Diz aí, Jorge Gastaldi!

"Tenho um lema: em primeiro lugar, a piada. Em segundo, a verdade e a ética"

O humorista Jorge Gastaldi bateu um papo com a jornalista Fran Marcon e a estudante de Jornalismo Bruna Amorim. A conversa teve resenha, curiosidades e muitas histórias sobre a paixão de Gastaldi: o humor

"O Instagram é a principal fonte de divulgação dos meus shows e também de publicidade, o que ajuda na renda"(Foto: Fran Marcon)
"O Instagram é a principal fonte de divulgação dos meus shows e também de publicidade, o que ajuda na renda"(Foto: Fran Marcon)
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Quando você decidiu ser comediante?

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Jorge: Sabe aquela sensação de não querer mais estudar? Acho que é o clássico. É louco, porque desde pequeno eu gostava de contar piadas. Minha referência eram os CDs ...

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Jorge: Sabe aquela sensação de não querer mais estudar? Acho que é o clássico. É louco, porque desde pequeno eu gostava de contar piadas. Minha referência eram os CDs do Ary Toledo, que eu ouvia escondido, porque minha família não permitia. Eu colocava no carro, num discman que eu tinha, e ficava ouvindo piadas de Joãozinho, de português, de papagaio... Eu achava incrível. Sabia mais de mil! Na época, eu achava que ser comediante era isso: contar piadas. Até que descobri o stand-up comedy. Quando entendi que aquilo existia, a primeira pessoa que vi fazendo algo parecido foi o Paulinho Gogó, da Praça é Nossa. Nem era stand-up de verdade, era um personagem. Mas eu pensei: “Caraca, eu consigo fazer isso. Já faço isso no churrasco da família. Dá pra monetizar? Que incrível!”. Fiquei quase um ano indo ao teatro, toda semana, em todo show que tinha. Até que alguém da produção me reconheceu e falou: “Cara, tu é um cliente fiel, vou te dar ingresso grátis”. Eu respondi: “Não quero. Me coloca no palco...”. Em 2016, subi pela primeira vez e nunca mais saí de lá. [Quem foi a primeira pessoa que riu de uma piada sua? Foram os parentes?] Os parentes sempre são os primeiros torturados. Lembro que, uma vez, eu tava jantando na casa do meu pai – meus pais são separados; estava no apartamento dele, com minha madrasta e minhas duas irmãs. Falei: “Escrevi um textinho com piadas sobre coisas que estão acontecendo na minha vida. Vocês querem ouvir?”. Não tinha opção de dizer não. Eles falaram: “Claro, estamos empolgados!”. Coloquei todo mundo sentadinho no sofá, peguei o controle remoto da TV como se fosse um microfone e comecei a falar... Fiz cinco minutinhos de piada e eles deram aquele sorriso, não sei se por agrado ou desespero, mas disseram: “Nossa, muito bom! Leva isso pro palco!”. E eu levei. Eles foram as primeiras vítimas.

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"O termo “Balneário Camboriú” é mágico no TikTok"

 

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Você estudava Engenharia Civil. Chegou a concluir o curso ou abandonou a faculdade?

Jorge: Em 2016, eu já fazia faculdade de Engenharia Civil e trabalhava na empresa do meu avô. Em 2019, já tinha uma sequência legal de shows, foi quando pedi demissão do emprego e tranquei a faculdade – faltava só entregar o TCC. [A família aceitou bem?] Sempre tive apoio. Mas tem aquele medinho de mãe, de pai tradicional: “Pô, falta um semestre, entrega teu TCC, faz teu estágio...” ou “Ah, artista hoje é um em um milhão”. Preocupação normal. Eu demoro pra tomar uma decisão, mas quando tomo, não tiro mais da cabeça. Só que até o ano passado ainda me mandavam concurso. “Ô, filho, abriu vaga no Banco do Brasil...”. E eu respondia: “Ô mãe, depois de oito anos ainda?”. “Ninguém sabe o dia de amanhã”, ela dizia.

 

"Santa Catarina é o segundo maior polo de comédia do Brasil"

 

No ano em que decidiu seguir carreira no humor, veio a pandemia. Como foi o início?

Jorge: Em 2019, pedi demissão, tranquei minha faculdade, bati no peito e falei: “2020 é o meu ano!”. Em 2019, fiz 83 shows – anoto todos os shows que faço. Em 2018, tinha feito 45. E, em 2017, 26. Aí fui vendo: 26, 45, 83... Pensei: “Tá multiplicando! Em 2020 vou fazer 150!”. Aí chegou 2020. Fiz 14 até março. Tivemos aquele “detalhezinho” da pandemia. Fiquei sem emprego e sem formação. Foi quando comecei a produzir conteúdo pra internet. [Teu grande suporte como comediante é a rede social ou stand-up?] Eu diria que é um equilíbrio entre os dois, porque as redes sociais me ajudam a levar o público pro stand-up. Mas a minha base é o stand-up. Comecei em 2016 no stand-up comedy e fui até 2020 sem nenhum auxílio das redes sociais. A divulgação era na garra e na coragem.

