Matérias | Entrevistão


Evandro Neiva

"Vila da Regata de Itajaí vai atrair mais de meio milhão de visitantes

Secretário de Turismo

Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]




Acontece domingo em Alicante, na Espanha, a largada para a The Ocean Race. A maior regata transoceânica do mundo tem previsão de chegada em Itajaí no início de abril. A competição colocou Itajaí no mapa internacional como parada mais querida e esperada pela organização da competição, pelos times e velejadores, além de todo o público da região que espera ansioso pela abertura da Vila da Regata. Um dos responsáveis por garantir o sucesso do evento e por inovar a cada nova edição é o secretário de Turismo de Itajaí, Evandro Neiva. Neste Entrevistão à jornalista Franciele Marcon, Evandro falou sobre a competição, que tem duas classes disputando a regata: os barcos VO65, que fazem o circuito europeu, e os Imoca, que cruzam os mares e passarão por Itajaí. O secretário deu detalhes sobre a Vila da Regata de Itajaí e a expectativa de atrair mais de meio milhão de pessoas para o local. Também comentou sobre a importância da regata para Itajaí e região, além de como a competição transformou e impulsionou o setor náutico. Evandro ainda garantiu que o município voltará a ter Réveillon na Beira-rio e enumerou os desafios com infraestrutura turística que a cidade precisa enfrentar. As imagens são de Fabrício Pitella. A entrevista completa, em áudio e vídeo, você confere em www.DIARINHO.net e em nossas redes sociais.

 

DIARINHO – A The Ocean Race inicia neste final de semana em Alicante após dois anos de atraso pela pandemia. O que esperar para esta nova edição da regata, que deixou de ser organizada pela Volvo e estabeleceu regras mais dinâmicas para as provas?



Evandro – É a quarta vez que estamos sediando a regata. Um privilégio para Itajaí. A covid realmente atrapalhou não só a regata, mas a maioria dos eventos internacionais, a parte de entretenimento, competições esportivas. A gente tem um pouco desse reflexo. Não tem tantas equipes quanto o esperado, mas a competição está aí, acirrada. Ela vai ter a novidade da perna de Itajaí. É a maior perna navegada em uma competição náutica. Não vai passar na Oceania, então eles vêm direto para Itajaí, da África do Sul. Além disso, tem as ações de sustentabilidade. A regata está melhor do que a anterior a nível de organização, parte de estrutura.

DIARINHO – Além da pandemia, a Europa sofre com a guerra da Rússia e Ucrânia. Isso refletiu nos investimentos e no tamanho da The Ocean Race?

Evandro – A Ocean Race teve um problema, assim como os outros grandes eventos. Ainda está muito complicado. Ela diminuiu um pouco o ritmo, mas não sofreu nenhum problema, até onde eu sei, na execução. Teriam mais equipes, mas por esses motivos da covid, da guerra, dos patrocinadores, não deu tempo para que essas equipes se preparassem, porque é muito tempo de antecedência. Mas eles estão otimistas. A gente vem conversando e a procura está muito grande. Foi realmente uma questão de timing. A grande preocupação era essa: ter uma competição e não deixar tanto tempo sem fazer.


DIARINHO – Uma comitiva de jornalistas e autoridades de Itajaí está em Alicante para acompanhar a largada no dia 15 de janeiro. A estratégia de investir em divulgação tem dado resultados práticos?

Evandro – Eu falo que a Ocean Race é um grande exemplo para outras ações público-privadas. Começou num outro governo, com outro governador, com outro prefeito. Já passaram um novo prefeito, dois governadores e ela tem sequência. Realmente, a Ocean Race teve um impacto positivo na nossa cidade, na região. E um amadurecimento para o estado, de como você pode executar um grande evento e usufruir dele. Itajaí mudou depois da Ocean Race. O evento fez com que todos olhassem pra Itajaí de uma maneira mais profissional. Esse reflexo nós colhemos até hoje. A ideia de levar uma comitiva é justamente para que não fique num único olhar. Para que todos possam observar o quanto isso é importante.

DIARINHO – São cinco barcos que chegarão em abril em Itajaí, após partir de Alicante. Qual a diferença técnica da prova de agora? Ela está mais extrema?

Evandro – Esses barcos são extremamente tecnológicos. São diferentes dos que participaram nas outras edições. Eles têm algumas particularidades. Eles realmente flutuam na água, eles chegam numa velocidade maior. Eu andei pesquisando sobre a regata, sobre os times, toda a história. Realmente é muito bacana você ver toda essa configuração e os próprios velejadores estavam esperando essas embarcações na competição. Eu acho que essa etapa, essa perna de Itajaí, vai ser bem emocionante.

