Itajaí

Ato pede proteção do terreno da bica d'água

Mais de 70 moradores da Fazenda e frequentadores da fonte d’água se reuniram pra pedir a proteção do terreno pelo poder público

“A bica é nossa! O morro é nosso!”, gritavam, de mãos dadas, os cerca de 70 manifestantes que se reuniram no sábado, na rua Cecília Brandão, em Itajaí, pra abraçar o terreno no bairro Fazenda onde fica uma fonte de água potável, cercada de vegetação nativa. A revolta dos moradores é pela degradação da área que pode desaparecer pra dar espaço a mais um arranha-céu. Eles reuniram assinaturas em um abaixo-assinado pra pedir a proteção do espaço.

Adultos, crianças, jovens e velhos se reuniram ao pé do morro da Cruz e deram as mãos às 15h de sábado. O ato mostra a repulsa dos moradores da região contra os planos de se construir um prédio ...

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Adultos, crianças, jovens e velhos se reuniram ao pé do morro da Cruz e deram as mãos às 15h de sábado. O ato mostra a repulsa dos moradores da região contra os planos de se construir um prédio com duas torres de mais de 30 andares no local. No que depender deles, nenhum tijolo vai ser colocado na área.

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O advogado Giordano Zaguini Furtado, 32 anos, mora há duas décadas na região. Pra ele, o local deveria ser desapropriado e virar um jardim botânico.

Mais de 30 pessoas passam por ali diariamente pra encher galões com água potável. Quem ajudou a puxar a mangueira da nascente até a beirada do terreno pra abastecer o povão foi Nicolau Clarindo Paulo, 85. A casa do aposentado fica bem de frente à bica. Mesmo com a idade avançada, ele tá sempre de olho pra ver se algum marmanjo avacalha com a torneirinha, fazendo questão de cuidar da bica.

A fonte d’água mudou a rotina de muita gente. Há 10 anos, Benedito Galatto, 73, não sabe o que é ligar pro disque água ou comprar uma bombona no mercado. Toda a semana ele carrega 40 litros de água pra família inteira. A dona de casa Maria Lúcia Machado, 57, também só usa a água da bica pra beber e fazer comida. “Isso é uma maravilha, a água é ótima. A minha filha vem buscar e leva lá pro São Vicente também”, garante.

O berreiro já foi encaminhado em julho pro ministério Público e agora os moradores estão recolhendo assinaturas pra oficializar um documento que pede a proteção da área. O terreno em questão pertencia à família Krobel, mas foi comprado pela construtora Mendes Sibara no início do ano. Em maio, um trator da prefa de Itajaí passou no local derrubando as árvores. A caca foi tanta que de uma vez só os peões conseguiram detonar a vegetação e mudar o curso da água que passa pelo local. Tanto a empresa quanto a prefa foram notificadas pela fundação do Meio Ambiente da city peixeira (Famai) pra recuperar o estrago.

Criação da city tem relação com as bicas

“Essas bicas são tão importantes pro ecossistema quanto pro patrimônio histórico e cultural de Itajaí”, defende o doutor em ciências naturais, professor da Univali e morador do bairro Fazenda, Paulo Ricardo Schwingel, que levou toda a família pro berreiro.

O sabichão revela que quando Itajaí desmembrou-se de Porto Belo, uma das exigências pra que isso acontecesse era que a nova city tivesse nascentes de água. E foram as bicas do bairro Fazenda que possibilitaram que Itajaí fosse efetivamente criada.

Outro detalhe valorizado pelo professor diz respeito ao papel social desempenhado pela bica. Nas enchentes de 2008 e 2011, filas quilométricas formavam-se ao longo da rua Cecília Brandão. Eram moradores de diferentes bairros de Itajaí em busca de água potável, uma vez que o abastecimento regular estava comprometido.

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Schwingel detalha que, como a city peixeira é plana e cercada por morrarias, é fundamental proteger as partes altas para garantir a proteção da parte baixa e seus ecossistemas. Pra ele, danificar áreas de morrarias e seu entorno é agredir a cidade.

“Nós precisamos mudar de mentalidade. Um apartamento é um benefício particular e de usufruto individual. Mas preservar uma área é benefício para todos. Não é progresso construirmos um prédio de vários andares. Progresso é preservarmos o pouco de vegetação que ainda nos resta. E esse é o maior desafio da nossa cidade”, aponta.

O sabichão revela que, de acordo com a legislação ambiental, é proibido degradar área verde num raio de 50 metros de nascentes. Próximo a córregos, a distância é de 30 metros. Portanto, por lei, seria impossível construir qualquer coisa no terreno da rua Cecília Brandão.

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