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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Tradição e inovação: a festa do Divino de Itajaí 


Há 31 anos passados, em Itajaí, por iniciativa  de um grupo de devotos, era instituída a Festa do Divino Espírito Santo. Entre muitas intenções, estava a de se resgatar uma tradição da cultura popular.

A Festa, desde então, tornou-se presença marcante no calendário religioso e cultural da cidade de Itajaí. Sua intenção primeira fora fazer louvor ao Divino Espírito Santo, na época por via da renovação católica.

Claro também estava que os instituidores da festa se inspiravam na “onda de multiculturalismo” que Santa Catarina passara a viver desde a introdução das famosas festas de outubro. Tornara-se então moda festejar as tradições culturais de cada cidade com festas típicas. Em Itajaí se  construiu o conceito de ser uma cidade de tradições luso-açorianas. Daí  ter surgido a Marejada – Festa Portuguesa e do Pescado. Promoviam-se ideias e símbolos da tradição cultural portuguesa e açoriana.

Na ocasião de instituir a festa, falou-se das origens açorianas, da  transmissão cultural e que a Festa do Divino de Itajaí fora retomada, sendo os costumes reintroduzidos.

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A Festa, desde então, tornou-se presença marcante no calendário religioso e cultural da cidade de Itajaí. Sua intenção primeira fora fazer louvor ao Divino Espírito Santo, na época por via da renovação católica.

Claro também estava que os instituidores da festa se inspiravam na “onda de multiculturalismo” que Santa Catarina passara a viver desde a introdução das famosas festas de outubro. Tornara-se então moda festejar as tradições culturais de cada cidade com festas típicas. Em Itajaí se  construiu o conceito de ser uma cidade de tradições luso-açorianas. Daí  ter surgido a Marejada – Festa Portuguesa e do Pescado. Promoviam-se ideias e símbolos da tradição cultural portuguesa e açoriana.

Na ocasião de instituir a festa, falou-se das origens açorianas, da  transmissão cultural e que a Festa do Divino de Itajaí fora retomada, sendo os costumes reintroduzidos.

No entanto, nunca se soube,  nem se tem registro algum de realização da Festa do Divino Espírito Santo na cidade, antes de 1991.

Pelo que se sabe das memórias de famílias antigas, a coroa e o  cetro do Imperador ficavam  guardados, bem como,   a Bandeira do Divino; mas sem a festa. No Domingo de Pentecostes, dia de comemoração do Divino Espírito Santo, aqueles objetos preciosos eram reverentemente expostos junto ao altar-mor da Matriz  de Itajaí.

Pode-se, por conseguinte, entender que a criação da Festa do Divino Espírito Santo de Itajaí se configurou numa “invenção de tradição”, na medida em que buscou estabelecer continuidade histórica com um passado de incompletudes.

Mas ela atendeu a objetivos pastorais bem delineados e perfeitamente justificados. As transformações sociais amplas e rápidas da época exigiam prontas respostas da ação pastoral da paróquia.  Notadamente o proselitismo neopentecostal que se intensificara  requeria dos agentes pastorais católicos ações que fizessem frente a essa concorrência.

Na festa de Itajaí o pároco passou a ter direção decisiva. Nos louvores agora predominam práticas do catolicismo oficial. Nada mais há das cantigas, músicas e peditórios das festas tradicionais. Conservam-se, todavia, o belíssimo cortejo imperial com trajes de época e a coroação do Imperador.   

Isto posto, conclui-se que a antiga tradição cultural de origem portuguesa da beira-mar catarinense, tão ao gosto do povo, serviu para cristalizar, na nova tradição, práticas de evangelização  para os novos tempos. A 31ª Festa do Divino, em Itajaí, acontece neste ano nos dias 4 e 5 de junho.


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