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Itajaí

Entrevistão com os candidatos à prefeitura de Navegantes (Parte 2)

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]



Navegantes é uma das promessas  de crescimento e desenvolvimento econômico da nossa região. A cidade dispõe de porto, aeroporto, acessos às rodovias federais e uma orla preservada com 12 quilômetros de extensão. Mas também enfrenta problemas com saúde, educação, mobilidade e baixa qualidade de vida ofertada aos cidadãos. Para administrar essa complexa cidade, nove candidatos a prefeito se habilitaram para o pleito 2020 e os eleitores terão que escolher o mais capacitado para a tarefa. Para facilitar a avaliação, o DIARINHO publicou na sexta-feira entrevistas iniciais com Cirino Cabral (Cidadania), George Pinho (PSOL), Liba Fronza (DEM) e Lino Bento (MDB). Já hoje você confere as entrevistas com Mirna Bublitz (Republicanos), Murilo Cordeiro (PSC), Professor Elvis Bucior (PRTB), Roberto Carlos de Souza (PSD) e Valentim Nardelli (Avante). As fotos são de Fabrício Pitella e as entrevistas de Franciele Marcon. Confira os textos e vídeos, também,  em  www.diarinho.com.br e nas nossas redes sociais.  

DIARINHO – Navegantes é a única cidade de SC que dispõe de um porto, aeroporto e de um acesso direto a BR 101, mas que por falta de representatividade política, carece de investimentos do estado e da União. O caso do aeroporto é emblemático, pois houve expectativa sobre uma ampla reforma que seria promovida pela Infraero e depois a notícia de concessão do terminal à iniciativa privada. Só que o edital que prevê a privatização tem falhas crassas, e sequer prevê nova pista. Se for eleito prefeito, o que pretende fazer para reparar isso? 

Mirna: O que está faltando para nossa cidade é gestão. Nós estamos sem gestão há mais de oito anos. Com a abertura do porto em 2007, começou a alavancar a economia de Navegantes. Mas de 2012 a 2020, Navegantes estagnou. Tá faltando gestão. A Mirna e a Helenice, que é minha vice, nós viemos para ajudar a nossa cidade. Nós temos um grande problema que é a falta de um plano diretor. Tá faltando isso há muito tempo. Já foi feito, mas foi mexido. Hoje está com o ministério Público. A primeira coisa que tem que fazer é pegar esse plano diretor e colocar em prática.



Murilo: Navegantes, infelizmente, carece de representatividade. Infelizmente, nós nunca tivemos um deputado, tivemos um período curto um suplente de deputado. Mas nós precisamos aumentar a representatividade, eleger deputado estadual, federal. Nós temos, infelizmente, hoje a questão tanto de aeroporto quanto de porto. Nós temos dentro do estado uma concorrência com outros municípios. Nós precisamos fazer com que Navegantes deixe de ser somente um município dependente ainda de Itajaí, da região e se torne autossuficiente.

Prof Elvis: A gente precisa realmente buscar representatividade e lutar pra que essas oportunidades, essas situações realmente aconteçam junto ao governo do estado, governo federal. É uma questão de responsabilidade do poder executivo buscar recursos, parcerias e aproximação para que a gente tenha essas soluções. Há uma série de elementos que envolvem a infraestrutura, o desenvolvimento, o planejamento da cidade a longo prazo. E é responsabilidade do chefe do executivo dar o norte que a cidade precisa. Navegantes tem um potencial gigantesco, graças a esses elementos, a gente precisa, sim, melhor aproveitá-los.

Roberto: Eu sou o único candidato que tem condições de realmente buscar essa representatividade para Navegantes. Nós temos contato com senadores, com deputados federal, estaduais. Temos como ir a Brasília buscar os recursos. E, sobretudo, lutar por essas bandeiras importantes que é a questão do nosso aeroporto, que é uma grande oportunidade que a cidade tem, um grande potencial. A questão do término das obras da 470 da duplicação e outras obras importantes para Navegantes. Nós estaremos indo a Brasília muitas vezes, estaremos trabalhando muito. Nós vamos fazer esse trabalho para trazermos recursos e obras para Navegantes.


Valentim: Nós vamos buscar junto ao governo federal que se corrija esse edital. Vamos ter que fazer uma pressão, pegar os deputados federais de Santa Catarina, governo do estado, para que a gente não deixe Navegantes ter esse prejuízo de ter um aeroporto, vamos dizer assim, capenga. Nós vamos trabalhar junto ao governo federal, vamos mobilizar toda a comunidade política da região e de Navegantes também para conseguirmos esse intento. Nós vamos buscar uma forma de que o aeroporto seja, uma vez privatizado, mas que seja de acordo com aquilo que já estava planejado. Não é possível retrocesso. Eu acredito piamente no presidente Bolsonaro, na sensibilidade dele. E nós já estamos tendo contato com os órgãos lá e eu creio que vai dar certo.

DIARINHO – Navegantes é uma cidade que se descobriu turística depois do parque Beto Carrero. Até então, era um balneário de veraneio com famílias que investiam em casas na orla. Além da facilidade de ser vizinha do parque temático, o que a cidade oferece de opção turística aos visitantes?

Mirna: Navegantes é mais uma cidade dormitório. O pessoal chega e vem direto ou pra Itajaí, ou pra Balneário Camboriú ou pra Itapema, Meia Praia. Mesmo tendo ali o Beto Carrero. Nós temos pouco a oferecer. Nós temos que trabalhar muito nessa área de hotelaria, restaurante, porque a gente não tem mesmo. Nós sabemos do potencial de Navegantes, mas, está faltando gestão para que possamos ter desenvolvimento. Navegantes só tem um hotel, alguns hotéis pequenos e umas duas pousadas. Mas hotel de grande porte, cinco estrelas, nós não temos. Restaurantes também de grande porte para suprir a necessidade das pessoas que vem pra Navegantes, nós não temos. Nós estamos sofrendo por falta de gestão em Navegantes.

