SAÚDE PÚBLICA

Instituição de Camboriú usa método inovador para ressocializar dependentes químicos

Justiça restaurativa foi adaptada para o tratamento da dependência de álcool e de drogas em ação inédita no país

Centro de Reabilitação de Toxicômanos e Alcoolistas aplica método há mais de um ano e já apresenta resultados positivos
(fotos:  JOCA BAGGIO)
Centro de Reabilitação de Toxicômanos e Alcoolistas aplica método há mais de um ano e já apresenta resultados positivos (fotos: JOCA BAGGIO)
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O tradicional método de negociação de Harvard foi adotado como ferramenta para ressocialização de dependentes químicos abrigados pelo Centro Especializado em Reabilitação de Toxicômanos e Alcoolistas (Certa) há mais de um ano e já apresenta resultados positivos. O projeto é desenvolvido pelo curso de Direito da Univali, de Balneário Camboriú, e surgiu da necessidade de implementar alternativas para auxiliar os internos na desintoxicação de álcool e drogas. O programa tem a chancela da seccional da OAB de Balneário Camboriú.

“O projeto faz uso da justiça restaurativa e do método de negociação de Harvard integrando ferramentas ressocializadoras da academia ao trabalho humanizado de reabilitação e reinserção ...

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“O projeto faz uso da justiça restaurativa e do método de negociação de Harvard integrando ferramentas ressocializadoras da academia ao trabalho humanizado de reabilitação e reinserção do indivíduo na sociedade”, explica a advogada e coordenadora do projeto, professora Márcia Sarubbi Lippmann.

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A especialista acrescenta que essa vertente do Direito percebe o ser humano de forma integral, dentro de uma visão mais humanizada, e vem ao encontro das necessidades da instituição.

Método Harvard

O método Harvard de negociação foi desenvolvido para que, no processo de negociação, não haja partes perdedoras. Ou seja, o modelo ganha-ganha, defendido pelos criadores Willian Ury e Roger Fischer, prevê que todas as partes envolvidas na negociação sejam beneficiadas, diferente de modelos tradicionais que propõem que uma parte tenha vantagem sobre a outra.

No caso específico do Certa, a técnica é usada em dinâmicas para criar uma relação mais construtiva entre internos e equipe multidisciplinar, tendo o autoconhecimento como ferramenta para resolução dos conflitos pessoais de cada paciente.

Em contrapartida, os profissionais que atuam no processo de ressocialização acabam tendo mais acesso aos acolhidos.

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O trabalho com a justiça restaurativa junto aos acolhidos do Certa completou um ano. Foram trabalhados três grupos (em média com 20 internos cada) e um novo grupo, com 18 acolhidos, iniciou na última terça-feira. Nesse período já foram observadas diversas mudanças. O interno Lucas, de 25 anos, se diz mais autoconfiante e preparado para voltar ao convívio social após participar do programa. Ele está na instituição há pouco mais de oito meses e em breve deixará o Certa.

A psicóloga Bruna Dell Olivo destaca a importância do projeto no sentido de ajudar a equipe de psicologia a mapear, identificar e conhecer a dor do indivíduo que impacta no uso de drogas ilícitas ou lícitas. “O autoconhecimento tem um importante papel nesse contexto, pois possibilita que o usuário de drogas identifique a base da compulsão para o consumo dessas substâncias”, explica Bruna.

Para a psicóloga, o projeto “juntou os pontos”, ou seja: fez uma ponte entre o trabalho em grupo e o trabalho psicológico junto aos acolhidos. “O programa permite atingirmos por meio do trabalho em grupo dimensões que não alcançamos com o trabalho individual.”

Dinâmicas

Márcia Sarubbi destaca que as dinâmicas previstas no programa possibilitam maior capacidade de expressar sentimentos, o que impacta na melhor adesão ao programa e, consequentemente, em menor reincidência.

“O programa aumenta as possibilidades de reintegração e de autorresponsabilidade, dando autonomia e autoestima, cruciais para que o indivíduo possa reconstruir sua vida de maneira mais positiva”, explica a advogada e presidente da Comissão de Direito Sistêmico e Justiça Restaurativa da OAB de Balneário Camboriú, Tâmara Scolari Schreiber.

A advogada acrescenta que os acolhidos podem levar as dinâmicas do projeto para as pessoas com quem convivem fora da instituição, o que aumenta as possibilidades de ressocialização. O programa é inédito em Santa Catarina e no Brasil.

 

É gratificante ver que as ferramentas da justiça restaurativa contribuem no processo de ressocialização " -  Márcia Sarubbi Lippmann - Advogada e coordenadora do projeto

 

 

29 anos de serviço à comunidade

O Certa é uma comunidade terapêutica criada há quase 30 anos para o acolhimento voluntário e ressocialização de dependentes químicos e do álcool. “É uma instituição sem fins lucrativos ou vínculo religioso que trabalha a cultura do aprender, seja por meio da laborterapia ou da nossa escola supletiva ou cursos complementares”, explica o coordenador, Fábio Leandro Basso.

A entidade tem uma fazenda de 30 hectares na localidade rural de Macacos com estrutura para acolher 62 internos, equipe multidisciplinar, além de rede de voluntários e de atendimento por meio de parcerias com o município, estado e união. Todo o acolhimento na instituição é gratuito e o Certa é mantido por convênios com o poder público e doações de empresas e pessoas físicas.



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