JotaCê
Por Coluna do JC -
JC é colunista político do Diarinho, o jornal que todo mundo lê, até quem diz que não. A missão do socadinho escriba é disseminar a discórdia, provocar o tumulto e causar o transtorno, para o bem da coletividade.
Lições de uma eleição diferente
Sobre o resultado do primeiro turno das eleições, ainda existe um misto de perplexidade e inconformismo com o desempenho surpreendente de grande parte dos políticos. Não se fala em outra coisa. Os feridos - que foram muitos - lambem as feridas. E os que siscaparam, de uma forma ou de outra, buscam aprender as lições do vendaval político de 7 de outubro.
Versões
A versão mais aceita é a de que a eleição se transformou em plebiscito entre os que defendiam (e ainda defendem) o PT contra os que querem vê-los longe do poder, representados por Jair Bolsonaro (PSL).
Evaporaram
Em meio a polarização, todos que estavam no centro e não tinham posição bem definida evaporaram (leia-se o picolé de chuchu, Geraldo Alckmin (PSDB), a insonsa Marina Silva (Rede) e o mister M, Ciro Gomes (PDT). E deu no que deu. Era esperado, as pesquisas mostravam isso.
A surpresa
A surpresa real deste primeiro turno não foi o crescimento do voto em Bolsonaro. A surpresa foi a rápida capilarização desses votos para as bases do PSL, que fez com que o efeito Bolsonaro elegesse candidatos do partido e deixasse morrer na praia candidaturas consideradas consolidadas, ou, pelo menos, com amplo respaldo do eleitor pelo retrospecto político que traziam.
O vento da mudança
Pelo caminho ficaram as pretensões do MDB da Santa & Bela Catarina, que viu naufragar a candidatura Mauro Mariani ao governo do Estado. A derrota arrastou junto o PSDB dos atucanados Napoleão Bernardes e Paulo Bauer.
Tempestade
Do outro lado, sucumbiu o cara de padreco, Raimundo Colombo (PSD), Décio Lima e Ideli Salvatti (ambos do PT), e muitos mais. Sobreviveram Gelson Merísio (PSD), que veio de baixo e foi crescendo nas pesquisas e vai disputar o segundo turno com o Comandante Moisés (PSL), e o turco-careca Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PR), que demonstraram eficaz instinto de sobrevivência.
Efeito das urnas
Neste cenário apocalíptico, os que foram atingidos diretamente tomaram Doril. Os que restaram, buscam, rapidamente, se posicionar, ou reposicionar, porque perceberam que o eleitor quer posicionamento.
Até o final
E mesmo sem muita fé em A ou B, tá todo mundo se posicionando de acordo com o resultado das urnas nos estados. Questão de sobrevivência política. País dividido? Sim! Mas acho que só até o final do segundo turno.
Futurologia
Porque eu acho que depois do resultado de 28 de outubro, ganhe A ou B, deve ser buscado o momento da conciliação nacional. Quem vencer deve buscar isso, e quem perder deve ter a grandeza de contribuir.
Unir
Porque o que não pode resultar dessa eleição amalucada é um Brasilzão dividido. Um Brasil onde todo mundo bate cabeça e ninguém se entenda. Isso não. Mas, até lá, ao que tudo indica, o pau vai pegar. Ai, ai, ai qui dor!!!
Intenso
O primeiro dia da propaganda eleitoral gratuita quase incendiou o rádio e a tevê, na última sexta-feira. Apesar do pouco tempo, cinco minutos, os candidatos não estão focados em propostas e sim nos ataques à honra pessoal e partidária.
Enfrentamento
No primeiro episódio de enfrentamento do segundo turno, Merísio iniciou a série de disparos. Moisés partiu pro ataque com a mesma intensidade. Em menos de 5 minutos, Merísio faz o eleitor que assiste a sua propaganda acreditar que é um absurdo um funcionário público se aposentar aos 48 anos de idade e receber R$ 26 mil ao mês de dinheiro público.