Murilo: Doze quilômetros de praia, um interior maravilhoso. Nós temos o Morro da Pedra que poderia ser utilizado para atividades tanto rural como esportes radicais, asa delta, parapente. Nós podemos tudo isso. Nós temos a questão do bairro São Pedro, que é o bairro onde nasceu Navegantes, que poderia, e deveria, ter um mercado público do pescado.  Temos 12km de praia que são subaproveitados. Nós precisamos de um plano municipal de turismo. Hoje o que tem de turismo é apenas pequenos shows, quando tem. Não há um planejamento estratégico para que Navegantes possa aproveitar esse corredor turístico entre Balneário Camboriú e o Beto Carrero. Precisamos tratar do turismo com profissionalismo.

Prof Elvis: A cidade não oferece atrativos. Hoje talvez nosso principal atrativo seja a própria praia, que não dispõe de uma infraestrutura adequada com banheiros, quiosques, chuveiros, para atender esse turismo. E os próprios molhes, o molhe norte e o molhe sul, também não estão concluídos  ou estão urbanizados. Nós temos carência nesse sentido. E, com todo respeito, o próprio ferry boat acaba sendo um dos principais atrativos turísticos. Eu entendo que o poder público precisa investir, precisa buscar alternativas para fazer essa estruturação. Mas, num primeiro momento, começar com eventos. Se a gente tiver um calendário de eventos periódicos, nacional, talvez, a gente consega trazer o turista, trazer essa população das cidades vizinhas. Esse público que vai a Balneário, que vai a Penha. E aí com o calendário de eventos durante todo o ano, vai atrair mais investidores, seja no caso hoteleiro ou no ramo gastronômico. É todo um conjunto de elementos que precisa ser desenvolvido para que a gente possa fazer o turismo da cidade evoluir.


Roberto: Navegantes tem muitos atrativos, começando pela nossa praia que é linda, a questão dos molhes. Eu quero aproveitar o potencial que temos em relação ao aeroporto e ao Beto Carrero. A nossa ideia é estarmos fazendo uma lei específica para instalação de hotéis, pousadas e restaurantes em Navegantes. Com incentivos para que nós tenhamos esse atrativo, para que as pessoas desçam no aeroporto de Navegantes e se hospedem em Navegantes. Essa vai ser a nossa luta. Eu tenho certeza de que nós vamos ter muitos hotéis, pousadas e restaurantes em Navegantes. Isso vai gerar muito emprego pra nossa população. Nós temos que aproveitar essa potencialidade que é o aeroporto de Navegantes. Precisamos fazer com que as pessoas não só desçam em Navegantes, mas fiquem hospedadas em Navegantes. Por isso a gente vai ter uma lei específica para instalação de hotéis, pousadas e restaurantes para gerar empregos à população.

Valentim: Não querendo falar mal de Navegantes, mas sim das péssimas administrações que ocorreram até hoje. O único objetivo de quem administrou até hoje foi pensar em si e naquele grupinho. Basta dizer que a máquina está inchada. O que a gente vai ter que fazer é gestões voltadas ao turismo. Vamos ter que fazer com que Navegantes, que descobriu a vocação de ser uma cidade turística, que a indústria sem chaminé funcione. Principalmente, a recuperação da praia e os investimentos que tem que se fazer na praia e também na divulgação. Por exemplo, nós planejamos a festa nacional do Construtor Civil e Naval. Isso já vai dar uma alavancada. Quando eu fui prefeito em Laurentino, eu coloquei o município de Laurentino no mapa do mundo graças a Festa do Queijo. E homenageando o nosso construtor civil e naval porque a essência de Navegantes é isso. Um município que nem o nosso, que é privilegiado de toda forma...

DIARINHO – Historicamente as administrações públicas de Navegantes têm sido marcadas por  ações do Gaeco, polícia Civil, ministério Público, inclusive com agentes públicos e políticos envolvidos em escândalos de corrupção. O que o senhor pretende fazer, caso eleito, para evitar casos de corrupção no governo? 

Mirna: Nós temos que colocar a tecnologia dentro da prefeitura, dentro de todas as secretarias, pra que passe transparência. Eu sempre digo, se comprar uma peça lá no setor de obras, eu sempre falo em todas as entrevistas, vai dar de ver que essa peça saiu e quantas ainda têm. Isso se chama transparência. Não adianta falar em transparência e não colocar em prática. É uma lei, na verdade, mas não está sendo cumprida. E no governo Mirna e Helenice, essa lei vai ser cumprida. Nós vamos trazer internet à gestão. Porque hoje eles trabalham com a internet muito fraca. Nós queremos ampliar, com softwares e trazer a tecnologia para dentro da prefeitura, para dar transparência em todo setor administrativo.


Murilo: Tolerância zero com a corrupção. Hoje eu sou um vereador que busco sempre, eu estou no segundo mandato, sempre busquei estar de forma muito coerente buscando as investigações, com denúncias ao ministério Público. CPI, já fui autor e fui relator de uma CPI do Plano Diretor com 193 páginas. Eu vi as coisas horríveis que acontecem dentro do poder executivo. Nós precisamos ter tolerância zero. Pode ser o meu melhor amigo, o meu maior apoiador na campanha. Eu, eleito, fez a coisa errada, sairá imediatamente.

Prof Elvis: A gente precisa dar mais autonomia e liberdade para os órgãos relacionados à transparência e controladoria do município. A gente precisa dar essa autonomia. Eu, por exemplo, na minha proposta de reestruturação administrativa, que eu chamo de uma revolução, realmente, administrativa. Eu acredito que seja muito importante a figura de um corregedor, por exemplo, um corregedor municipal. A transparência é fundamental. A gente precisa realmente abrir as portas da prefeitura, a gente precisa dar mais visibilidade aos atos. A responsabilidade básica, entre várias outras circunstâncias, envolve transparência, envolvem profissionalizar, trazer uma visão mais administrativa. Não se trata de burocracia, se trata de procedimentos, rotinas.

Roberto: A ação da justiça, do ministério Público tem sempre que continuar. O poder público tem sempre que estar disposto a ser fiscalizado. Na verdade, além desses órgãos que você citou, nós temos o Tribunal de Contas, nós temos a própria Câmara de Vereadores. São órgãos que têm o papel de fiscalizar o executivo. E isso é muito positivo. Tem que fiscalizar, tem que estar sempre atento. Nós vamos sempre dar abertura para que os órgãos fiscalizadores tenham o direito, abertura para cumprir o seu dever. O executivo executa, o legislativo legisla e fiscaliza, o Tribunal de Contas é outro órgão que também fiscaliza o poder executivo. E aos demais órgãos, como o ministério Público, cabe a nós fazermos as coisas corretas e deixar que a fiscalização aconteça.

