A centenária tradição do mastro de São Sebastião novamente trará fé, cultura e devoção para as ruas de Penha a partir deste final de semana. A “puxada do mastro”, como é conhecida, está confirmada para este domingo, dia 18, a partir das 16h, na tradicional praça do Baiano, convidando para as missas do tríduo da festa em honra ao santo, que iniciam na semana que vem, dias 21 a 23 de janeiro (quarta, quinta e sexta), até a celebração propriamente dita, na Capela Histórica São João Batista, em Armação do Itapocorói.
O horário das celebrações será às 19h30, seguida de confraternização às 20h30, em todos os dias da festa, com a presença do padre Josué de Brito Souza, pároco local. No dia 24, será celebrada a missa ...
O horário das celebrações será às 19h30, seguida de confraternização às 20h30, em todos os dias da festa, com a presença do padre Josué de Brito Souza, pároco local. No dia 24, será celebrada a missa da Vigília, às 19h30, e no domingo, dia 25, a procissão inicia às 9h30, seguida de missa Festiva às 10h. Às 11h30 haverá a bênção das Massas, seguida de almoço festivo e sorteio de prêmios no salão da comunidade.
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A festa de São Sebastião é uma das mais tradicionais expressões de fé do litoral, e a “puxada do mastro”, como é conhecida, remonta aos portugueses vicentistas que colonizaram a região. O ritual, segundo reforçou ao DIARINHO o repentista João Nestor de Souza, o popular João do Dedé, acontece com músicas tradicionais locais entoadas pelos foliões do Divino Espírito Santo; as chamadas “cantorias do Moçambique” são acompanhadas de viola e tambores, além do refrão tradicional “minerodô”.
Enquanto a trilha sonora é entoada, as mulheres devotas prendem no mastro ramos verdes e flores, decorando-o e rezando para são Sebastião. Neste ano, os promesseiros da festa são Beto Leite e seu filho Juninho Leite, que também atuam como foliões do Divino. Pelo calendário católico, o dia oficial do santo é 20 de janeiro.
Ao longo da puxada do mastro, broas caseiras e a “consertada” (tradicional cachacinha artesanal de Penha) são distribuídos aos participantes. No destino final, o tronco já fincado recebe nova rodada de canções e versos. Por lá permanece “convidando” os fiéis, com a bandeira do santo fixada junto ao mastro.
Versos para seu Nino
Neste ano, João do Dedé antecipa que os devotos presentes acompanharão versos improvisados em homenagem a um dos mais antigos foliões do Divino Espírito Santo, Alcides Lídio dos Santos, o seu Nino Pica-pau, mais popular rabequeiro da celebração, falecido em novembro do ano passado, aos 79 anos.
Pescador e músico nascido em Armação do Itapocorói, seu Nino participava ativamente da puxada do mastro, e tinha presença marcante por sete décadas na cultura católica local, incluindo a Festa do Divino, a Chimarrita, as folias de Reis e o fandango de São Gonçalo. A intenção é, em versos, homenagear a memória deste importante personagem da história de Penha, que herdou a tradição da rabeca de seu Bileu, o sogro.