O deputado estadual Volnei Morastoni (PT), da city peixeira, ainda não absorveu a carcada que recebeu ao vivo do apresentador Hélio Costa, da RIC/Record. No jornal do Meio Dia de quinta-feira passada, o parlamentar, ex-prefeito de Itajaí e presidente da comissão de Saúde da Alesc, tentava explicar os motivos pelos quais a saúde catarinense está capengando, principalmente pela falta de leitos no estado, para pessoas que sofreram queimadura. A morte de um gurizinho em Lages, que teve 70% do corpo queimado, levantou esse problema e revoltou a população de toda a Santa & Bela.
O presidente da comissão de Saúde responsabilizava o ministério Público Federal; a secretaria estadual de Saúde, por ter aceitado a condição passivamente; e o ministério da Saúde, que não se agilizou ...
O presidente da comissão de Saúde responsabilizava o ministério Público Federal; a secretaria estadual de Saúde, por ter aceitado a condição passivamente; e o ministério da Saúde, que não se agilizou pra credenciar mais leitos. Foi aí que Hélio Costa, no estilo Datena, cobrou de Morastoni uma resposta para o problema. O senhor é médico, né? O senhor é pediatra? O senhor já foi prefeito de uma cidade? E o que o senhor fez pra conseguir leitos pra queimados em Itajaí? O senhor fez alguma coisa? O senhor fez ou não fez?, carcou o apresentador.
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O apresentador, por sua vez, lascou que o ministério da Saúde está na mão do partido de Morastoni e que o vermelhinho, como deputado estadual, não fez nadica de nada. A discussão foi se acalorando, até que o deputado ficou puto dos cornos de vez e disse que não tinha nada pra responder. É uma avacalhação de tudo... Isso é um caso de polícia, choraminga o deputado, [momento que foi seguido por segundos de constrangedor silêncio].
Em um plá com a reportagem, Volnei Morastoni sidefende dizendo que o apresentador fugiu do foco completamente. A abordagem dele [Hélio Costa] foi totalmente equivocada. Eu estava ali pra apresentar um diagnóstico e dizer como eu via esse problema e que providências poderiam ser tomadas. E ele veio dizendo que eu fui prefeito, que não fiz nada... Não tinha nada a ver uma coisa com a outra, siscapa o vermelhinho.
Morastoni considera que não pode ser responsabilizado pelo perrengue na saúde pelo fato de a presidenta Dilma e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, serem de seu partido. Eu sou um deputado, não sou do executivo, não sou governo, mas tenho dado a minha contribuição. Não fico só na tribuna falando mal do governo, discursa o parlamentar, que considera injusto o fato de a população botar todos os políticos no mesmo balaio.
Sobrou até para o Dado Cherem
Na entrevista, sobrou até para o deputado estadual Dado Cherem (PSDB), adversário de Morastoni que também faz parte da comissão legislativa de Saúde. Ele passou oito anos na secretaria de Saúde e não fez nada pra queimados. Agora, entra com projeto aí, na assembleia. É ser muito cara de pau, disparou o apresentador Hélio Costa.
A reportagem tentou ouvir o tucano a respeito das acusações, mas ele estava em um compromisso na tarde de ontem e acabou não podendo dar um plá. Segundo a assessoria do deputado, Cherem não assistiu à reportagem ao vivo na quinta-feira, por isso ainda não tem uma posição a respeito.
Responsabilidades
O cientista político Eduardo Guerini viu a entrevista e considera que os mecanismos utilizados pelos nossos políticos não resolvem na prática os problemas sentidos pela população. Os deputados tentam usar o parlamento pra dar respostas à sociedade, mas falta habilidade política pra promover mudanças efetivas, carca o sabichão.
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Para Guerini, as soluções para a saúde pública passam pela atualização dos valores da tabela do SUS, que tão congelados desde 1997. Por isso os municípios não têm como dar respostas efetivas pra população. Ninguém quer botar o dedo na ferida, afirma.
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