Valentim: O nosso lema é zero corrupção. Transparência total. E a pessoa em primeiro lugar. Quando eu digo zero corrupção, é zero mesmo, sabe? É acabar! Alguém me disse: “Nardelli, você não consegue.” Consigo! Eu sou pós-graduado em administração pública, eu tenho a obrigação de saber os mecanismos necessários para acabar com isso. E é preciso que aquele que se propõe a ser o prefeito, que esteja desarmado da vontade de ter muito. Eu hoje estou bem estabilizado, os meus filhos á tem as coisas deles. Eu não preciso encher o bolso de dinheiro para dinheiro pra eles. Não! Tanto que eu assinei um documento público no cartório de que se eleito for, só receberei 50% do salário de prefeito.

DIARINHO – Navegantes depende de Itajaí pro abastecimento de água. Desde o dia 13 de outubro, o Semasa tem vendido água com altos índices de salinidade. No final de semana, o rompimento de uma adutora em Itajaí deixou Navegantes sem água. O problema ainda se agrava na temporada de verão, quando a cidade abriga turistas e não recebe água suficiente para suprir a demanda. Qual o seu plano para a questão de abastecimento e saneamento, caso seja eleito?

Mirna:  O nosso grande problema, além de tudo isso que eu já falei de hotelaria e restaurante, é a água. Nós dependemos de Itajaí para termos água. A Mirna trouxe um projeto simples, não é uma coisa faraônica. É uma coisa simples que dá de fazer. Eu, na minha casa, não tenho água de Sesan. Porque eu tinha um problema muito grande: eu pagava sem receber, a água não subia até a caixa. Eu sempre ia reclamar. O que eu fiz, eu investi pouco dinheiro na compra de um motor e na mão de obra pra colocar o motor. Gastei pouco. Mas eu não tive falta de água doce agora. Eu quero trazer essa ideia, que é uma ideia simples, que já é uma ideia de antigamente para a realidade hoje. Nós temos em Pedreiras uma bica de água pura. Foi o que valeu em Navegantes. A gente quer fazer o que, colocar motores industriais que captem essa água da terra mesmo. Traga para caixa gigantes e assim distribua. Todos os bairros tenham caixas d’água para a sua própria água e assim nós evitamos de pegar água de Itajaí e usamos a nossa própria água. Uma água pura, uma água mineral.


Murilo: Eu enquanto vereador, ano passado, fizemos uma audiência pública na Câmara Municipal justamente para discutir o tema água. Até a Semasa participou, a Sesan. E o promotor de justiça na época, o doutor Márcio, foi muito incisivo com relação a falta de profissionais técnicos dentro da própria Sesan. Nós precisamos estudar, ou fazer uma autarquia, ou fazer um consórcio intermunicipal. Eu penso até na possibilidade de nós extrairmos água, buscar água no rio Luiz Alves, ou na altura de Ilhota, no próprio rio Itajaí-açu. Pra isso precisa de investimento. E conforme nós já falamos, precisamos de representatividade. Precisamos investir milhões nessa área. E como paliativo são os reservatórios de água. Mesmo que não haja uma movimentação maior em termos de independência da água para Navegantes, nós precisamos investir de forma emergencial em reservatórios d’agua. Fizemos todos os encaminhamentos nessa audiência pública do ano passado, mas, infelizmente, pouco ou quase nada foi feito.

Prof Elvis: São dois problemas históricos. E não é só de uma gestão, isso já é de muitos anos. São problemas que deveriam ter sido resolvidos, ou pelo menos iniciados, na década de 80, 90. Saneamento básico é inevitável. A cidade precisa desenvolver um plano e iniciar esse processo. Criar uma estação realmente de coleta e tratamento de esgoto, se não, como falou em turismo, isso não é desenvolvido. E a questão da água: nós temos que ter a nossa própria estação de captação de água e tratamento. Nós já temos, o município já tem projeto, já tem autorização, inclusive, para fazer captação de água do rio Luiz Alves pra que a gente possa, num futuro não muito distante, ter independência. Então é possível, existe projeto, e com custos relativamente baixos, ao meu ver, e que precisam ser implantados. E eu vou ser franco, eu não sei explicar o porquê até hoje isso não saiu do papel. É uma questão, acima de tudo, de responsabilidade.

Roberto: Quero aqui também retroceder um pouco no tempo. Quando prefeito eu defendi a ideia de que nós precisamos fazer uma concessão dos serviços de água e esgoto de Navegantes. Porque o município não tem condições financeiras de fazer os investimentos necessários. E hoje nós sabemos que nem o governo federal está abrindo recursos para essas áreas. Eu vou continuar defendendo essa concessão, que não foi feita lá atrás exatamente pelos opositores, pela oposição, que se colocou contrária. E hoje esses mesmos defendem essa questão da concessão, para que nós possamos resolver o problema de abastecimento de água e passamos a implementar a questão da coleta do esgoto da cidade. De forma transparente, de forma muito lucida, nós vamos buscar na iniciativa privada esses recursos, fazendo uma concessão dos serviços de água e de esgoto do município de Navegantes. Nós precisamos ter a nossa própria captação de água. Captar ou no rio Itajaí mirim ou no rio Itajaí-açu ou talvez um pouco também no rio Luiz Alves, que teria essa possibilidade também, para que possamos resolver o problema de água de Navegantes e começar a implementar a questão do esgoto que é muito importante pra nossa cidade. Principalmente porque temos 12 km de praia e precisamos cuidar disso com muito carinho.

Valentim: Eu vou lhe dizer que a gente já tem um planejamento, já tem um estudo feito sobre a captação de água do rio do Peixe. Tem viabilidade. Navegantes consumia, pelo menos no ano passado, segundo o engenheiro que fez esse levantamento, 225 litros/segundo de água na alta temporada. Na baixa 175 litros/segundo. A captação lá, do estudo que nós fizemos, nos garante os 175 litros/segundo para baixa temporada. O que nós vamos de repente, num primeiro momento, é ter que comprar na alta temporada 55 litros/segundo. Hoje o Semana fornece 175, e é lógico que ela vai nos fornecer tranquilamente os 55 litros/segundo para termos água suficiente. Se precisar mais, a gente compra. Mas nós vamos ter os nossos 175 litros/segundo nosso, de Navegantes. Estudo um modelo de licitação pública, pra já no dia 2 de janeiro lançar a concorrência para a construção da tubulação que traga da estação de tratamento. É simples, não é muito dinheiro. Com 50% do que um prefeito desviou, R$ 16 milhões, dá pra nós termos água própria.

