Matérias | Entrevistão


Irmã Simone

"Aqui nós atendemos 93% SUS”

Diretora Geral do Hospital Marieta Konder Bornhausen

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]



Com 428 leitos, o Marieta Konder Bornhausen se tornou o maior hospital de Santa Catarina. As recentes aberturas de alas e inaugurações promovidas no Complexo Madre Tereza, que fica anexo ao prédio principal da unidade hospitalar de Itajaí, deram ainda mais grandeza ao Marieta. Nos próximos meses, o complexo deve receber novos andares de internação, centro obstétrico, centro cirúrgico, central de material e equipamentos, além da UTI Neonatal. Toda essa estrutura funciona com 93% do atendimento de SUS e apenas 7% através de  convênio ou atendimento particular. Para equilibrar as contas, melhorar o atendimento e realizar tratamento de alta complexidade, o Marieta tem à frente de sua gestão, há dois anos, a irmã Simone Santana – que trouxe a expertise de já ter gerido um dos maiores hospitais de Belo Horizonte (MG).

À jornalista Franciele Marcon, irmã Simone falou do grande desafio que é gerir o Marieta, por sua característica de atendimento e a sazonalidade da região litorânea, respondeu questionamentos sobre  reclamações como demora no atendimento, falta de leitos para internação e qualidade da comida, além das denúncias mais antigas, como a do gerente médico afastado do cargo pela Justiça, acusado de cometer eutanásia nos pacientes, e da enfermeira que colocou um bebê prematuro no bolso do jaleco durante uma dancinha postada no Instagram. Irmã Simone, que tem se destacado pela transparência e por se aproximar de vários setores da sociedade, também falou sobre o término da obra do complexo, a meta de melhoria na gestão e a parceria com empresários, voluntários e a comunidade em geral. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere no portal DIARINHO.net e em nossas redes sociais.

 

 

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À jornalista Franciele Marcon, irmã Simone falou do grande desafio que é gerir o Marieta, por sua característica de atendimento e a sazonalidade da região litorânea, respondeu questionamentos sobre  reclamações como demora no atendimento, falta de leitos para internação e qualidade da comida, além das denúncias mais antigas, como a do gerente médico afastado do cargo pela Justiça, acusado de cometer eutanásia nos pacientes, e da enfermeira que colocou um bebê prematuro no bolso do jaleco durante uma dancinha postada no Instagram. Irmã Simone, que tem se destacado pela transparência e por se aproximar de vários setores da sociedade, também falou sobre o término da obra do complexo, a meta de melhoria na gestão e a parceria com empresários, voluntários e a comunidade em geral. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere no portal DIARINHO.net e em nossas redes sociais.

 



DIARINHO – O Marieta é considerado o maior hospital de Santa Catarina e está ampliando a sua capacidade de atendimento. Os investimentos do SUS vão comportar mais de três mil atendimentos ao mês?

