PENHA
Mercado joga carne podre a céu aberto
Pessoas em situação de rua estariam se alimentando com os produtos e largando restos na vizinhança
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Um supermercado de Penha está jogando fora restos de carnes de boi e de frango na rua sem qualquer critério, dentro de uma caçamba plástica de resíduos. A situação causa mau cheiro na rua Nilo Anastácio Vieira, no centro, e ameaça a saúde de moradores de rua que têm coletado as carnes podres para consumo.
A denúncia foi feita na semana passada pelo vereador Luiz Fernando Vailatti, o Ferrão (União Brasil), de Penha, que reforçou que o problema não é apenas o descarte – o que já é irregular, mas também a ação desses moradores de rua ou vândalos, que têm retirado os pacotes de carne podre do local e jogado o alimento em outros pontos da mesma via.
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“Alguém foi ao mercado, pegou um monte de asa de galinha podre e jogou dentro da minha lixeira”, acusa o parlamentar, que mora nas proximidades do comércio. Ferrão também apresentou vídeos de terceiros, mostrando água podre e malcheirosa escorrendo das caçambas de lixo do comércio, e filmou parte da carne jogada dentro destes recipientes. “Vou denunciar à Vigilância Sanitária. É coisa de gente sem vergonha”, acusou o parlamentar ao DIARINHO.
Já o morador Douglas Santos considera que pelo tipo da lixeira do comércio “já se conhece o mercado que é”. Douglas trabalhou recentemente na mesma rua do estabelecimento acusado e disse que o mau cheiro era forte na ocasião.
Ferrão formalizou a denúncia na Vigilância na quinta-feira passada, mas depois do flagrante houve um agravante. “Às 6h20 da manhã de hoje recebi uma informação mais preocupante: o motorista do caminhão da coleta de lixo comum me confirmou que a empresa recolheu carne estragada e colocou tudo no caminhão normal, que vai direto ao aterro sanitário”, reforçou Vailatti.
O descarte irregular de produto de origem animal é proibido pela legislação sanitária, e colocar esse material em lixo comum viola normas ambientais, pois existe risco de contaminação do solo, do lençol freático e do próprio aterro. “E as pessoas em situação de rua acabam consumindo um produto extremamente perigoso”, reforça o vereador.
Já foi fiscalizado por prazos de validade
A Prefeitura de Penha, procurada pelo DIARINHO, informou que não recebeu essa denúncia, seja junto à Vigilância Sanitária ou Procon. “A fiscalização mais recente no local foi referente à comercialização de produtos fora de validade; demanda concluída no último dia 17”, destacou o município.
Ferrão repassou ao DIARINHO o comprovante digital da denúncia, feita neste dia 5. A assessoria, porém, reforçou que ao se tornar ciente da denúncia na sexta, pelo DIARINHO, abriu uma ouvidoria para que haja fiscalização pela Vigilância Sanitária, que “tomará as devidas providências”.
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A reportagem também contatou o mercado denunciado, mas não teve retorno até o fechamento da matéria.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
