Matérias | Especial


Itajaí

Formou as filhas, aposentou-se e voltou a estudar

Elzy trabalha no centro de Referência em Saúde e estuda à noite na escola Básica João Duarte

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

O banco escolar e as letras tardaram a fazer sentido para Elzy Kriger da Silva, 63 anos. As difíceis condições de sobrevivência e a necessidade de trabalhar desde muito jovem interromperam o estudo, já tardio, aos 11 anos. A vontade de estudar era tanta, que na volta pra casa, Elzy parava em uma estrada de barro em Presidente Nereu para fazer as lições. “Eu colocava o caderno na pedra e ia respondendo as perguntas que a professora tinha pedido”, lembra.

Mas a roça chamou e os estudos foram esquecidos. Elzy casou, mudou-se para Itajaí e teve duas filhas. Foi na meia idade que o desejo de encarar lições de português, matemática e história, a última amatéria preferida, voltou ao consciente desta mulher. Elzy é concursada da prefeitura de Itajaí com escolaridade básica. “Ler eu sabia. Mas escrever era difícil. Eu detestava não ter estudado. Essa foi a maior mágoa da minha vida. Por isso, incentivei minhas filhas”, conta. As duas têm ensino superior completo: uma em letras e a outra em ciências sociais.

Mas, por mais que incentivasse as filhas, faltava para Elzy o incentivo do marido, que foi contra o retorno da mulher ao colégio. “Mesmo ele não querendo, esperei minhas filhas se formarem e voltei ...

 

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Mas a roça chamou e os estudos foram esquecidos. Elzy casou, mudou-se para Itajaí e teve duas filhas. Foi na meia idade que o desejo de encarar lições de português, matemática e história, a última amatéria preferida, voltou ao consciente desta mulher. Elzy é concursada da prefeitura de Itajaí com escolaridade básica. “Ler eu sabia. Mas escrever era difícil. Eu detestava não ter estudado. Essa foi a maior mágoa da minha vida. Por isso, incentivei minhas filhas”, conta. As duas têm ensino superior completo: uma em letras e a outra em ciências sociais.

Mas, por mais que incentivasse as filhas, faltava para Elzy o incentivo do marido, que foi contra o retorno da mulher ao colégio. “Mesmo ele não querendo, esperei minhas filhas se formarem e voltei. Sempre quis voltar. Final do ano, completam dois que estudo regularmente. Eu não gosto muito de matemática. Prefiro história e geografia”, diz.



O dia dela começa logo cedo. Às 7h, já está à disposição para esterilizar instrumentos cirúrgicos no centro de Referência em Saúde, no bairro São Judas. Fica lá até as 13h. Depois, vai pra casa, onde tem muito serviço. “Faço as coisas de casa, como toda mulher”. Mas é à noite, na escola João Duarte, no bairro São João, ao lado de colegas de classe, que Elzy se realiza.

“No primeiro dia de aula foi difícil. Todos ficaram sem graça, sem jeito. Mas passou. Estou no terceiro ciclo [corresponde à quinta e sexta-séries] e feliz com a minha escolha”.


Como funciona a EJA

A cada bimestre abrem novas vagas. A EJA atende desde as séries iniciais até o ensino médios.

Os ciclos:

1º e 2º - abrange as quatro séries iniciais

3º - quinta e sexta-séries


4º - sétima e oitava-séries

5º - ensino médio

As aulas ocorrem de segunda a quinta-feira, das 19h às 22h

Às sextas, os alunos têm prova das 19h às 20h. Depois, há uma reunião pedagógica entre professores, articuladores e diretores


Mais informações no telefone (47) 3249-3300

Projeto do livro da EJA surgiu de um trabalho feito em plena sala de aula

A primeira edição do livro “Histórias de vida: coragem para continuar” compila passagens de vida de 45 alunos da EJA de Itajaí, selecionados entre os quase 900 estudantes matriculados. A proposta do livro surgiu em 2010 e ganhou força com a lei de incentivo à cultura. O objetivo é exteriorizar experiências de vida e incentivar que pessoas analfabetas ou com cursos de ensino regular incompleto sentem em um banco de sala de aula e tenham a oportunidade de uma vida melhor.