Irmã Simone: De fato, o Marieta tá crescendo. Nós estamos inaugurando gradativamente os andares do Complexo Madre Tereza. Queria já esclarecer que nós, claro, gostaríamos de inaugurar todo ele de uma única vez, porém fomos surpreendidos com um problema na refrigeração do hospital. Isso só detectamos quando inauguramos a Unacon e o ambulatório, na primeira inauguração feita em fevereiro de 2023. A obra ficou parada um tempo. Começamos a corrigir  gradativamente, e à medida que esse problema vai sendo corrigido nos andares, a gente vai conseguindo inaugurar. Além disso, temos também o problema do custeio, porque é um novo hospital. Existe já o custeio do Hospital Marieta. Agora tem o Complexo Madre Tereza, ele é o Marieta, mas recebeu esse nome de Complexo Madre Tereza – nome dado por causa da fundadora da nossa Congregação. Quando nós inauguramos 20 leitos de UTI, já aumentou o número de atendimentos. Já inauguramos uma ala de internação. A Unacon vem crescendo o atendimento. Com pronto-socorro, a tendência é de que esse aumento vá acontecendo gradativamente. Os recursos nós temos buscado junto ao estado, ao município e até junto ao Ministério da Saúde. [Hoje o custeio do Marieta tem verbas estaduais e municipais, além dos atendimentos pelo SUS?] Na verdade, tem verbas estaduais, municipais e federais. O SUS olha para uma região, ele vê a população, entende aquele serviço de saúde, diz o número de atendimentos que aquele serviço de saúde precisa oferecer. Também olha para aquele município e estabelece um teto. Mensalmente o Ministério da Saúde repassa o valor de um teto para que o município atenda às suas necessidades de saúde. Grande parte dessas necessidades acaba sendo atendida pelo Marieta por ser, na verdade, o único hospital da cidade. Isso quando o município é gestão plena. Quando a gente fala gestão plena, a gestão da saúde é com o município. Tudo que nós tratamos hoje, tratamos com o município. O ministério repassa esse dinheiro para o município e o município repassa para o Marieta. Depois nós temos o estado, que também faz um aporte. Antes era com a questão da política hospitalar, a secretária Carmen [Zanotto] fez uma mudança nisso. Ela criou o Programa de Valorização dos Hospitais. A partir desse ano tem uma lógica diferente de repasse desses recursos. Os recursos são repassados de acordo com o porte do hospital, de acordo com os serviços que o hospital presta. Dobrou a tabela de cirurgia. Em alguns casos, como o governador mencionou, cirurgias que eram muito deficitárias do ponto de vista financeiro até triplicaram. Hoje nós atendemos na porta três mil pessoas ao mês. Com a inauguração da emergência, eu acredito que vai ser gradativo o aumento. Nós estamos preparados para atender já imediatamente mais 15%. Hoje as pessoas procuram o Marieta por coisas, às vezes, muito pequenas, e o Marieta é um hospital de alta complexidade. O papel dele deveria ser resolver aquilo que é mais complicado. A gente acredita que quando fazem isso é porque confiam no nosso serviço. Nesse ponto de vista, nós ficamos contentes. Mas algumas questões poderiam ser resolvidas nas UPAs, que também estão muito bem preparadas pela secretaria municipal para atender a população. Se esse serviço se organizar e, aos poucos, a população fizer esse movimento, coisas simples procurar o UPA, e aquilo que é mais complicado vir ao Marieta, pode ser que nós tenhamos um pouco menos de atendimentos na nossa porta, mas que todos os atendimentos sejam de casos mais graves, que exijam mais recursos, que é o que nós estamos preparados para fazer. [O Marieta está em Itajaí, mas ele atende pacientes de toda a região da Amfri. Outros municípios também destinam recursos ao hospital?] Nós ainda não conseguimos chegar nesse combinado para que de alguma forma os municípios também pudessem contribuir.

DIARINHO – O PS vai continuar atendendo demandas de planos de saúde e particulares também?


Irmã Simone: Nós somos um hospital SUS, praticamente. No sentido de que somos um hospital filantrópico. Para não perder a filantropia, qualquer hospital tem que atender 60% SUS, 40% convênio. Aqui nós atendemos 93% SUS, até porque é uma necessidade da região. Mas nós sabemos que para equilibrar uma unidade de saúde é importante ter um pouco mais de volume de convênio. Porque, muitas vezes, só com o que nós fazemos para o SUS, não conseguimos. É interessante atender convênio porque o convênio remunera melhor que o SUS. Acho que isso é conhecido de todo mundo. Vamos continuar atendendo convênio e particular.

DIARINHO – Há muitas denúncias sobre a demora no atendimento, de sobrecarga de funcionários, falta de medicamentos e supostos erros médicos. Também temos recebido reclamações sobre a qualidade da comida servida na internação. Os usuários podem esperar melhora na qualidade do serviço hospitalar?