DIARINHO – Navegantes enfrenta problemas crônicos na questão de mobilidade urbana. O pri-meiro dificultador é o ferry boat, instalado no centro da cidade. O projeto de um túnel ou de uma ponte nunca saiu do discurso político. A cidade cresceu sem planejamento, isso implica em ruas estreitas, becos e servidões, calçadas sem qualquer tipo de padrão ou acessibilidade, ruas esburacadas e um acesso vergonhoso ao aeroporto de Navegantes. Como melhorar a mobilida-de para pedestres e ciclistas e resolver a questão dos arredores do ferry? 

Mirna: Um grande problema também. Se acontece algum acidente na BR 101, algum acidente na BR 470, todo mundo quer desviar por Navegantes. Isso dá um problema muito grave no bairro que moro, que é o bairro São Pedro. Moro bem mais lá dentro, que é o Pontal, bem onde os navios fazem a volta. E isso gera um grande problema pra quem mora lá. Se precisar comprar um remédio na farmácia, porque o nosso bairro não tem farmácia, não tem como. A gente tem que pedir licença porque os carros fecham a via de acesso ao bairro. O que que temos que fazer? Contratar uma equipe técnica de trânsito. Existe em Curitiba, existe em São Paulo. São técnicos que mapeiam toda a cidade, fazem alargamento, fazem bolsão, mudam via, se precisar de viaduto fazem. Mas hoje é necessário, não dá de esperar mais dois, três anos pra isso acontecer. Tem que acontecer logo, já na gestão de 2021.

Murilo: Também já fiz audiência pública com relação a mobilidade. Em 2013 nós fizemos. Fizemos no início do ano essa discussão sobre o entorno, sobre as filas do ferry boat. Infelizmente, o município não tem uma solução. Há uma discussão, não estou sendo militante dessa proposta, mas há uma discussão por parte da empresa de uma terceira rampa ali do lado da prefeitura. Até pagando aluguel pro município, naquele terreno onde temos o estacionamento da prefeitura. Há essa discussão, até pra desafogar a questão das filas do ferry boat. Nós precisamos criar também um plano municipal de mobilidade e acessibilidade. Eles fazem, por exemplo, piso podo tátil onde a pessoa bate na parede. Eles levantam a calçada 20, 30 centímetros e o ponto de ônibus fica, eles não levantam o ponto de ônibus. Então bate com a testa lá no teto do ponto de ônibus. Isso é um amadorismo muito grande que nós enfrentamos. E, para acessibilidade, por exemplo, nada melhor que uma pessoa que é deficiente, principalmente visual, ou um cadeirante, que possa estar ajudando nos projetos. Fiscalizar...

Prof Elvis: É uma questão de planejamento urbano. E isso é uma das principais dificuldades que as últimas gestões têm apresentado. Soluções de curto prazo ou imediatistas que não dão consistência ou pelo menos não orientam a cidade para o desenvolvimento. A cidade com 83 mil habitantes, e vai a 100, vai chegar a 130, vai chegar a 160 mil habitantes. A gente precisa de planejamento, um bom plano de mobilidade prevendo tudo isso e que seja executado. Essas questões relacionadas a mobilidade devido ao ferry boat, o sonho seria que nós tivéssemos não só uma, mas mais passagens e sem limitar ou prejudicar a nossa atividade naval. Por isso eu acredito que, talvez, nós estejamos muito mais próximos de ter pontes marginais, por exemplo, na 101, que vão fazer com que muita gente que, simplesmente passa por Navegantes,  por causa da travessia e não porque quer estar em Navegantes, efetivamente  não venha ao centro. É preciso investimento, mas acima de tudo e primeiro, planejamento.

Roberto: Eu quero assumir um compromisso com a população de Navegantes de mudar a fila do ferry boat. A fila não passará mais pelo centro da cidade e muita menos pelo bairro São Pedro. Nós também teremos um compromisso de estar padronizando as calçadas do nosso município. Implantando uma rede e ciclovias para fazer da bicicleta um importante meio de transporte. E também pavimentar com asfalto as principais ruas e avenidas do município de Navegantes. Esse é o compromisso de Roberto e Cidinho para melhorar a mobilidade da nossa cidade.

Valentim: Tem que ser uma ação decisiva e corajosa. De investir o dinheiro corretamente, acabar com toda espécie de corrupção e ter dinheiro pra isso, entendeu? Quanto a questão propriamente da travessia, o nosso projeto prevê a construção da ponte. E ela sai do papel, sim. Alguém me disse:  “mas vai buscar dinheiro aonde?”. Nós vamos economizar, nós vamos reduzir, por exemplo, de 17 secretarias para oito secretarias. Como pós graduado em administração pública, eu tenho certeza de que com oito secretarias você toca. Isso diminui os gastos violentamente. E acabaremos com 299, 300 cargos em comissão que tem, no máximo nós vamos manter, vamos ter uma centena, no máximo. Eu creio que, pela experiência com 70, 80, cargos de comissão, nós haveremos de tocar a prefeitura tranquilamente. Ainda mais hoje com a internet, tudo é muito fácil. Com relação a mobilidade urbana, nós vamos cumprir à risca o que a lei determina. Nós vamos fazer as ciclovias, fazer de forma diferente, fazer com que funcione, não pra todo mundo atrapalhando todo mundo. E melhorar as ruas, porque as nossas ruas realmente são de traçado sem igual, que nem diz o nosso hino.

DIARINHO – Navegantes nunca conseguiu lançar o edital para o transporte público. Em 2019 chegaram a ser feitas audiências para discutir a concessão, mas até hoje a concorrência pública não saiu do papel. Isso implica em outros problemas como falta de abrigos de ônibus, itinerários falhos, falta de mobilidade para a população. Qual a sua proposta pra que a cidade tenha transporte público?

