Matérias | Entrevistão


Laerte Jacomel

"Estamos buscando o que todo mundo busca: paz de espírito”

Membro da Expedição Pedalando

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]




Há seis dias os empresários Fabrícyo Arccioly Looz, de Porto Belo; Laerte Jacomel e Pedro Franscisco Dellagnello, de Itapema;  Wagner Lúcio de Souza, de Itajaí;  e Rafael Rodrigo de Souza, de Penha, estão vivenciando a Expedição Pedalando, que percorre, de bicicleta, mais de 800 km do caminho a Santiago de Compostela, na Espanha. Nesta quinta-feira, os aventureiros chegam à cidade de Burgos, com 248km percorridos e a 600km de completar o trajeto. Durante a jornada, Laerte Jacomel deu uma pausa nas pedaladas para contar ao DIARINHO como foi a preparação para a aventura e como estão sendo os primeiros dias da realização do sonho de percorrer o caminho místico mais famoso do mundo. À jornalista Franciele Marcon, Laerte contou os primeiros perrengues enfrentados e da energia que sente no trajeto. O dia a dia da aventura pode ser acompanhado na página da expedição no Instagram @pedalando.expedicao, no site e nas redes do @diarinho. As imagens são da Duna Filmes. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere no Portal Diarinho.net ou nas redes sociais.

 

 

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DIARINHO – Vocês deram início no último sábado à Expedição Pedalando. Qual o motivo deste pedal de 800 km pela rota preferida dos peregrinos no mundo?



Laerte: Esta expedição, Pedalando, para Santiago de Compostela, foi uma decisão de um outro passeio que a gente fez. Depois disso, nasceu a expedição. Por quê? Porque a gente está querendo abrir uma discussão sobre o modal pedal, sobre a necessidade de todo mundo entender o quanto é bom, legal e saudável pedalar. Por isso nasceu a expedição. Por isso nasceu este projeto e é aqui que a gente está iniciando [dia 7 de maio] o pedal. Iniciamos [sábado], mas o projeto já começou seis meses atrás.

DIARINHO – Para quem não conhece, você pode explicar mais sobre a história do caminho de Santiago de Compostela?

Laerte: Santiago de Compostela é um caminho espiritual, religioso, que já tem 2 mil anos. Iniciou com os franciscanos. Todo mundo que vem, que busca o Caminho de Santiago, seja o mais tradicional, os peregrinos, ou os bicigrinos, que vieram depois, de bicicleta. Então é uma coisa fabulosa. É um astral bacana. É um estado espiritual muito diferente. Eu penso que o pedal em Santiago de Compostela é um pouco de pedal, é um pouco de esporte, mas buscando um fundo espiritual e religioso também.


DIARINHO – Como vocês cinco se reuniram? E qual a função de cada um no grupo?

Laerte: Tudo começou no ano passado, com três pessoas pedalando para Aparecida do Norte. Fizemos o passeio, o Wagner e o Fabrício. No final, como foi tudo bom, tudo agradável, a gente decidiu fazer esse passeio de Santiago de Compostela. No meio do caminho, encontramos mais um parceiro que foi o Pedro, também amigo nosso, que também ama pedal. Todos gostam de bicicleta. Posteriormente, veio o Rafa. Nosso objetivo é este: pedalar, divulgar e motivar o modal pedal. Estamos buscando o que todo mundo busca: paz de espírito. [Vocês chegaram a dividir as funções dentro da expedição?] Sim, sempre é necessário, porque é difícil uma pessoa assumir tudo. Quando você parte para uma expedição e um projeto, tem aqueles que buscam parceiros, tem os que gostam de mexer com dinheiro, enfim, tudo isso precisa ser organizado. O Rafa organiza toda a logística, preparando, adiantando o caminho para nós. E uns vêm pagando a conta. Como qualquer grupo, e como uma associação, nós montamos a Associação Ciclista Pedalando. Cada um tem sua função, porque senão, não funciona. É preciso estar organizado.