Irmã Simone: Eu acredito que nós tenhamos reclamações e reclamações. Nós somos um hospital grande, 428 leitos, estamos trabalhando bastante para organizar o serviço. A demora no atendimento, de fato, existe; em alguns momentos é muita ansiedade da pessoa que está ali. Por exemplo, se você vai no serviço privado hoje, no pronto-socorro, é comum você esperar mais do que duas horas e meia, às vezes três. Às vezes espera até mais num serviço de convênio. Nós estamos monitorando esse tempo. Principalmente da porta, para atender mais rápido. Eu conto para você uma coisa que me chamou muita atenção. Uma ocasião eu cheguei no pronto-socorro, tinha um paciente muito nervoso porque tava demorando. Ele estava ali há três horas, mas já tinha sido atendido pelo médico, tinha feito tomografia, eco, já tinha sido medicado e tava nervoso porque ele não tinha subido pro andar. A gente não tinha leito. Mas eu pensei, meu Deus, que serviço de convênio faz isso tão rápido?! Com relação à alimentação, nós já melhoramos bastante. Nesse momento estamos passando um pouquinho de dificuldade, porque a região tem uma característica: quando chega dezembro, janeiro, os hotéis, as festas, se contrata muita gente, principalmente muita gente ligada à parte de nutrição. Às vezes nós perdemos colaboradores justamente nessa época. Em fevereiro nós começamos a recontratar. Nós estamos ali, num aperto, mas graças a Deus, tudo tem corrido bem. Com relação a erros médicos, erros médicos acontecem no mundo todo. Não é o nosso desejo, nem o nosso serviço, nós queremos melhorar sempre. Para melhorar, principalmente nisso, esse ano nós vamos começar a avaliação para certificação com o Instituto Qualisa de Gestão, que é uma certificação principalmente da assistência prestada. Nosso objetivo é organizar mesmo o atendimento no hospital. [A senhora comentou sobre a internação. Há falta de leito hoje no Marieta?] Ainda há. Essa reclamação é pertinente. Porque muitas vezes o paciente foi atendido, ele tá sendo medicado, mas ele fica ainda no pronto-socorro aguardando um leito. Isso a gente resolve aumentando o número de leitos, não tem muita mágica. Nós tínhamos o nono andar, que era dedicado aos convênios. Hoje praticamente o nono andar recebe os pacientes do SUS. Nós conservamos só o sétimo andar para convênios e recebemos os pacientes do SUS no nono andar justamente para poder colocar esse paciente mais depressa num leito. Nós temos algumas ações de gestão de leitos. Gerenciar leito é assim: um médico prescreveu um exame, vamos atrás. Esse exame tem que acontecer logo, porque a definição do médico, se o paciente fica ou se ele vai de alta, depende desse exame. Antigamente nós não tínhamos ressonância, o paciente ficava muito tempo aguardando, porque não tinha ressonância dentro do Marieta. Hoje não. Hoje quando um médico pede ressonância já conseguimos fazer imediatamente. Tem algumas ações que estão ajudando a girar esse paciente mais depressa. Quando eu digo girar, é resolver os problemas para que ele possa ganhar alta com segurança num tempo menor. Isso nós já estamos fazendo hoje. Mas a ação que mais impacta é justamente a abertura de leitos. Nós abrimos 41. Agora, na sequência da emergência, o que nós vamos abrir é um novo andar de internação,  justamente para diminuir essa dificuldade. Porque, de fato, é desagradável para o paciente ficar esperando no pronto-socorro.

 


Nossa perspectiva é em março entregar mais uma unidade de internação”

 

DIARINHO – A senhora tem procurado dar mais transparência às atividades do hospital. Essa é uma marca sua ou determinação da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição?

Irmã Simone: Tudo que nós, irmãs, fazemos, fazemos em nome da Congregação. A Congregação tem essa preocupação da lisura, da transparência. Nós temos o código de ética e todas as políticas já estão sendo implantadas no Marieta. É política de compra, política de TI. Tudo isso ajuda a organizar o hospital. Eu acredito que isso é institucional e tende a ter sempre mais essa questão da gestão, da transparência.


DIARINHO – Quais são as próximas obras?

Irmã Simone: Nós queremos entregar esse prédio. Nossa perspectiva é em março entregar mais uma unidade de internação. Depois, muito provavelmente, a gente já vá abrir o centro cirúrgico e a central de material. Ainda temos por resolver a parte do materno e da UTI neonatal. Nós acrescentaríamos 10 leitos de UTI neonatal. Mas essas duas estruturas, por isso a gente tá demorando um pouquinho para migrar, elas precisam ir juntas. Eu não posso passar para lá o centro obstétrico e o alojamento, se a UTI neonatal não está ali. Até porque não vou ficar com um bebezinho percorrendo espaços enormes. Por causa da criança mesmo, a segurança do paciente. Vamos migrar essa estrutura, e terminar de inaugurar. Porque fora esse que nós vamos inaugurar em março, ficam ainda dois andares de internação por inaugurar. Depois começam as reformas. Porque algumas coisas foram transferidas. Por exemplo, o pronto-socorro foi transferido para lá. A emergência foi para lá. Aqui onde era o pronto-socorro vai ser uma grande internação. Porque hoje a nossa internação tá um pouco mal resolvida, digamos assim. Um ambiente apertado, não dá muito conforto. Ali vai ser uma grande internação para receber os pacientes que vieram para cirurgia, para internar, para algum procedimento no hospital. Agora nós vamos organizar o hospital. Alguns problemas vão ser resolvidos e outros andares vão ser dedicados à abertura de mais serviços ainda. É esse nosso objetivo. [Há previsão de quando a nova ala da UTI neonatal comece a operar?] Eu acredito que no segundo semestre. Justamente por isso que eu tenho que levar os dois serviços juntos. É a materno, centro obstétrico e a internação das mamães e a UTI. Eles têm que migrar ao mesmo tempo. A coordenadora do serviço é a doutora Mylene [Lavado], que faz o parto de gestante de alto risco. Nós sabemos que é uma profissional excelente, muito comprometida, tecnicamente muito boa. Nessa ansiedade de melhorar, ela mesmo deu uma repaginada no nosso atual centro obstétrico. Mas ali o espaço, principalmente de espera, ainda é inadequado. Já ficou pequeno. Mas isso tudo vai ser resolvido na outra estrutura. [Quantos bebês nascem ao ano no Marieta?] Mensalmente em torno de 350, a gente tem que multiplicar por 12, vai dar 4.200, mais ou menos, por ano.

