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Itajaí

Redes de pesca tão detonando criadouro de peixes

Fiscal do Ibama desabafa: "é uma batalha inglória"

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]


Pescadores amadores, surfistas e amantes da natureza tão fulos com as redes de pesca fixas nas proximidades dp molhe de Navegantes, tanto no canal de acesso aos portos quanto na parte de praia. A sacanagem é proibida por lei porque as armadilhas fisgam peixes de espécies e tamanhos diferentes, impactando diretamente na reprodução da vida marinha. Pra piorar, as redes fixas no canal, por onde entram navios diariamente, tão numa área de estuário, que é o encontro da água doce com a salgada, ambiente perfeito pros peixes se reproduzirem. O povão reclama que falta fiscalização do Ibama.


O aposentado Alcebíades Venderani, 47 anos, pesca no molhe dengo-dengo há sete anos. Pelo menos duas vezes por semana ele dá um chego na beira do mar pra fisgar peixes de diferentes tipos e tamanhos ...

 

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O aposentado Alcebíades Venderani, 47 anos, pesca no molhe dengo-dengo há sete anos. Pelo menos duas vezes por semana ele dá um chego na beira do mar pra fisgar peixes de diferentes tipos e tamanhos. Quase semore, flagra a pesca com rede fixa. “Em tempo de tainha ainda mais”, denuncia. O DIARINHO foi lá ontem de manhã e não encontrou as redes, somente as boias indicando que as pegadoras de peixe em massa tavam submersas. “Começou a clarear o dia eles (pescadores desalmados) vêm pra cá recolher as redes”, conta Protásio Kienen, 49, técnico têxtil e pescador nas horas vagas. “Eu vi o Ibama recolher rede aqui, mas faz tempo”.Pros pescadores, além de ilegal, a pesca com rede fixa “rouba” os peixes de quem tá lá com a vara na mão. “Eles pegam tudo”, reclama Alcebíades. “É muito ruim, estraga nossa pescaria”, concorda Protásio.



O surfista R.H., 33, garante que eles andam fisgando até gente. “Eu fiquei preso em uma rede. Foi só o pé, deu pra sair fácil. Mas uns tempos atrás, um gurizão ficou todo enrolado na rede, eu vi ele todo cortado, pálido”, narra.

Pro amante das ondas, a pesca atrapalhar o surfe é o de menos, mas preocupa a questão ambiental, já que é feita num estuário. “Se a gente começar a pescar peixes que tão se reproduzindo e crescendo, como vai ficar?”, questiona. Pra ele, essa história tem coisa política no meio. “Quem mandar tirar a rede não vai ser bem visto pelos pescadores. É uma ferida que ninguém quer mexer”, palpita.


De acordo com Paulo Celso Mafra, superintendente da fundação do Meio Ambiente de Navegantes (Fuman), há cerca de dois anos rolou uma operação em parceria com o Corpo de Bombeiros de Barra Velha. Foram recolhidas todas as boias que tavam jogadas no mar. Os vermelhinhos tiveram que mergulhar e cortar as redes debaixo da água. “Provavelmente vamos ter que fazer de novo”, avisa.

O superintendente diz que uma placa foi fixada no comecinho do molhe informando sobre a proibição da pesca com rede fixa naquelas bandas. “Mas o pessoal não respeita”. De acordo com ele, há muita pressão por parte dos surfistas e pescadores de linha pra acabar com a prática ilegal, que aumenta no inverno com a pesca de tainhas. Mas a fiscalização, garante, seria responsabilidade do Ibama. “Nós também fizemos e vamos fazer de novo, mas lá é área do Ibama”, alerta Mafra.


Surfista reclama de iluminação fraca

 

O técnico de enfermagem Antônio Soares tem 22 anos e há 10 pratica a pesca de linha. Ele aproveita o tempo livre pra fisgar peixes no molhe dengo-dengo. Às vezes, até dinoite. “Tinha que ter mais segurança, deveriam olhar mais pra cá. Antes não tinha iluminação nenhuma, agora tá um pouco melhor, mas ainda é escuro”, reclama. O surfista R.H. também pede mais iluminação no molhe.

“A prefeitura inaugurou a iluminação noturna, que ficou mal calculada. Durante o dia já é perigoso porque só se vê a rede quando passa por cima, imagina à noite”, carca. “Será que a gente vai ter que esperar alguém falecer pra tomarem alguma providência?”, questiona o cara.