 

A gente não trouxe muita comida, subestimamos o passeio, esse trecho. Nos últimos cinco quilômetros, sentimos que faltou um pouco de alimentação, faltou um pouco de energia por causa disso”

 


DIARINHO – Como foi a preparação para a Expedição? Quantos meses até deixar tudo pronto? Qual foi a parte mais difícil e criteriosa?

Laerte: O projeto nasceu em outubro. De lá para cá houve reuniões e fomos organizando, onde nós queríamos chegar, como a gente iria chegar. Buscamos parceiros, empresas que têm o mesmo objetivo, a mesma filosofia nossa. Encontramos quatro empresas que entraram de cabeça no projeto: a Taroii, de Itajaí, a Allog, de logística, de Itajaí também, Ecil e a Transben, que é responsável pela movimentação de carga da Havan. Essas quatro empresas abraçaram nossa causa e estamos viajando juntos. Fazia parte do projeto a instalação de vários bicicletários na cidade. Depois, nós conseguimos um parceiro também para administrar a parte de mídia social, que também é necessário. Dinheiro também, isso é importante. Tem que ser tudo controlado, tudo arrumado, tudo administrado bonitinho. Tivemos que montar uma associação, uma empresa jurídica, para dar um respaldo legal para a associação e para as despesas. A pior situação disso tudo, da organização toda, foi a logística da viagem. A gente decidiu trazer as bikes, porque tem duas possibilidades: alugar a bike aqui na Espanha, na França, onde a gente começou; e trazer as bikes. Houve um transtorno de bagagem grande, de movimentação dessas bicicletas, mas deu tudo certo.

DIARINHO – Houve muita burocracia para despachar as bicicletas e os equipamentos usados na expedição?

Laerte: Deu perrengue sim. Começando no aeroporto de Guarulhos. Quando a gente comprou a passagem, estava subentendido que as bikes já estavam incluídas, mas não estavam. A gente teve que administrar uma situação meio chata. Mas enfim, tivemos que pagar o excesso de bagagem. Depois é a movimentação de cinco bikes, são cinco caixas de bikes que vieram embaladas. Chegamos no aeroporto do México. Tivemos que pegar as bikes no aeroporto, passar pela alfândega, passar pela migração, com elas nas costas. E depois redespachá-las. Bom, chegamos então a Madri, tivemos que pegar um trem para Pamplona. Aí também, imagina, transportar cinco bikes, cinco caixas. Chegou no trem o cara não queria, o pessoal não queria deixar a gente embarcar. No fim deu tudo certo, com jeitinho, mas foi. Tivemos que arrastar as bikes de noite, em Pamplona, para o hotel. Chegamos em Saint Jean Pied de Port, na França, com um táxi, de Pamplona, com três bikes. O Marquinhos, da Duna Filmes, que está nos acompanhando, foi com duas bikes amarradas no teto do carro alugado.


 

O sentimento é de gratidão, de superação e alegria”

 

DIARINHO – Quais os cuidados que se deve ter ao percorrer de bicicleta mais de 800 km da França até a Espanha? Vocês estudaram o clima e as condições da rota?

Laerte: Por mais que a gente organize, que olhe tempo, olhe rota, olhe trajeto, olhe onde vamos dormir, onde não vamos dormir.... [Sábado] foi um exemplo típico. A gente estava preparado para subir os Pirineus, que é o primeiro dia. Nós pedalamos 25,5 km com uma elevação de 1195 metros. Foi um pedal muito duro. Em alguns momentos que a gente anda pela trilha dos peregrinos, tivemos que desembarcar e subir, porque tinha muita pedra na subida, estrada de chão nas trilhas. Foi bastante complicado. Não dá para prever. A gente previa um pedal duro, se sabia que era duro, mas as condições de tempo [sábado], quando saímos do hotel, estava 9 graus. Foi difícil sair da cama. Mas deu tudo certo. Muito vento, porque quando a gente sobe a 1,2 mil metros de altitude, nos Pirineus, nuvem fechando, cerração e muito vento. Mas chegamos, com tudo bem.

