Cristiano atesta: estacionar o carango na Beira Rio depois das 18h sem molhar a mão dos flanelinhas é missão impossível. A maioria cobra adiantado pelo serviço. O cara vem te abordar na porta do carro. Tu não sabes como vai ser a reação da pessoa diante de uma negativa, lamenta Cristiano.
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O empresário costuma frequentar a Beira Rio com a família e conta que os guardadores de carro chegam a brigar entre si pra disputar o dinheiro dos motoras. Se um vai correndo na direção do carro do outro, é confusão na certa, relata. E correr, conta, é uma das especialidades desses malandros. Mesmo os motoras que tentam estacionar distante de onde os flanelinhas estão concentrados acabam seguidos por eles, que botam sebo nas canelas pra extorquir alguns pilinhas.
Na opinião do empresário, falta policiamento pra coibir a ação dos malandros. Eles [policiais militares] passam, dão uma olhadinha no movimento dos bares e vão embora. Os flanelinhas correm [deles] e depois voltam, afirma Cristiano. Ele acredita que, pelo menos, 10 marmanjos estão diariamente extorquindo os motoras na Beira Rio. Com a vinda da regata Jacques Vabre, acredita, a situação deve ficar ainda pior devido ao aumento do movimento.
É um problema social
O secretário de Urbanismo de Itajaí, Paulo Praun, diz que a fiscalização que a prefa pode fazer é a de multar os caras por falta de alvará ou autorização pra cobrar pelo estacionamento. Mas o fiscal vai lá mandar eles saírem, e eles voltam depois, diz. Além disso, não há como aplicar multa, já que a maioria deles não tem endereço fixo. É mais um problema social, define o abobrão.
E com relação a isso, quem responde é a secretária do Bem Estar Social, Jussara Pamplona. De acordo com ela, ainda não há um trabalho específico realizado com moradores de rua e flanelinhas. O que existe é abordagem e orientação, mas não um cadastro que possibilite o acompanhamento dessas pessoas.
No início do ano que vem, entretanto, a situação deve ficar mais controlada. A abobrona está apostando todas as fichas no futuro centro de Referência Especial da assistência Social, que faz parte de um programa da secretaria orientado pelo ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do governo federal. A prefa ainda nem sabe onde o espaço será construído, mas Jussara avisa que o local terá atendimento psicológico, pedagógico, oficinas, assistência social e incentivo de reaproximação com as famílias. Além disso, o endereço do centro (que ainda não existe) poderá ser usado pelas pessoas cadastradas para fazer documentos e tomar banho, por exemplo.
Abobrona da segurança confia que parquímetros vão acabar com problema
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É um problema muito sério, que deixa a gente com a sensação de que não consegue fazer nada. A frase é da secretária de Segurança do Cidadão de Itajaí, Susi Bellini. Segundo ela, a PM é frequentemente acionada pra bizolhar a folgação dos flanelinhas na Beira Rio, mas nem isso é suficiente pra espantar os malacabados. Até porque os fardados só podem agir se pegarem os flanelinhas com a boca na botija, extorquindo o povão. E não há condição de ficar correndo com os flanelinhas enquanto existem outras ações mais importantes. É preciso avaliar qual é a necessidade maior do cidadão.
De acordo com a abobrona, o ministério Público recomendou a implantação de estacionamento rotativo ao longo de toda a Beira Rio para diminuir esse perrengue. Perto do mercado Público, o sistema já funciona, mas a ideia é que o serviço funcione em toda avenida. No dia 10 de novembro, as monitoras vão começar a orientação da população e a cobrança do estacionamento rotativo será aplicada a partir do dia dois de dezembro. A presença das monitoras e dos agentes, afirma a secretária, deve coibir a ação dos flanelinhas no local.
Outra forma de evitar esse tipo de extorsão, tanto na Neira Rio quanto em outros pontos da cidade, será a criação da guarda municipal, que tem tudo pra rolar em 2014. Vai haver guarda a pé pra que se vigie e se cuide das áreas públicas, prevê Susi.
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