Mirna: Eu moro há 53 anos em Navegantes, nunca teve, na verdade. Sempre tem a intermunicipal, que é entre um e outro, Piçarras-Navegantes, e assim por diante. É por lei garantido o transporte público, é por lei garantido à população. Mas em Navegantes não é respeitada a lei. Não é. A Mirna traz um projeto de abrir licitação para vans. Ônibus também. Para que tenha, porque hoje nós temos pessoas de idade, pessoas grávidas, pessoas de cadeiras de rodas que precisam desse meio de locomoção. Nós estamos falando da população no geral, que não tem carro. Nós sabemos que hoje com a pandemia muita gente comprou uma bicicleta nova, comprou patinete, bicicleta elétrica. Deu jeito para conseguir chegar ao trabalho. Mas o transporte público é garantido por lei e no governo da Mirna vai ter transporte dentro dos bairros. Porque não adianta só tu passar nas ruas gerais. Nós temos bairros que as pessoas têm que se deslocar 2 km andando para chegar na rua José Juvenal Mafra para pegar o ônibus e chegar no centro. Então nós temos sim que abrir licitação e resolver o problema de transporte público.

Murilo: Infelizmente, desde 2012 nós não temos um transporte municipal. O que tem hoje é um transporte intermunicipal. Navegantes-Ilhota, Piçarras, Luiz Alves. Nós temos esse transporte que é precário. Hoje nós precisamos fazer um estudo, mas um estudo pé no chão. Nós temos várias possibilidades de, por exemplo, você transformar o transporte coletivo. Por exemplo, com transportes menores como vans ou micro-ônibus. Onde a pessoa, por exemplo, que mora lá no final na rua José Lino Rocha, no final da Meia Praia. Se ela quiser pegar um ônibus, vai ter que andar 3, 4 km até praia para ir pra Piçarras ou pra ir pro Gravatá. Não tem condições. Nós precisamos oxigenar esse transporte nos bairros da cidade, todos os bairros. E, nós só vamos ter isso a partir do momento que tivermos um plano de transporte com pé no chão. Nesses estudos houve um projeto muito audacioso com ônibus com acessibilidade, com os terminais. Só que ainda não é possível, porque a empresa não tem capacidade de bancar uma passagem muito cara sem o subsídio do município.

Prof Elvis: Nós precisamos encontrar um modelo relacionado a um circular. A gente precisa ter esse transporte urbano municipal com alternativas que não envolvem simplesmente grandes ônibus, podem ser veículos menores. Mas a gente precisa desenvolver esse sistema. Tem ruas que as pessoas têm que andar quilômetros, quilômetros para poder chegar num local que não existe nem realmente um ponto de ônibus. Porque justamente o nosso serviço é prestado por uma companhia intermunicipal. Então a gente precisa ter um terminal, que eu acredito ser importante, um interestadual, às margens da 101, é uma ideia que a gente tem. E paralelo a isso desenvolver, ter uma licitação, um processo licitatório para que a gente possa contratar esse serviço de circular no município. É possível, é necessário, mas é preciso esforço para que aconteça.

Roberto: Nós temos várias propostas. Eu acredito que a gente vai ter que trabalhar com transporte coletivo junto com o transporte intermunicipal. Porque as nossas cidades são interligadas. É impossível hoje tu falar de Navegantes sem falar de Penha e Piçarras. Falar de Navegantes sem falar de Luiz Alves e Ilhota. Acredito que a solução do nosso transporte coletivo passa também pelo transporte intermunicipal. Acredito que nós vamos ter que fazer um consórcio para trabalharmos a questão. Nós precisamos construir uma rodoviária em Navegantes. E nós temos, sem dúvida nenhuma, condição ímpar, pelo fato de termos duas BRs que cortam o município. As margens da 101 e ali com a 470 nós vamos trabalhar em conjunto com a iniciativa privada para buscarmos um terminal rodoviário para Navegantes. E uma outra alternativa seria nós termos vans para atender os bairros. Vamos buscar uma alternativa legal para implementar esse serviço de vans no município.

Valentim: Nós temos modelos muito eficientes, muito cômodos de pontos de ônibus. Isso já é determinação. Quanto ao edital, eu já tenho dito em diversos meios de comunicação e diversas reuniões domiciliares, que não tenham dúvida, que nós vamos sim lançar o edital para até mais que uma empresa de ônibus, para que nós tenhamos o transporte tipo circular. Que nem tem em Blumenau, que nem tem em Rio do Sul. Em todos os bairros de Navegantes. E de uma forma que sejam  horários bem próximos de passagem desses ônibus. Porque hoje em dia tudo é tão rápido e não se tem mais tempo para perder num ponto de ônibus.

DIARINHO - Navegantes ficou abaixo da média nacional, nos anos iniciais, quando observados os índices do Ideb na educação. Já nos anos finais e no ensino médio, a cidade ficou acima da média. Por que há dificuldade em prestar uma boa educação nos anos iniciais, justamente os que permitem a alfabetização das crianças? Falta de vagas em creche é outra reclamação. Quais as suas propostas à educação?

Mirna: A falta de creche é um dos grandes problemas não só de Navegantes, acho que no Brasil. Mas é garantido por lei também. E o governo federal ajuda sim. Ele faz creche desde que tu mostres um plano palpável. Eles fazem tudo, desde a construção, até mesmo móveis, tudo eles te dão acesso. A Mirna não só vai construir creche para atendermos alunos, as crianças na creche, como vai alternar o horário de creche. Porque é impossível que no século 21, mães que trabalham, geralmente até 19h, e a creche vá até às 17h30. Não tem como. Quem vai buscar as crianças na creche? A Mirna vai criar, além de creches, o horário até às 19h30. E também pra mãe que trabalhe no sábado pelo menos até às 14h. A gente vai sentar, vai chamar a secretaria da Educação, vai elaborar um plano especial para creche e trazer tecnologia para dentro das salas de aula. Porque depois dessa pandemia, amada, a educação vai ter que ter outro olhar. Nós temos um quadro de professores bom, só falta mesmo motivar.

