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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

“Chuta, seu Alberto”: corridas de cavalo no Itajaí antigo


“Chuta, seu Alberto”: corridas de cavalo no Itajaí antigo

As corridas ou carreiras de cavalos foram um dos primeiros divertimentos da gente de Itajaí. O memorialista Antônio Costa Flôres, em suas “Reminiscências”,  diz que na metade do século XIX os maiores divertimentos populares eram danças, “jogos de carta e corridas de cavalos, que a princípio se realizaram por onde está o meio da rua dr. Lauro Müller e depois na praia próxima até a Fazenda”.

Os eventos de hipismo se fizeram tão comuns, que o Código de Posturas do município de Itajaí, de 1868,  assim prescrevia a respeito: “São proibidas as carreiras de cavalos dentro dos limites da décima urbana da Vila (perímetro urbano), e fora destes só se poderá correr precedendo licença da Câmara, pela qual se pagará 15 mil réis”.

Nunca houve na cidade hipódromo e sim raias para essas corridas. As primeiras foram, como se disse, na rua Lauro Müller e na praia do bairro Fazenda, que vem a ser a parte final da mesma rua Lauro Müller e rua Jorge Tzachel e no fim dos oitocentos eram no trecho da rua Silva.  Já no começo do século XX, corriam os cavalos na rua 7 de Setembro; nos anos de 1920, na rua da Coloninha e,  por fim, já nos anos 30, na rua Carlos Seára, conhecida como “rua da raia”, na Vila Operária.

As disputas hípicas  juntavam muita gente que vinha assistir e fazer suas apostas. Transformavam-se em grandes ocasiões de encontros, conversas, trocas. Eram alegres lugares de sociabilidade, que reuniam gente pobre e rica.

E como essas ocasiões duravam manhãs e tardes inteiras, ou mesmo dias inteiros, ali estavam presentes também muitos vendedores ambulantes, chamados antigamente de quitandeiros. Comidas, alguma coisa para beber, e teteias para brincadeiras de crianças.

Os turfista donos dos cavalos que  corriam os páreos também compareciam, com familiares e amigos, a torcer cada um por seus cavalos ou éguas bem treinados e de belos aspectos.

Desses turfistas e proprietários de animais, guardou-se memória de três deles: Alberto Pedro Werner, Samuel Heusi Júnior, conhecido como Zena, e Nelson Seára Heusi. Assíduos frequentadores das corridas, fazendo apostas e torcendo por seus plantéis, acabaram muito conhecidos pelo entusiasmo com que acompanhavam os páreos e por  suas  excentricidades naquelas ocasiões.

De Alberto Pedro Werner, comerciante, industrial e pecuarista, conta-se uma das atitudes de comemoração  nas vitórias de seus cavalos. Ele ficava tão contente e eufórico, que saía chutando o que encontrava pela frente. Então, os rapazes que vendiam comidas – bananas recheadas, pastéis, cocadas,  amendoim torrado –  chegavam-se a ele com suas cestas,  bandejas e tabuleiros à mão, porque certos de que iam receber em dinheiro o estrago a ser feito, e gritavam:

- Chuta, seu Alberto! Chuta!

E ele tendo dado os chutes, perguntava quanto era, puxava do bolso  dinheiro e ia indenizando o prejuízo de cada um. Menos trabalho para vendedores,  contentamento geral para a molecada que comia de graça!


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