Colunas


A liberdade do tempo


O tempo sempre bate à porta do ser social e lhe cobra o bilhete das transições entre estações. O corpo se desenvolve ao passar dos anos em suas várias fases, mas a percepção sobre o mundo, nem tanto.

Liberdade infantil carrega o sentido de ausência de restrições ou imposições. Liberdade é o mesmo que vontade sem limites. A liberdade que encarna a vontade egoísta é infantil, do nascimento. Cada um nasce livre. Quando criança, as vontades imperam sob o corpo e sobre os “outros”. Afinal, não há “outros” ou bem público para aqueles que percebem somente sua própria vontade. Traduz-se o egocentrismo infantil, a liberdade que escraviza.

As crianças, até por volta dos seis anos, lançam-se ao mundo do “meu”, “eu quero”. A empatia, ou se colocar no lugar do outro, é coisa para se conquistar com os processos de se relacionar com outros. Há instituições eficientes para isso: na escola, nas casas de amigos e parentes, em territórios desconhecidos ou pouco experimentados. Ficar e estar com pessoas e ambientes que não lhe concedam propriedade ou domínio é estímulo para expor os limites do “eu” e do “meu”. “Batidas na porta da frente, é o tempo!”

Adultos pouco experimentados para a epopeia da vida em grupo terão desatinos. Por não perceber os seus próprios limites e a decorrência do outro e das regras que desenham e dão conteúdo ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Liberdade infantil carrega o sentido de ausência de restrições ou imposições. Liberdade é o mesmo que vontade sem limites. A liberdade que encarna a vontade egoísta é infantil, do nascimento. Cada um nasce livre. Quando criança, as vontades imperam sob o corpo e sobre os “outros”. Afinal, não há “outros” ou bem público para aqueles que percebem somente sua própria vontade. Traduz-se o egocentrismo infantil, a liberdade que escraviza.

As crianças, até por volta dos seis anos, lançam-se ao mundo do “meu”, “eu quero”. A empatia, ou se colocar no lugar do outro, é coisa para se conquistar com os processos de se relacionar com outros. Há instituições eficientes para isso: na escola, nas casas de amigos e parentes, em territórios desconhecidos ou pouco experimentados. Ficar e estar com pessoas e ambientes que não lhe concedam propriedade ou domínio é estímulo para expor os limites do “eu” e do “meu”. “Batidas na porta da frente, é o tempo!”

Adultos pouco experimentados para a epopeia da vida em grupo terão desatinos. Por não perceber os seus próprios limites e a decorrência do outro e das regras que desenham e dão conteúdo aos relacionamentos, sofrerão pela falta de transformação da vida pessoal e pela limitada transição à vida pública e coletiva. Como marca pessoal, ainda tentarão impor seus desejos aos outros. Para tanto, recorrem à manipulação sobre as coisas e as pessoas, e criarão “mundo-fantasia” para encaixar seus desejos e culpar os outros por suas frustações e erros. “Eterna” criança que não soube e, talvez, não possa amadurecer.

São os pais os educadores para a liberdade social e para as interações. Desde a formação do ser individual, é na família que se impõem as regras sociais e os comandos. Múltiplos “nãos” e cerceamentos são ditos e exigidos. É na reação do infante que se desdobrarão as imposições. O modo impositivo será constante, revezados aos carinhos e cuidados, atos e fatos que darão a conformação do “ser social”.

A interação social implica na criação de um campo invisível e permanente chamado “nós”. Viver, a partir de então, será a convivência com os outros. Caso algum adulto ainda queira manter seu comportamento de liberdade conquistado pelo nascimento é provável que tentará criar artimanhas para sua posição social. Para adultos com egocentrismo infantil, muito da vida será conquista, dominação, poder para si-somente.

A Liberdade social e política é, por si só, a limitação do ser individual e sua transformação em ser social num mundo coletivo. Admitir os outros e outros desejos, assumir que o querer é ato comum entre todos, é admitir que regras nascem e se avolumam fora de mim. Como quando meus pais me infringiam regras. Só assim conseguirei viver em paz social com os outros.

Aos que não se transformam para o mundo e não amadurecem para a vida social restará o xingamento e o julgamento pela simples condição de que seus desejos não foram realizados. Como não conseguem resolver os problemas que se instalaram em suas formas de ser, e ainda se comportam com traços do egocentrismo infantil, resta-lhes xingar e hostilizar tudo o que não se enquadra no seu jogo cuja vitória tem que ser sua. “Batidas na porta da frente, é o tempo” a cobrar o passar do tempo!


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

O que você faria se encontrasse uma celebridade na Brava ou em BC? 



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Militares apontam grupos armados e pressão migratória como riscos para o Brasil

Venezuela

Militares apontam grupos armados e pressão migratória como riscos para o Brasil

Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo

Venezuela

Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo

Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus

Justiça climática

Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus

A ditadura e o poder civil exibidos ao mundo por "O Agente Secreto"

Além do Globo de Ouro

A ditadura e o poder civil exibidos ao mundo por "O Agente Secreto"

Neste verão, tem maconha argentina queimando legalmente no Brasil

MARIJUANA

Neste verão, tem maconha argentina queimando legalmente no Brasil



Colunistas

Empresa inativa e MEI inativo — por que “abandonar” sai caro

De Olho no Fisco

Empresa inativa e MEI inativo — por que “abandonar” sai caro

Fiel escudeiro

Via Streaming

Fiel escudeiro

Pauta-bomba no legislativo

JotaCê

Pauta-bomba no legislativo

Calorão domina os próximos dias.

Charge do Dia

Calorão domina os próximos dias.

Entre rios e cidades

Clique diário

Entre rios e cidades




Blogs

Day party com Deep Dish neste sábado no Warung Beach Club

Blog do Ton

Day party com Deep Dish neste sábado no Warung Beach Club

Sobrinho do governador de SC é nomeado secretário de Segurança

Blog do JC

Sobrinho do governador de SC é nomeado secretário de Segurança

Desacelerar o envelhecimento: o que a ciência já comprovou

Espaço Saúde

Desacelerar o envelhecimento: o que a ciência já comprovou

Haikai moderno — quando o instante também é urbano

VersoLuz

Haikai moderno — quando o instante também é urbano






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.