Itajaí

Pescaram um tubarão bonzinho

Professor diz que várias espécies do bichão vivem na região, mas não fazem mal pro povão

Um tubarão adulto da espécie Carcharias taurus, conhecido popularmente por mangona, foi encontrado já sem vida e preso numa rede de pescadores artesanais a 300 metros da praia central de Barra Velha. O bicho tinha cerca de três metros de comprimento.

O oceanógrafo e doutor em ciência pesqueira, Paulo Ricardo Schwingel, diz que encontrar tubarões no nosso litoral só não é mais frequente porque os bichos estão em extinção.

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O oceanógrafo e doutor em ciência pesqueira, Paulo Ricardo Schwingel, diz que encontrar tubarões no nosso litoral só não é mais frequente porque os bichos estão em extinção.

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Segundo o especialista, o litoral da Santa & Bela tem cerca de 60 espécies de tubarões. Os mais comuns são as espécies popularmente conhecidas como frango, gato e martelo. Os dois primeiros têm cerca de um metro, e os tubarões-martelo podem chegar a três metros de comprimento. Já os do tipo mangona, que é o encontrado em Barra Velha, pode chegar a 2,5 metros e pesar cerca de 100 quilos.

Schwingel diz que o mar entre Barra Velha e Barra do Sul era um berçário de tubarões-martelo. “Até o início da década de 90, o tubarão-martelo de três metros era muito comum perto da costa”, diz. Isto porque as fêmeas vêm pra perto, onde a profundidade é de cerca de 30 metros, pra ter os filhotes. “Os machos nunca vêm”, explica. Depois de parir, as bichinhas voltam pro alto-mar, e os tubarõezinhos ficam bem perto da costa até completarem um ano e terem um tamanho maior pra enfrentar os desafios das águas profundas.

De acordo com Schwingel, que na Univali lidera um grupo de estudos pesqueiros sobre tubarões oceânicos, a captura de fêmeas grandes perto da costa era muito frequente até meados da década de 90. “Hoje são raríssimas, tanto que todo o mundo se espanta”, lamenta.

Ele explica que a pesca desenfreada, a poluição do ambiente aquático e a estratégia de vida dos tubarões levam à extinção de várias espécies. “Tubarões, em geral, têm um ciclo de vida muito longo, demoram mais de 10 anos pra se reproduzirem pela primeira vez e têm baixa fecundidade”, explica. Fora isso, existe a pesca, que ameaça diretamente a espécie. “A pesca industrial atua fora das regiões de berçaria. Então, o perigo maior é a pesca artesanal”, explica.

Água cheia de tubarões

O profe explica que, na região, é comum a presença dos peixões, mas que os maiores, com dois ou três metros, ficam a uma distância de cerca de 15 quilômetros da costa. Na área de banhistas e surfistas, o mais comum são os tubarões menores e os filhotes, com cerca de um metro de comprimento.

Segundo o dotô, não rolam acidentes porque os bichos não atacam seres maiores do que eles. Além disso, não faltam peixes pra eles rangarem. “É importante deixar claro que quem invade o habitat deles somos nós”, lembra.

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