A professora Ângela Martorelli, da área pedagógica e administrativa da EJA, junto à secretaria de Educação de Itajaí, explica o que motiva os alunos da EJA de Itajaí a encararem os estudos e a recuperar o tempo perdido.

“A maioria resolve voltar a estudar para ajudar os netos nas lições de casa. Outros, para preencher o tempo, se atualizar e fazer novas amizades. Já os não alfabetizados querem aprender a ler por diversas razões: pegar ônibus, entrar com pedido de aposentadoria ou até mesmo ir ao mercado de trabalho”, explica.


Conforme dados do Censo 2000 do instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetos em Itajaí é pequena: cerca de 5% da população, na época, 147.494.

A reportagem entrou em contato com o IBGE, no Rio de Janeiro. O Censo 2010 ainda não teve divulgação completa de resultados, apenas dados universais como índice populacional e economia. Ainda não há, segundo o IBGE, resultado quantitativo de analfabetos na cidade de Itajaí.

Em busca de conhecimento

“Ouço ainda a voz sofrida da minha mãe falando aos meus ouvidos: ‘Filho, passe o que passar, a honestidade em primeiro lugar’. Assim, minha força de vontade me fez superar, ou seja, amenizar os problemas”.

Paulo Hélio do Nascimento

Muitas barreira enfrentei

“Eu e meus irmãos fomos fazer uma fogueirinha. Meu irmão, inocentemente, deixou uma garrafa de álcool perto do fogo.Fui atingido em 75% do corpo. Isso não me impediu de frequentar a escola”.

Rodrigo Eriksson

Um novo começo

“Muitas coisas ruins aconteceram em minha vida e, uma delas, foi deixar de estudar. Voltei depois a trabalhar. Vou construir uma nova vida e o primeiro passo foi largar as noites de trabalho pelas noites em salas de aula”.

Adriano

Tudo pode acabar bem

“Com um ano de idade minha mãe me entregou para minha avó, mas naquela época meu avô e avó mexiam com tráfico [...] Quando eu tinha nove anos, meu tio morreu com 14 tiros. Minha mãe nem ligava para mim”.

Lucas Luiz Pereira

Não desisti

“No final do ano completo o ensino fundamental e tenho vontade de continuar. Já estou trabalhando há cinco anos na Univali com surdos. Ensino Libras e quero fazer isso até ficar velho. Assim sou feliz”.

Jackson Marques de Souza

Nunca é tarde

“Eu sempre tive vontade de ler e escrever, ficava com vergonha dos meus amigos por não saber ler nem escrever. Com a ajuda do meu filho Matheus, voltei a estudar ao 37 anos, na EJA, para adquirir conhecimento”.

Maria Aparecida da Silva

Realizei meu sonho

“[...] Tive que trabalhar na roça, tive que obedecer meus pais e não pude mais estudar [...] Outro motivo de não poder voltar a estudar foi que meu marido achava que mulher tinha que cuidar do filhos e da casa”.

Elzy Kriger da Silva

Fui motivada pelos filhos

“Eu adorava estudar, até que meu pai veio a falecer. Foi aí que meu sonho de me formar acabou e, aos 12 anos, ao invés de um diploma, ganhei uma enxada. Há dois anos eu queria voltar [...]”.

Soeli de Fátima Lopes

A virada

“Minha vida foi bem complicada. Meus pais se separaram quando eu tinha sete anos. A minha vida murchou, fiquei revoltada, morei com a minha mãe, depois com a minha tia.Completei 14 anos e parei de estudar”.

Rita de Cássia dos Reis Gomes

Venci as dificuldades

“Aos 14 anos larguei os estudos [...] Comecei a me misturar com más companhias [...] Me apresentaram o crack. [...] Ganhei minha filha, depois minha mãe pegou de mim. Perdi tudo e todos”.

Marisa da Silva

Realizando os sonhos

“Meu maior desafio foi quando a minha mulher veio a falecer e eu fiquei com dois filhos pequenos. Então tive que lutar muito. [...] Meu maior sonho é um dia poder fazer o ensino médio”.

Osni Müller

Nunca é tarde

“Quando criança, não pude ser criança, pois, aos sete anos, meus pais se separaram e tive que ajudar a cuidas dos meus irmãos e, aos 13 anos, fui trabalhar fora, como doméstica”.Com Deus quero consquitar sonhos”.