 

“Hoje nós atendemos 3000 pessoas ao mês. Com a inauguração da emergência, nós estamos preparados para atender já mais 15%”

 

DIARINHO – Um caso emblemático foi o da enfermeira que dançou com um bebê prematuro no bolso do jaleco. Como se dá a capacitação dos funcionários do Marieta?


Irmã Simone: Isso foi muito triste. A gente ficou bastante preocupado com a situação. Era uma profissional que não era do Marieta, era uma profissional terceirizada. Aquele momento foi muito estressante, mas um momento para revermos muitas coisas. Quem precisou ser desligado foi desligado e pronto. Recompusemos a equipe. Nós temos ali uma coordenação de enfermagem que cuida da área. Temos uma gerente de enfermagem. Estamos sempre tentando trazer essa equipe mais perto. Treinando, discutindo situações, é como se fosse uma educação continuada. Porque pode ser que naquele momento é ânsia da pessoa de colocar uma coisa interessante no Instagram. Eu percebo assim, não houve, por parte da profissional, um desejo de machucar o bebê, tanto que ela protege a cabecinha, mas foi inconcebível.

DIARINHO—Como está a investigação sobre o diretor médico acusado de cometer eutanásia nos pacientes do hospital?

Irmã Simone: Eu acredito que o caso está tramitando na Justiça. Quando eu cheguei já tinha acontecido. Depois, o médico envolvido na investigação foi afastado do cargo de gerente médico que ele tinha naquele momento. Eu não saberia nem o que dizer, porque nós não temos ainda o desfecho. A Justiça ainda não se pronunciou dizendo o que aconteceu. E eu, sinceramente, não consigo avaliar isso. Com relação aos médicos, nós temos ali equipes muito sérias, principalmente na UTI, que é o doutor Juliano Folletto que está responsável por toda a coordenação. Ele é um médico ainda jovem, mas assim, muito acadêmico, muito preocupado em ensinar, em formar. Muito atento aos médicos que traz para trabalhar ali dentro. [O Marieta consegue acompanhar o nível salarial do mercado?] É sempre um desafio. Principalmente as áreas mais operacionais. A questão não é o salário em si. Porque o salário tá igual, acompanha bem o mercado. Mas eu diria que talvez o que acaba atraindo essas pessoas da operação, às vezes, algum benefício que nós não conseguimos acompanhar, por causa do nosso limite. Nós não temos o rendimento de um hospital privado, convênio, digamos assim. Às vezes não conseguimos acompanhar, e nesse momento é que nós perdemos alguns colaboradores. Os funcionários de supervisão, de coordenação, mesmo os enfermeiros é mais difícil da gente ter essa movimentação. É mesmo o pessoal operacional. Com relação ao corpo clínico, o médico é um profissional autônomo. Ele trabalha muitas vezes aqui, e em outro serviço, isso é normal, desde que ele não desvie os pacientes para o outro serviço e não deixe de prestar a assistência que ele precise prestar ali.

 

 

 

DIARINHO – O governador anunciou a abertura do Hemosc para Itajaí. Como uma unidade do banco de sangue próxima do Marieta auxiliará o hospital?

Irmã Simone: Nosso relacionamento com o Hemosc até aqui foi muito bom. Muitas vezes tínhamos que nos deslocar até Florianópolis. Vai ser um ganho, porque isso não vai precisar mais acontecer. Porém, nós nunca ficamos desassistidos. Estava bem formatado o fluxo dessa questão do sangue. Eu acredito que para nós, para a região, é um ganho excelente. Principalmente para o Hospital Pequeno Anjo, porque no Marieta nós temos a agência transfusional. Para nós, eu acredito que é mais a questão mesmo do tempo e da proximidade. Algumas coisas nós vamos resolver mais depressa, talvez possamos fazer um pouco menos de reserva, porque está muito próximo. Mas, de um modo geral, conosco as coisas continuarão bem.

