Grave

Ocupação de UTIs na região chega a 100%; governo decreta emergência

Alta de doenças e baixa vacinação são as causas. Vigilância Epidemiológica alerta sobre queda nas coberturas vacinais

Hospitais da Amfri ficaram com UTIs lotadas na segunda-feira
(Foto: Arquivo/João Batista)
Hospitais da Amfri ficaram com UTIs lotadas na segunda-feira (Foto: Arquivo/João Batista)

Sobrevivente do naufrágio do barco Safadi Seif, o pescador Deivid Luiz Monteiro Ferreira, de 38 anos, de Itajaí, resgatado do mar no domingo, passou a noite no corredor do hospital Celso Ramos, em Florianópolis [veja matéria na Página 3]. O problema mostrou a superlotação dos leitos em Santa Catarina, que fez o governo decretar situação de emergência na sexta-feira passada.

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O hospital Celso Ramos é uma das unidades do estado com 100% de lotação das UTIs, conforme o painel de leitos da Secretaria Estadual de Saúde. “A dificuldade que a gente encontrou a saúde ...

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O hospital Celso Ramos é uma das unidades do estado com 100% de lotação das UTIs, conforme o painel de leitos da Secretaria Estadual de Saúde. “A dificuldade que a gente encontrou a saúde de Santa Catarina é essa. O Celso Ramos é um hospital público e nós estamos fazendo de tudo pra melhorar”, justificou o governador Jorginho.

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Na segunda-feira, a taxa de ocupação dos leitos estava em 93% em Santa Catarina. Na Amfri, a lotação chegou aos 100% durante o dia. As UTIs adultos e infantis dos hospitais Marieta Konder Bornhausen e Pequeno Anjo, em Itajaí, e do Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, também estavam lotadas.

 

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A gente sabe que com a queda progressiva das coberturas vacinais, uma série de doenças que estavam controladas no nosso território podem retornar" - Fábio Gaudenzi - Médico infectologista

 

Governador decretou situação de emergência

Na sexta-feira, o governador  Jorginho Mello (PL) decretou situação de emergência na saúde pública, atualizando decreto de março, devido à alta taxa de ocupação dos leitos de UTIs neonatal, pediátrica e adulta. A situação tem sido agravada pelos casos de doenças respiratórias e dengue nos hospitais catarinenses. O govenador ainda relacionou a situação com os baixos índices de vacinação.

Jorginho explicou que o decreto leva em conta a precariedade estrutural dos seis hospitais públicos da Grande Florianópolis. “Que estavam tudo podre, com dificuldade pra conseguir arrumar eles, mas agora nós estamos arrumando”, alegou. Outro fator foi o aumento de casos de pneumonia, dengue, covid e gripe. “Juntou tudo e o índice baixo de vacinação. Isso contribuiu pra que as UTIs tivessem lotadas nos hospitais de Santa Catarina”, completou.

O governador destacou que decreto vai permitir a contratação rápida de médicos e outros profissionais de saúde. A medida, segundo ele, garantirá o atendimento e a continuidade de obras nos hospitais públicos na Grande Floripa. Entre as melhorias estão adequações de infraestrutura, instalações elétricas e hidrossanitárias.

Para a Amfri, a promessa do estado é de ativação de 30 novos leitos de UTI no hospital Marieta, sendo 20 adulto e 10 neonatais, e mais seis leitos pediátricos para o Pequeno Anjo. A secretaria estadual não respondeu sobre a previsão de abertura desses leitos. A ampliação faz parte do plano pra abrir 144 leitos de UTI em várias regiões do estado.

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O governo abriu chamamento público pra contratação de leitos de UTI neonatal e pediátrica em hospitais privados. O credenciamento pode ser feito até 2 julho. As unidades prestarão serviços à secretaria estadual, mediante solicitação da Central de Regulação Hospitalar, após assinatura de contrato.

 

Coberturas vacinais em queda

SC registra queda na cobertura vacinal nos últimos anos (foto: divulgação)
SC registra queda na cobertura vacinal nos últimos anos (foto: divulgação)

 

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) reforçou neste mês a importância de manter as cadernetas de vacinação de bebês, crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos atualizadas para reduzir o impacto das doenças na população, como hospitalizações e mortes.

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O superintendente de vigilância em saúde e médico infectologista, Fábio Gaudenzi, lembra que Santa Catarina sempre foi referência na vacinação, mas que, infelizmente, nos últimos anos ocorreu um fenômeno de queda das coberturas vacinais. Um dos fatores seria a sensação de que a imunização não é mais necessária diante da redução de casos de doenças preveníveis com vacina.

“As pessoas acabam não sentindo mais a presença desses agentes e com isso tem essa falsa impressão de segurança e de que eles não existem mais, mas a gente sabe que com a queda progressiva das coberturas vacinais, uma série de doenças que estavam bastante controladas no nosso território podem retornar”, observa.

Uma delas é a poliomielite, erradicada no estado desde 1989, mas que pode voltar diante do baixo índice de vacinação. A baixa cobertura também ocorre para o sarampo, rubéola, meningite e febre amarela, entre mais de 20 doenças que podem ser prevenidas com a vacinação.

 

Vacinação contra a gripe

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A queda da vacinação é notada ainda na campanha contra a gripe. A adesão abaixo do esperado fez a campanha ser prorrogada até 30 de junho. Os últimos dados apontavam 46% de cobertura dos grupos prioritários, com 40% entre crianças até cinco anos e de 50% entre os idosos.

Em 2023, já foram 28 mortes por gripe no estado e mais de 400 casos graves. Com os hospitais já lotados, a preocupação aumenta com a chega do inverno, quando as doenças respiratórias se intensificam. Com o novo decreto, o governo estadual prometeu restabelecer a normalidade de serviços essenciais e de prevenção à população.

A professora da Univali, Stella Maris Brum Lopes, doutora em Saúde Pública, disse que seria preciso avaliar todos os indicadores disponíveis pra fechar a correlação entre vacinação e índice de internação. Ela lembra que, com a covid e a pressão no sistema de saúde, vários programas de acompanhamento da população na atenção primária foram descontinuados.

“Isso também impacta nessa questão das internações”, comentou, lembrando também o fator da sazonalidade de doenças mais comuns nessa época. “Então teria que fazer um levantamento de qual é a média das internações para ver se há uma diferença nesse ano”, ressalta.






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