Murilo: A nossa proposta é que a educação tenha uma gestão democrática e participativa. Precisamos discutir educação com os nossos profissionais e também com a comunidade escolar, com os pais e alunos. Vamos fomentar espaço de leituras para as nossas crianças. Vamos buscar que a educação tenha um acesso mais fácil à informática e que as crianças tenham acesso a esse novo mundo que está ao nosso redor. Há necessidade da formação dos nossos profissionais para que a educação melhore ainda mais. Nós vamos trabalhar com esse intuito, tentando sempre aproximar a comunidade escolar, os pais, a escola. Quando há essa parceria, a educação melhora. Com relação a vaga em creche, vamos ter que obrigatoriamente criar novas vagas. Se eliminarmos desperdício no orçamento do município, gastos desnecessários de outras secretarias, e aplicar principalmente na área da educação.

Prof Elvis: A educação em Navegantes sofre com politicagem, com todo respeito e cuidado, mas ela sofre com isso. Com negociação de cargos, pessoas sem qualificação assumindo responsabilidades como direção, por exemplo. Isso acaba fazendo com que simplesmente o ensino na educação infantil, assim como isso também pode se acabar a longo prazo se refletindo nos anos finais, acaba ficando solto. Nem os alunos estão sendo efetivamente avaliados ou tendo seu desempenho efetivamente avaliado, assim como muitos educadores não são acompanhados ou controlados. Não se trata de controle, mas se trata de acompanhamento. Para que eles possam ter condições de fazer o seu trabalho e pensar em aprendizagem e não em política como tem acontecido. A  gente precisa, até em relação a questão de vagas, a gente precisa começar a pensar em soluções a longo prazo. Hoje nós temos casas que são alugadas para comportar uma unidade de educação infantil. Isso não pode acontecer. A população vai continuar aumentando e o município tem essa responsabilidade. Pra finalizar minha fala, plano municipal de educação. Enquanto ele não tiver mais próximo, coerente e realista com os seus indicadores e suas metas sendo acompanhadas, infelizmente, vai ficar solto como sempre esteve. A gente precisa trazer conteúdos para grade em relação a moralidade, cidadania e até patriotismo. Esses elementos podem contribuir.

Roberto: Eu queria que você depois colocasse os dados do meu governo, como era a educação em Navegantes quando eu era prefeito, até 2016. Porque o nosso Ideb, no meu governo, teve uma subida muito significativa. E, infelizmente, nos últimos quatro anos, nós retrocedemos. O nosso Ideb caiu. É voltar aquilo que o Roberto fazia na educação de Navegantes: é investir, é cuidar com amor da nossa educação. Porque é o que nós temos de mais importante pra fazer. Eu sou o prefeito da educação, vou voltar a fazer aquele trabalho que nós fizemos. Tanto no ensino fundamental, recuperando o IDEB da nossa cidade, a qualidade do ensino da nossa cidade. O povo de Navegantes sabe que eu sei fazer isso. E nós vamos voltar a abrir vagas de creches, como eu abri nos meus dois governos. Não tinha falta de vagas. Infelizmente, o governo atual não investiu na educação, não abriu novas vagas. Vamos abrir novas creches, vamos ampliar as creches existentes. E, sobretudo, vamos dar muita atenção à educação, tratá-la com muito carinho.

Valentim: Gastar o 25% constitucional, mas gastar investindo. Investindo corretamente. São R$ 250 mil por dia. Tudo bem, tem 54 escolas, mas estão caindo. E com economia, cortando toda espécie de gasto e zerando a corrupção, você faz muito pela educação. Nós vamos reformar as escolas, não há dúvida. E o nosso projeto vê psicólogos e assistentes sociais atendendo integralmente. Implantar, por exemplo, no bairro São Paulo, o ensino médio, o segundo grau. Um programa efetivo de creches em todos os bairros. Inclusive em três turnos, que é muito necessário. Mas não só isso. Aí tem a valorização do professor, como todo servidor, é claro. Cursos aos professores, uma merenda escolar digna. Veja que teve uma escola, segundo me informaram, que os professores tiveram que comprar papel higiênico porque o município não supriu. É uma brincadeira, né?!

DIARINHO – A saúde de Navegantes sempre foi objeto de queixas da comunidade, mas o quadro piorou muito após a pandemia de covid. Há relatos de espera de mais de seis meses para uma simples consulta com especialista. Falta de equipamentos e negligências custaram a vida de bebês e adultos no hospital de Navegantes. A UPA do Gravatá nunca foi entregue, estruturas de postos de saúde, como a policlínica de Machados, necessitam de reformas. Como mudar o quadro caótico da saúde na cidade?

Mirna:  O que me trouxe hoje à política, foi um problema gravíssimo que houve na nossa saúde pública em Navegantes. Após a mãe ter levado a sua criança uma vez no hospital, uma segunda vez, ela veio a falecer na fila do ferry boat. Isso me deu uma explosão de sentimentos, de raiva, de revolta. O que que a Mirna e Helenice querem trazer pra saúde de Navegantes? Uma ala infantil equipada e com especialistas. Não somente trazer uma ala, mas especialistas na área infantil, equipamentos. Terminar o hospital que ainda não foi terminado.

Murilo: Economizando recurso. Eu vou economizar em subprefeitura. Subprefeitos na cidade custam R$ 1 milhão por ano. Esse dinheiro pode perfeitamente ser dedicado à saúde. Teve um colega meu, esses dias atrás, que falou que esperou seis anos por uma consulta com oftalmologista. Isso, me desculpa, não é problema financeiro, porque o município arrecada um milhão de reais quase por dia. Não fazem porque não querem. Falta planejamento, falta humanização, falta trabalhar estratégia da saúda da família, precisamos trabalhar a prevenção. Precisamos terminar essa UPA do Gravatá que é um absurdo. Nosso hospital foi promessa de campanha do ex-prefeito, do atual prefeito e até agora nada foi feito. 

Prof Elvis: O que a gente precisa é de administração. Enquanto nós não trazermos os conceitos de planejamento, organização, direção e controle para todas as áreas, inclusive a saúde, isso não vai acontecer. Os recursos são limitados, sim, mas Navegantes precisa assumir esse protagonismo. Você está sendo realmente tranquila em relação a prazos de seis meses, na verdade são prazos muito maiores, de anos. Pessoas que acabam falecendo. Não há gestão. Inclusive com filas, as pessoas não sabem em que posição elas estão, não se tem informação de qual é a capacidade efetiva de atendimento do município para cada especialidade. O próprio hospital está anos em obras e o número de leitos continua o mesmo de 10, 15 anos atrás. 

