa foi acontecendo porque a gente começou com a barbearia, passou pra lanchonete. Chegamos a ter 12 lanchonetes. Lanchonete, padaria, restaurante e confeitaria em Blumenau e região. [Como essa família de Blumenau veio parar em Balneário?] Nós trabalhávamos de segunda a sábado. Sábado à noite a gente fechava, limpava tudo, deixava tudo organizado. Eu pegava um Fiat 147, botava minhas crianças dentro e vinha passear domingo de manhã cedo. Aonde a gente ia passear? Balneário! Meu Deus, a cidade aqui é totalmente diferente. A gente começou a despertar a atenção pra Balneário. Nós começamos a construir em Blumenau. Por conta dos investimentos das lanchonetes, tinha um relacionamento muito grande dentro da cidade toda. A família toda já estava junto comigo, os irmãos, irmãs. A marca, o nome Graciola, cresceu também. Começamos a construir em Blumenau e, com essas visitas a Balneário, despertamos pra Balneário. Tinha um senhor que tinha um terreno pequeninho em Balneário, com uma casinha, na rua 2200. Ele não queria mais porque se incomodava. “Casa eu não quero mais, Chico. Eu quero que você me dê um apartamento ou dois apartamentos em Blumenau, que eu lhe dou a casa de Balneário”. Blumenau porque a gente estava construindo. Eu dei pra ele e vim pra cá. Projetamos o primeiro prédio na casa dele. Começamos com Balneário, mas mantinha as lanchonetes e padarias em Blumenau. Construí em Blumenau, em Jaraguá do Sul, Gaspar e Balneário.

DIARINHO - O senhor é o atual presidente da empresa e seu filho Jean é o gestor. Nesta semana de Dia dos Pais, pode nos explicar o segredo do bom relacionamento familiar, quando se mistura a vida profissional entre pai e filho?

Francisco: Isso é muito importante. Porque esse exemplo eu trouxe lá da minha família, do meu pai. Meu pai, minha mãe, eles tinham um ensinamento: “Você tem que ter educação, você tem que se relacionar bem, você tem que ter fé, cumprir com as suas obrigações”. Isso tem um valor. Essa relação eu vim trazendo, o meu filho, a minha filha, tenho duas filhas. O Jean nasceu em Blumenau. Na época, ele já queria ir pras lanchonetes. Porque ele tinha vontade. “Pai, eu quero ajudar, deixa que eu vou na mesa atender”. Um guri de cinco anos, seis anos. “Pai, deixa?!”. E bom dia, boa tarde. Bem comunicativo. Ele gostava de atender e essa relação a gente sempre teve. Isso foi muito importante. Relação de respeito, relação de pai e filho, e muito, muito dentro do profissional. Porque eu nunca fiquei passando a mão. Tem que ter o respeito, tem que ter a educação, tem que ter a religião, a fé, e o trabalho. Porque, o guri, as minhas meninas, o Jean, nunca tiveram assim mordomia, não! Podemos fazer o que nós queremos, podemos inventar. Não! Sempre dentro da organização. A relação é muito importante. “Oh, filho, o caminho é esse, vamos fazer assim, vamos trocar ideia”. Pras coisas, quando acontecer, acontecer de forma correta.

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DIARINHO – Quais práticas uma empresa de administração familiar deve adotar para ser sempre bem sucedida?

Francisco: Você tem que ter horizontes, objetivos, ser transparente. Se relacionar como filho e como amigo. Não pode meter ordem. No passado, era assim, o pai botava ordem. Hoje não. Você troca ideias. Faz uma mesa redonda pra trocar ideia. O sucesso está nisso. O filho vai pegando o gosto pelo negócio. Vai gostando porque, à medida que ele vai se sentindo importante, vai se sentindo útil, ele vai gostando, ele vai se entrosando, ele vai se relacionando e vai acontecendo. Empresa e família têm que andar juntos, andar abraçadas.

DIARINHO – A força da construção civil de Balneário ficou caracterizada por empresas fundadas por famílias que escolheram empreender e viver por aqui. Qual o diferencial de BC para atrair tantos investidores?

