Matérias | Entrevistão


Marcelo Sodré

"A hora que entrar o contrato de arrendamento essa agonia se dissipa. As empresas vêm pra fazer o porto continuar crescendo”

Prefeito em exercício de Itajaí

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]




O advogado Marcelo Sodré (PDT) ocupa interinamente a cadeira de prefeito de Itajaí. O vice-prefeito assumiu o comando da cidade na ausência de Volnei Morastoni (MDB), que está em licença por motivos de saúde.  Sodré não está tendo monotonia na passagem pelo governo. Ele comanda o início de novas obras de infraestrutura na cidade, acampanha votações importantes na câmara, o conflito gerado pela manifestação em frente à Marinha, a renovação do contrato com a APM Terminals para o porto seguir em operação, entre outros dilemas da administração pública. Nesta entrevista à jornalista Franciele Marcon, Sodré falou sobre o desafio de comandar o município, das obras de mobilidade que estão transformando Itajaí, da eleição para a Câmara de Vereadores no ano que vem e do desejo de ser o prefeito da cidade onde nasceu. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista, em áudio e vídeo, você confere no Portal DIARINHO.net e nas nossas redes sociais.

 

DIARINHO – O senhor assumiu a prefeitura interinamente, mas os comentários são de que pode ficar em definitivo. Como está a saúde do prefeito Volnei? Ele volta em dezembro?



Marcelo Sodré – Eu acredito que sim, o prefeito está se recuperando. Fez uma cirurgia agora dia 9 e parece que foi muito bem-sucedida. Nossa torcida é para que ele recupere a saúde e volte a assumir a cadeira. O Volnei é uma pessoa sempre ímpar, tem seus arrojos, a sua visão além da curva. Tanto que todas essas obras na cidade, de impacto, estruturantes, são uma visão do Volnei com coragem para fazer um financiamento internacional, o que deixou Itajaí na frente de outros municípios, com obras de importância. Por exemplo, a ponte da Nilo Bittencourt. Estamos falando de mais três pontes ainda aqui na cidade. Isso vai melhorar a mobilidade. Estamos falando do binário daqui pra Balneário, do binário da Praia Brava. Ganhamos agora a aprovação do novo deque que será feito na Beira Rio. Equipamento que vai deixando nossa cidade cada vez mais linda, mas também atraindo investidores.

 

O prefeito está se recuperando. Fez uma cirurgia dia 9 e parece que foi muito bem-sucedida”


 

DIARINHO - Como está sendo a experiência de assumir a prefeitura por dois meses? É possível já imprimir o seu ritmo na administração pública?

Marcelo – Não é a primeira vez que eu assumo. Já assumi outras vezes, mas essa com período maior. Não é fácil aquela cadeira. Como vice, eu tratava da saúde, da educação. Então pontuava mais ou menos cada intervenção que o vice faz. Como prefeito, tu atendes todas as áreas. Sai o secretário de Saúde, senta o secretário da Educação. Sai, entra o esporte. É uma roleta maluca, muito intensa.

DIARINHO – O senhor e o superintendente do Porto de Itajaí decidiram manter o contrato de arrendamento provisório dos berços 1 e 2 com a APM Terminals. O que motivou essa decisão depois do próprio município ter tomado a iniciativa de abrir uma licitação pra contratar uma nova empresa?

Marcelo – Tudo isso ocorreu porque o governo federal quis mudar a característica do modelo de arrendamento do Porto de Itajaí. Um modelo que vinha e vem dando certo. De repente, o governo pensa de forma diferente e quer mudar tudo. Quando chegamos agora no período eleitoral, o governo federal paralisa o arrendamento do nosso porto e acaba trazendo um hiato entre a finalização deste contrato de arrendamento definitivo e o término do contrato da APM. E havia necessidade então de saber quem tocaria nesse período intermediário. Num primeiro momento, a própria APM não se mostrou interessada. Quando ofereceu uma proposta, foi muito baixa, de R$ 500 mil. Se botar na ponta do lápis, tem galpão de Itajaí sendo cobrado por esse valor. Imagina todos os berços do porto... Blefou um pouco, acredito. Isso levou a autoridade portuária, por orientação inclusive da Secretaria de Portos, a fazer um contrato transitório. Que é o quê? É um contrato temporário entre o término do contrato da APM e o novo arrendamento. Novamente a APM não participou do certame. E acabou participando só uma empresa chamada CTIL. Ocorre que todo esse trâmite tem características e procedimentos diferenciados. Então, além do certame aqui, teria que ter aprovação da Antaq. A nova empresa teria que fazer o alfandegamento da área, o que demoraria 790 dias. Nós não podemos ficar com o porto parado por 30, 60 dias. Depois houve um problema com relação aos equipamentos, o portêiner, que é da APM Terminals. Não ficou prevista essa questão da locação ou não. Então entenderam todos lá, a Secretaria de Portos, Antaq, a própria ASPI, que a manutenção da APM seria vital para a continuidade do Porto. O que a gente conseguiu junto à APM foi um novo acordo. Saiu dessa proposta de R$ 500 mil para uma de R$ 2,3 milhões. E um compromisso de trazer as linhas que a APM estava mandando para Itapoá para continuar aqui em Itajaí pelo menos neste período transitório. Vamos torcer agora para que o novo governo nos abra a oportunidade de discutir.