Ataque
A propaganda de Merísio foi enfática ao dizer que o dinheiro que o comandante Moisés recebe é público, dando um ar de que o recebimento é imoral ou até ilegal. Faz ainda uma conta, dizendo que em 30 anos de aposentadoria, o Coronel receberia R$ 10 milhões.
Contraponto
Merísio é deputado estadual desde o início da legislatura passada, 2011, e desde então, seus salários, totalizam R$ 2 milhões e 700 mil reais, sem contar ainda os gastos de seu gabinete, que só em 2017 utilizou R$ 341 mil, sendo quase R$ 160 mil em diárias e R$ 95 mil em passagens aéreas. Ao final de sete anos e seis meses na cadeira, Merísio custou aos cofres públicos aproximadamente quatro milhões e oitocentos e setenta mil reales.
Claro
Com uma série de ataques e assassinatos da honra, esta campanha já figura entre as mais violentas. Não é de se espantar se vierem os xingamentos, porque a argumentação está vazia e as propostas que deveriam balizar os discursos, são trocadas por termos chulos e de acusação.
Melhor
O eleitor já está mais esclarecido, conforme constatado nas urnas e aquele que melhor esclarecer as suas reais intensões ao governo do palácio da Agronômica pode sair vitorioso do pleito. Que vença o candidato que apresentar as melhores propostas.
Renova
A onda de renovação na câmara federal foi a maior das últimas duas décadas, chegando a quase 50% de renovação na casa do povo brasileiro. Entre os eleitos, o jovem Fábio Schiochet (PSL), de Jaraguá do Sul, é uma das novas forças políticas do norte da Santa e Bela.
Primeira eleição
Conquistou 87 mil votos em sua primeira eleição, chegando ao Congresso na sétima posição, entre os 16 eleitos. Schiochet ficou na frente de candidatos já conhecidos pelo povo, como Angela Amin (PP), Peninha (MDB) e Darci de Mattos (PSD).
Força
A AMVALI, Associação dos Municípios do Vale do Itapocu, contempla sete municípios: Barra Velha, Corupá, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Massaranduba, São João do Itaperiú e Schroeder. A região estava há 16 anos sem representatividade na Câmara Federal e agora com a ascensão, digo, a eleição de Fabio Schiochet, uma nova liderança política se forma sob a onda Bolsonaro. Dos 16 deputados federais catarinenses, quatro são do PSL, partido do presidenciável.
Recordação
A política tem coisas de difícil compreensão, mas fácil perdão. Na eleição de 2016, Gelson Merísio (PSD) fez com que Ary de Sousa (PPS) abrisse mão de uma cadeira para a casa do povo, deixando no comando da sigla na Maravilha.
Falta de apoio
Ary não conseguiu emplacar na majoritária, devido a falta de “apoio” do partido, que acabou sendo entregue sob intervenção estadual e na última hora, para o adversário do prefeito pop star, Fabrício, Leonel Pavan (PSDB), conquistando mais tempo de televisão no horário eleitoral gratuito.
De boa
Hoje o prefeito pop star, Fabrício Oliveira (PSB), está com Gelson Merisio, como se nada tivesse acontecido. Aliás, o alcaide guitarrista, devotou apoio ao candidato Jair Bolsonaro no programa do Tigrão (o homem que ruge na Maravilha do Atlântico), na última sexta-feira.
Na base
Enquanto na city peixeira, o prefeito barbudinho, Volnei Morastoni (MDB), ceifa cabeças do PDT e PPS, por terrem trabalhado pra candidaturas à estadual, ligados à suas siglas.Já em BC, PPS e PDT levaram quase cinco mil votos pra outros candidatos que não o do governo. Maão passou a caneta. Continuam na base.
Politicalha
Próximo ao fim do segundo turno e o assunto política tende a arrefecer. Mas parece que no CDL da ex capital do Jet Sky a coisa poderá ferver até 2020. Tudo porque desde quando assumiu, o presidente Fábio Emérito (PSD) teria colocado a entidade a serviço de políticos chegados. A treta estaria tão exacerbada que nada seria definido sem o viés político.