 

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"O termo“Balneário Camboriú” é mágico no TikTok"

 

Suas piadas abordam situações do dia a dia. Que tipo de assunto você costuma observar e já imagina que pode virar um vídeo de humor?

Jorge: Hoje, quando faço um vídeo e quero que ele viralize, conforme vou escrevendo, roteirizando, já coloco umas piadas mais ácidas, por exemplo. Ou bato mais em algum tema – e já sei se vai viralizar ou não. Isso vem da experiência com outras postagens. Por exemplo: hoje mesmo eu tava escrevendo um vídeo sobre o show da Shakira, que vai ter no fim do ano em Balneário Camboriú. Sei que é um vídeo com potencial de viralizar, principalmente no TikTok. O termo “Balneário Camboriú” é mágico no TikTok. Quando tava escrevendo sobre a Shakira, fiquei pensando: “Cara, o quanto eu quero que isso viralize?”. Quero só passar a informação com humor, de que a Shakira vai estar aqui? Ou quero ser mais crítico? Se eu for crítico, sei que vai viralizar mais. Se eu tirar o pé, não vai tanto, entende? Já consigo ter esse feeling. Mas também tem alguns vídeos que surpreendem. [E a Shakira vai estar aqui mesmo, Jorge?] Pelo que vi hoje de manhã, parece que tá confirmado. Vi a informação numa página bem conceituada de turismo.

 

"As redes sociais me ajudam a levar o público pro stand-up. Mas a minha base é o stand-up"

 

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Você e a Dete Pexêra usam o sotaque do itajaiense para fazer humor. As semelhanças param por aí ou ela é uma inspiração para você?

Jorge: Nunca passou pela minha cabeça ser humorista. Eu era só um amante de contar piadas, antes de 2016. Levei muito minha avó ao teatro pra assistir à Dete, porque ela gostava muito – e eu também. Ano passado, foi a primeira vez que a gente se viu depois que me tornei comediante. Eu fui com meu produtor ao teatro, sem avisar ninguém. Só cheguei lá. No final do show, fiquei bem surpreso, porque ela agradeceu o público presente e falou: “Hoje tenho a honra de receber um outro artista da cidade também que tá aí. Levanta a mão, Jorge Gastaldi!”. Fiquei meio envergonhado. No fim, fui ao camarim dar um abraço nela. Foi a única vez que a gente conversou. Achei bem bacana. É muito bom termos artistas da cidade e da região, cada vez mais, e com qualidade. [E tem alguns que te inspiram?] Tem sim. Tem um cara que nem é humorista de stand-up, chamado Daniel Zuckerman, e eu acho a linha de raciocínio dele maravilhosa. Se for pra citar brasileiros, tem o Léo Lins, que esteve aqui recentemente. Na verdade, ele é inspiração pra maioria dos comediantes. É o único que tem livros explicando como fazer comédia, como escrever piadas, técnicas e tal. Admiro muito também os comediantes da gringa, que já estão uns 50 anos-luz à nossa frente. O Ricky Gervais, britânico, é muito bom.

 

"O Danilo tem 120 processos, sendo 14 criminais – todos por piada. O Leo Lins está com 84, se não me engano"

 

Você participou do The Noite, programa do Danilo Gentili. Como foi estar num programa nacional?

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Jorge: Desde moleque, eu assistia muita TV. Pô, eu gostava de ver Malhação. E falava: “Mano, meu sonho é ser ator de Malhação”. Eu fiz curso. Sou ator. Fiz atuação em cinema. Quando tirei meu DRT, Malhação acabou. “Não é possível, cara. Justo na minha vez!” Queria ser apresentador. Queria apresentar o Vídeo Show, achava legal. Acabou também. Sempre fui apaixonado por televisão – principalmente pelos bastidores. Quando tive a oportunidade de ir ao programa do Danilo, eles fazem um tour antes da gravação, mostram onde é o cenário, o jornalismo, a gravação de novela... tudo. Fiquei encantado. Pra mim, foi um dia na Disney. Admiro muito ele. E, como apresentador, admiro o Celso Portiolli também. É um perfil que eu me vejo fazendo. Mais do que um talk show, me vejo fazendo um programa com torta na cara, “seu Aldair, liga aí”, algo mais povão... [Tem essa vontade?] Tenho muito essa vontade de fazer um programa de auditório. Gosto disso, gosto de conversar, gosto de pessoas. Me vejo fazendo isso no futuro.

 

"A polêmica vicia"

 

Leo Lins e Danilo Gentili têm bastante processos. Algum dos seus esquetes já resultou em processo?

