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Itajaí

Estudioso em segurança diz que depês tão viradas em sucata

Especialista que é membro da OAB acusa governo de não investir na polícia Civil

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

“O salário muitas vezes torna o agente de polícia corrupto. Boa parte das delegacias tá sucateada. Faltam armas, coletes, viaturas e homens na polícia Civil. Muitos agentes também saem de lá doentes”. As afirmações são pesadas. Mas vêm de quem entende do assunto: o advogado criminalista Alceu de Oliveira Pinto Júnior. Ele é membro da comissão de violência, criminalidade e segurança pública da OAB da Santa & Bela, e considerado um dos maiores especialistas no estado quando o assunto é segurança.

Pro dotô Alceu, que já coordenou cursos na secretaria Nacional de Segurança Pública, a estrutura da polícia Civil chegou no estado lastimável em que está hoje por dois fatores: falta de investimento e mau uso dos recursos que existem. Na opinião do especialista, os governantes preferem investir mais na polícia Militar porque ela dá mais visibilidade. “A PM anda fardada e isso passa a falsa sensação de segurança pras pessoas e dá o crédito pros governantes. Por isso existem mais investimentos pra essa polícia em detrimento da Civil”, avalia.

Ainda pro sabichão, os recursos existentes deveriam ser direcionados pra inteligência das investigações e pra aquisição de melhores equipamentos. “Nada do que vemos nas delegacias hoje é suficiente ...

 

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Pro dotô Alceu, que já coordenou cursos na secretaria Nacional de Segurança Pública, a estrutura da polícia Civil chegou no estado lastimável em que está hoje por dois fatores: falta de investimento e mau uso dos recursos que existem. Na opinião do especialista, os governantes preferem investir mais na polícia Militar porque ela dá mais visibilidade. “A PM anda fardada e isso passa a falsa sensação de segurança pras pessoas e dá o crédito pros governantes. Por isso existem mais investimentos pra essa polícia em detrimento da Civil”, avalia.

Ainda pro sabichão, os recursos existentes deveriam ser direcionados pra inteligência das investigações e pra aquisição de melhores equipamentos. “Nada do que vemos nas delegacias hoje é suficiente para suprir as necessidades da polícia Civil. A informática, a comunicação e a proteção individual são péssimas pro trabalho desenvolvido pelos agentes. Nada disso funciona. Nem atendimento médico o agente tem”, afirma.



O pior de tudo é que o próprio Alceu considera muito difícil reconstruir a polícia Civil enquanto corporação. Pra ele, a crise de investimentos que a instituição passa tá minando toda a estrutura construída ao longo de quase dois séculos. O salário baixo somado à ausência de infraestrutura, afirma, abre caminho pro estresse, pra corrupção e pro esvaziamento do órgão. “Se não houver investimento inteligente, eu não vejo solução pra esse problema, nem a curto ou médio prazo”, descasca.

O dotô, que mora em Floripa, faz parte do instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCC), entidade que estuda o papel do estado na segurança pública. “A crise que existe não é na polícia Civil, mas sim no governo que não investe nesta força policial. Os policiais civis não têm condições de trabalhar da forma como vêm fazendo”, observa.

O número de 60 policiais deixando a corporação a cada ano, segundo o próprio César Augusto Grubba, secretário da Segurança Pública da Santa & Bela, não reflete a realidade, acredita o dotô. “Eu acredito que esse número seja maior, porque tem muito policial indo procurar emprego em outro órgão. Eu vejo e tenho conversas com muitos policiais que saíram ou vão sair”, conta, lembrando que nunca houve uma preocupação com esse quadro que, na opinião dele, fica cada dia mais grave.


Coletes não protegem tiras dos balaços

Os coletes que a polícia Civil cede pros seus agentes são mais um exemplo do descaso do governo com a corporação. Eles não protegem os policiais. É o que diz o delegado Procópio Batista, da Penha. “Os coletes são antigos e tão vencidos. A placa balística e a manta não servem pra nada”, reclama o delega. Isso, somado aos baixos salários e falta de estrutura, impede um trabalho eficiente da polícia, argumenta o delegado. “Como querem que façamos segurança? Só podemos fazer o essencial e olhe lá”, lasca, completando: “Quase tudo por aqui é inadequado para o policial”.