Roberto: Eu quero assumir um compromisso com o povo de Navegantes de que a saúde vai ser a prioridade absoluta. Vamos terminar as obras do hospital, colocar mais médicos e implantar um centro de imagens. Vamos melhorar e ampliar o atendimento nas unidades básicas de saúde. Vamos abrir quatro policlínicas. Uma em Machados, que eu já construí, e a gente vai estar ampliando o atendimento. A UPA do Gravatá vai ser transformada numa policlínica. Vamos construir uma no centro e vamos construir uma no interior. Cada policlínica dessa vai ter o clínico geral, a pediatra, o ortopedista e o ginecologista. Além disso, a farmácia municipal e  parte odontológica. Quando eu assumir a prefeitura, nós vamos lançar um mutirão para exames. 

Valentim: A saúde de Navegantes está na UTI. A primeira coisa que nós temos que fazer é dar um jeito de não deixar ela morrer, porque se bobear ela morre. Nós vamos, com certeza, dar todos os esforços para que primeiro não falte remédio. O falecido Tancredo Neves nos deixou um legado. Ele dizia o seguinte: em uma nação, e isso vale pra Navegantes como município, em que tiver uma só pessoa sem saúde, sem pão, sem teto e sem letra, e eu acrescento, sem segurança, toda a prosperidade será falsa. 

 

DIARINHO – A senhora e a sua vice formam a primeira chapa pura de mulheres à majoritária. A senhora não tem experiência na política, mas o seu pai foi vereador por três legislaturas. Acha que o machismo pode prejudicar uma chapa de mulheres? Está preparada para governar Navegantes?

 

 

Mirna: Preparada eu estou, graças a Deus, porque eu não sou corrupta. Eu prezo muito as pessoas e o dinheiro público. Isso é muito importante, não mexer naquilo que não é teu. Navegantes hoje necessita de alguém que tem essa visão. O eleitor me dar uma procuração em branco para que eu possa governar pra ele. Ele tem que confiar muito em quem vai votar. Porque são quatro anos que a pessoa vai ficar gestor e trabalhando pelo município. Ele tem que confiar em quem ele vai dispor R$ 360 milhões anualmente. Tem que ser uma pessoa honesta. Sobre os homens, eles estão apoiando a minha campanha. Eles também querem mudanças. Eles, como são filhos e vem essa habilidade que a mulher tem, a mãe tem... Levantando de manhã, fazendo café, botando roupa na máquina, fazendo almoço e levando criança pra escola e ainda estando bonita pro marido... Eles estão apoiando a minha candidatura sim.

DIARINHO - O senhor foi um vereador combativo na câmara. Foi filiado por 22 anos ao PT, mas saiu do partido e se filiou ao PSC. O seu vice é do Democracia Cristã. Sua estratégia ao mudar de partido foi se aproximar do eleitorado mais à direita e conservador? O senhor acha que seus antigos eleitores vão lhe acompanhar na candidatura à majoritária?

 

 

Murilo: O que aconteceu com o PT a nível nacional é algo que não está no meu alcance a nível municipal. Sempre tive uma conduta junto à comunidade. Eu sou do povo. Tenho a caravana da Cidadania aonde nós rodamos todos os bairros da cidade com a minha tenda. Isso é democracia participativa. O PT, infelizmente, tomou caminhos e enfrentou muitas dificuldades. Nosso eleitorado, ele, em hipótese alguma, admitia que eu continuasse no PT. Apesar de ser o vereador mais votado da história da oposição. Eu tomei esse rumo, não visando ser direita ou ser esquerda, aprendi que o melhor caminho a seguir é o caminho do meio. Quando eu falo que é o caminho do meio, não é centrão não, que eu não gosto. O caminho do meio é aquele onde você extrai algo positivo da esquerda, algo positivo da direita, exclui algo negativo da esquerda, exclui algo negativo da direita. Eu consigo ter uma visão muito mais ampla. As pessoas que sempre estiveram comigo, mesmo com ideal de esquerda, grande parte está comigo. As pessoas de direita estão comigo. Eu sempre fui assim, um político que consegue abraçar parcelas, sou muito eclético, sem radicalismo. Mesmo estando no PT nunca fui radical e na direita nunca serei. No caminho do meio eu tenho liberdade de trabalhar e mudar a vida das pessoas.

DIARINHO - O senhor é professor e tem um vasto currículo acadêmico, formado em administração, pós-graduado em Gestão financeira, em Marketing Empresarial, além de Mestre em Administração. Escolheu se filiar ao PRTB motivado pelo fato de ser o partido do vice-presidente da república, o General Hamilton Mourão. O senhor é diretor de finanças na câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, onde também foi diretor de Gabinete da Presidência e Assessor Parlamentar. O senhor mora há sete anos na cidade. Está preparado para governar uma cidade tão complexa como Navegantes?

 

Elvis: Moro há sete anos em Navegantes, mas trabalho desde 2006, há 14 anos. Me sinto preparado porque eu recebi oportunidades no poder público e que me permitiram saber como efetivamente as coisas acontecem. Mas é um aprendizado. A gente está sempre aprendendo e evoluindo. Eu recebi um convite, na verdade, para ser candidato a prefeito. E eu aceitei esse convite porque eu sempre defendi que as pessoas precisam participar, precisam se envolver. Não é uma questão de querer, é uma questão de entender que é necessário. Se eu puder colocar em prática ou poder trazer e contribuir de alguma forma com a cidade, com essas experiências que eu tive, com o conhecimento, será uma grande vitória. Os problemas são gigantescos e há muitas limitações. Mas com administração, com a prática da administração, nós conseguimos fazer uma revolução, conseguiremos fazer uma revolução na cidade.

DIARINHO- O senhor, seu irmão Jonas e outros ex-secretários do seu governo foram presos pelo Gaeco, no final do ano passado, na operação Cidade Limpa, que apura o envolvimento de um grupo criminoso que teria criado várias empresas para concorrer entre si em licitações em Navegantes, Itajaí e Penha. Só em Navegantes, os contratos, entre 2015 e 2019, superaram o valor de R$ 16 milhões. O senhor responde o processo em liberdade e não foi condenado e nem absolvido pela justiça. Como pretende convencer que um eventual governo seu não será palco de mais escândalos de corrupção?