Jorge: Não. Graças a Deus, não. Eles são muito milionários, Jorge Gastaldi não é. Essa é a grande diferença. O Danilo tem 120 processos, sendo 14 criminais – todos por piada. O Leo Lins está com 84, se não me engano. Eu, quando escrevo vídeo, já fui mais polêmico. Mas, desde a eleição do ano passado, fiz uma promessa: “Vou parar com as polêmicas”. Porque é viciante. A polêmica vicia. [Essa polarização política te cansou?] Pra mim, o cenário está insuportável. Acho que a gente vive uma onda e parece que estamos no “lip” dela. Qualquer opinião que tu dá: “Ah, é de esquerda, é Lula”. Ou então: “Ah, isso aí é Bolsonaro”. Eu não posso simplesmente não ser nada. Se digo que não sou, ouço: “Ah, então tu é cagão. Por isso que o país tá uma porcaria, porque tu não decide um lado...”. Mas eu concordo com coisas de um lado, concordo com coisas do outro. E não posso ser imparcial? Sou obrigado a ser algo? Isso começou a me cansar muito. Ano passado, como era ano de eleição municipal, recebi vários convites, várias propostas. [Chegaram a te convidar pra participar de alguma propaganda local?] Sim, me convidaram pra fazer vídeo apoiando, de forma mais camuflada e pagando. Também ofereceram emprego – só pra estar do lado do político, com um vídeo meu ali. Pulei fora de todos. Recusei tudo, porque esse não é o meu intuito. Sempre fui um cidadão inconformado. Morei no Promorar. Eu passava na vala do Dom Bosco e via sempre aquela grade caída, sujeira... Como cidadão, pensava: “Por que a prefeitura não limpa?”. Depois que comecei a fazer vídeos, acontecia de no dia seguinte já limparem, consertarem. Funciona! Comecei a usar isso – meu papel de cidadão inconformado, com o humor. O humor tem esse poder: entregar a verdade, na lata, de forma rápida.

 

"Tenho um lema pra minha vida: em primeiro lugar, a piada. Em segundo lugar, a verdade e a ética"

 

Teve “cancelamentos” nas redes sociais? Já chegou a apagar vídeos?

Jorge: Não, nunca deletei nenhum vídeo. Mas já recebi três ameaças de morte. Ameaça de morte é algo que a gente normalmente não esquece. Por incrível que pareça, dessas três, duas foram por causa de futebol – e eu odeio futebol – e uma foi por causa de Navegantes. [E tu falou de Navegantes?] Já falei bastante coisa de Navegantes. Tenho um lema pra minha vida: em primeiro lugar, a piada. Em segundo lugar, a verdade e a ética. É o meu lema, tá? Se pra essa piada eu precisar mentir e parecer meio imoral, mas a piada for muito boa, eu faço. Por quê? O que é essa mentira? Dizer que eu odeio Navegantes. Na piada, eu digo que odeio Navegantes. Mas, na verdade, não tenho nada contra. 

Você citou sua admiração pelo Leo Lins. Tínhamos outro tipo de humor na década de 80, com Trapalhões e outros programas. Houve uma evolução. Você não acha que Leo Lins extrapolou?

Jorge: Não. Quando a gente cita os Trapalhões ou qualquer outro programa de humor da década de 80 – por exemplo, Casseta & Planeta –, aquilo nunca iria pro ar hoje. O próprio Zorra Total... Pô, tinha uma nutricionista gorda que dizia: “Isso pode, isso não pode”. Hoje, não iria ao ar porque vivemos essa chatice do politicamente correto. É óbvio que, se tu perguntar pra um negro, pra um gay, se é melhor hoje ou nos anos 80, a resposta vai ser: hoje. O que os Trapalhões faziam era adequado pra época. Hoje, não se encaixa mais. O humor tem vertentes: tem o humor pastelão, o físico, o mímico, o ácido – que antes a gente chamava de humor negro, mas teve que mudar o nome. Tem várias categorias e tem público pra todas elas. Quando o Leo Lins ou outros comediantes com esse humor ácido fazem esse tipo de piada, eles têm liberdade artística.

 

"O Instagram é a principal fonte de divulgação dos meus shows e também de publicidade, o que ajuda na renda"

 

Você adapta seu conteúdo para as diferentes plataformas (Instagram, TikTok, YouTube)? Qual delas mais te ajuda a alcançar o público?

Jorge: O Instagram. De forma majoritária. Meu canal no YouTube é bom também, mas tá em standby há um tempo. O Instagram é a principal fonte de divulgação dos meus shows e também de publicidade, o que ajuda na renda. [Mesmo tendo mais seguidores no TikTok?] Sim. No TikTok, eu recebo pelo próprio TikTok – aquele AdSense por visualização. Mas nunca fiz uma publicidade lá, por exemplo, e também nunca divulguei show no TikTok. O Instagram é onde faço as publis e divulgo os shows. Então, ainda vejo o Instagram como minha plataforma principal. [Dá pra viver bem de humor no estado?] Dá, graças a Deus. Meu produtor vive me enchendo o saco pra eu ir pra São Paulo, pra ficar lá e tal. Mas eu falo: “Cara, não”. Acho que Santa Catarina tem futuro. Santa Catarina é o segundo maior polo de comédia do Brasil – só perde pra São Paulo.

Jorge participou do "Diz aí" (Foto: Fran Marcon)

 






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