O especialista em segurança Alceu de Oliveira reforça as afirmações do delegado Procópio. “Os coletes da polícia Civil não protegem como deveriam. Então, isso é um problema grave pros agentes”, observa.


Falta de efetivo força policiais a fazerem rodízio nas delegacias

Itajaí tem duas delegacias, mas apenas uma fica aberta pra registrar os flagrantes depois das 18 horas. O sistema de rodízio rola justamente pela falta de efetivo na cidade, o que força os tiras a usarem num dia a 1ª depê, que fica no centro, e no outro a 2ª, que fica na Barra do Rio.

O delegado Carlos Quilante, que atua na depê do centro, diz que Itajaí precisa implantar a central de Plantão Policial (CPP), que iria otimizar todo o trabalho dos tiras, pois lá seriam feitos todos os tipos de ocorrência. “O rodízio entre as delegacias é um paliativo, só que pra implantar a CPP é necessário efetivo e investimento”, pondera, lembrando que a falta de efetivo faz os rodízios nas depês também funcionarem nos finais de semana.

Pro dotô Quilante, o rodízio não é a melhor forma de atendimento.Por isso, tem fé que o reforço de pessoal e investimentos que chegarem à polícia Civil de Itajaí possam ajudar na criação da CPP. “Estamos esperando por isso. Mas também é preferível o povo registrar suas ocorrências na delegacia que fique na sua região”, opina.


O traçado da ruas Silva, Heitor Liberato e avenida Adolfo Konder, a Transilvânia, é que divide a atuação dos tiras na cidade. A 1ª depê atende a região sul, como Vila, centro e Fazenda. A 2ª depê fica com o norte, como São João, Cordeiros e São Viça.

Pra dar conta do trampo, tiras têm que ser bombril

O acúmulo de função é um dos agravantes da crise instalada na polícia Civil da Santa & Bela. Em algumas citys, os policiais trabalham no estilo bombril: são mil e uma utilidades.

O delegado Procópio Batista da Silveira Neto, chefe das delegacias de Penha e do Balneário Piçarras, se enquadra nisso. Ele faz funções de entregador de intimação, administrador da cadeia – que fica junto ao prédio da delegacia -, analista de inquéritos e carregador de malotes. “A gente faz de tudo e isso é muito perigoso, porque aqui nos fundos temos 35 homens e sete mulheres presos”, alerta.

O dotô Procópio considera horríveis as condições de trabalho na polícia Civil. Pior ainda pros tiras que precisam se desviar de sua função. Em Penha e Piçarras, diz, por falta de efetivo todos os policiais fazem um pouco de tudo, pois essa é única forma de fazer a delegacia andar. “O meu acúmulo já começa em gerir duas delegacias e segue com outras funções que não são as minhas, como ter que atender ou separar uma briga entre presos, coisa que acontece com frequência”, relata.


“Eu pensei em suicídio”, revela policial

Difícil em Itajaí quem não conheça a perita criminal Maria Teresinha Romagnani, 65 anos. Ex-vereadora, ela foi tira durante três décadas, até se aposentar em 2004. “As más condições de trabalho fazem os policiais terem problemas psicológicos e depressão, que por sua vez os força a se aposentarem precocemente”, afirma a policial que, mesmo pendurando as chuteiras, continua lutando pela profissão. Ela é representante do sindicato dos Trabalhadores em Segurança Pública da Santa & Bela (Sintrasp).

Nos últimos dois anos, de seis a oito policiais civis de Itajaí se aposentaram por problemas psicólogicos e de saúde, diz Terezinha. “Eles enfrentam doenças e não recebem nem tratamento do governo. Não se tratam, muitas vezes, por não terem tempo nem dinheiro, pois o governo não gasta nada com a saúde dos policiais”, descasca a tira sindicalista.

A própria Terezinha foi vítima do estresse da profissão. Sofreu com depressão três anos antes de se aposentar e, revela, chegou até a pensar em suicídio. Essa, garante, é uma situação comum a outros tiras, que não revelariam seus problemas com medo de serem afastados da atividade e terem parte do salário cortado.

Pra Teresinha, o policial vive uma cadeia de ocorrências desagradáveis durante os anos de trabalho na corporação. Primeiro, analisa, vem o desânimo, depois a tristeza, logo após a depressão e, por último, a aposentadoria. “Eu pensei em suicídio. Graças a Deus consegui me aposentar antes disso”, conclui.




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