Francisco: Balneário está interligado com cidades germânicas. Pessoas de origem que são italianos, alemães, espanhóis e portugueses. Balneário tá muito entrosado, tá muito ligado, tá muito caracterizado. As empresas de Balneário são empresas familiares. O sucesso é isso tudo. Primeiro que o entorno são pessoas de origem. As empresas que aqui se instalaram têm origem da região e botaram isso como objetivo: o capricho e o cuidado pela empresa e pela cidade. Porque não adianta você ter uma empresa somente numa cidade totalmente quebrada. A cidade tem que andar junto, órgão público com o privado. Balneário tem muito essa característica. Porque as empresas se unem com objetivo de olhar a cidade. Não olhar só o seu negócio. Isso garante que a cidade e as empresas prosperem. As empresas são muito unidas. As empresas aqui são concorrentes, mas unidas. Um torce pelo outro. Não existe essa rivalidade. Torcer pela cidade e pela empresa.

DIARINHO – A FG e outras empresas da cidade auxiliaram na elaboração do projeto de reestruturação da praia central. O que o alargamento da faixa de areia e a revitalização da Atlântica vão proporcionar a Balneário Camboriú?

Francisco: Lá atrás, a gente já pensava nisso. Nós, unindo todas as empresas, fizemos a fundação [Instituto BC+]. A fundação chegou ao projeto perfeito, foi buscar tecnologia, conhecimento, empresas com esse know-how para que trouxesse para Balneário o melhor projeto de engordamento. O melhor projeto de reestruturação, o parque linear. O engordamento é com uma empresa, e o parque linear, o ajardinamento, a reestruturação, com outra empresa de arquitetura e paisagismo de nome e de conhecimento. A cidade se transforma e todo mundo que mora aqui ama essa cidade, gosta dela e faz de tudo pra que a cidade prospere dessa maneira.

 

“Rico isolado não vale nada. Nós temos que criar riqueza e renda. Nós temos que alimentar esse povo, mas de felicidade, de alimento real, de alma, de energia boa”

 

DIARINHO – O senhor anunciou projetos em comum com a empresa Havan. Uma das parcerias é para a construção do One Tower que deve ser o maior residencial da América Latina. Como iniciou a sociedade?

Francisco: Sempre tive o Luciano [Hang] como amigo. As famílias também são bem relacionadas. Apareceu um terreno que seria perfeito para a gente ter essa parceria. A gente fez um projeto, o One Tower, e deu certo. Temos o projeto pra superar alturas, mas com muita responsabilidade e cuidado pra que as empresas de conhecimento internacional, que fizeram, estruturaram e acompanharam toda a estruturação dos maiores prédios do planeta, que é em Dubai, Panamá, Estados Unidos, estejam alinhadas com a FG pra desenvolver essa ideia bem estruturada. Com tecnologia, com conhecimento. Pra que tenhamos um novo marco pra história de Balneário, Santa Catarina e pro nosso país. [Foram buscar tecnologia no exterior?] Sim, toda tecnologia é de empresas especializadas, que já fizeram os maiores prédios do planeta. Acompanharam, projetaram, estruturaram e são parceiros aqui com a FG pra gente desenvolver esse novo marco pra cidade e pro nosso Brasil. [Quantos metros vai ter?] O projeto está na mão dos conhecedores, dos peritos, dos que já fizeram, e é para chegar a 500 metros de altura.

DIARINHO – O senhor Luciano Hang, dono da rede Havan, aparece como um dos nomes mais fortes para concorrer ao senado ano que vem. O senhor apoia a iniciativa do amigo? Tem pretensões políticas?

Francisco: Não. Eu gosto de cooperar, ajudar pra que o país, pra que a cidade, pra que o estado se desenvolva. Pra que tenhamos políticos com o coração de Brasil, com o sangue de Brasil. Políticos que realmente pensem no seu país, no seu estado e na sua cidade. Na família, nas pessoas. O Luciano é um amigo, irmão, gosto muito dele. Adoro o Luciano. Eu apoio ele em qualquer coisa que ele quiser fazer. Se for da vontade da alma dele. Porque tudo o que sai da alma, o que sai do coração, dá certo. E ele é seguido pela alma e pelo coração. Tanto é que ele conquista pessoas. Conquista pessoas, negócios, riqueza e renda. Rico isolado não vale nada. Tem que ser pessoas assim que desenvolvam ideias pra que tudo ande junto. Nós temos que criar riqueza e renda. Nós temos que alimentar esse povo, mas de felicidade, de alimento real, de alma, de energia boa. Porque não adianta. “Ah, eu tenho três mil funcionários tristes”. Pra quê? Não estou trocando energia com eles. Agora, se eu tenho três mil felizes, eles prosperam em todos os níveis. Eles prosperam espiritualmente, emocionalmente e profissionalmente. [O senhor tem essa preocupação na gestão da FG?] Tenho. E isso pra mim é um alimento. Outro dia, teve um senhor que trabalhou conosco 15 anos. Se aposentou e veio a pandemia, ele saiu. Ele veio me abraçando, chorando. “Seu Chico, eu tenho a minha casa por conta da FG. Eu tenho meu carrinho por conta da FG. Minha filha formou-se dentista por conta da FG. Ela tem o apartamentozinho dela, por conta da FG”. Não! Eles trabalharam, eles mereceram isso. Ele me deixou emocionado e feliz. Porque não há energia positiva se não for assim, uma troca. Eu acho que, quando rola amor, energia boa, sentimento, tudo prospera...

