Itajaí

Navio chega em Itajaí com carga de maconha grudada no casco

Os 56 quilos de droga estavam numa caixa de ferro grudada na grade do hélice. Baita suspeito? Veio da Colômbia e passou na Jamaica antes de chegar aqui

Não foram apenas estivadores e arrumadores que, entre a madrugada e a manhã de ontem, circularam pelo porto público de Itajaí. Agentes da polícia Federal também estavam entre os personagens que pisavam, nervosos, as pedras do cais. O objetivo era recolher uma enorme caixa de ferro encontrada grudada na parte externa do costado do cargueiro CMA CGM Qindao Hamburg. No caixotão, descobriu depois a polícia, estavam 56 quilos de maconha de origem e destino ainda não identificados.

Teriam sido tripulantes da própria embarcação que perceberam uma caixa grudada na grade do hélice do lado esquerdo da proa (frente) do navio, usada para as manobras de atracação. O comandante Thomas ...

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Teriam sido tripulantes da própria embarcação que perceberam uma caixa grudada na grade do hélice do lado esquerdo da proa (frente) do navio, usada para as manobras de atracação. O comandante Thomas Lembke, que é alemão, informou o caso à guarda portuária antes de entrar na boca da barra. A PF foi avisada logo em seguida.

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Quando a embarcação atracou no berço três do porto público, às 02h05, os agentes federais isolaram a área e foram conferir o conteúdo da caixa. Chegou a se cogitar que o objeto fosse uma bomba. “Nós não sabíamos o que era. Não poderíamos descartar nada até saber o conteúdo do material”, explicou o José Dinarte de Castro Silveira, delegado da polícia Federal, responsável pelo caso.

A caixa, totalmente de ferro, estava aparafusada na grade do hélice. Ela foi retirada do casco logo ao amanhecer. Foi preciso usar uma serra elétrica pra abrir o caixotão no próprio porto. “A princípio, é maconha, mas nenhuma suspeita está descartada. A perícia é que poderá dizer o conteúdo total da caixa e há quanto tempo ela estava no navio”, disse o delegado.

Ontem, o capitão e outros tripulantes foram ouvidos pela PF. O dotô Dinarte descarta a participação de algum marinheiro do Qindao no transporte da droga. Ainda pro dotô, algum especialista, que conheça a estrutura do naviozão, teria ajudado os traficantes a instalar a caixa no casco.

Cargueiro andou na Colômbia e na Jamaica

O Qindao Hamburg faz uma linha de serviço chamada Brazil Express, pertencente ao armador francês CMA CMG. A linha faz uma rota que sai da Colômbia, passa na América Central e Caribe e depois vem pro sul, chegando no Brasil. A bandeira do navio é alemã.

O cargueiro teria saído há cerca de 20 dias de Cartagena, na Colômbia. De lá subiu para Porto Manzanillo, no Panamá, e deu um pulo no porto de Kingston, capital da Jamaica, a ilha onde nasceu o cantor pé de fumo Bob Marley e que fica no Caribe.

Pela rota que consta no saite da CMA CGM, antes de chegar no Brasil, o Quindao ainda passou pelo Porto de Espanha, capital de Trinidade e Tobago, uma titica de país que fica numas ilhas pertinho da costa da Venezuela. Oficialmente, ele teria que ir para Santos e depois, Itajaí. Por algum motivo, o Qindao teria parado no Rio de Janeiro, informou uma fonte ligada ao meio marítimo.

Ontem à tardinha, o navio mercante deixou a barra de Itajaí e seguiu para Paranaguá. De lá volta pra Santos e depois, pra Cartagena.

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Neno Eurípedos Pinheiro Filho, representante do armador CMA CMG em Itajaí, disse ontem ao DIARINHO que a empresa não iria se manifestar. “A gente não pode dar qualquer tipo de informação sobre o ocorrido”, afirmou, ao ser perguntado sobre a rota do navio.

Portuários pensaram que era uma bomba

Aníbal Aragão, chefão da guarda portuária, contou ao DIARINHO que o momento mais tenso foi no começo da manhã, quando a caixa começou a ser retirada da proa do Qindao. Até então, lembra, ninguém sabia o que continha o caixote de 80 centímetros de comprimento por 30 centímetros de largura. O rumor que se espalhou entre os portuários foi o de que o objeto fosse uma bomba. “A operação começou por volta de 7h e a mobilização foi grande porque não tínhamos nem ideia do que fosse. Por isso, trabalhamos com todas as possibilidades”, afirmou.

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Completamente lacrada, a caixa tava sustentada na grade do hélice da proa do cargueiro por quatro grandes parafusos.

O estivador Valter da Silva Rosa, 52 anos, que ontem tava de aniversário, foi um dos que temiam o pior. “Quando vimos o esquadrão anti-bombas deu aquele susto, porque toda aquela movimentação não é comum por aqui. Mas ainda bem que não era bomba, né?”, comentou, aliviado.

O esquadrão anti-bombas do qual o portuário fala era, na verdade, o grupo de policiais federais que usou uma embarcação inflável pra recolher o objeto.

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Hipótese da PF é que traficas faziam uma espécie de teste

O delegado Dinarte, da PF, acredita que Itajaí não era o destino final da maconha encontrada no costado do cargueiro CMA CGM Qindao Hamburg. Isto porque uma espessura razoável de craca envolvia a caixa que guardava a droga. A craca é um molusco marinho que, com o tempo, costuma se agarrar no casco das embarcações.

Pro dotô, tudo indica que se trata de tráfico internacional, já que o navio faz rota por vários países. Mas a polícia ainda não tem ideia de onde veio a erva do capeta.

A polícia faz duas especulações. Uma delas é de que a caixa grudada no casco do navio possa ter sido um teste. Caso desse certo, futuramente os traficantes usariam o esquema pra transportar drogas bem mais caras, como cocaína, por exemplo. Caso desse errado, os bandidos pouco perderiam, já que 56 quilos de maconha são fichinha pra eles.

Outra teoria é de que a maconha tenha sido perdida pelo destinatário por conta de algum problema. Por isso, a caixa tava há tempo suficiente na água pra pegar craca. “É uma situação única, provavelmente foi abandonada ou perdida. Devia ser retirada antes e por algum motivo ou problema perderam o momento”, arrisca dizer o delegado Dinarte.

A PF nunca tinha feito uma apreensão de droga como a encontrada no porto de Itajaí, ou seja, por fora de uma embarcação. Mas casos semelhantes já teriam rolado em outros países, afirmou o delegado. A última apreensão de drogas no porto de Itajaí foi há pelo menos cinco anos, lembrou o dotô, quando um comandante encontrou em uma lata na cozinha do navio cerca de 30 quilos de cocaína.

O tráfico de maconha é pouco comum pelas vias marítimas ou aéreas, disse ainda o delegado. “Mas todos os portos são visados pelos traficantes internacionais e Itajaí não está fora”, lasca o policial.



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