Penha levou o troféu da semana de praia do cocô. Tudo porque o relatório mais recente da fundação do Meio Ambiente da Santa & Bela (Fatma) apontou que, dos 11 pontos analisados na capital do marisco, nove estão emporcalhados. O prefeito reconhece que todo o esgoto dos moradores vai direto para o mar. Ele alega que começou a se coçar pra resolver o problema na semana passada, quando apresentou à comunidade o plano Municipal de Saneamento, elaborado pela AR Engenharia. Todas as cidades da região registraram, pelo menos um ponto cagado para o banho.
Quem quiser se refrescar numa água verde, salgada e limpinha na cidade de Penha, vai ter que ir à Bacia da Vovó, Praia Grande ou pegar um barco pra dar um mergulho perto da Ilha Feia. Isso porque ...
Quem quiser se refrescar numa água verde, salgada e limpinha na cidade de Penha, vai ter que ir à Bacia da Vovó, Praia Grande ou pegar um barco pra dar um mergulho perto da Ilha Feia. Isso porque todas as outras praias da cidade estão cheias de merda; tomar banho de mar ficou realmente arriscado. Os dados alarmantes estão no 46º relatório de balneabilidade da Fatma, divulgado no dia primeiro de novembro. A partir de agora, a avaliação vai ser semanal em todas as praias do litoral, adianta o gerente de pesquisa e análise da qualidade ambiental da Fatma, Haroldo Tavares Elias. Em todas as sextas-feiras, a lista com a situação das praias vai ser divulgada no saite da Fatma (www.fatma.sc.gov.br).
Continua depois da publicidade
Segundo Haroldo, o número de locais emporcalhados no Estado ficou dentro da média dos últimos relatórios: cerca de 30% dos picos estão podres. Nenhuma cidade da região ficou fora da lista negra das praias cagadas. Os balneários de Piçarras e Camboriú têm um ponto nojento. Navega, Itajaí e Bombinhas estão com dois pontos impróprios para banho. Barra Velha tem três praias sujas, e Porto Belo quatro. O líder da porquice é mesmo Penha, com nove pontos impróprios para banho de mar.
De acordo com o prefeito de Penha, Evandro dos Navegantes (PSDB), o motivo pra tanta poluição é o esgoto da city, que é jogado direto no mar, sem tratamento. A cidade não tem esgoto tratado, vai tudo para o mar, reconhece. Evandro alega que já se coçou para resolver o problema com o plano Municipal de Saneamento, que foi apresentado na semana passada. Com ele, diz Evandro, vai ser possível captar recursos do governo federal para começar a implantação do saneamento básico no município.
O plano geral inclui a produção, a captação e o tratamento de água, além do tratamento de esgoto. Para tirar o projeto do papel, o custo está estimado em R$ 160 milhões. Só para implantar o necessário pra tratar o esgoto, seriam gastos R$ 80 milhões. Num período de 10 anos, 65% da cidade será atendida pelo tratamento, gaba-se o prefeito. A expectativa dele é começar as obras no ano que vem.
Plano duvidoso
Mas os representantes do conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) e do conselho das Cidades (Concidade) não estão satisfeitos com o plano apresentado, por isso devem reavaliar a proposta. De acordo com o presidente do Condema, Sérgio Machado, o plano de saneamento básico, elaborado pela AR Engenharia, deixou uma série de dúvidas e não apontou em nenhum momento sugestões para recuperar o que já foi degradado. Outra coisa que deixou os capos dos conselhos puteados foi a sugestão de jogar todo o esgoto tratado no rio Iriri, que já está morto. A empresa propôs que fosse jogado o resultado do esgoto tratado dentro desse rio. Gostaríamos de entender o porquê, questiona Sérgio. Até o dia 20, o Condema deve entregar um relatório com as considerações a respeito do plano de saneamento básico apresentado pela prefa.
Bagrão do Meio Ambiente quer ver pra crer
Embora Penha tenha uma carrada de belezas naturais e áreas que aguçam os olhos dos empreendedores, a cidade ainda não possui a secretaria Municipal de Meio Ambiente. Para o prefeito, a ausência do órgão não faz diferença. Ele considera Penha pequena para o gasto e espera fazer um concurso público no próximo ano para contratar um engenheiro ambiental pra prefa. Mas secretaria não está nos planos, fala.
Enquanto isso, quem faz as vezes de secretário é o chefe do departamento do Meio Ambiente, Luiz Henrique Ferreira, que fica subordinado à secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. Em entrevista ao DIARINHO, ele reconheceu que a situação da city está mesmo feia. Diz o prefeito que vai tentar arrumar isso aí. Vamos esperar pra ver, falou o bagrão, que responde pelo setor há menos de um mês. Questionado se sua nomeação tem a ver com a afinidade com o meio ambiente, Luiz Henrique lascou: foi um vereador que me colocou aqui.
Continua depois da publicidade