DIARINHO – As pessoas que pretendem ajudar o hospital com doações e as empresas que pretendem fazer parcerias, como devem proceder?

Irmã Simone: Nós temos duas possibilidades. Procura diretamente o Hospital Marieta... Temos sete irmãs que trabalham. Pode procurar uma das irmãs ou o setor de marketing. Nós também temos a Associação Madre Tereza. A Madre Tereza é uma associação de empresários que prestam serviços voluntários ajudando os pacientes SUS do hospital Marieta. Eles fazem essa captação de recurso e depois quando têm lá um montante de recurso arrecadado eles nos procuram. Nesse momento nós estamos com uma ala que chama João Paulo que precisamos pintar, trocar cortinas. Eles já se comprometeram. Nós vamos começar agora, esse mês, a reforma da ala João Paulo 2º. Isso com o dinheiro doado por pessoas comuns e também por empresários. Além dessa ajuda financeira, nós temos também grupos que fazem trabalhos voluntários dentro do hospital. Temos um grupo que toda sexta-feira percorre os corredores cantando, alegrando os colaboradores e os funcionários. Nós temos grupos que às vezes doam. Por exemplo, a Stringari doa o sorvete para os pacientes da Unacon. Nós temos grupos que doam alimentos para o hospital. Tudo isso a gente sempre usa. Há muitas formas de ajudar, inclusive doando tempo. É uma coisa preciosa.

DIARINHO – Uma construtora de Itajaí, a Lotisa,  patrocinou a reforma de uma ala do hospital. Como se dá esse tipo de parceria?

Irmã Simone: Há um tempo atrás a construtora Lotisa reformou o refeitório dos colaboradores todos. A Lotisa fez uma reforma grande, ficou muito bacana. Toda parte do refeitório e uma área de descanso para os colaboradores. Agora em fevereiro nós vamos receber 28 cadeiras de rodas que também é uma iniciativa da Associação Madre Tereza. Nós já recebemos fraldas, muitas fraldas do Lions, do Rotary. Os dois acabam contribuindo.

 

O doente, na minha opinião, ele é sempre pobre. Pobre no sentido de que, quando estamos doentes, ficamos todos iguais. As mesmas carências.

 

DIARINHO – A senhora completa dois anos no comando do Marieta. Já tinha atendido um hospital tão grande, com essas características sazonais do litoral? Como é a experiência à frente do Marieta?

Irmã Simone: O Marieta é um grande desafio. Essa é a primeira vez que eu trabalho no litoral. Trabalhei no interior e trabalhei em Belo Horizonte. O grande desafio do Marieta é sobretudo ser um hospital tão grande, com altas complexidades, um hospital SUS. É o equilíbrio entre aquilo que a gente recebe, aquilo que nós gastamos, a assistência que nós sonhamos dar. Eu trabalhei num hospital muito grande da Congregação que tinha uma caraterística diferente daqui. Um atendimento mais robusto de convênio, digamos assim. E eu sempre falava que queria trabalhar num hospital que atendesse mais SUS, 100% SUS. Olha que eu tô quase nisso, porque 93%, falta pouco. Mas é bonito o trabalho. Essa questão de estar atendendo aquele paciente mais necessitado, mais simples, acho que para a opção de vida que fizemos tem um sentido muito grande. Embora o doente, na minha opinião, é sempre pobre. No sentido de que, quando estamos doentes, ficamos todos iguais. As mesmas carências. Talvez a única diferença seja que o doente que tem um pouco mais de condição consegue escolher para onde ir. O doente SUS fica com as opções reduzidas.

 

“O Marieta é um grande desafio”

 

 

Raio X

 

NOME: Simone Santana

NATURAL: Rondon (PR)

IDADE: 56 anos

ESTADO CIVIL: Solteira

FILHOS: sem filhos

FORMAÇÃO: Enfermeira especialista em Gestão Hospitalar pela São Camilo, com MBA em Gestão Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: foi diretora de Lar de Idosos e Creche em São José dos Campos (SP), diretora do Hospital Madre Teresa em Belo Horizonte (MG), diretora do Hospital Pio XII em São José dos Campos (SP) e há dois anos atua como diretora-geral do Hospital Marieta Konder Bornhausen.




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