DIARINHO – A pandemia de covid-19 não atrapalhou os resultados positivos da construção civil em nossa região. Qual lição ficou desse período?

Francisco: Quando isso apareceu, isso foi uma bomba pro planeta. Ninguém sabia como tratar. Não existia um caminho. As coisas foram acontecendo e tomando corpo. Imagina, apareceu o corona... Aí, morre a primeira pessoa, que morreu no ano passado, em março, lá em São Paulo. Isso começou a preocupar. Começou a criar corpo, a pandemia. A gente: “Olha, vamos se reunir, vamos tomar as devidas providências de acordo com a sinalização dos cientistas, médicos e tal.” Vamos, porque nós lidamos com seres humanos e nós estamos inseridos nisso. Vamos tomar os cuidados. Tanto da pandemia como da economia. Porque nós temos três mil empregos, como é que vamos fazer? Nosso objetivo não era, de momento algum, nem passava pela cabeça, no desemprego. Só que apavorava. Porque os recebíveis começaram a falhar. E com justificativa. Os hotéis, porque nós temos três hotéis. Os hotéis fecharam as portas, Fazzenda [de Gaspar] com 400 funcionários. Daqui a pouco, virou um deserto. Aquilo era um movimento, alegria, todos os dias. Lá, no Vila Germânica, deserto também. Mas eu digo pro pessoal: “Vamos botar fé, energia boa, pensamento bom. Vamos cuidar pra que ninguém se contamine, funcionários, nem nós, nem ninguém”. Máscara, álcool em gel, e todo mundo teve o respeito e o cuidado. Graças a Deus, a economia tá a todo vapor e a pandemia caindo todo dia.

DIARINHO – A FG está abrindo um escritório em São Paulo. Como vai atuar na maior cidade do Brasil? Como concorrer com empresas que já estão estabelecidas desde sempre na capital?

Francisco: Tem muita gente vindo muito pra cá. Paulista tem vindo também. Quanto paulista que fica impressionado quando vê isso aqui. Porque o que é divulgado nas redes, nas mídias, são as capitais. E as cidades, às vezes, não aparecem como deveria ou não aparecem. Balneário tá se destacando internacionalmente e no Brasil. E São Paulo, como é um público que vive ali numa selva, pessoas que trabalham muito, pessoas que se dedicam muito. Essa abertura de mercado a gente está muito feliz e com uma expectativa muito boa. Porque São Paulo-Balneário é uma hora de voo. É menos tempo do que São Paulo-Santos de carro. Eles vêm, passam o final de semana no apartamento, a família, às vezes, pode até morar aqui. Numa cidade segura, uma cidade tranquila, com uma qualidade de vida bacana. Então, essa foi a ideia de se conectar com São Paulo também. [E quais os diferencias que a FG quer levar pro mercado paulista?] A gente está olhando isso com muito cuidado. Muito cuidado. Porque nós estamos aqui numa cidade que a gente cuida, com muito carinho... Cuida da cidade, da FG, da família FG e dos clientes FG. A gente tem um cuidado especial com Balneário, Itajaí, Camboriú, Itapema.

DIARINHO – Um dos diferenciais da FG sempre foi o investimento em marketing, o que trouxe algumas estrelas mundiais para campanhas publicitárias da construtora. De quem foi a ideia de contratar Sharon Stone?