 

Não me parece republicana essa intransigência do governo federal, principalmente do Piloni”

 

DIARINHO - A APM não participou do processo licitatório e ainda ofereceu 1/8 do valor do contrato atual. Depois do anúncio da vencedora a APM propôs metade do que paga atualmente. A cidade vai ter prejuízo. Essa decisão pode ser contestada judicialmente pela queda de arrecadação e pela CTIL ter ganhado, mas não levado, a licitação?


Marcelo: A grande preocupação sempre foi a legalidade, em não incorrer numa renúncia de receita, ou entender que está se favorecendo A ou B. Eu questionei muito a agência reguladora, a Antaq, com relação a isso, como também a própria Secretaria de Portos. O Porto tem um custo fixo que gira em torno de R$ 12 milhões. E esses R$ 12 milhões são pagos juntando as caixinhas: R$ 4 milhões do arrendamento do berço, tantos milhões da movimentação de contêineres, tantos milhões da utilização do canal. Toda essa composição é que vai pagar a conta. Se eu tenho uma redução de receita, como eu pago? Eles entenderam que a redução do valor do arrendamento era possível em razão de ser um contrato transitório. Não haveria, de certa forma, ninguém que tivesse interesse de tocar um contrato transitório porque correria o risco de não ter retorno. A CTIL fez uma proposta, fez. Mas havia uma consideração muito forte pela falta do alfandegamento. Se não tiver alfandegamento, não pode entrar nem sair uma caixa de dentro do porto. A questão dos equipamentos: são da APM. [Não tinha movimentação mínima também] A movimentação mínima… se tivesse, não teria interesse de ninguém. Mas a garantia de cargas, sim. Como é que ficam essas cargas que estão operando aqui no nosso porto? Vão junto com a APM ou tem uma garantia que elas ficariam em Itajaí? Em alguns momentos ficou muito claro que boa parte iria embora com a APM. Então existiu toda essa preocupação com relação à continuidade do porto e à movimentação, porque nós temos ali uma receita direta que é do arrendamento do berço, mas nós temos uma outra que é indireta, que são os impostos. E isso representa para Itajaí um valor considerável. Mais ou menos 30% da nossa receita vem do porto. Itajaí não conseguiria sobreviver sem essa receita, porque todo mundo sabe que quanto mais se ganha, mais se gasta. São creches, escolas, postos de saúde. Se eu tenho uma queda de 30% na arrecadação, como é que eu faço? Fecho escola, fecho o posto de saúde? Então, pela garantia da cidade, pela garantia da continuidade do porto, e com a aquiescência da Secretaria Nacional de Portos e da Antaq, houve a convergência na continuidade da APM.

 

Agora, sempre me chama a atenção que quem tava à frente, muito intransigente na questão  do governo federal, era o Piloni [Diogo, ex-secretário Nacional de Portos]. Onde está o Piloni hoje? Na iniciativa privada

 

DIARINHO – O setor reclama de perda de linhas. A APM Terminals estaria há meses desviando linhas pro Porto de Itapoá. Qual garantia o Porto de Itajaí tem de que a movimentação no cais será mantida?

