Itajaí

Preju da agricultura chega a R$ 8,4 milhões

Foram perdidas completamente as safras de grãos e hortaliças. Gado e criação de pintos também sofreram

“A coisa tá feia. Olho prum lado e olho pro outro e não tenho o que fazer”. Ontem, quando atendeu o DIARINHO pelo celular, o agricultor Edésio Bertoldi, da Itaipava, tava literalmente com o pé na lama e corria atrás do prejuízo. Tentava recuperar as máquinas que bombeam água do rio Itajaí-mirim para suas plantações de arroz e que ficaram no meio do lodo. Edésio foi um dos primeiros a começar a plantar nesta safra e perdeu tudo com a enchente. “Só aqui, o meu prejuízo vai ser de R$ 80 mil”, fazia a contas.

A situação de Edésio é grave e não é a única entre os agricultores da cidade. No levantamento sobre os estragos que as enchentes provocaram nas áreas rurais de Itajaí, o veterinário Carlos Alberto ...

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A situação de Edésio é grave e não é a única entre os agricultores da cidade. No levantamento sobre os estragos que as enchentes provocaram nas áreas rurais de Itajaí, o veterinário Carlos Alberto Rebelo, secretário de Agricultura da prefa peixeira, estima que os prejus cheguem à cifra de R$ 8,4 milhões.

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Tudo perdido

E não é por menos que o valor seja tão alto. “100% da nossa produção foi atingida”, lamenta o abobrão, que já percorreu todas as regiões onde a colonada planta, tem gado no pasto ou cria galinha e chegou à conclusão: ninguém vai escapar de amargar preju. O relatório com o tamanho do problema, informa Rebelo, já foi encaminhado oficialmente à defesa Civil.

Começo da safra de arroz perdida

O plantio do arroz ainda estava no começo da safra. Algo perto de 40% dos rizicultores já haviam semeado. Mas não pense que isso diminui os prejuízos. Quem ainda não semeou vai precisar gastar novamente com o preparo do solo, o que inclui compra de insumos e nutrientes, pagamento do maquinário pra preparar a terra de novo e o custo da mão de obra, que será dobrado. Isso, sem falar o trampo de tirar a lama das áreas de lavoura.

Agora, imagine a trabalheira de agricultores como Edésio, que já haviam iniciado o plantio. “Não tem mais como recuperar nada. O lodo aqui foi tanto, que tá em 60 centímetros”, contou, completando a lista de inhacas: “O rio levou embora uma bomba minha de R$ 20 mil e tô recuperando as outras que foram pro fundo”. O rizicultor, além de dessassorear as quadras de plantio e voltar a ter que preparar a terra, ainda terá que recomprar todas as sementes.

O rombo com a perda e o atraso nas safras de grãos e cereais, calcula Rebelo, são de R$ 2,8 milhões. Em Itajaí, cerca de 120 famílias trabalham com a cultura do arroz, plantando em aproximadamente 2,6 mil hectares.

Hortifrutigranjeiros também perdem tudo

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O arroz tem a maior área de plantio da zona rural de Itajaí. Mas não é necessariamente a cultura que, em grana, mais sofreu prejuízo com enchente. Carlos Alberto Rebelo calcula que nas plantações de hortaliças e de raízes, como aipim e batata-doce, o prejuízo atinja R$ 4 milhões. Todas as cerca de 80 famílias que plantam folhas e leguminosas perderam tudo.

Como todas as pastagens onde estão as 10 mil cabeças de gado de Itajaí foram atingidas, a pecuária também não escapará de perder dinheiro. “O gado precisará ser recolhido e tratado com ração”, diz Rebelo. Ou seja, um custo bem maior do que se os animais pudessem ficar no pasto comendo apenas capim. O problema se agrava, diz o abobrão da Agricultura, porque nem todos os produtores têm condições de bancar o animal confinado. “Muitas cabeças vão morrer por inanição ou diarreia dentro de um mês”, acredita.

As poucas granjas da cidade também sofrerão. A previsão de Rebelo é que chegue a 12 mil pintinhos mortos. Tanto no caso do gado quanto das penosas, explica Rebelo, não há ainda como calcular as perdas em dinheiro.

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Pontes e estradas

Na conta dos R$ 8,4 milhões de preju na área rural, Carlos Alberto Rebelo também leva em consideração a infraestrutura pro vai-e-vem da colonada. No relatório que mandou pra defesa Civil tem seis pontes detonadas. Três delas – a do Limoeiro, uma do Brilhante 2 e uma do Rio do Meio – terão que ser completamente refeitas. Só nisso, calcula Rebelo, lá se vão R$ 490 mil.

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Outro dado grave é do malha viária do interior. Dos 600 quilômetros de estradas, mais de 70% vão precisar de uma garibada e rápido. Teve local, como nas Laranjeiras, que quase um quilômetro de estrada foi pro pau. “Se fosse pra macadamizar de novo e mais os R$ 4 mil pra recuperar nas Laranjeiros, seria preciso um investimento de R$ 1,2 milhão”, estima o abobrão.

Amanhã tem trelelê no conselho de Agricultura

Pra amanhã, Carlos Alberto Rebelo, secretário de Agricultura da prefa de Itajaí, tá convocando uma reunião do conselho Municipal de Agricultura. O trelelê vai ser à noite na sede do centro de Treinamento e Pesquisa da Epagri, na rodovia Antônio Heil, a estrada que leva a Brusque. “Vamos avaliar a situação e ver como os governos podem ajudar os agricultores”, adianta Rebelo.

Na prática, revela o abobrão, a intenção é pressionar o governo do estado pra que forneça digrátis as sementes para o replantio tanto dos grãos, como o arroz, quanto do que tecnicamente ele chama de folhaças, que são as couves, alfaces e brócolis da vida.

Rebelo lembra ainda que a prefa já decidiu isentar os colonos das dívidas do uso da patrulha mecanizada das safra 2010/2011.

O rizicultor Edésio Bertoldi estará na reunião. Liderança entre os agricultores, ele é um dos integrantes do conselho. Pra Edésio, há duas principais medidas que devem ser tomadas pra evitar a quebraceira da colonada em Itajaí. Uma delas é o governo liberar novas linhas de crédito pra recuperação das lavouras a juros mais baixos que fiofó de sapo. A outra é suspender o pagamento este ano das prestações dos financiamentos para compra de maquinários ou outros investimentos na propriedade e passá-los para o final do contrato.

Mas tudo isso, sabe Edésio, depende de força e de pressão pra cima dos políticos.

 



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