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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

A festa e a Virgem dos Navegantes


A festa e a Virgem dos Navegantes
(foto: Arquivo/Adilson Selvano )

Neste final de semana (e se estenderá até o dia 6/2), tem começo a tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, na cidade de Navegantes, vizinha de Itajaí. Este ano será a centésima vigésima nona edição.

A devoção à Virgem dos Navegantes se configura como uma herança da religiosidade popular portuguesa. Essa devoção teve início na Idade Média, quando os cristãos,  a caminho da Terra Santa, navegavam pelo imprevisível  Mar Mediterrâneo e a invocavam  sob o título de Estrela do Mar, pedindo-lhe proteção e amparo na viagem.

Os portugueses, de sua vez, tendo de enfrentar o tenebroso Mar Oceano, depois chamado de Oceano Atlântico, no início das grandes navegações, de que foram intrépidos protagonistas no século XV, popularizam o culto e multiplicaram os devotos de Nossa Senhora dos Navegantes.

A nau capitânia de Pedro Álvares Cabral, a exemplificar,  na viagem em que viria a descobrir o Brasil, ostentava uma imagem da Virgem dos Navegantes ou Nossa Senhora da Boa Viagem.  E, desse modo, popularizou-se em todo o litoral brasileiro, entre marinheiros e pescadores, esse culto mariano.

Aqui em Itajaí, entre marinheiros, pescadores e outros devotos,  de ambas as margens do rio Itajaí-açu, esse culto também se difundiu. Por isso, quando eles se organizaram no final do século XIX para construir uma capela na margem norte, no outro lado da cidade ou no então Arraial de Santo Amaro, escolheram a Virgem dos Navegantes  como padroeira da futura igrejinha.

A construção começou no ano de 1896, quando teve início a festa. A capela tendo ficado pronta, a imagem da padroeira foi conduzida solenemente da Igreja Matriz de Itajaí até o local, através dum cortejo de navios e embarcações festivamente engalanados, começando, assim, a tradicional procissão fluvial, que é um dos pontos altos da festa.

A festividade se tornou uma tradição religiosa, desenrolando-se no  bairro de Navegantes e no centro de Itajaí. A cada ocasião da festa, no dia 2 de fevereiro, que era feriado municipal, grande número de devotos acorria a ambas as margens do rio Itajaí-açu.

Depois que Navegantes se emancipou, em 1962, a festa ficou circunscrita àquele município, e em Itajaí seu apelo popular foi se arrefecendo. Todavia, muitos itajaienses ainda guardam vínculos com essa celebração da religiosidade popular catarinense. Agora, para as cidades de Itajaí e Navegantes, que sediam um notável polo portuário, múltiplos serviços de comércio exterior, têm destacada indústria naval e muitos trabalhadores ligados às atividades marítimas, é muito bom e até necessário ter uma Protetora Celestial.


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