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Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

Itajaí desperdiça o seu maior potencial turístico


Itajaí desperdiça o seu maior potencial turístico
(foto: Paulo Giovany/Arquivo)

Há anos vemos a cidade de Itajaí perder tempo e muito dinheiro por não tratar o turismo como uma grande fonte de renda.

Itajaí não precisa “inventar” turismo — ela já tem os ativos: porto, rio, mar, pesca, eventos globais e localização estratégica.

O que falta é um projeto urbano integrado e uma narrativa turística própria, conectando o porto à vida da cidade.

Passeios turísticos regulares de barco pelo rio, explorando a história do porto, o skyline, os estaleiros e a frota pesqueira, são apenas algumas das possibilidades para atrair visitantes ...

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Itajaí não precisa “inventar” turismo — ela já tem os ativos: porto, rio, mar, pesca, eventos globais e localização estratégica.

O que falta é um projeto urbano integrado e uma narrativa turística própria, conectando o porto à vida da cidade.

Passeios turísticos regulares de barco pelo rio, explorando a história do porto, o skyline, os estaleiros e a frota pesqueira, são apenas algumas das possibilidades para atrair visitantes.

Um transporte hidroviário turístico de qualidade ligando o Centro a Cabeçudas e Navegantes, além da realização de regatas, travessias náuticas e eventos no rio, também seriam excelentes atrativos, assim como a implantação de um píer turístico moderno e fixo no Centro para embarque e desembarque.

Mas o principal seria transformar a Beira- Rio em um verdadeiro boulevard turístico, com calçadão contínuo, ciclovia, quiosques e cafés, iluminação cênica e mirantes voltados para o porto e o rio.

Ainda é possível explorar o uso cultural de armazéns antigos, convertendo-os em museus e centros criativos, além de criar espaços para feiras gastronômicas e eventos ao ar livre até o final da rua Blumenau, com incentivos fiscais para bares, cafés e hotéis na área que margeia o porto.

Outro passo importante seria a realização de um evento anual voltado à visitação do Porto, com palestras e exposições, incluindo regatas regionais e campeonatos de esportes aquáticos.

Cabeçudas poderia ser utilizada como âncora turística, com urbanismo de padrão elevado na orla, hotéis boutique, restaurantes premium e passeios de barco saindo do bairro.

O que se vê hoje, no entanto, é um descaso com o turismo na cidade. Pouco se tem a oferecer.

Prédios que antes serviam de bares e pontos de encontro próximos ao porto hoje estão completamente abandonados, quebrados e sujos.

As praias da cidade não possuem uma infraestrutura digna.

As vias de acesso estão em mau estado, falta estacionamento organizado e inexistem acessos adequados à areia para pessoas com deficiência.

O saneamento e a balneabilidade também deixam a desejar.

A coleta e o tratamento de esgoto são ineficientes, e a drenagem urbana é inadequada, pois não evita que a água suja seja lançada nas praias após as chuvas.

Faltam banheiros públicos limpos e acessíveis.

As duchas e lava-pés existentes estão quase sempre entupidos ou quebrados.

Não há bebedouros e há insuficiência de lixeiras e coleta seletiva, sobretudo no verão.

A Praia Brava, que figura entre os metros quadrados imobiliários mais caros do país, é uma vergonha.

As ruas e avenidas estão esburacadas e mal sinalizadas.

As calçadas, em sua maioria, encontram-se quebradas pelo intenso fluxo de caminhões em razão da grande quantidade de edifícios em construção no bairro.

Quando não estão quebradas, estão infestadas de barreiras como plantas, canteiros, árvores e tapumes, reduzindo a largura mínima exigida por lei.

Na orla, a ciclovia está cheia de saliências, e o deque de madeira existente na parte norte encontra-se totalmente irregular, com tábuas soltas e quebradas, assim como as passarelas que levam até a areia da praia.

Tentaram arrumar há pouco tempo, mas o serviço foi malfeito.

A barreira de madeira que separa a calçada da restinga está podre e, em grande parte, quebrada e caída ao chão.

Na areia da praia, veem-se poucas lixeiras.

Ambulantes que alugam cadeiras e guarda-sóis, assim como alguns condomínios de luxo, ainda insistem em colocar seus materiais muito cedo, reservando os melhores espaços para clientes e moradores.

Próximo à Lagoa do Cacimba, por vezes há uma área precariamente sinalizada e reservada para decolagem e pouso de parapente a motor, o que é perigoso para quem circula e quer aproveitar a praia naquele trecho.

Outro problema crescente é a quantidade de cães levados por seus tutores para passear, tomar banho ou permanecer ao lado das cadeiras na areia, em desrespeito à norma que proíbe essa prática.

Fiscalização do poder público para todas essas mazelas quase não se vê; quando ocorre, é insuficiente para coibir as irregularidades.

Já passou da hora de Itajaí ter um turismo de qualidade.

Para isso, é preciso tratar o seu porto e as suas praias com mais eficiência e carinho, pois são justamente esses espaços que hoje garantem uma arrecadação grandiosa aos cofres públicos — e que ainda podem render muito mais.


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