Itajaí

Alunos estaduais recuperam o tempo perdido enquanto os municipais aproveitam as férias

Alunos da rede municipal estão curtindo as férias, mas têm milhares de estudantes da rede estadual dando duro em aula

Acordar mais tarde e passar o dia sem preocupações com o dever de casa ou as provas da escola. Esta é a vida que Tayla Vitória, de oito anos, tem levado desde a semana passada, quando começou o recesso escolar de julho, no centro Educacional Municipal Vereador Santa, no Balneário Camboriú. Somando os alunos da rede municipal de ensino de Itajaí, Camboriú, Navega e Balneário, são mais de 44 mil estudantes de pernas pro ar até agosto. Uma realidade bem diferente da gurizada da rede estadual de ensino, que precisou voltar a estudar na mesma semana em que os amigos de outras escolas saíram de férias.

Durante esta semana, Tayla, que estuda na 3ª série do ensino fundamental, conta a alegre rotina de uma estudante de férias. “Eu acordo um pouco mais tarde, depois brinco até a hora do almoço. Aí ...

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Durante esta semana, Tayla, que estuda na 3ª série do ensino fundamental, conta a alegre rotina de uma estudante de férias. “Eu acordo um pouco mais tarde, depois brinco até a hora do almoço. Aí eu descanso um pouco vendo desenho e volto a brincar de tarde até o lanche. De noite, eu também brinco um pouco mais”, diz a filha da manicure Mariza Stentcoskvi, 34. A mãe entrega ainda que a filha se diverte ajudando a vender cosméticos e até se deu ao luxo de recusar viajar pro interior pra visitar a avó. “Ela adora brincar na loja. Até consegue vender bastante e nem quis ir ver a avó em Piratuba”, brinca a mami.

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Se divertir nesta época do ano, como a Tayla está fazendo, seria normal pra todos os alunos. Mas pros estudantes da rede estadual de ensino a história é outra. Na escola Victor Meirelles, no centro peixeiro, os alunos passaram mais de 60 dias do 1º semestre parados, por causa da greve dos professores, e voltaram às salas de aula há poucos dias, justamente quando amigos e parentes das redes municipais saíram de férias. “Tenho uma irmã que estuda em escola do município e que está em casa agora, onde eu também deveria estar. A gente tem que ficar estudando e nem pode se divertir nas férias”, reclama a estudante do 2º ano do ensino médio Juliana Oliveira, 16.

Thamires Martins, 16, que também tá no 2º ano do colégio peixeiro, participa de um grupo de dança há quatro anos e desta vez vai precisar faltar aulas pra poder se apresentar num festival. “Eu sempre participo do festival de Dança de Joinville nas férias de julho. Este ano eu vou participar também, mas perdendo aula por causa do período parado durante a greve. Já meus amigos do grupo que estudam em escolas municipais estarão mais tranquilos porque vão estar de férias”, compara Thamires.

Culpa de quem?

A greve dos profes começou no dia de 16 de maio e deixou mais de 700 mil estudantes da Santa & Bela sem aula. O fim da bronca só rolou na última segunda-feira, quando o governado Colombo e os grevistas entraram em acordo. Por causa da paralisação de 62 dias, os alunos da rede estadual tão tendo que estudar nas férias de julho e ainda vão ver o ano letivo esticado até o dia 30 de dezembro deste ano. Pro professor de artes Vitor Silva, 47, que participou da greve, a culpa da atual situação dos alunos é do governo barriga-verde. “Se o governador tivesse sido mais responsável e cumprido a lei desde o início, nada disso seria necessário”, lasca o fessor.



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