Marcelo – Tem muitas coisas de bastidores que são sigilosas no mercado, vamos botar assim. Eu acredito que a APM começou a transferir um pouco de cargas para Itapoá vislumbrando a possibilidade de garantir que a Portonave utilize os berços de Itajaí para movimentação, já que a Portonave vai começar a fazer uma grande obra nos seus berços e vai perder pelo menos 50% da capacidade operacional. 50% da capacidade hoje da Portonave representa quase 100% da capacidade de Itajaí. Então não sei se seria uma estratégia pra esperar o outro lado e começar a ter uma renda forte com a MSC. Eu conversei com o CEO da Portonave, lá em Brasília, se ele iria nos repassar alguma coisa. E ele me disse que sim, que era importante utilizar os berços de Itajaí durante a obra. É uma obra que vai durar de um ano e meio a um ano e oito meses, mais ou menos, o que nos garantiria a movimentação nesse período transitório. Porque a hora que entrar o contrato de arrendamento definitivo, o de 30 anos, toda essa agonia já se dissipa. As empresas que vêm são com muito poder de fogo e, sabendo do mercado marítimo, não vão dar ponto sem nó. Virão aqui pra Itajaí pra fazer o porto continuar crescendo.


DIARINHO – O senhor comentou sobre a falta de diálogo com Brasília. Agora, com a vitória de Lula, o município de Itajaí pretende retomar a conversa ou já está definida a privatização total?

Marcelo – Nós vamos retomar a conversa. Inclusive, lá em Brasília, também tive a oportunidade de conversar com Décio Lima, que está por lá junto com a Ana Paula. Já coloquei essa pauta, porque não é pirraça, não é nada, a autoridade portuária para nós aqui em Itajaí representa, basicamente, o síndico do prédio. É o síndico do rio Itajaí-açu que vai poder, de forma isenta, organizar esse shopping center marítimo sem privilegiar ou prejudicar ninguém. Para que no nosso rio Itajaí-açu possam florescer novos TUPs, novos portos, novas empresas ligadas à náutica, como estaleiros. Eu recebi essa semana duas empresas - a Isis, antiga Esso, junto com a Petro - que estão se instalando aqui, onde era o estaleiro Isa, para fazer o recebimento de líquidos. Vai trazer uma receita violenta para Itajaí. Então o síndico do prédio tem que ser isento e oportunizar a todos poder crescer. Me preocupa muito um lado só comandar essa avenida. E aí ele se autoprevalece em detrimento dos outros. Depois, tem o ponto de vista do porto-cidade. A nossa cidade aprendeu a conviver de forma harmônica com o porto, mas há um equilíbrio muito pesado, a mão pesada do poder público municipal para manter esse equilíbrio. Libera as avenidas para os caminhões, mas também tenta não engarrafar a cidade. Temos que respeitar. A limpeza, a questão das vias. Todo controle de equilibrar esse porto-cidade é da gestão municipal. Quando tu pegas tudo privado, o cara tá nem aí com a gente. E quem sofre? A população. Então Itajaí entende que, primeiro, o modelo que temos hoje está dando certo. O porto cresce, o porto gera renda, gera riqueza. Tem vários portos no Brasil que estão em estado de miséria, quebrados. Por que não fazer o inverso? Levar esse modelo que é único e que é case de sucesso. Por que destruir aqui? Agora, sempre me chama a atenção que quem tava à frente, muito intransigente na questão desse modelo do governo federal, era o Piloni [Diogo, ex-secretário Nacional de Portos]. Onde está o Piloni hoje? Na iniciativa privada, que é quem tem interesse de arrendar o porto. Me parece que vai lá, ajeita bem o espaço, a casinha, denigre bastante, diz que é tudo muito ruim e depois vem pra comprar. Então, não me parece muito republicana essa intransigência do governo federal, principalmente do Piloni.

 

Secretaria de Portos, Antaq, a superintendência entenderam que  a manutenção da APM seria vital para a continuidade do Porto

 

DIARINHO – Uma queixa da comunidade é que a prefeitura tem iniciado obras simultâneas, mas não tem concluído. Exemplo são os passeios públicos da Praia Brava, a mudança de direção da avenida Marcos Konder e a obra da praça da igreja Imaculada Conceição. Por que não se termina uma obra para iniciar novas?