DIARINHO – Itajaí já começa a respirar a The Ocean com os preparativos na Vila da Regata. O que o público pode esperar de novidades?


Evandro – A Vila da Regata é o nosso centro, é ali que aguardamos os velejadores, mas também temos a oportunidade de promover nossas particularidades. Ela não tem um formato muito diferente das outras. O Centreventos é uma feira de negócios, que é importante nesse evento, diferente da Marejada, que tiramos a feira de negócios que existia. Esse evento é de negócios, de você usar a oportunidade para promover setores imobiliários, tecnológicos. Teremos a feira multissetorial dentro do pavilhão e a Vila da Regata lá fora. Ela foi ampliada um pouco, aquele terreno que era para ser o mercado do peixe vai ser ocupado nessa Vila da Regata, até pelo tamanho das equipes que estão vindo e também o formato. Nós teremos algumas alterações de layout, mas, tecnicamente, ela é praticamente igual. O que vai mudar são as ativações das equipes, as ativações da cenografia. Vamos fazer uma visitação de crianças durante a tarde. São mais de 9 mil crianças que vão passar pela vila. Tem os shows culturais. Todas as bandas são daqui de Itajaí, estamos fazendo um edital público para isso. A nossa gastronomia. Ela muda um pouco da Marejada, mas realmente a gente tem a preocupação de promover a cidade e as particularidades da nossa região. [Ela vai ser a maior vila, tanto em tamanho como em quantidade de dias ativos?] Sim, são 26 dias ao todo e 22 de operação. A previsão de chegada dos barcos é para 1º de abril. Mas eles têm uma previsão, uma janela, porque depende do vento. Nós vamos abrir dia 29 de março e vamos até praticamente o final do mês de abril. E ficando 22 dias em operação. Da outra vez foram 18. Então é a maior Vila da Regata.

 

Itajaí realmente mudou depois da Ocean Race”

 


 

DIARINHO – A última edição da The Ocean Race teve mais de R$ 83 milhões de impacto econômico em Santa Catarina – 28% a mais do que a parada de 2015. Qual a expectativa para a nova edição?

Evandro – Olha, nós esperamos crescer. Tudo depende muito do momento, mas a ideia é que a gente passe dos R$ 100 milhões. O mais importante é que esse dinheiro circule por aqui. Este é o impacto econômico direto, feito por uma pesquisa da Univali, realmente olhando os fornecedores, notas fiscais e tudo mais. O impacto é muito maior indireto.

DIARINHO – Na primeira edição da regata, Itajaí não tinha sequer leitos de hotéis suficientes para atender as equipes e os turistas. Como está o quadro da hotelaria hoje na cidade?

Evandro – Itajaí foi a cidade que mais cresceu no setor hoteleiro, se modernizou. Itajaí hoje tem um setor extremamente moderno, atualizado, reformado. São novos hotéis de bandeira internacional que foram instalados nos últimos anos. E os tradicionais hotéis familiares, na sua totalidade, estão reformados também.

DIARINHO – Na primeira regata se discutia a implantação da Marina Itajaí, que nem existia. Hoje é inegável a transformação que o investimento trouxe para o setor náutico em Itajaí e região. Como seguir fomentando este setor?


Evandro – O setor náutico foi extremamente beneficiado diante desse grande evento. Não temos só a marina, mas a presença de novos estaleiros na cidade, na construção de lanchas de lazer. Hoje, de 10 lanchas entregues no Brasil, sete ou oito são de Itajaí. Todo esse setor se ampliou. A marina é um equipamento que é visual, você enxerga ela, então impacta de uma maneira muito maior. E foi um equipamento surpreendente, extremamente positivo para a cidade. Nós temos o projeto do novo terminal de passageiros que também é mais ou menos nessa linha. Temos a Ferreti, a Focker, a Fibrafort. Essa mão de obra extremamente qualificada sendo usada para as embarcações de lazer. E todo esse setor começa a se fechar. Se pega um evento de referência, começa a produzir e provocar tudo isso daí. Você promove toda uma cadeia. E isso sem contar que teremos também o Marina Itajaí Boat Show, que é o maior salão náutico da América Latina.

 

Hoje, de 10 lanchas entregues no Brasil, sete ou oito são de Itajaí”

 

DIARINHO – O retorno dos navios de cruzeiros também deu uma nova dinâmica ao turismo de Itajaí, que foi evidenciada pela Santur como o município catarinense que mais trouxe arrecadação turística para SC, com R$ 5,6 bilhões. Itajaí vai continuar faturando alto com turismo?