DIARINHO – Houve algum trabalho de condicionamento físico ou alimentar para suportar os 15 dias de pedaladas por trilhas, matas e campos?


Laerte: Não tem como vir para um pedal desse sem se estar preparado. Se preparar fisicamente. Começamos a pedalar já em novembro. Com paciência, com calma. Prevendo subidas, prevendo morros. Com a alimentação, a saúde. É muito importante a gente estar bem de saúde para não correr nenhum risco de chegar aqui e não ter condições de subir. Tivemos que treinar bastante, preparar as bikes. Mesmo assim rolaram uns perrengues com as bikes, umas não funcionaram, outras não queriam mudar de marcha. É bem duro.

 

“Aqui tem cinco loucos, cinco empresários malucos que resolveram fazer e deu certo. É possível”

 

DIARINHO – É verdade que vocês estão  usando as mesmas bicicletas que já usavam para o hobby de pedal? Não são bikes profissionais?

Laerte: Nós trouxemos as nossas bikes, as bikes que nós usamos no Brasil. Nós tínhamos a ideia de alugar aqui, essa era a primeira opção. A gente se preocupou muito com a questão física. As nossas bikes, a gente já pedalava com elas, a gente já está acostumado, banco na altura certa. Alugar aqui seria muito arriscado com a questão da ergonomia da bike. Será que a bike está certa, será que a bike vai ser boa?

DIARINHO – Quantos quilômetros vocês vão pedalar por dia para cumprir o trajeto em 15 dias? E qual é a parte mais difícil dele?

Laerte: Bom, o programa são 15 dias, 15 dias de pedal. Se a gente pegar 840 km divididos por 15, vai dar uns 58, 60 km, em média. Neste caminho, tem várias cidades. Existem vários pontos que nós queremos visitar, de interesse do pedal, de interesse de mobilidade. Alguns assuntos sobre sustentabilidade. A parte mais difícil eu acho que nós vencemos [sábado]. Acredito que o pior já passou. [Com a experiência do primeiro dia, valeu a pena?] Vale, sempre vale a pena. É difícil, empurramos. Isso também é uma coisa, questão de planejamento. A gente não trouxe muita comida, subestimamos esse trecho. Nos últimos 5 km, a gente sentiu que faltou um pouco de alimentação, faltou um pouco de energia. E também não tem no meio do caminho. A pedalada foi muito no meio das montanhas. Teve só um ponto lá embaixo da serra onde a gente tomou um café. E foi acabando. Chegamos lá em cima com muita fome. Mas deu tudo certo.

DIARINHO – Por que começar a expedição por Saint Jean Pied de Port, rota francesa de partida para o caminho de Santiago de Compostela? Teria outra rota diferente?

Laerte: Tem várias rotas. Essa francesa é a mais tradicional, é a rota original. Existe a rota que sai de Portugal, tem uma que sai de Porto, em Portugal. Tem as rotas mais curtas, uma que sai de Pamplona. No entanto, para você poder ser reconhecido como peregrino, ou bicigrino, existe uma credencial, que onde a gente passa, alguns pontos que a gente passa, em hotéis, é feito um carimbo. É bem legal, bastante organizado. O pessoal aqui é muito organizado nessa questão turística. Optamos por fazer esse longo. Mas existem vários. Mas para ser peregrino ou bicigrino tem que ser 200 km. Passou de 200 km você já tem direito a essa credencial.

DIARINHO – Para as pessoas que se inspiraram em vocês e quiserem fazer uma expedição de aventura, qual o investimento mínimo necessário?

