Na ocasião, em sessão na Assembleia Legislativa (Alesc), a parlamentar denunciou que o deputado a acusa de ter aplicado um golpe pra ficar na coordenação da bancada do Vale do Itajaí, que reúne os representantes da região. Naatz não teria reconhecido a legitimidade da coordenadora, que teria “operado um golpe, atropelando os colegas”.
Continua depois da publicidade
“A Paulinha aplicou um golpe sobre os membros da bancada. O almoço será indigesto porque não indicamos você para coordenar esse período. Você como sempre atropelando os colegas, desrespeitando acordos”, teria dito o deputado num grupo de mensagens da bancada. Paulinha diz que foi eleita em comum acordo.
Ainda segundo a deputada, Naatz teria afirmado que não participaria mais das reuniões da bancada até ser resolvida “a questão do golpe”. Para Paulinha, as declarações seriam pelo fato de ela ser mulher, o que apontaria para um caso de violência política de gênero, previsto na lei federal 14.192/2021. Naatz rebateu a deputada, acusando Paulinha de vitimização.
Continua depois da publicidade
“Golpista é quem comete um golpe, quem se autoproclama para um espaço que não foi indicado e não foi eleito, seja homem ou mulher”, contra-atacou. Após a treta na Alesc, a deputada Luciane Carminatti (PT) sugeriu levar o caso para a Comissão de Ética.
Em sessão na terça-feira, a deputada Ana Campagnolo (PL), contrária à liderança de Paulinha na bancada regional, saiu em defesa de Naatz. Segundo ela, Paulinha acusou o deputado de ser manipulador, de precisar de ajuda psicológica e de ter impulsos violentos. Ela ainda criticou a lei sobre violência política contra a mulher, afirmando que o texto é genérico e vulnerabiliza os homens.
Briga na justiça
O deputado Ivan Naatz agradeceu o apoio de Ana Campagnolo. “Com coragem, ela disse o que os muitos homens não têm coragem de falar”, disse. No mesmo dia, o parlamentar anunciou ter determinado aos seus advogados a abertura de procedimentos cíveis e criminais cabíveis contra a deputada Paulinha por falsa comunicação de crime.
“Como bom advogado, passei a minha vida defendendo o direito dos outros, mas chegou a hora de defender os meus [direitos] para mostrar que eu os conheço, e conheço muito bem”, comentou. Naatz lamentou que questões internas da bancada regional tenham sido trazidas por Paulinha para debate público na Alesc.
Para o deputado, a questão da coordenação do grupo deveria ser discutida pelo colegiado da bancada. “É preciso deixar claro que a divergência com a deputada Paulinha não é porque ela é mulher ou por uma questão de gênero, mas porque ela não foi eleita de maneira legítima para a coordenação da Bancada do Vale”, argumenta, frisando que sempre atuou ampla participação das mulheres na política.
Denúncia levada ao MPF e OAB
Continua depois da publicidade
A denúncia que Paulinha fez no plenário contra Naatz foi levada nesta semana ao Ministério Público Federal (MPF) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A ação também relata uma série de ataques e tentativas de intimidação que a deputada teria sofrido devido à sua atuação parlamentar.
“Não se trata apenas de opiniões contrárias ou críticas ao meu mandato, mas de um esforço coordenado para me silenciar e desqualificar, simplesmente por ser mulher e ocupar um espaço de poder”, afirma um trecho da denúncia, que destaca as punições previstas contra a conduta em lei federal.
Paulinha reforça que a medida não é apenas uma defesa pessoal, mas um alerta sobre um problema recorrente na política brasileira. “Se queremos uma democracia mais justa e representativa, é fundamental que as mulheres tenham assegurado seu direito de participar da vida política sem sofrer retaliações desproporcionais”, comentou.
Ela ainda não se manifestou sobre a medida de Naatz em processá-la judicialmente.