Por Flávio Perez - Flavio@onboardsports.net
Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race
Publicado 19/01/2026 18:35
O Barco Brasil cruzou o Ponto Nemo durante a quarta etapa da Globe 40, a volta ao mundo em duplas disputada a bordo dos Class40. A equipe é formada por José Guilherme Caldas e Luiz Bolina, que representam o país na competição e lideram a categoria Sharp.
A flotilha deixou Sydney (AUS) no dia 1º de janeiro com destino a Valparaíso, no Chile, em uma das perninhas mais longas e desafiadoras da regata pelo Oceano Pacífico. O time brasileiro atualmente está em terceiro lugar geral nesta perna, que deve ser concluída no fim do mês. A etapa tem ao todo 6.390 milhas náuticas, equivalente a 11.834,28 quilômetros.
Conhecido oficialmente como Polo Oceânico de Inacessibilidade, o Ponto Nemo é o local mais distante de qualquer terra firme no planeta. Está situado no meio do Oceano Pacífico Sul, a quase três mil quilômetros de distância das ilhas habitadas mais próximas.
O ponto também é conhecido por servir como “cemitério” de naves espaciais desativadas e por apresentar escassez de vida marinha, resultado das correntes oceânicas que transformam a área em um verdadeiro deserto azul.
“Passamos há pouco pelo Ponto Nemo, o centro do Polo de Inacessibilidade do Pacífico, considerado o ponto do oceano mais distante de qualquer terra emersa. Fica no cruzamento de linhas entre o Havaí, a Ilha de Páscoa, a Antártida e a Nova Zelândia. Neste momento, as pessoas mais próximas de nós, fora a tripulação, estão na Estação Espacial Internacional, a cerca de 300 a 400 quilômetros de altitude. É muito impactante a sensação de estar no fim, ou no início, do mundo”, afirmou José Guilherme Caldas.
O comandante brasileiro também destacou a dureza das condições enfrentadas nesta parte do percurso. “Seguimos navegando em condições bastante severas, com frio intenso no ambiente, em torno de sete graus, e na água, que está a cerca de cinco graus. Ao mexer nos cabos, a sensação é de que tudo vai congelar. Estamos no modo geladeira, e a carne dentro somos nós”, disse.
Segundo José Guilherme, a estratégia da dupla tem sido priorizar a segurança diante das mudanças rápidas de clima e mar. “Estamos adotando uma velejada conservadora e defensiva. As condições nesta latitude mudam muito rápido, e um ajuste que parece ideal em um momento pode se tornar arriscado em poucos segundos, com chance de perder uma vela fundamental. Quem persegue é quem precisa se arriscar”, concluiu.
O Barco Brasil, comandado por José Guilherme Caldas e Luiz Bolina, lidera a categoria Sharp da Class40 com 9 pontos, à frente do francês Free Dom, que soma 13,5 pontos. Na classificação geral, que inclui o prólogo entre Lorient (França) e Cádiz (Espanha), o líder é o francês Credit Mutuel, enquanto o representante brasileiro aparece na primeira posição entre os Sharp.
A Globe 40 reúne sete veleiros de diferentes países e adota um sistema de pontuação em que vence quem somar menos pontos ao final do percurso. A regata é disputada em barcos Class40, divididos entre as categorias Scow, de proa larga e projeto mais recente, e Sharp, de proa fina, que também contam com uma premiação específica ao término da volta ao mundo.
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