Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 15/01/2026 09:21
Esse poema nasceu da vontade de fazer o texto bater junto com o que ele diz.
Não apenas falar de um coração, mas agir como um.
Cardiograma é um poema-objeto porque a forma não ilustra o conteúdo — ela é o conteúdo. A disposição das palavras, os espaços, os recuos e as repetições constroem visualmente o ritmo cardíaco. Ler o poema é acompanhar uma pulsação.
No centro dessa ideia, o poema se apresenta assim:
⸻
Cardiograma
por Alfa Bile
Data de criação: 11 de novembro de 2025
TUM TUM
TUM TAM
bate o coração
acelerado
bate como se pudesse voar
TUM TUM
TUM TAM
bate o coração
descontrolado
bate como se soubesse onde está
um TUM
TUM TAM
bate o coração
agora é tarde —
perdeste todas as chances
de amar
⸻
Os “TUM” e “TAM” não são efeitos gráficos gratuitos. Eles funcionam como som, como imagem e como tempo. O olhar desacelera, acelera, se perde e se reencontra — exatamente como acontece quando o coração foge do compasso.
No início, o coração bate acelerado, quase eufórico. Há impulso, movimento, a sensação de que ainda é possível voar. Depois, ele se descontrola, mas ainda acredita saber onde está. Existe confusão, mas também esperança.
Até que o poema chega ao ponto mais duro:
o atraso.
O último trecho quebra o ritmo. O cardiograma continua registrando vida, mas o verso anuncia perda. Não a morte física — e sim a emocional. As chances de amar passaram enquanto o coração corria demais ou esperava demais.
Esse poema fala de tempo.
Do tempo do corpo, do tempo das escolhas, do tempo que não avisa quando acaba.
No Cardiograma, o espaço em branco também escreve. Ele é pausa, silêncio, respiração curta. É ali que o leitor sente o que não está dito.
Esse poema não pede interpretação racional.
Ele pede escuta.
Porque, no fim, todos nós temos um ritmo.
E nem sempre percebemos quando estamos batendo fora do tempo.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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