ESTUDO GLOBAL

Rios Itajaí-açu e Camboriú entre os mil mais poluídos do mundo

Rio Itajaí-açu, que margeia 13 cidades na região, é o mais poluidor de Santa Catarina em relação ao plástico nas águas

  Estudo investiga a origem dos plásticos nos oceanos  
(foto: João Batista)
Estudo investiga a origem dos plásticos nos oceanos (foto: João Batista)
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O rio Itajaí-açu está na lista dos mil rios mais poluídos por plásticos do mundo, liderando o ranking entre os 10 maiores rios poluidores em Santa Catarina, com despejo de 641 toneladas de lixo plástico por ano.

Na lista da região estão ainda os rios Camboriú e Itapocu. Eles fazem parte de um grupo de 75 rios brasileiros que contribui para o despejo global de lixo plástico no oceano e coloca o Brasil na 7ª posição mundial de poluição dos mares. 

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Os dados são de um novo estudo de instituições da Alemanha e da Holanda, publicado pela revista Science Advances, que investiga a origem dos plásticos nos oceanos. A pesquisa envolveu 1656 rios que, juntos, responderiam por 80% da poluição dos mares. Foram analisadas a quantidade de plástico que cada rio recebe e lança no mar, considerando fatores como vento, chuva, distância, relevo e ocupação do solo, que interferem no caminho do lixo até o litoral.

A pesquisa mostra que o problema da poluição é bem mais complexo do que se pensava. Estudos anteriores apontavam que a maioria dos plásticos chegava aos mares por menos de 20 de grandes rios. Pelas novas evidências, que levaram em conta características geográficas locais, os pesquisadores descobriram que mesmo os rios menores têm uma parcela de contribuição sobre a maior parte do plástico que chega ao oceano.

No mapa interativo criado pelos cientistas, Santa Catarina aparece com dezenas de outros rios, ribeirões, canais e córregos considerados emissores de lixo plástico, cada um com diferentes níveís de poluição. Na região da Amfri, rios como Piçarras, Iriri, Gravatá, Ariribá, Marambaia, Bela Cruz e Perequê estão entre os poluidores. No Brasil, o estudo lista 1240 rios responsáveis pelo despejo nacional de lixo plástico, que chega a 380 mil toneladas por ano.

Conforme a ONG The Ocean Cleanup, uma das envolvidas no estudo, a pesquisa faz parte dos primeiros esforços pra mapear o lixo plástico nos rios. Apenas 1% dos mais de 100 mil rios do mundo foram pesquisados. “Em vez de alguns grandes rios, agora acreditamos que muitos rios, incluindo pequenos rios que atravessam densas cidades costeiras em economias emergentes formam os pontos quentes de plástico do mundo”, informa a entidade.

Esgoto também é vilão

O despejo irregular de esgoto é outro vilão na poluição dos rios. Na região, Balneário Camboriú caminha para 100% de cobertura da rede de coletora, faltando apenas os bairros Estaleiro e Estaleirinho. Em Itajaí, obras estão criando 41 novos quilômetros de rede, que vão dobrar a atual cobertura de 25% na área urbana ainda em 2021. A meta pra os próximos 36 meses é atingir a taxa de 80%.

Segundo o diretor de Saneamento do Semasa, Victor Valente, a previsão é que as novas redes comecem a operar após a conclusão das obras na estação de tratamento de esgoto, prevista pro fim do ano. Além da adequação das ligações onde a rede está disponível, outra frente de trabalho é o combate aos despejos ilegais, que poluem os rios e levam os dejetos para o mar.

Onde já existe a rede, o serviço de coleta é cobrado na conta de água, cabendo ao morador se ligar ao sistema. Atualmente, o Semasa ainda não está punindo quem não faz a adequação.

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“O Semasa deve publicar nos próximos dias a licitação para a contratação de empresa especializada para realizar as fiscalizações, proceder as autuações e ainda capacitar profissionais e amadores para realizarem a conexão na rede de forma adequada”, informa Victor. Quanto aos despejos clandestinos, a fiscalização é pelo instituto Itajaí Sustentável, prevendo multa aos poluidores.

Soluções passam pelo correto uso do solo, saneamento, reciclagem e conscientização

Itajaí projeta alcançar 50% de cobertura da rede de esgoto este ano

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O professor Marcus Polette, da Univali, analisa que os resultados para os rios Itajaí-açu e Camboriú envolvem duas bacias hidrográficas entre as mais importantes do estado. Ele lembra que o rio Itajaí possui 13 cidades nas suas margens, onde vivem quase 800 mil pessoas. No total, são mais de 40 cidades no entorno, ao longo dos 150 quilômetros da foz às nascentes. Já o rio Camboriú, que corta apenas duas cidades, alcança 231 mil habitantes.

Polette destaca alguns fatores do estudo que são importantes pra região. Um deles é a forma de uso do solo. “A falta de planos diretores adequados que desrespeitam as condições geográficas e a vulnerabilidade ambiental passa a ser um problema. As cidades estão invadindo cada vez mais as áreas marginais dos rios”, aponta.

O professor observa que áreas como o bairro Santa Regina, na várzea do rio Itajaí, jamais deveriam ser ocupadas. “As várzeas naturalmente são áreas sujeitas a inundações. E, em eventos de inundações, toneladas de lixo são lançados nos rios e, destes, vão para os oceanos”, afirma.

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Outras questões passam pelo saneamento básico, reciclagem adequada e comportamento da sociedade, com a separação e descarte correto do lixo. Além do plástico comum, Polette alerta para os microplásticos, especialmente os pellets lançados em áreas portuárias. Os pellets são mini-bolinhas de resinas plásticas usadas na fabricação de produtos.

O lixo nas praias, como copos, canudos e sacos plásticos, é outro problema. “Os municípios da região, com exceção de Balneário Camboriú, não possuem sequer uma gerência de praias pra tratar desta questão”, completa, lamentando a falta de políticas públicas estaduais e municipais. 

Projeto Barco Escola vem aí

Em Balneário Camboriú, o projeto Barco Escola pretende ajudar a revitalizar as margens do rio Camboriú. Uma embarcação vai fazer ações de limpeza ao longo do rio, recolhendo todo tipo de entulho. No último mutirão no rio, no mês passado, voluntários retiraram 50 metros cúbicos de lixo, de copos plásticos e até móveis velhos.

O projeto será tocado pela equipe do Barco Pirata, junto com biólogos. As ações preveem trabalhos com crianças de escolas públicas e privadas da região.

Alunos e professores farão passeios na embarcação, onde serão passadas informações sobre a conservação do rio. Numa segunda etapa, o grupo fará a limpeza nas margens, em ação que se estenderá até Camboriú.

Segundo Domingos Pinheiro, sócio do Barco Pirata, o projeto terá um caráter educativo e de conscientização e ainda será lançado oficialmente. Ele informa que é preciso fazer a reforma do trapiche no parque Raimundo Malta e melhorias no trapiche em Camboriú, que serão usados pra embarque e desembarque das crianças.

 



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