Evandro – O turismo em Itajaí vem acontecendo de uma maneira silenciosa. A cidade mudou muito nos últimos anos, com muita gente de fora: novos empresários, filhos de empresários tradicionais, dando sequência a empreendimentos. E hoje Itajaí cresce de forma horizontal, provocando outras cadeias. A Praia Brava é uma realidade. Temos equipamentos culturais. Temos uma Igreja Matriz belíssima, edifícios históricos, museus. Tudo isso está começando a ser usado de modo turístico. E começa a ver que Itajaí tem muitas características bacanas para o turismo. Praias diferentes como Cabeçudas, Atalaia, os voos de parapente. Hoje Itajaí é uma realidade turística e esse número evidencia o crescimento econômico. E digo que só estamos começando.

 

Itajaí foi a cidade que mais cresceu no setor hoteleiro, se modernizou”

 

DIARINHO – Embora Itajaí desponte no turismo, enfrentamos problemas básicos de infraestrutura, como a falta de banheiros públicos em nossa orla, a desorganização da avenida Beira-rio, a falta de quiosques nas praias. Por que isso ainda ocorre?

Evandro – Itajaí sempre foi uma cidade em que a gestão administrativa não é dedicada, ou o turismo é um objeto fim. A gente teve uma grande mudança nesse governo: o turismo começou a fazer parte do governo. Cada secretaria tem um pouco de turismo. A infraestrutura passa pelo planejamento, pelas obras, pelo urbanismo. Esses problemas têm mais evidência porque temos uma demanda muito grande e a gestão não acompanhou essa demanda. Mas são ajustes. Eu cobro muito e acho que é uma questão de gestão mesmo e de tempo. A gestão tem que amadurecer e ela vem amadurecendo.

DIARINHO – Itajaí terá queima de fogos para a virada de 2024? Nossa cidade tem chance de ser, também, um grande destino para o Réveillon?

Evandro – Se Deus quiser e se os vereadores não mudarem de ideia mais uma vez. Eu fiquei muito frustrado com o que aconteceu em Itajaí. Eu sempre tive vontade de fazer o Réveillon na Beira-rio. O Réveillon de Balneário Camboriú é um dos maiores do Brasil, um dos mais bonitos. Itajaí tem a Beira-rio, belíssima. Nós estamos com a Marina ali, vários prédios na Lauro Muller, e para as pessoas chegarem também é muito mais cômodo. O Réveillon era feito no molhe. Eu fiz uma pesquisa, muitas famílias nunca pisaram no molhe no Réveillon. Era escondido, ficava aquele aspecto do acesso ser ruim, as pessoas tinham um pouco de medo de ir até lá, na parte de segurança. Nós pensamos muito no Réveillon de Itajaí, e realizamos o primeiro. Nós tínhamos três palcos pequenos com três estilos musicais, com horário previsto. Foi muito bem organizado. Eu não sei por que nós não conseguimos convencer a Câmara de Vereadores para dar continuidade. Até porque nós somos contra os fogos barulhentos. A Secretaria de Turismo é contra fogos por fogos. Não tem sentido soltar fogos sem nenhuma previsão, às 16h, simplesmente por barulho. Mas os fogos de artifício em eventos como o Réveillon, ou outro evento de grande porte, eles mais beneficiam do que prejudicam. Você também pode dar publicidade a esse ato e fazer com que as pessoas, crianças que tenham problema, animaizinhos, possam, de alguma maneira, se organizar. Eu sou totalmente contra algo que faça mal. O trade nos cobrava muito: por que não um Réveillon em Itajaí? E daqui foi uma discussão com a câmara de vereadores e a câmara de vereadores voltou atrás. Ficamos dois anos sem o Réveillon. Eles tiraram isso dos moradores de Itajaí e muita gente cobrou. Acredito que no ano que vem, tenho certeza, teremos um Réveillon novamente na Beira-rio, muito bem organizado, e também fazendo com que as pessoas possam usar os fogos de artifício de uma maneira que não prejudique muita gente e que ajude uma parte do trade.

 

Raio X

 

NOME: Evandro Neiva

NATURALIDADE: São Paulo

IDADE: 47 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: uma

FORMAÇÃO: Publicidade e Propaganda

TRAJETÓRIA: há mais de 25 anos trabalha no ramo da publicidade e entretenimento; foi diretor da Jovem Pan e Transamérica, é secretário de Turismo de Itajaí desde 2017 e integrante do comitê internacional de organização da Volvo Ocean Race e atual The Ocean Race; recebeu o Prêmio Estadual de Excelência de Turismo e o Prêmio Nacional de Turismo, do Ministério do Turismo em parceria com o Conselho Nacional do setor. Foi responsável pela elaboração do 1º Plano de Turismo de Itajaí.

 

 




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