Francisco: Teve o período em que a gente estava na fase de dizer: “Vamos se projetar”. E como, coincidentemente, a Sharon também estava circulando por aqui, porque ela tinha um relacionamento com um argentino... Aqui era o point deles, o ponto de parada. Então, pensamos: “Vamos pensar com mais carinho na Sharon...”. A Sharon circulando, conseguimos o contato, conseguimos o relacionamento e conseguimos uma reunião. Eu não falo inglês e ela não fala português, mas se entendemos pela alma, pelo coração. Porque a gente ficou umas duas horas num papo muito bacana. Ela contou a história dela, eu contei a minha. Ela tem filhos adotivos, eu também tenho. Nos emocionamos nós dois e foi uma sinergia bacana com a Sharon. E ela olhou a empresa com outro olhar, olhou a família Graciola, a família FG com outro olhar e fechamos um contrato de quatro anos. Foi muito bem e projetamos... Em qualquer lugar desse Brasil que eu encontrava alguém... “Oh, é o Chico da Sharon, FG da Sharon”. E foi bacana. [E a ideia é continuar com essas mulheres fortes como marketing da empresa?] É, eu acho que é muito importante associar com marca. Porque são pessoas que são referências. Nós estamos agora estudando outras assinaturas no Brasil, assinatura e imagem, mas isso a gente tá olhando com muito carinho. A marca também é muito forte.

DIARINHO – Quem já trabalhou com o senhor conta que uma das suas características é a de ser um excelente vendedor. Seria esse o segredo do sucesso?

Francisco: Eu gosto, assim, de relacionamentos. Eu gosto de me vender, gosto de vender, gosto de ver a pessoa, a oportunidade, de ver pessoas prosperarem. Essa troca a gente fez com a relação, com a sinergia e acabava virando venda. Porque assim, tudo começa num gesto de confiança, num gesto de energia, de troca. E acaba virando venda. Nós temos muitos clientes que, às vezes, eu por telefone mesmo, ligo e falo: tem aqui um negócio. “Ah, Chico, tá bom, já fecho contigo, depois eu passo aí e olho”. Só que sempre com cuidado. Eu penso muito nele, porque o patrimônio é o cliente. O cliente que confia, ele tem que confiar eternamente. Se tiver uma marca negativa, ele não vai confiar mais. Esse cuidado a gente tem que ter na colocação, nas palavras, sem interesse, sem aproveitamento. É troca pra que ele fique feliz. E com a felicidade e com a certeza da confiança, ele espalha. E isso vai prospectando, e vai prospectando. Quantos amigos falam: “Chico, faz 40 anos que eu comprei contigo lá na padaria, nós conversamos na padaria. E faz 40 anos que eu divulgo a FG, que eu divulgo a tua marca, que eu te divulgo. E quantos amigos que eu indiquei...”. Essa é a maior prospecção de negócios.

 

“Eu apoio ele [Luciano Hang] em qualquer coisa que ele quiser fazer. Se for da vontade da alma dele. Porque tudo o que sai da alma, o que sai do coração, dá certo”

 

DIARINHO – Como empreendedor de condomínios de alto luxo, tem algo que ainda sonha em construir?

Francisco: Eu sempre digo pro meu médico: “A hora que o senhor achar que eu sou obrigado a parar, me diz, que eu ainda quero projetar”. A gente tem a expectativa de hotéis. Hotéis eu gosto muito porque são famílias. Nossos hotéis são muito familiares. O Fazzenda Park, o Vila Germânica. Quando eu vejo a felicidade daquelas famílias, as crianças que, quando estão pra ir embora, começam a chorar, porque querem ficar... A construção civil é o meu foco, é o nosso cartão, mas hotelaria me traz também muita energia e muita troca. [Pra gente fechar: Chico, o que o senhor traz daquele menino lá de Blumenau, que começou com a padaria, que começou como barbeiro?] Eu tenho muita gratidão por esse menino. Eu realmente agradeço a Deus e a ele por ter sempre pensado assim, me levado e me trazido até aqui. Eu quero continuar com esse espírito de criança. Esse espírito de alegria, de felicidade, de fé. E sempre assim pensando no horizonte. E sempre com muita responsabilidade, muita qualidade e com muita fé.

 

Raio X

NOME: Francisco Graciola

 

NATURAL: Brusque

 

IDADE: 69 anos

 

ESTADO CIVIL: Casado

 

FILHOS: três e dois netos

 

FORMAÇÃO: primeiro grau completo

 

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: iniciou sua vida profissional trabalhando, aos 16 anos, como barbeiro; em 1971, abriu a Barbearia do Chico; em 1974, a primeira lanchonete; trabalhou com panificadora, alfaiataria e hotéis; começou a construir prédios na região de Blumenau e, em 2003, fundou a FG Empreendimentos; atualmente é presidente do conselho Administrativo da FG – uma das maiores construtoras do Brasil



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