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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Carros de mola e transporte público


O DIARINHO noticiou que o município, afinal, vai licitar a concessão do transporte público urbano de Itajaí. O transporte coletivo urbano passou a ser uma necessidade do público desde o final da 2ª Guerra Mundial. Foi quando começaram timidamente as primeiras linhas de ônibus urbanos: de Cordeiros e Vila Operária ao centro da cidade; do centro a Cabeçudas.

Eram todas iniciativas de particulares; ainda não se havia organizado empresa de transporte coletivo em Itajaí. Quando o município passou a fazer a concessão à empresa particular, tal permissão era uma mina de ouro, por conta da demanda popular por transporte. No entanto, a partir dos anos 2000, quando o acesso a automóveis e motocicletas particulares se tornou possível à classe média, em razão de incentivos a financiamentos baratos, essa demanda minguou. Hoje já não há tanta rentabilidade.

Mas voltando um pouco mais ao passado, durante a 2ª Guerra Mundial (1939/1945), um meio de transporte se popularizou na cidade. Eram os carros de mola, veículos a tração animal que faziam  um mix de charrete e carruagem. Sobre quatro rodas, em cima das quais se instalavam quatro molas – daí o nome – ficava a cabine coberta,  com assentos para quatro passageiros, em cuja frente ia o boleeiro a conduzir uma dupla de cavalos ou burros, munido das rédeas e dum chicote.

Os carros de mola se popularizaram por causa da falta de combustível no tempo da Grande Guerra para os chamados então de carros de praça - os táxis de hoje.  Eles permaneceram ativos até o começo dos anos de 1960. Depois começaram a causar incômodos, porque seus pontos de parada – na Praça Vidal Ramos, ao lado da antiga Prefeitura, na Praça do Gonzaga – transformaram-se em locais fétidos, com acúmulo de moscas, devido à urina e fezes dos animais ali estacionados.

Mas o incômodo maior ficava por conta do preço das corridas dos carros de mola, muitas vezes mais caro que o próprio táxi. Havia uma grita geral e os jornais davam publicidade às críticas do povo. E não era só em Itajaí.

Conta-se que o Desembargador Henrique da Silva Fontes, ilustre professor de Direito em Florianópolis, certa feita,  para ir da Faculdade de volta para casa, preferira tomar um carro de mola puxado por uma parelha de burros, porque de outra ocasião em que fora de táxi, achara demais o valor da corrida.

Então, ele,  ao desembarcar do carro de mola em frente de casa, indagou do boleeiro quando custara a corrida. Para sua surpresa o preço era bem mais caro que o do táxi.

À vista disso, ele, retirando da carteira o dinheiro da corrida cara, disse jocosamente:

- Pois, está muito bem pago, para dois burros conduzirem outro burro, que sou eu!...


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