Marcelo – Esse é um problema sério da gestão pública. A gestão pública tem um rito que é obrigado a ser seguido. Um deles, a licitação. Não escolhemos que empresa vai tocar a obra e nem sempre a gente tem sorte com as empresas que pegam. Tem algumas que são muito velozes. Outras demoram. Outras vêm, começam e não terminam. A Delfim [rua Delfim de Pádua Peixoto] é um exemplo disso. Já teve lá uma ou duas licitações que as empresas que ganharam não concluíram. Acabamos de lançar agora o edital de licitação de conclusão da Delfim. Eu acho que finaliza agora no final de mês, dia 30. Na pracinha da Imaculada e no Marco Zero estamos finalizando ainda antes do Natal. E já demos a ordem de serviço para fazer a praça do antigo Correios. E nós temos prazos. O financiamento do Fonplata tem um prazo para ser gasto o dinheiro. Agora estamos acelerando porque precisamos terminar todas do Fonplata até o ano que vem, no máximo. [2023 ou 2024?] 2024, mas nós queremos acabar elas até dezembro de 2023. São grandes obras. Eu tive lá visitando a via portuária. Resolvemos fazer um plano B, mas que vai resolver bastante. Ela está pronta. Só faltando as calçadas.

DIARINHO – Semana que vem teremos a votação do projeto de regulamentação do estudo de impacto de vizinhança. Quais as expectativas do governo com esse projeto?

Marcelo – Na verdade, temos uma grande apreensão, porque depende do que cada um enxerga por impacto de vizinhança. E o impacto de vizinhança não é isso. São coisas que afetam a coletividade, não a individualidade, como a questão de tamanho, alturas de prédios, se faz sombreamento na praia. Ou aqui no rio, que possa vir a afetar a questão do meio ambiente, da fauna, da flora, enfim. O que me preocupa muito é a gente impedir esse momento que Itajaí passa. [E o novo Plano Diretor vai mesmo ser votado em 2022?] Eu estive cobrando o secretário Lamim com relação a isso. Segundo ele, ali na primeira semana, no mais tardar na segunda semana, do mês de dezembro estamos encaminhando à Câmara. Aí é esperar que a Câmara faça sua parte de aprovar.

DIARINHO – Itajaí tem manifestantes acampados no  em frente à Marinha do Brasil, uma área pública, há mais de 18 dias. Há queixas de que os setores cultural, econômico e turístico são prejudicados porque aquela área ocupa a área do mercado, de restaurantes, e ainda atrapalha o trânsito e a fila do ferry. Como o senhor avalia essa situação?

Marcelo: Bem, vivemos tempos difíceis. O descontentamento por candidato A ou B ter tido êxito ou não nas urnas. O meu, por exemplo, perdeu lá no primeiro turno. Era o Ciro [Gomes]. Nem por causa disso eu fui lá me manifestar porque o Ciro não ganhou, ou achar que as urnas não foram confiáveis. Se eu for contestar as urnas, Santa Catarina deu 70% pro Bolsonaro; 75% de votos pro Bolsonaro. Então está errado? Ou está errado só porque o nordeste não deu esse mesmo percentual? Então aqui no Sul ninguém mandou “urna falsificada”? E já se sabia que o Sul sempre foi muito forte à direita. Pela lógica de Maquiavel, então viria pro Sul essas urnas, para dar uma quebrada nessa conta. Mas não foi. Deu 75%. O Nordeste, é evidente, é de onde Lula vem. Eu acho que a democracia é o respeito às urnas. Se não gostou do resultado, isso não é problema. Na próxima eleição, se reaglutina, faz uma nova campanha, tenta passar uma mensagem mais forte e tenta buscar o poder. Eu tô respeitando a manifestação, tenho recebido muita cobrança de uma interferência mais rígida em cima da manifestação. O problema é que cada vez que parece que as coisas vão se diluindo, alguém lança uma nova energia para dentro da manifestação. Então isso vai retroalimentando essa manifestação. A gente tem visto muita gente pedindo pix. Sempre lembrando do número do pix, onde pode ajudar, “patriota ajuda aqui, o pix é esse”. E já tem gente sobrevivendo disso. Se eu tô ganhando dinheiro, por que eu vou terminar?

 

Vamos torcer para que o novo governo nos abra a oportunidade de discutir o porto de Itajaí

 

DIARINHO – Na quarta-feira houve uma ameaça terrorista na mostra cultural que celebra a comunidade haitiana em Itajaí. O senhor, o prefeito Volnei e a organizadora foram ameaçados. Por que o senhor acredita que SC tem registrado tantos atos racistas, fascistas, nazistas e xenófobos nos últimos tempos?