Laerte: Bom, vai custar uns R$ 25 mil por cabeça. É o que a gente pretende gastar, o que está dentro do orçamento. Escapou um pouco do orçamento por causa das bikes. O transporte das bikes foi 150 euros cada bike para vir e agora mais 150 euros para voltar. Esse deu uma escapadinha. Mas acredito que com R$ 25 mil faz o passeio bem tranquilo, econômico, né?! Porque, o que acontece, é um passeio muito tradicional, não tem sentido fazer um passeio desse e ficar em hotel cinco estrelas. Não! É albergue.  [Sábado] nós estamos num mosteiro maravilhoso, onde é quarto de 100 pessoas, 80 pessoas, dormindo junto. É essa a filosofia, é essa a vibe do passeio. Você não gasta muito. Uma diária num albergue custa em torno de 11 a 15 euros. Às vezes, com café da manhã junto. Então é barato, é um passeio econômico. O pior é chegar aqui, transporte, avião, preparar a bike. [Você falou dessa coisa religiosa, mágica, que todo mundo fala do caminho. Já sentiram essa energia? É diferente mesmo?] É engraçado, sabe. Particularmente, eu não sou muito religioso. Mas espiritualmente, acho que o fato de você estar num lugar diferente, a região que a gente passou, as montanhas são fabulosas. No meio daquela neblina. É quase impossível você não pensar nisso, você não vir refletindo na viagem. Essa reflexão eu acredito que, entre reflexão e pensamento, eu acho que é uma mudança espiritual, é um trabalho espiritual, não deixa de ser.

 

“Nosso objetivo é esse: pedalar, divulgar o pedal, motivar o modal pedal“

 

DIARINHO – O projeto de vocês também tem uma pegada de sustentabilidade. Quais as ações neste sentido?

Laerte: Nós preparamos uma cartilha com instruções sobre pedal, sobre bike, que foi distribuída em colégios, foi distribuída com as empresas patrocinadoras, por onde a gente conseguiu distribuir. Teve também a questão da instalação dos bicicletários, que essa ação vem em cima do modal pedal. Nós fizemos um bicicletário que tem o desenho de um carro. Fizemos o que: tiramos uma vaga de carro, instalamos um bicicletário com 10 vagas de bike. Para poder motivar, para poder incentivar o modal pedal. Essa filosofia de pedalar é o que a gente quer. Há um grande prazer em pedalar. A satisfação, a qualidade de vida, os benefícios para a saúde são tantos que a gente decidiu abrir um diálogo sobre esse assunto. Podia ser qualquer esporte, mas a gente decidiu o pedal porque é onde se encaixa. Divulgar e abrir esse diálogo sobre o pedal, com sustentabilidade e qualidade de vida.

DIARINHO - Se você pudesse resumir a expedição até agora em um sentimento, qual sentimento seria?

Laerte: Eu acho que é gratidão. Gratidão pela superação. Gratidão aos nossos parceiros, todos os nossos patrocinadores que estiveram com a gente. A Taroii, Allog, Ecil e a Transben. A família - que bem ou mal a gente teve que deixar a família no Brasil. Isso também é difícil, é bastante complicado. Mas o sentimento de gratidão, de superação e alegria. Porque é um sonho também. E sonhar, poder divulgar esse sonho, propagar e dizer que é legal e que vale a pena. Quem acha que é impossível, não é impossível não! Aqui tem cinco loucos, cinco empresários malucos que resolveram fazer e deu certo. É possível. Então eu digo à galera que está assistindo, que está ouvindo, que está lendo, encham os peitos, criem coragem e vão à luta. Vale a pena.

Raio X

NOME: Laerte Jacomel

NATURAL: Paranavaí, Paraná

IDADE: 59 anos

ESTADO CIVIL: Casado

FILHOS: Dois

FORMAÇÃO: Engenheiro Agrônomo

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: seu primeiro trabalho foi como vendedor de joias; em 1986 passou no concurso do Banco do Brasil e trabalhou até 2006, quando saiu para se dedicar à iniciativa privada. Atualmente, junto com os filhos, é dono das empresas Água Rara Artigos Esportivos, Mar Brasil Artigos Esportivos e Wind Bra.

 




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