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Itajaí

Prefa quer Marejada sempre casada com outro evento

No ano que vem ela deve acontecer paralela aos jogos Abertos. Músicos torcem pra que festival de Música volte a ser como era nas antigas

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

O presidente do comitê organizador da Marejada: Aventura pelos Mares do Mundo, Amilcar Gazaniga, anunciou ontem que a tradicional festa portuguesa e do pescado vai passar a ser realizada sempre casada a outro evento. Tudo pra não ter chance de dar errado ou acabar dando preju, como acontecia tradicionalmente nos 26 anos em que a festa foi realizada. Durante a apresentação do balanço preliminar sobre o evento, que encerrou domingo, o prefeito Jandir Bellini (PP) adiantou que a intenção pra 2014 é juntar a Marejada aos jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), que serão realizados na city peixeira em novembro.

Neste ano, a Marejada virou um evento que em nada lembra os anteriores. A mesma festa englobou a regata francesa Transat Jacques Vabre, um festival gastronômico com comida de cinco países, a 16ª ...

 

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Neste ano, a Marejada virou um evento que em nada lembra os anteriores. A mesma festa englobou a regata francesa Transat Jacques Vabre, um festival gastronômico com comida de cinco países, a 16ª edição do festival de Música, a feira de Negócios e entretenimentos gratuitos, como o cinema 3D e o planetário.

Pra Gazaniga foi um sucesso total, que vai ser avaliado através de uma pesquisa que está sendo feita pelo instituto de Pesquisas Sociais (IPS) da Univali. “Assim, vamos sair do achismo e entregar um relatório com números exatos”, explica.



De acordo com Jandir, pro ano que vem o mais provável é unir a festa aos jogos Abertos. “Fazer as atrações da Marejada no pátio e dentro do Centreventos montar uma estrutura pro Jasc, mas isso ainda não foi decidido”, conta. Na sequência, Gazaniga indicou outra possibilidade: a Marejada ser feita junto à partida da família Schürmann pra Expedição Oriente, em setembro.

Pro historiador Beto Severino, toda essa mudança é estranha. “Qualquer decisão que se tome sem ouvir a sociedade é uma decisão arbitrária”, palpita. Segundo o historiador, a Marejada faz parte da identidade cultural dos peixeiros e representa o palco das culturas populares de Itajaí. Pra ele, até mesmo uma alteração no calendário da festa deveria passar pela discussão do conselho de Cultura do município. “A grande pergunta é: quem decide isso? Temos um conselho municipal de Cultura, de Patrimônio, temos uma câmara de Vereadores. Na verdade, todo o processo não cheira bem”, lasca.

O presidente do conselho municipal de Cultural, Marcelo Moraes, diz que nunca foi consultado sobre nenhuma alteração na festa. Ele é a favor de que tanto a Marejada quanto o festival de Música aconteçam em datas e eventos independentes. Pra ele, a Marejada até pode rolar num novo formato, mas desde que seja realizada em outubro, como rolava desde sempre.


De acordo com Marcelo, o que foi discutido, e muito, dentro do conselho, foi a realização do festival de Música com a aventura pelos Mares do Mundo. “Nós fomos contra e vamos batalhar pro Festival voltar a acontecer em setembro”, diz.

Músicos torcem o nariz pra data e pro atual formato do festival

Assim como o presidente do conselho municipal de Cultura, o músico peixeiro Chico Preto, 36 anos, também é contra a realização do festival com outra festa. “Independentemente da data, o festival deve ser realizado sozinho e não perdido no meio de um outro evento”, lasca o artista, que já está há 22 anos na estrada.

Pro empresário Guto Dalçoquio, que participou da organização do primeiro festival, há 16 anos, a mudança ofuscou o brilho do festival. “Fui uma das primeiras pessoas que achou interessante juntar, mas vi que o festival foi engolido pelos outros eventos”, diz. Guto defende que o festival volte a ser realizado em setembro pra valorizar mais os shows e as oficinas. “E também pra não perder as suas características originais”, diz.


As oficinas foram o grande calo da mudança sentida pelo diretor do conservatório de Música de Itajaí, Óliver Dezidério. “Quem faz as oficinas são os estudantes de música, e novembro é época de prova”, diz. Segundo ele, tanto a Univali quando o Conservatório tiveram que mudar as datas das provas pra permitir que os estudantes participassem do festival. “A minha opinião não tem a ver com a regata, tem a ver com a data. Ano passado foi em abril, e neste ano em novembro. Não ter uma data fixa também prejudica, porque as pessoas de fora precisam se programar”, justifica.

O superintendente da fundação Cultural de Itajaí, José Amândio Russi, diz que não restam dúvidas de que inserir o festival ao evento gera mais visibilidade, mas reconhece que a classe artística não gostou da mudança. “Alguns defendem que o festival volte pra setembro, mas há outros que querem que ocorra em julho, quando há recesso escolar. Já o governo acha que seria bom que fosse feito junto com um grande evento, com a Marejada”, diz.

Russi promete que vai reunir o povo da cultura e debater a fundo a questão. Segundo ele, no ano passado, quando o festival rolou junto com a Volvo Ocean Race, houve um recorde de inscrição nas oficinas de música, com 1200 alunos cadastrados. Já este ano houve uma queda, apenas 800 pessoas se inscreveram. “Não resta dúvida de que o evento é grande e traz visibilidade, mas o festival não é só show”, completa Dezidério.


Público ultrapassou 221 mil pessoas

Durante os 16 dias de festa, pouco mais de 221 mil pessoas passaram pelo pavilhão do Centreventos e curtiram as atrações gratuitas. Gazaniga garante que o festerê só não teve um público maior por causa do (mau) tempo. “Tinha muito vento ou chovia, e isso prejudicou”, diz.

Questionado se foi democrática a escolha dos restaurantes que puderam explorar o serviço e lavaram a égua no evento, Gazaniga jura de pés juntinhos que foi difícil encontrar quem quisesse montar um ponto de vendas na Vila da Regata. “Um exemplo é a pizzaria. Tivemos que fechar com uma empresa de Balneário Camboriú, porque nenhuma de Itajaí quis”, garante.

Na frente dos jornalistas, Gazaniga ainda pediu que o prefeito nunca abra o espaço através de licitação. “Processo licitatório é uma das coisas mais estúpidas que tem”, solta. Ele citou o exemplo de obras públicas e disse que, em eventos como este, não existe tempo hábil pra corrigir as cagadas de quem se oferece a preço de banana e fornece um serviço de péssima qualidade.

Os relatórios completos que vão mostrar onde foram gastos os cerca de R$ 2 milhões arrecadados com a iniciativa privada serão apresentados dia 24 de janeiro, no auditório da Amfri.





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