Itajaí

Projeto sobre terceirizados não será mais votado

Proposta prevê que o peão que faça o mesmo trampo que um colega ganhe menos e não tenha proteção sindical da categoria

Uma notícia fez as lideranças sindicais trabalhistas da região entrarem em euforia esta semana. O projeto de lei 4330, que tramita na câmara dos Deputados e que permite às empresas contratarem trabalhadores terceirizados pra qualquer tipo de trampo, não vai tão cedo pra votação em plenário. “Para nós isso foi um alívio, porque esse projeto precariza a relações de trabalho”, carca Nilton Olm, presidente do sindicato dos Empregados no Comércio de Balneário Camboriú e Camboriú. “Foi uma vitória do movimento sindical e o que me deixa tranquilo é que temos um catarinense na presidência da comissão de Constituição e Justiça, e ele me garantiu que o projeto como está não será votado”, dispara Osvaldo Mafra, chefão da Força Sindical na Santa & Bela, referindo-se ao petista Décio Lima.

O projeto do deputado e empresário goiano Sandro Mabel (PMDB) é considerado polêmico. Ele tá desde 2004 sendo empurrado com a barriga no Congresso Nacional. Um requerimento de outro peemedebista ...

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O projeto do deputado e empresário goiano Sandro Mabel (PMDB) é considerado polêmico. Ele tá desde 2004 sendo empurrado com a barriga no Congresso Nacional. Um requerimento de outro peemedebista, o gaúcho Darcísio Perondi, pediu para que a proposta fosse a plenário. Caso isso acontecesse, o projeto tinha tudo pra ir pra votação simbólica, ou seja, somente representantes de partidos votariam. Pra surpresa geral, o catarinense Décio Lima acatou o berreiro dos sindicalistas e jogou um balde de água na intenção dos empresários de votar a matéria.

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A cabreirice dos sindicalistas é que a proposta abre brecha pra fragilizar direitos trabalhistas. Entre eles, o fim da proteção da convenção coletiva de trabalho pra peãozada que trampa sob o mesmo teto. “Por essa proposta, por exemplo, numa indústria poderá haver funcionários da empresa que ganham o piso da categoria e outros, contratados pelas terceirizadas, que não serão considerados da mesma categoria, e mesmo fazendo o mesmo trabalho não terão nem os mesmos salários nem os mesmo direitos”, afirma Osvaldo Mafra. “É como se ele fosse um trabalhador de segunda linha”, completa.

A legislação atual não permite que as empresas terceirizem o trampo pra atividades-fins. Tipo assim: um supermercado só pode contratar terceirizados pra trampar na vigilância ou na limpeza, por exemplo. Se o trabalho for pra atividade do comércio, aí o peão é obrigado a receber o mesmo piso da categoria e os mesmos direitos previstos na convenção coletiva, explica Nilton Olm.

Outro problemaço do projeto, diz o presidente do sindicato dos Comerciários do Balneário, é livrar as empresas da responsa do salário, caso ele não seja pago pelas terceirizadas. “Atualmente, a empresa que contrata terceirizados é solidária no pagamento de direitos trabalhistas”, observa Nilton. Se o projeto for aprovado como tá, se a terceirizada der o calote nos funcionários, os trabalhadores vão ficar a ver navios e não vão poder cobrar a dívida da empresa que os contratou através da terceirização.

A decisão desta semana da comissão de Constitutição e Justiça (CCJ) da câmara dos Deputados é não deixar o projeto ir pra votação antes que sejam promovidos mais debates. A proposta já tava na lista pra ir pra plenário e tinha tudo pra ser aprovada por votação simbólica, ou seja, sem debate.

Décio diz que votação não sai tão cedo

O deputado Décio Lima (PT) confirmou ontem ao DIARINHO que o projeto voltou mesmo pra comissão de Constituição e Justiça. “Houve uma grande mobilização das centrais sindicais, e há quatro meses estamos promovendo um debate com setores da Justiça do Trabalho, representantes dos trabalhadores e dos empresários”, contou.

No último trelelê, que rolou mês passado, participaram representantes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), da asssociação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) e da sssociação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), além das direções das principais centrais sindicais trabalhistas. “Dois pontos do projeto ainda geram conflito”, afirmou, referindo-se justamente à abertura da terceirização pra atividade-fim da empresa e o fim da proteção sindical dos terceirizados, que pelo projeto não seriam considerados da mesma categoria dos demais trabalhadores.

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Décio garante que é contra o projeto do jeito que tá. “Só vou deixar esse projeto entrar em debate depois que tiver um acordo para a retirada desses dois itens. Enquanto o projeto mantiver esse espírito de precarização das relações de trabalho, não vou deixar votar de jeito nenhum”, carcou o deputado catarina. Por ser o presidente da CCJ, Décio tem o poder de decidir quando bota a proposta em debate novamente na comissão.

O que pensa o autor do projeto

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O deputado Sandro Mabel (PMDB) reeditou uma proposta apresentada ao Congresso Nacional em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O projeto, retirado pelo governo em 2003, propunha uma legislação específica para os contratos terceirizados. “No Brasil ainda não há uma lei própria para esse tipo de relação trabalhista”, admite o deputado federal catarinense Décio Lima.

O problema é que tanto a proposta de Fernando Henrique quanto a do empresário Sandro Mabel, reapresentada em 2004, abre brecha pros terceirizados não terem a proteção da convenção coletiva dos trabalhadores que estarão sendo substituídos. Isso sem contar que a empresa que contrata ou subcontrata as terceirizadas não fica mais responsável pelos salários, caso a peãozada leve o cano.

Sandro Mabel rebate as críticas. “(A proposta) preenche uma lacuna legal. A única regulamentação hoje é a súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho, que proíbe terceirização em atividade-fim, mas não define o que é atividade-fim e atividade-meio, gerando enormes diferenças de interpretação entre empresas, sindicatos, fiscais do trabalho e juízes”, argumenta.

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Além disso, analisa, com uma lei própria, os terceirizados passarão a ter direitos legais, como pagamento de salário até o quinto dia útil do mês, férias, 13º salário, fundo de garantia e todos os outros direitos previstos para os demais trabalhadores.

O projeto também proíbe as chamadas empresas guarda-chuvas. “Aquelas que ganham concorrências para fornecer serviços que vão da limpeza ao de secretariado, passando por vigilância e outras atividades. A partir de agora, cada empresa de terceirização tem de ter um objeto social único, uma especialidade”, explica.

Pra Décio Lima, tudo balela. “O que tá por trás desse projeto é a diminuição de salários, que as empresas chamam de diminuição de custos”, ataca.



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