BEIRA DO RIO

Morador vai ter demolida a casa em que vive com a esposa e bebê

Construção é irregular e Justiça já se manifestou

Demolição foi adiada, mas deve acontecer nos próximos dias (Foto: Leitor)
Demolição foi adiada, mas deve acontecer nos próximos dias (Foto: Leitor)

Um morador de Itajaí procurou o DIARINHO para relatar dias de tensão diante da possibilidade de perder a casa onde vive com a companheira e um bebê de dois meses, às margens de um rio, em uma área próxima a uma marina. A prefeitura confirma que pretende demolir a construção, afirmando que se trata de uma ocupação irregular em Área de Preservação Permanente (APP) e também em área vinculada à União, conhecida como terreno de marinha.

O morador, Alan Felipe da Cunha, conta que vive naquele local há muitos anos, desde jovem, e que a construção da casa de madeira é mais recente, feita há cerca de um ano, depois que a companheira engravidou. Ele afirma que sempre cuidou da área e que nunca derrubou árvores para levantar a moradia. Segundo ele, ao contrário, chegou a plantar mudas na beira do rio ao longo dos anos.

Continua depois da publicidade

A demolição, segundo Alan, está prevista para a próxima segunda-feira. Ele diz que está desesperado por não ter para onde ir com a família. “Eu moro aqui há anos, tenho um filho de dois meses, não tenho pra onde ir”, relatou ao DIARINHO.

O morador afirma que entrou com pedido junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e que gostaria de mais prazo para aguardar uma resposta do órgão federal.

Para ele, por se tratar de uma casa habitada, a retirada não poderia acontecer de forma imediata e sem ordem judicial. “Eles querem derrubar do nada. Eu acredito que não poderia ser assim, sem uma ordem da Justiça”, afirma. Alan também argumenta que, por estar à beira do rio, o terreno pertence à União, o que, na visão dele, impediria a prefeitura de tomar a decisão de forma unilateral.

Além da questão jurídica, o morador reclama da forma como o processo foi conduzido. Ele relata abordagens que considera truculentas e diz que houve pressão para assinar documentos. “Teve momento em que eu me senti coagido”, afirmou. Segundo ele, servidores e forças de segurança teriam comparecido ao local em situações que considera desnecessárias.

Alan também afirma que, em uma visita recente, teria sido orientado a não registrar imagens de documentos e diz que havia testemunhas no local — clientes que estavam na sua lavação — que teriam ouvido parte do que foi dito durante a abordagem. Ele ainda menciona, como relato pessoal, que ouviu falar em “pressão” de bastidores políticos para que a demolição aconteça, algo que, segundo ele, teria sido comentado durante as visitas ao local.

O que diz a prefeitura

Procurada, a prefeitura confirmou a intenção de demolir o imóvel e disse que a medida ocorre por se tratar de invasão e construção irregular em APP, sem licenciamento ambiental. O município afirma que o morador foi notificado em agosto para deixar o local e que, após a notificação, ele entrou com ação judicial, mas perdeu. Segundo a prefeitura, a Justiça confirmou que ele não pode permanecer na área.

A administração municipal também reconhece que o morador já ocupava a área antes, mas afirma que, assim que a construção começou, o município deu início às tratativas e notificações. De acordo com a prefeitura, ele chegou a se comprometer em parar a obra, mas teria continuado até concluir. Depois de a casa ficar pronta, uma nova notificação foi feita em agosto dando sete dias para retirada.

Sobre a SPU, a prefeitura diz que o pedido citado pelo morador não teve resposta e que ele mencionou isso no processo judicial, mas não teve êxito. O município também nega que tenha havido mudança de prazos e afirma que o procedimento foi respeitado integralmente. Segundo a prefeitura, a demolição não ocorreu antes porque o morador conseguiu uma liminar, que depois foi anulada pelo Ministério Público, permitindo a retomada do processo administrativo.

Continua depois da publicidade

A prefeitura diz ainda que houve apoio da segurança pública para resguardar o fiscal municipal. Segundo o município, no dia 9 de dezembro o fiscal foi recebido com hostilidade e voltou com apoio da Guarda Municipal. Um trecho do registro informado pela prefeitura relata que o morador “reclamou e se exaltou” durante a entrega da notificação, mas assinou o documento e a ocorrência foi encerrada sem confronto.

Sobre a alegação de impedimento de registro, a prefeitura afirma que o morador foi orientado de que poderia fotografar os documentos desde que assinasse, e que ele assinou e ficou com a cópia. O município também nega interferência política no caso. Segundo a prefeitura, a Comissão de Contenção de Invasões tem um integrante indicado pela Câmara de Vereadores, mas ele atuaria de forma idônea.

Por fim, o município informou que a operação foi feita em parceria com a Assistência Social e Cidadania, considerando o bem-estar da família. Segundo a prefeitura, quando começaram as tratativas, o bebê ainda não havia nascido. A secretaria também teria se disponibilizado a cadastrar o morador em programas de habitação e a comunicar a assistência social sobre a situação.

Continua depois da publicidade



WhatsAPP DIARINHO


Conteúdo Patrocinado



Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Clique aqui para fazer o seu cadastro.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×






18.97.9.174


TV DIARINHO


🚨 ATAQUE DENTRO DO ELEVADOR | Um morador foi esfaqueado pelo próprio vizinho dentro de um condomínio ...



Especiais

Ataque à Venezuela é aviso aos demais governos da região

Doutrina “Donroe”

Ataque à Venezuela é aviso aos demais governos da região

Ação dos EUA na Venezuela é péssimo sinal para América Latina, aponta professor

TENSÃO NA AMÉRICA LATINA

Ação dos EUA na Venezuela é péssimo sinal para América Latina, aponta professor

Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

Petróleo e poder

Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

STF rejeita marco temporal, mas lei segue com riscos a direitos indígenas

Vitória parcial

STF rejeita marco temporal, mas lei segue com riscos a direitos indígenas

Júlio Lancellotti é calado nas redes enquanto padres conservadores discursam para milhões

IGREJA CATÓLICA

Júlio Lancellotti é calado nas redes enquanto padres conservadores discursam para milhões



Blogs

Haikai moderno — quando o instante também é urbano

VersoLuz

Haikai moderno — quando o instante também é urbano

Picos de glicose: o desequilíbrio invisível que adoece mesmo quem “não tem diabetes”

Espaço Saúde

Picos de glicose: o desequilíbrio invisível que adoece mesmo quem “não tem diabetes”

Mel

Blog do JC

Mel

L'Étape abre temporada 2026 em Cunha

A bordo do esporte

L'Étape abre temporada 2026 em Cunha



Diz aí

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”

Diz aí, Juliana!

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”

"O que esses quatro vereadores a mais vão proporcionar para os habitantes de Itajaí?”

Diz aí, Bento!

"O que esses quatro vereadores a mais vão proporcionar para os habitantes de Itajaí?”

"Todo mundo sabe que Itajaí sofre uma crise hídrica"

Diz aí, Robison!

"Todo mundo sabe que Itajaí sofre uma crise hídrica"

"Fizemos contato com a defesa e estamos discutindo a apresentação [dela]”

Diz aí, delegado Roney

"Fizemos contato com a defesa e estamos discutindo a apresentação [dela]”

"Eu não concordo que o Jorginho está eleito"

Diz aí, Afrânio!

"Eu não concordo que o Jorginho está eleito"



Hoje nas bancas

Capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.