A categoria diz que a prioridade aos navios turísticos prejudica os portuários e caminhoneiros que dependem da chegada de navios de carga geral para trabalhar. Eles defendem a construção de píer exclusivo para os cargueiros e criticaram a falta de acordo do município e do porto pra evitar os prejuízos em mais uma temporada.
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A mobilização dos trabalhadores foi pacífica, com concentração na praça do Centreventos, onde o grupo estendeu faixas e cartazes. O movimento contou com apoio de movimentos sociais e estudantis e entidades como União da Juventude Socialista (UJS) e do partido Unidade Popular (UP).
O presidente da Intersindical dos portuários, Ernando “Correio” Júnior, lembra que há anos os trabalhadores esperam por uma solução do município e da autoridade portuária sobre os transatlânticos. Havia promessa de estudos pra que os cruzeiros pudessem atracar junto com os navios de carga geral e possibilidade de atracação no píer turístico ao lado do Centreventos.
“Nada adiantou. Foram nos empurrando e a gente demonstrou que isso traz um grande prejuízo pra classe trabalhadora. Um navio de cruzeiro ocupa espaço de um carga geral e, em questão de remuneração e de quantidade de pessoas, é muito diferente. Isso cria um passivo pra nós. Então, a gente quer ter uma discussão pra ter um equilíbrio nisso”, comentou.
Seguindo acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, navios com passageiros têm prioridade na atracação em relação a navios de carga, inclusive de contêineres. Pela regra, se houver cargueiros atracados, eles precisam desatracar para dar lugar aos cruzeiros.
Proposta pra píer exclusivo não avançou
Para contornar a situação em Itajaí, a Intersindical esperava um acordo entre o porto, a prefeitura e a arrendatária do porto, que bancariam um estudo sobre a expansão portuária, prevendo um píer exclusivo para a carga geral. A proposta era vista como uma garantia da manutenção da carga geral no porto e o fim do conflito com os cruzeiros, mas ficou na promessa.
“Infelizmente, foi só pra tentar desmobilizar o novo ato, porque ontem [sábado], até o final do dia, a gente encaminhou pra eles os documentos, eles deram o ‘ok’, mas agora deram a desculpa de que o jurídico precisa analisar com mais calma os documentos”, relatou Correio. Sem o avanço, ele ressaltou que o protesto foi mantido.
Para esta temporada, o sindicato analisa medidas jurídicas. Já há uma ação civil pública contra o município e o governo federal da época em que o porto estava parado e outra ação pretende abordar os prejuízos econômicos para os trabalhadores, cobrando uma indenização pelos impactos.
Conforme o presidente da Intersindical, a operadora Seaport, que tinha contrato com a mão de obra avulsa, já está recebendo em São Francisco do Sul navios de carga que deveriam ser atracados em Itajaí, após desmobilizar a base na cidade. A empresa tinha um armazém com movimentação de 60 mil toneladas de cargas gerais por mês e contava com 80 trabalhadores.
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“Ela já nos comunicou que Itajaí não é mais rota para os clientes dela porque se criou uma insegurança jurídica com o porto, com a temporada de cruzeiros e com o adensamento [da área portuária] para a JBS”, destacou o líder sindical. Para outros armadores, a situação também seria de insegurança, gerando perda de contrato para os portuários.
Outra medida é por melhores condições de trabalho, estrutura dentro do porto e organização de filas de caminhões, conforme as normas trabalhistas. A falta de adequações pode levar à interdição do terminal, se houver decisão favorável. Por enquanto, não está prevista nenhuma nova reunião entre os órgãos e empresas envolvidas pra discutir a situação dos trabalhadores.
Cruzeiro trouxe 4211 passageiros
Neste domingo, o Porto de Itajaí amanheceu com dois navios atracados, o cruzeiro Costa Diadema, no berço público, e o navio de contêiner Europe, no berço 2 da JBS. No final da manhã, a JBS recebeu um segundo navio, o Mercosul Itajaí, no berço 1. O Costa Diadema chegou à cidade com 4211 passageiros e 1234 tripulantes e vai embora no final da tarde.
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A solução para tirar os navios de cruzeiros do Porto de Itajaí é a construção do novo píer turístico no Centro Comercial Portuário (CPP), ao lado do Centreventos. Em outubro, foi assinado o termo de cooperação pra elaboração do projeto técnico, com previsão de conclusão até fevereiro de 2026. Os estudos serão base pra licitação da obra, que tem investimento estimado em R$ 300 milhões.