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Itajaí

A regata que pode mudar a cara de Itajaí

Sediar a etapa da maior regata do mundo pode ser um despertar definitivo para a vocação náutica da city peixeira

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

O DIARINHO inicia uma série de reportagens sobre a preparação que Itajaí passa para abrigar a etapa da Volvo Ocean Race no ano que se aproxima. Hoje, o leitor será apresentado às obras que estão sendo feitas para receber a regata e, principalmente, aos projetos que podem representar um salto na qualidade de vida dos itajaienses.


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Na edição de amanhã, o DIARINHO mostrará os pontos favoráveis e os entraves para abrigar um evento desse porte. Também traremos informações sobre a capacitação de profissionais que ocorre pra garantir atendimento às milhares de pessoas que devem passar pela cidade durante os 18 dias do evento .

Por Leonardo Thomé

Fotos Patrick Formosinho

O mês de abril de 2012 pode significar a abertura de um novo capítulo na história de Itajaí. Nele, o município de 151 anos renasceria revigorado por sediar um evento grandioso e que pode dividir a história peixeira em antes e depois, fazendo com que a cidade nunca mais seja a mesma. Pelo menos é nisso que acredita uma série de pessoas que foram ouvidas pela reportagem do DIARINHO nas últimas semanas e que garantem que Itajaí pode experimentar um gás no seu potencial econômico, turístico e esportivo a partir da etapa da Volvo Ocean Race (VOR).

A principal promessa é que a competição vai fortalecer a identidade de todos os peixeiros, aumentando a autoestima e deixando um legado que poderá ser aproveitado tanto em obras de infraestrutura como na formação de uma cultura voltada aos esportes náuticos.

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O deputado Federal Paulinho Bornhausen (DEM), secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Santa & Bela e considerado o padrinho da vinda da Volvo Ocean Race (VOR) a Itajaí, garante que a cidade só tem a comemorar pelo que está por vir.

O incremento econômico que Itajaí vai experimentar, de acordo com Paulinho, será de proporções jamais vistas. De três a quatro mil empresários do mundo todo, afirma, vão passar por Itajaí durante os dias da parada. “Isso vai otimizar tudo que Itajaí construiu até hoje, além de incentivar negócios na área imobiliária, turística e de lazer”, considera, acrescentando que, diferentemente do que dizem os críticos, as pessoas mais carentes de Itajaí também vão participar da regata. “Teremos programas de visitas das escolas e linhas de ônibus especiais durante os dias da Volvo. Tudo pra que as pessoas possam usufruir do evento”, revela.

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Voltar o olhar ao rio e ao mar

Diz a lenda que a bandeira de Itajaí já conteve a inscrição: “Do rio vem a minha grandeza”. Hoje, tempos da bandeira amarelo, azul e sem frases de efeito, a cidade segue tendo uma relação intensa não só com o rio, mas também com o mar. A atividade portuária e a pesqueira, as praias e as cheias potencializadas pelos rios são alguns exemplos desta ligação. Outro exemplo, que só vem à tona de vez em quando, é a natural vocação que o município tem (ou teria) para os esportes náuticos.

O arquiteto e urbanista Dalmo Vieira Filho, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na Santa & Bela, reforça que a city peixeira tem o dever de perceber a importância de se relacionar com o rio. “A náutica de lazer é uma ótima oportunidade pra colocar as pessoas em contato com a natureza. Isso precisa ser aproveitado por Itajaí pra recuperar nos moradores da cidade a vocação náutica”, afirma.

A mudança de paradigma, termo muito citado pelos organizadores da regata, contudo, ainda não emocionou o cidadão comum, que ignora ou participa pouco da organização do evento. Mesmo diante desta constatação, o coordenador da etapa peixeira da VOR, o ex-prefeito Amilcar Gazaniga, garante que já repara num envolvimento maior dos peixeiros com o evento. “Talvez ainda não seja o envolvimento necessário, mas já vejo as pessoas comentando a regata”, comemora.

Amilcar diz que a capacitação profissional que será oferecida a alunos da Univali e aos profissionais da prestação de serviços, como motoristas de táxi e frentistas; a limpeza das ruas, dos muros e dos terrenos, através de desconto no IPTU, e a exposição espontânea na mídia do mundo todo são exemplos pra balizar a dita mudança que pode acontecer. “Nós também temos um projeto que prevê a construção de sete espaços em vários pontos da cidade, como se fossem lan houses, pra acessar gratuitamente a internet e acompanhar a regata. Isso vai seguir funcionando depois da Volvo”, conta.

Não apenas do ponto de vista turístico, mas também no que se refere à melhora da infraestrutura e do potencial econômico da city, os dividendos que a VOR trará, segundo João Luiz Demantova, secretário executivo do Comitê Central Organizador (CCO) da etapa, são inegáveis. Pra ele, Itajaí deve se espelhar no exemplo de Alicante, na Espanha. “Alicante não conseguia vender seu destino na Espanha, principalmente em função de outros destinos turísticos que já existiam dentro do país. Então, ela viu na VOR a possibilidade de trazer um evento que tem uma exposição brutal na mídia internacional. Deu certo, porque hoje a cidade é destino pra milhares de turistas o ano todo”, expõe.

Como conectar os itajaienses com a Volvo?

O sociólogo Sérgio Saturnino, que é professor da Univali, sugere três formas diferentes de alcançar o povão e fazer com que o mesmo participe ativamente da VOR. “É necessário fortalecer a cultura local, valorizar a identidade de todos os itajaienses e apertar o botão dos princípios republicanos. Só assim teremos um envolvimento maior da comunidade”, explica.

Segundo Sérgio, o povo de Itajaí precisa ficar atento porque serão muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. No entanto, as mudanças que a cidade deve viver só serão percebidas em seu conjunto e isso, de acordo com o professor, significa qualidade de vida.

O envolvimento do povão, acredita Sérgio, vai aumentar com a proximidade da regata. Com isso, ele afirma, a própria convivência com outros povos vai deixar os moradores itajaienses mais confiantes, respeitosos e atenciosos com os conterrâneos e visitantes. “Talvez as pessoas aprendam que, numa República, primeiro vem o dever do cidadão e depois vem o direito. Na Europa é assim, mas aqui no Brasil é o contrário”, avalia.




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