Marcelo – Eu não digo nem terrorista, eu digo nazista mesmo. Porque ali são palavras graves que são suscitadas na carta. Como questão de raça ariana, que Santa Catarina é um estado de brancos, que não tem lugar para preto, que vamos matar todos se não liberar os nossos companheiros. O que me assusta muito é que hoje vivemos tempos rasos. A rede social proporciona isso. O Ciro já dizia assim: o doidinho do beco sempre existiu. Mas como todo bairro sabia que o doidinho do beco era doidinho, tudo que o doidinho falava não tinha muita repercussão. Hoje, com a rede social, os doidinhos se encontram. Não é mais o doidinho, é uma legião. Daqui a pouco isso começa a se tornar um grande problema. Eu não fiquei preocupado com relação à ameaça, porque a gente sabe que na maioria das vezes cachorro que late não morde. É um processo, justamente, de coletividade, de frases colocadas, desconexas da questão social, de valores. E que um grupo vai se retroalimentando daquilo até um ponto que ele explode e vai para fora. A gente tem que coibir com muita força esse tipo de coisa. Eu passei para a Polícia Federal para que fosse apurado, para chegar em quem começou, porque a gente não pode tangenciar isso. Tem que ser muito enérgico naquilo que extrapola os direitos de liberdade e de valores da sociedade.

DIARINHO – O início do ano será marcado pela eleição na Câmara de Vereadores. O governo terá seu candidato e vai brigar pela disputa da presidência do Legislativo?

Marcelo – Se depender de mim, não. Estive conversando com alguns vereadores que me procuraram, se o governo vai lançar candidato, se não vai lançar candidato. Eu sou da opinião que o Legislativo é um poder independente. A eles cabe fazer a discussão, saber qual dos seus pares vai comandar a casa. Ao Executivo cabe manter o relacionamento político, administrativo, democrático com quem estiver na presidência.

DIARINHO – Está nos seus planos ser candidato à sucessão de Volnei daqui a dois anos?

Marcelo – Eu tô na pista. Quem tá na pista sempre pode ser. É uma construção. Eu venho há tempo, evidentemente, no meio político. Tenho 25 anos só de presidente do partido. Já participei de praticamente quase todas as secretarias. Eu acho que me faltava só estar atrás do balcão da saúde. Mas isso é para dizer que a gente tem já um conhecimento, um olhar em cima de cada pasta. Eu me impressiono com quem se habilita a dizer que “vou ser prefeito” sem nunca ter comandado, nunca ter ido para atrás desse balcão. Ou, pelo menos, estudado, que seja na parte teórica, a questão administrativa. Que é muito diferente, inclusive, da privada. O cara nunca tocou um carrinho de pipoca, mas se acha capaz o suficiente para, do dia para a noite, tocar a vida de todo mundo. Tocar 34 mil alunos numa rede de educação, 2,7 mil profissionais na saúde... Não foi uma ou duas vezes que já me perguntaram se realmente eu estava capacitado para sentar na cadeira de prefeito. Querer sentar, essa é a parte mais fácil. O holofote, o glamour, o orgulho. Quem é que não gosta de ser prefeito da sua própria cidade, onde nasceu? Essa é a parte boa da cadeira. A parte responsável é saber se realmente a gente está preparado o suficiente para, do dia para a noite, tocar. [E o senhor acha que está preparado?] Eu acho que sim, eu acho que eu já tenho pelo menos uma certa experiência, eu sou advogado, me especializei na questão do Direito Público. Tenho uma convivência na questão política que a administração pública também vive esse outro lado, esse bioma entre o administrativo e o político. Todo esse equilíbrio político, esse conhecimento administrativo, jurídico, me faz crer que teria essa possibilidade. O resto agora é saber se eu caio no coração do povo, como dizia o ex-vereador Elói, o falecido vereador Elói. O político que ganha é aquele que cai no coração do povo. Se eu cair nas graças do coração do povo, quem sabe aí sou candidato à sucessão. Senão eu vou para casa, vou para o meu escritório tocar minha vida.

 

Raio X

 

NOME: Marcelo Almir Sodré de Souza

NATURALIDADE: Itajaí

IDADE: 55 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: dois

FORMAÇÃO: formado em Ciências Sociais e em Direito pela Univali

TRAJETÓRIA: foi secretário da Criança e do Adolescente em 1996; ocupou os cargos de assessor jurídico e secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) do governo do estado, foi diretor da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, diretor comercial do Porto de Itajaí e secretário de Assistência Social de Itajaí. Foi diretor do Semasa entre 2005 e 2009 e, pela segunda vez, em 2017. Em 2016 foi eleito vice-prefeito de Itajaí, tendo sido a dupla reeleita em 2020, com 49.888 votos.

 

 




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