A imagem fica na rua deputado Francisco Evaristo Canziani, na praia do Atalaia, na primeira curva após a Associação dos Servidores Públicos do Porto de Itajaí, no sentido do Bico do Papagaio. O ponto é conhecido e bastante frequentado por moradores e turistas.
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No início da semana, imagens que circularam nas redes sociais mostravam a estátua sem o rosto. Agora, a destruição avançou. As fotos mais recentes indicam que houve uma tentativa de remendo, mas o reparo não se sustentou e a escultura voltou a ser danificada em outros pontos.
Na situação atual, a cabeça aparece novamente quebrada, com grande parte do rosto arrancada. O interior da imagem ficou exposto, com buracos visíveis na região do pescoço e do peito, além de rachaduras pelo corpo. As mãos seguem intactas, mas o restante da estrutura apresenta sinais evidentes de destruição.
Foi intolerância religiosa?
A nova depredação gerou revolta nas redes sociais, com questionamentos sobre a possibilidade de intolerância religiosa. No entanto, segundo o pai de santo André Trindade, que também é proprietário de uma loja de artigos religiosos, não é possível afirmar, neste momento, que se trate de um ataque motivado por preconceito.
Ele explica que a imagem do Atalaia é feita de gesso, material considerado frágil para ficar exposto ao tempo. Com infiltração e excesso de chuva, o gesso perde resistência e pode se soltar inteiro, em vez de quebrar em pedaços. Para ele, o fato de o rosto ter sido arrancado praticamente inteiro indica que o material já estava comprometido pela umidade. Na avaliação dele, se houvesse um ataque claro por intolerância religiosa, outras imagens ligadas à mesma religião poderiam ter sido alvo, o que não ocorreu.
Outro ponto que chamou atenção foi o fato de o rosto ter aparecido ao lado da própria escultura. Para o pai de santo, isso abre diferentes possibilidades: desde alguém que puxou ou encostou na imagem já fragilizada até uma ação de vandalismo sem motivação religiosa clara. Segundo ele, se a intenção fosse destruir completamente, o rosto poderia ter sido quebrado ou levado embora.
Apesar das dúvidas sobre a causa, André defende que o caso expõe um problema antigo: a falta de atenção com símbolos ligados às religiões de matriz africana na cidade. Ele afirma que episódios envolvendo imagens religiosas e até dificuldades enfrentadas pela Caminhada de Iemanjá já ocorreram outras vezes e acabaram sendo ignorados pelo poder público.
O que diz a prefeitura
Procurada pela reportagem, a prefeitura de Itajaí informou que não recebeu, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, qualquer solicitação de autorização ou manutenção para a estátua religiosa instalada no Atalaia.
Segundo o município, como não há responsabilidade legal do poder público sobre o monumento, a prefeitura e suas secretarias estão isentas de obrigação de manutenção. A administração também informou que a imagem é recente e não aparece em registros do Google Maps de seis meses atrás.
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