Dorotea Dores Schaefer

Minha luta

“Tenho escolaridade completa até a 4ª série, mas não pude dar continuidade pois meus pais deixaram-me quando pequena em casa de parentes e de onde morava até a escola era muito longe”.

Marilda Garcia da Silva

Enfrentei as dificuldades e voltei

“Sempre tive vontade de estudar, vi a possibilidade de fazer uma curso à distância, mas não aprendi nada. [...] Então voltei à sala de aula em 2009 para adquirir mais conhecimento. Meu objetivo é evangelizar”.

Neli Terezinha Ribeiro de Jesus

Insistência

“Quando estava com 15 anos, comecei a trabalhar de babá e daí quis voltar a estudar à noite, só que não podia porque era menor de idade. No caso, poderia estudar apenas de dia, então optei por não estudar”.

Rosemary Irias dos Santos

Sobrevivência

“Fui abusada sexualmente pelo meu pai, que matou minha mãe e depois de suicidou. Fiquei grávida com 12 anos. Um filho fruto de uma história de tragédias. [...] Fiquei feliz quando aprendi a escrever meu nome”.

Idalina Demétrio Meyer

Hoje sou mais feliz

“Nasci na Amazônia, numa casa balsa, que quando a água subia a casa subia, quando a água baixava, a casa baixava. Faltavam-nos muitas coisas. Cresci em meio a muitos amigos, porém não tive acesso ao estudo”.

Ivandro da Cruz Honorato dos Santos

A história de minha vida

“Lembro de quando tinha oito anos, minha mãe era doente e eu fazia todo o serviço de casa. Meu pai era pescador e passava parte do tempo no mar. Meu pai gastava o dinheiro quase todo na farra”.

Iranilda Maria Ernesto

Pretendo continuar

“Fui criada na roça com meus avós até os 13. Depois, fui morar na cidade com minha tia. Eu estudava numa escola bem longe de casa. Quando fui morar com a minha tia, parei de estudar porque fui trabalhar de babá”.

Dulcinele Almeida de Jesus Carvalho

Nada foi fácil

“Frequentei a escola por sete anos e nunca reprovei. [...] Certa vez, conheci um rapaz que se chamava Luciano. Engravidei, aos 14 anos. Casei quando estava na 6ª série. [...] Minha vontade de estudar tinha acabado”.

Simoni Tiago da Silva

A vida é uma comédia

“Tenho 18 anos. Estou estudando na EJA para terminar meu último ano do ensino médio. Estava estudando no Nilton Kucker, lá era muita bagunça, fiquei desanimado e desisti de estudar”.

Leandro Simon

Encontrei a saída

“Essa história começou há 16 anos quando resolvi que não queria mais estudar. Já não estava conseguindo conciliar o trabalho diário com o estudo à noite. Meu pais ficaram muito tristes”.

Claudete Aparecida Pinho Batista Marzani

Essa é a minha vida

“Gosto de vir para escola porque tenho muita amizade com os colegas e as professoras. Discuto o conteúdo, não gosto de ficar em casa sozinho e me sentir solitário. Hoje tenho uma vida estável”.

Sebastião Otávio

Venci o preconceito

“Quando eu estava com sete anos, meus pais me colocaram na escola, na cidade de Santos. Não consegui aprender. Era um lugar para pessoas ‘especiais’, que na época chamavam de deficientes”.

Lesliana Duarte

Minha história

“O motivo que me levou a interromper os estudos foi quando eu e minha família viemos de Navegantes para Itajaí. Naquela época, fazer a 6ª série era só à noite e meu pai não aceitou”.

Rosicléia Gonçalves

Fui solidário e venci

“Sendo eu o segundo de cinco filhos, me senti na obrigação de ajudar, pois a necessidade não nos pede licença. Lágrimas nos olhos de minha mãe eram visíveis por não ter o que colocar na mesa para nos alimentar”.

Célio Inácio

Despertando talentos

“Fui durante um bom tempo lavrador. Aos 24 anos, viemos morar em Itajaí. Na ocasião, poderia ter estudado, mas não tive estímulo. Sair do interior e trazer toda a família para a cidade, sem conhecer nada”.

Ângelo Rescaroli

 




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