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Itajaí

Espíritos ditam as mensagens para os médiuns

Reportagem do DIARINHO participou de uma sessão do grupo de psicografia do centro espírita Allan Kardec, em Itajaí

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

A sessão é fechada. Apenas os membros do grupo de psicografia do centro espírita Allan Kardec (Ceak) entram na sala. O ambiente é muito mais comum do que pressupõe o imaginário de quem não conhece a fundo a doutrina espírita. Foi o meu caso. Com a permissão do grupo, acompanho a reunião. Logo na entrada, percebo que as cadeiras já estão posicionadas ao redor de uma mesa. Ao longo da toalha branca, as pilhas de folhas limpas ficam distribuídas junto de canetas preparadas para o início da maratona de palavras.

São oito horas da noite quando os médiuns estão a postos. Sou convidado a sentar numa cadeira na ponta da mesa, ao lado do coordenador do grupo que tem duas importantes tarefas: observar os médiuns (para o caso de precisarem de algum tipo de auxílio) e fazer a oração inicial. Antes disso, colocam uma música ambiente, para que todos possam relaxar ao longo dos trabalhos e ajudar na concentração. As luzes são apagadas e apenas uma lâmpada permanece acesa. A sala fica num tom alaranjado, cor de alvorada. Não demora um minuto para que o primeiro médium comece a escrever. Como num efeito dominó, a pessoa que senta ao lado também começa os rabiscos ininterruptos. Em poucos minutos, a música ambiente se mistura ao som das canetas, que deslizam apressadas no papel.

Os médiuns escrevem numa velocidade superior ao raciocínio. Não há tempo para pensar no que rabiscar. As palavras vão para o papel sem interrupções. Depois de 45 minutos de psicografia, o coordenador ...

 

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São oito horas da noite quando os médiuns estão a postos. Sou convidado a sentar numa cadeira na ponta da mesa, ao lado do coordenador do grupo que tem duas importantes tarefas: observar os médiuns (para o caso de precisarem de algum tipo de auxílio) e fazer a oração inicial. Antes disso, colocam uma música ambiente, para que todos possam relaxar ao longo dos trabalhos e ajudar na concentração. As luzes são apagadas e apenas uma lâmpada permanece acesa. A sala fica num tom alaranjado, cor de alvorada. Não demora um minuto para que o primeiro médium comece a escrever. Como num efeito dominó, a pessoa que senta ao lado também começa os rabiscos ininterruptos. Em poucos minutos, a música ambiente se mistura ao som das canetas, que deslizam apressadas no papel.

Os médiuns escrevem numa velocidade superior ao raciocínio. Não há tempo para pensar no que rabiscar. As palavras vão para o papel sem interrupções. Depois de 45 minutos de psicografia, o coordenador do grupo anuncia o fim do trabalho. Uma última oração quebra o elo entre os médiuns e o mundo espiritual. E as luzes voltam a ser acesas.



Com as cartas já escritas, é hora de ler as mensagens. Naquela noite em que acompanho o grupo, 10 cartas foram psicografadas e os médiuns leem uma por uma, em voz alta. Duas delas, em particular, me chamaram a atenção. A primeira foi ditada por um senhor da cidade de Biguaçu. Antes de ler, o médium conta que o espírito estava muito emocionado – era a primeira vez que ele conseguia se comunicar. Na carta, a descrição de como morreu e o pedido de perdão à família. O espírito conta que era alcoólatra e que morreu afogado, há menos de 10 anos, por conta do vício. Em outra carta, uma neta tenta passar o conforto para a avó que a criou depois que os pais tinham falecido num acidente de carro. A jovem pede que a avó supere a perda e enfatiza a necessidade de largar os preconceitos e aceitar que existe a vida após a morte. Ouvindo as mensagens, tão detalhadas, penso na importância que teria uma carta como aquela para a família. Mas não há como garantir que as mensagens chegarão aos respectivos destinos.

Nem todas as cartas psicografadas chegam ao destino


Há 19 anos, Luciano Américo Leite, 46, frequenta a doutrina espírita – sempre no mesmo centro. Neste período, o coordenador do Departamento de Mediunidade do Ceak percebe que houve uma evolução no tratamento aos espíritas, mas reconhece que ainda falta informação para que as pessoas rompam os preconceitos. “A falta de conhecimento é o que causa a descrença, a dúvida. Mas já dá para dizer que a realidade está melhorando. Antigamente só faltava jogarem pedras na casa dos espíritas. Hoje essa reação diminuiu”, avalia. Luciano conta que o grupo especificamente para a psicografia no Ceak ainda é recente, tem menos de um ano. Antes, as cartas chegavam nas reuniões de mediunidade. Mas, com uma equipe reunida uma vez por semana só para esta função, a manifestação escrita dos espíritos aumentou.

“A finalidade da psicografia é levar o consolo e a fé, além de confirmar que há vida além do túmulo”, explica. O coordenador conta que o grande objetivo do grupo é aprimorar ainda mais o trabalho para que eles possam abrir as sessões para o público. Além disso, ele destaca um outro grande desejo: que as cartas encontrem os destinatários. “Nosso fim é que as mensagens cheguem às pessoas. Eu suponho que em algum momento conseguiremos que as cartas venham mais completas, com endereço, por exemplo”, conclui.

Hoje, na tentativa de encontrar as pessoas para quem os espíritos deixaram mensagens, o centro conta com uma página na internet (o www.ceakitajai.com.br), onde é possível ver a lista com o nome de quem se manifestou através da psicografia. Das centenas de cartas que os médiuns do Ceak escreveram, poucas chegaram às famílias. Uma das que encontraram o destinatário foi justamente a que foi enviada por Rafael, antes do julgamento.




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