Roberto: Até hoje, com todo esse trabalho que foi feito, não ficou constatado nada contra o Roberto. O Roberto não tem nenhuma acusação clara contra ele. Nós fomos até lá e retornamos para casa. Não ficamos lá [prisão] exatamente porque não tinha nada. Foram até minha casa, levaram documentos, levaram meu celular. Fizeram a investigação e nem no meu celular, ou em nenhum documento, tinha irregularidade. No final desse processo, eu vou ser inocentado. Talvez esse tenha sido o momento mais duro da minha vida. O momento mais sofrido pra mim e pra minha família. Eu não gostaria nunca de ter passado por um momento desse... Infelizmente passei. Mas sou inocente, vou provar a minha inocência e no final, aqueles que me acusaram, ou que me acusam, vão ter que voltar atrás e dizer: “realmente, o Roberto não tinha culpa nenhuma. Foi uma grande injustiça o que foi feito contra ele”. O tempo dirá. Eu tenho paciência, eu tenho tranquilidade, eu tenho serenidade para provar a minha inocência. Pelo andamento da campanha, pelo que eu vejo nas ruas, pelo carinho que a população tem para comigo, a população sabe que eu sou inocente, e está comigo. Eu vou ganhar a eleição, vou fazer um grande trabalho por Navegantes. Esse é o meu compromisso.

DIARINHO- O senhor já foi prefeito de Laurentino. Tentou ser prefeito de Navegantes em 1999, mas não teve sucesso naquela eleição. Em Navegantes, o senhor chegou a assumir como suplente de vereador em 2017. É advogado e agora busca novamente concorrer ao executivo de Navegantes, com uma chapa pura do Avante. O partido é pequeno na cidade e o senhor decidiu concorrer em chapa pura. Além de reduzir a chance de votos, não é um risco de, em uma eventual, vitória sua, ficar isolado e sem apoio da câmara?

Valentim: Não, não, não tenho preocupação quanto a isso. Porque? Porque a gente vai apresentar projetos bons. Por exemplo, já no dia 1º de janeiro eu vou mandar uma medida provisória visando melhorar o atendimento do município, por exemplo, na Apae, na Ama, naquela instituição dos animais, no bombeiro Voluntário. Já no dia 1º vou assinar uma medida provisória para poder dar uma valorização para esse pessoal que faz um grande serviço na comunidade. Duvido que os vereadores vão contra, entendeu? Eu fui candidato em 2000 e 2004 em Laurentino. Veja bem: eu enfrentei naquela eleição, nós éramos seis candidatos. Eu só perdi para o seu Deba, que é uma fábula na política de Navegantes. Só perdi pra ele, fiquei em segundo lugar. Agora são nove candidatos. Eu dizia pros outros, pra não deixar aqueles que já meteram a mão no dinheiro voltar. Venham comigo, que eu tenho experiência, sou pós graduado em administração pública, juntos nós não vamos permitir a volta desse pessoal. Mas daí cada um achou que não, mas o Nardelli não, o Nardelli já foi duas vezes. Eu quero tanto ser prefeito de Navegantes e eu vim para ser prefeito. E quero pedir uma chance para esse povo, para eu mostrar a capacidade que eu tenho em função do que eu aprendi nos bancos da escola, sobretudo sobre administração pública.

Mirna Bublitz (Republicano) https://vimeo.com/474022909

Raio X

NOME: Mirna Bublitz (Republicanos)

NATURAL: Navegantes

IDADE: 53 anos

ESTADO CIVIL: casada FILHOS: duas

FORMAÇÃO: pedagogia, cursando Processos Gerenciais, Gestão Pública e Filosofia

TRAJETÓRIA POLÍTICA: concorre pela primeira vez a um cargo público

Nós estamos sem gestão há mais de oito anos” - Mirna Bulblitz (Republicanos)

  Murilo Cordeiro (PSC) https://vimeo.com/474024521

Raio X

NOME: Murilo Cordeiro (PSC)

NATURAL: Joinville

IDADE: 45 anos

ESTADO CIVIL: casado FILHOS: um

FORMAÇÃO: bacharel em Direito

TRAJETÓRIA POLÍTICA: eleito duas vezes vereador, em 2012 e 2016

Precisamos investir em reservatórios d’agua” - Murilo Cordeiro (PSC)

  Prof. Elvis (PRTB) https://vimeo.com/474021278

Raio X

NOME: Elvis Roni Bucior (PRTB)

NATURAL: Xanxerê

IDADE: 38 anos

ESTADO CIVIL: casado FILHOS: uma 

FORMAÇÃO: Mestre em Administração, pós-graduado em Marketing Empresarial, Gestão Financeira e Docência no Ensino Superior. Bacharel em Administração com habilitação em Marketing.

TRAJETÓRIA POLÍTICA: concorre pela primeira vez a um cargo público

A gente precisa ter transporte urbano sem envolver grandes ônibus” - Prof. Elvis (PRTB)

  Roberto Carlos (PSD) https://vimeo.com/474026048

Raio X

NOME: Roberto Carlos de Souza (PSD)

NATURAL: Itajaí

IDADE: 53 anos

ESTADO CIVIL: casado FILHOS: dois 

FORMAÇÃO: bacharel em História

TRAJETÓRIA POLÍTICA: secretário do Desenvolvimento Social em 2001; vereador de Navegantes em 2004; secretário de Educação em 2005 e 2006; eleito prefeito em 2008 e reeleito em 2012

A fila do ferry boat não passará pelo centro e São Pedro” - Roberto Carlos (PSD)

  Valentim Nardelli (Avante) https://vimeo.com/474027513

Raio X

NOME: Valentim Nardelli (Avante)

NATURAL: Rio do Oeste

IDADE: 65 anos

ESTADO CIVIL: casado FILHOS: dois 

FORMAÇÃO: Direito e pós-graduação em Administração Pública

TRAJETÓRIA POLÍTICA: prefeito de Laurentino 1989/1992; foi candidato a prefeito de Navegantes em 2000 e 2004, primeiro suplente de vereador de  Navegantes

 A saúde de Navegantes está na UTI” - Valentim Nardelli (Avante)

     




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