O secretário de Obras de Navega não atendeu as ligações da reportagem ontem. Ninguém mais quis falar sobre o assunto com a reportagem.


“Uma batalha inglória”, desabafa fiscal do Ibama peixeiro

Márcio Burgonovo, fiscal do Ibama em Itajaí, reconhece que o órgão federal tem competência pra fiscalizar a área onde tá rolando a folgação com as redes. Mas avisa que a Fumam também pode fiscalizar. “O certo é a Fumam fazer um levantamento dos pescadores que usam esse tipo de rede. A fundação é municipal e eles têm mais contato com os moradores. O Ibama não pode muita coisa. Nem lancha temos. É uma luta inglória”, desabafa.

O fiscal contou que há três anos rolou uma baita operação no molhe dengo-dengo. Na época, três pescadores foram flagrados fixando redes na margem do rio Itajaí-açu. “Eles foram denunciados ao Ministério Público e as redes destruídas. É crime previsto na lei 9605 (dos crimes ambientais) com detenção de um a três anos, além de multa que pode chegar a R$ 100 mil. Ali é um estuário”, explica o barnabé.

O que dá pra fazer, avisa Márcio, é puxar, com a caminhonete do Ibama, as redes fixas nas margens. “Mais que isso, não. A gente trabalha na base de favores. Não temos equipamentos próprios nem funcionários suficientes pra esse tipo de fiscalização. O governo federal anunciou um concurso pra preencher 1600 vagas. Mas é pro país todo”, lamenta.


Marcio ainda frisou que “90% dos pescadores amadores” que denunciam o uso de rede fixa também tão ilegais. “Eles precisam de licença pra pescar com vara e molinete. Só quem pesca com linha na mão tá liberado. O resto, tem que pedir autorização ao Ministério da Pesca. Ou seja, denunciam, mas estão fazendo errado também”, carca.

O que diz o professor Paulo Ricardo Schwingel, dos cursos de engenharia ambiental e oceanografia da Univali

Especialista em estuários, pesca e recursos hídricos, o professor Schwingel condena a prática da pesca com rede fixa. Na opinião do entendido, o trampo degrada o meio ambiente e impacta diretamente na reprodução da vida marinha, já que as armadilhas prendem tudo que por elas passa, incluindo peixeis juvenis, que nunca reproduziram

DIARINHO - O que é um estuário?

Paulo Ricardo Schwingel - É um ambiente de transição das águas doce e salgada. É o encontro do que a gente chama de forçantes marinha e fluvial.

DIARINHO - Quais as características do estuário do rio Itajaí-açu?

Paulo - É um estuário de cunha salina. Ou seja, a água do mar, aqui nessa região, avança muitos quilômetros rio acima, na parte mais funda. Fiz uma coleta há alguns dias e identifiquei água salgada, do oceano, em Ilhota, mais de 20 quilômetros de distância da foz do Itajaí-açu.

DIARINHO - Desde quando o senhor faz este monitoramento?

Paulo - Faz parte de um projeto em parceira com o porto de Itajaí. Estamos monitorando este estuário desde 2009, logo após a enchente de 2008. São sete pontos de avaliação. Para você ter uma ideia, a única vez em que não identificamos cunha salina no rio Itajaí-açu, da ponte da BR-101 à foz, foi na semana seguinte à enchente. A força da água que descia pelo rio empurrou, por assim dizer, toda a água salgada depositada no fundo. A força foi impressionante.

DIARINHO - Qual a importância deste estuário?

Paulo - É um criadouro de vida marinha. Asseguro que 90% dos peixes do estuários são juvenis, ou seja, nunca reproduziram.

DIARINHO - Quais os efeitos da pesca com rede fixa nessa área?

Paulo - Esse tipo de pescaria pega peixes de forma indiscriminada, degrada o meio ambiente e impacta diretamente na reprodução da vida marinha. É um crime! O que é a pesca? É a extração de organismos aquáticos do habitat natural.

DIARINHO - E as outras atividades nesta área?

Paulo - Há outro fatores estressantes para a vida marinha, como as inúmeras dragagens, o movimento de embarcações e fontes poluidoras ao longo do rio.

DIARINHO - A pesca amadora, ali do molhe, com linha, também deveria ser proibida?

Paulo - Não. Deveria ser fiscalizada. A pescaria amadora requer autorização do Ministério da Pesca. Nem todo mundo tem isso. Eles acabam se incomodando com as redes fixas, mas se esquecem que precisam de autorização pra pescar com vara e molinete. Só com linha na mão não precisa.




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